Que galho seco você anda regando?
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- A necessidade de podar para crescer e florescer na vidaa natureza como professora de crescimento·esqueletamento como técnica de poda·o corte devolve vigor à planta·a vida cobra poda existencial
- Identificar e cortar 'galhos secos' que drenam energiacompromissos sem sentido·relações que só drenam·projetos que morreram·versão antiga de nós que insiste em dar ordens
- A dor do corte e a recompensa do renascimentocortar dói e parece retrocesso·a lavoura podada fica feia por um tempo·o agricultor aguenta a fase esqueleto·o que parecia fim era preparação de colheita
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Refletir para Viver com Rosandro Klinger. Você gostaria de crescer mais como pessoa? Pois a natureza, essa velha professora, guarda lições generosas sobre florescer, e quase todas passam por um lugar que ninguém quer visitar: o corte. Assistindo ao Globo Rural, aprendi uma palavra nova sobre isso: esqueletamento. É uma técnica de poda do cafeeiro. Quando a planta envelhece e a produção cai, o produtor faz o que parece loucura: corta quase tudo.
Retira os galhos, deixa o pé de café reduzido ao esqueleto. Quem passa na estrada e vê aquela lavoura toda decepada jura que o cafezal morreu. E é o contrário. O corte devolve vigor. Meses depois, a planta rebrota com força e volta a produzir mais do que antes. O café precisa perder para dar fruto de novo. Desliguei a televisão pensando: quanta gente precisando de um esqueletamento e adubando galho seco. Porque a vida cobra essa poda existencial.
Você sabe disso? A planta não escolhe, a gente sim, e é aí que trava. Vamos acumulando galhos, como o compromisso que já não faz sentido e tem aquela relação que só drena, o projeto que morreu faz tempo e segue no papel por teimosia. Ah, não esqueça do cargo que virou peso. E sobretudo da versão antiga de nós que insiste em dar as ordens. Tudo isso consome a seiva. E a pessoa se espanta: trabalho tanto e não floresço. Como vai florescer?
A energia inteira está indo para sustentar o que não produz mais. O produtor de café sabe algo que a psicologia confirma há tempos: cortar dói e parece retrocesso. A lavoura podada fica feia por um tempo, rende menos naquela safra, os vizinhos comentam, e o agricultor aguenta a fase esqueleto porque conhece o ciclo. Sem o corte, a decadência é lenta e disfarçada de continuidade. Talvez a pergunta desta semana seja essa: que galho seco você anda regando?
O que na sua vida ocupa espaço de fruto e só entrega sombra? A tesoura assusta, mas repara na lavoura rebrotada. O que parecia fim era preparação de colheita. Tem fases na vida em que crescer é cortar, mas ninguém poda a vida por você.
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