Delcy Rodríguez, autocrata interina da Venezuela, e Donald Trump se encontram em reunião histórica
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
Ariel Palacios
Tatiana
- O encontro histórico entre Delcy Rodríguez e Donald Trump na ONUparadoxos do chavismo e imperialismo yanqui·aproximação improvável entre Venezuela e EUA·Maduro preso em Nova York·Delcy classifica encontro como histórico·cooperação em áreas estratégicas
- A reaproximação entre Venezuela e EUA impulsionada pelo petróleoretórica anti-Casa Branca do chavismo·Venezuela vendia petróleo para os EUA·reforma da lei do petróleo e minérios·Estados Unidos amplamente beneficiado·tentativa de reestruturar dívida externa
- As tentativas frustradas de María Corina Machado de retornar à Venezuelatentativas de entrada por mar e ar·uso de passaporte panamenho especial·encontro com Trump na Casa Branca·doação da medalha do Nobel da Paz a Trump·falta de apoio de Trump para retorno
- O discurso de Javier Milei na ONU e suas críticas à organizaçãobalanço de conquistas econômicas do governo·ONU como organização inútil e burocratas·confinamento da pandemia e genocídios·reivindicação argentina das Ilhas Malvinas·críticas à Grã-Bretanha e planos militares
- A visão de Milei sobre o Brasil e o futuro econômico da ArgentinaBrasil fora do Escudo das Américas·esperança de Brasil romper caminho socialista·Argentina como nova terra prometida·Argentina potência econômica como Espanha e Itália·Argentina potência econômica como Alemanha e EUA
CBN Pelo Mundo com Ariel Palacios. Ariel Palacios, tudo bem? Boa tarde.
Boa tarde, Fernando. Boa tarde, Tatiana. Boa tarde a todos, como estão?
Tudo bem.
Estamos bem aos humores dos malucos que estão falando ali no púlpito das Nações Unidas. Ontem teve presidente do país que se diz o mais democrático do mundo defendendo crime de guerra e intervenção militar na América do Sul. Hoje teve os filhotes, né, que ele produziu no mundo, como o presidente Milei chamando a ONU de inútil. E tem uma reunião que foi considerada histórica pela presidente, que eu acho que talvez a gente possa chamar de fantoche, da Venezuela, Delcy Rodríguez, numa reunião com Donald Trump. Conta tudo, Ariel.
Pois é, Tatiana, vamos começar por Delcy Rodríguez, a autocrata interina da Venezuela, e talvez seja a figura mais entreguista de toda a história da Venezuela, conseguindo ultrapassar tudo que já havia sido feito antes. Mas é um daqueles paradoxos do chavismo, que falava contra o imperialismo yanqui, etc., etc., de uma forma ostensiva, com todas aquelas frases clássicas. E agora, né, justamente com o apoio de toda a Assembleia Nacional, o parlamento que tem maioria avassaladoramente chavista, agora está fazendo tudo que Trump quer.
Inclusive, o que mais chama atenção é que você pode ir para o encontro, uma reunião por pressões políticas, etc., né, mas se você sorrir o tempo inteiro nessa reunião e mostra que você está muito confortável com a situação. E foi esse o encontro, né, o encontro mais esperado do dia ontem na Assembleia Geral da ONU, de Delcy Rodríguez com Donald Trump, né. Eles se reuniram na noite de ontem em Nova York, consolidando essa aproximação que até poucos meses parecia totalmente improvável, impossível.
Bom, foi o primeiro encontro entre Trump e Delcy desde a captura de Nicolás Maduro por forças americanas em janeiro. Recordando que o então autocrata foi sequestrado e transportado para Nova York, onde está preso. Delcy Rodríguez inclusive está ali perto da prisão onde Maduro está, no Brooklyn. Nada de nada de falar em visitar Maduro, que continua como presidente oficial da Venezuela segundo o chavismo, já que Delcy é uma presidente autocrata interina.
E o hotel ocorreu a portas fechadas, no hotel Lotte New York Palace, durante uma recepção oferecida por Trump a vários outros líderes estrangeiros. Participaram desse encontro o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e o secretário do Tesouro, Scott Bessent. Delcy classificou o encontro como, abre aspas, histórico, fecha aspas, e afirmou que foram discutidos o fortalecimento das relações bilaterais e a cooperação em áreas estratégicas.
Recordando que Delcy no ano passado chamava Trump de, que dizia que Trump tinha garras imperialistas, e neste ano aplica-se muito bem aquela canção de Chico Buarque, Quem Te Viu, Quem Te Vê, fala em Trump como amigo e sócio. Bom, ela disse que discutiram sobre cooperação em áreas estratégicas. Essa cena consolida a guinada das relações entre os dois países desde o dia 3 de janeiro, não é? Até porque o chavismo, durante o período de Hugo Chávez e depois com Nicolás Maduro, havia construído boa parte de sua retórica internacional sobre o confronto com a Casa Branca, com Washington, independentemente do presidente americano de plantão, fosse Bush Filho, fosse Barack Obama, fosse quem fosse.
Inclusive era aquela retórica enquanto ao mesmo tempo a Venezuela vendia petróleo para os Estados Unidos. Então os paradoxos já vem há bastante tempo, né? Recordando que na mesma ONU Hugo Chávez em 2006 foi fazer o seu discurso. Bush havia falado antes, e ele no dia anterior, e ele disse uma das frases mais peculiares da história da ONU, que disse: cheirou, fez assim e disse: sinto o olor a azufre, sinto o cheiro a enxofre, el diablo, o diabo, não é, esteve aqui, ele disse, né?
Então agora a gente vê totalmente o o contrário, mesmo regime, outro discurso. Bom, Delcy chegou aos Estados Unidos falando em respeito, cooperação, entendimento. Maduro ali preso a poucos quilômetros. A reaproximação é principalmente o petróleo, já que a Venezuela reformou a lei do petróleo com respaldo total da Assembleia Nacional, o parlamento, e depois também reformou a lei dos minérios. E nas duas leis, nas duas reformas, os Estados Unidos amplamente beneficiado.
Enquanto isso, a delegação venezuelana está discutindo também energia, mineração, mas também está tentando reestruturar a dívida externa, que é estimada entre 150 bilhões e 200 bilhões de dólares. Quando estimada, porque o próprio regime venezuelano não oferece um valor oficial exato.
Agora, Fernando, a opositora Maria Corina Machado, ela tenta voltar para Venezuela e não consegue. Tá onde ainda, Ariel?
Tá bom, ela tá tentando voltar à Venezuela, até aproveitou a ida de Delcy Rodrigues para tentar entrar por mar, por ar, isso a partir do Panamá. Foram, foram 3 tentativas frustradas em 24 horas, tentou pegar 3 voos diferentes, não conseguiu. 7 tentativas nas últimas semanas, numa delas inclusive Machado pretendia viajar usando um passaporte especial panamenho, não é? E não conseguiu tampouco com isso. Recordando que ela saiu da Venezuela em dezembro do ano passado para receber o Nobel da Paz em Oslo.
Em janeiro, ela se encontrou com Trump na Casa Branca, isso depois da queda de Maduro, e lhe deu de presente a própria medalha do Nobel, não é? Porque Trump queria o Nobel da Paz, não podia ter o Nobel da Paz por parte da Academia do Nobel. E então ela lhe deu a medalha física, não é? O título, o Prêmio Nobel não se transfere. Uma pessoa que tem um Nobel fica com esse Nobel até morrer como premiada. Mas então o que ela fez, já que Trump não podia ser premiado, lhe deu a medalha.
Bom, o fato é que esse Trump recebeu, Maria Corina Machado, na Casa Branca, numa reunião bastante breve, sem muita pompa. Ficou com prêmio, não é? E não lhe deu, não deu apoio algum a Maria Corina Machado para voltar à Venezuela. Ou seja, acho que a expressão era deu com os burros na água, não é? Assim como não conseguiu nada do que ela pretendia, nem voltou para Venezuela, e ficou ainda por cima sem a medalha do Nobel. Ou seja, o cenário atual é um cenário no qual para Trump não convém a realização de eleições, até porque a própria oposição clássica venezuelana está criticando as concessões que Delsa está fazendo, né?
Não convém para Trump a realização de eleições na Venezuela e para Delsa Rodríguez tampouco convém, né? Então mais um ponto em comum entre Trump e Delsa Rodríguez, que para eles a situação está mais do que espetacular, né? Então, Machado, vai controlar fora da Venezuela, e dele se negocia diretamente com a Casa Branca.
Quantos absurdos Milei falou durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU hoje, hein, Ariel? Eu citei só um aqui, né?
Exatamente. Bom, ele começou seu discurso com um balanço do que ele classificou de conquistas econômicas nos primeiros anos do seu governo, e aí na sequência criticou a ONU dentro da própria ONU. Tatiana Milei disse que, abre aspas, a ONU é uma organização inútil disfarçada de burocratas, fecha aspas. O líder argentino anarcocapitalista, que já havia sido contra as vacinações na pandemia, sustentou que a ONU, abre aspas, forçou um confinamento que provocou genocídios, fecha aspas.
E Milei, depois disso, dedicou boa parte do discurso a um clássico recente dele, porque ele só está falando nesse assunto nas últimas semanas. Antes ele não falava, agora sim, que é a questão da reivindicação argentina das Ilhas Malvinas, assunto ao qual ele não havia dado bola. Mas levando em conta a queda persistente de sua popularidade, recorreu a um velho, uma velha ferramenta argentina, o nacionalismo. E agora ele vive falando em reivindicar as Ilhas Malvinas e ele disse que ele vai reaver as ilhas.
Bom, e isso incluindo críticas à Grã-Bretanha, país ao qual ele citou em outro discurso recentemente como potência em intensa decadência. Bom, Milei anunciou recentemente que vai construir uma base militar enorme na Terra do Fogo no extremo sul do país, ali de olho nas Malvinas. Enviou um projeto de lei também dias atrás, na semana passada, para aumentar o orçamento nacional na parte militar, na compra de submarinos e uma fragata.
Mas Milei hoje disse que isso não tem nada a ver, que não vai recorrer a ações bélicas para retomar as Malvinas, mas disse que o Reino Unido precisa aceitar sentar à mesa das negociações. E disse que os kelpers, que são os ilhéus, são os descendentes de galeses, escoceses, ingleses que chegaram lá em 1833, quando a Inglaterra removeu a população argentina que estava lá, e aí entraram os integrantes do Reino Unido. Ele disse que eles não têm direito algum, que são uma população implantada.
Ele também disse depois, numa conversa com os jornalistas depois do discurso, um dos jornalistas perguntou o que ele achava do Brasil não integrar o grupo de países do Escudo das Américas, recordando Escudos Américas são 14 países latino-americanos mais os Estados Unidos, 15 no total, que tem uma espécie de estratégia comum que ainda está sendo elaborada para combater o crime organizado transnacional e classificar como grupos terroristas versus grupos criminosos, diversas máfias.
Bom, aí Milley respondeu o seguinte, abre aspas: o fato de que o Brasil participa ou não do Escudos Américas é uma questão do Brasil, mas tenho esperança de que o Brasil consiga romper esse caminho. Socialista em decadência dos últimos tempos e volte a abraçar as ideias da liberdade e volta a ser parte dos países livres. Fecha aspas. No discurso em si ele não havia citado nada sobre o Brasil, mas nessa conversa com jornalistas disse essas questões ali sobre o Brasil.
E sobre a Argentina, aí nessa conversa com jornalistas, Milei disse em tom meio de Moisés, disse, abre aspas, a Argentina é a nova terra prometida Fecha aspas. Recordando que Milei havia dito que a Argentina, tempos atrás, ele voltou a afirmar que a Argentina terá uma potência econômica equivalente à Espanha e Itália daqui a 3, 4 anos, e que será uma potência econômica tal como a Alemanha daqui a 15, 20, e será tal como Estados Unidos daqui a 30 anos.
É um pouco como parte dos argentinos se sentem mesmo, né? Meio europeus.
Mas é, mas nesse ponto, nesse caso, ele deu uma forçadinha, né, Ariel?
Uma pequena forçadinha.
É que as pessoas se vestiam antigamente meio à moda europeia, hoje não mais, não é? Mas outra coisa é que o Milei acha que vai ser uma potência econômica, uma das principais potências econômicas do planeta.
Tá bom, Ariel Palacios, obrigado, Ariel, e até a próxima quarta-feira.
Valeu, Ariel, até mais, tchau tchau!