Brasil tenta conciliar reação às ações de Trump com espaço para negociação
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
Miriam Leitão
- O discurso de Lula na ONU e a crítica ao comportamento de Trumpimportância simbólica da abertura da ONU·Trump como imperador·desrespeito à liberdade de imprensa nos EUA
- A tentativa de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileirastarifas com discurso político-eleitoral·sanções contra ministro do Supremo·declaração de facções criminosas como terroristas
- A estratégia do Brasil de conciliar discurso duro com negociaçãorecado sincero e tentativa de negociação·retaliação comercial e risco de inflação·reação que não prejudique o Brasil
Dia a Dia da Economia com Miriam Leitão. Bom dia para você, Miriam Leitão.
Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes da Rádio CBN.
Bom dia, Miriam.
Miriam, hoje o presidente Lula fala na abertura da Assembleia Geral da ONU, logo depois das 10 horas da manhã. Ontem já fez algumas afirmações, e aí fala de Trump, que diz que age como imperador. Estuda também pôr produtos para incluir na lista ali de reciprocidade, depois daquele tarifação lá dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, diz que não pretende entrar em guerra e que quer negociar. Quero ouvir sua análise.
É, ele hoje é um dia importante, né, porque sempre a gente, essa abertura da ONU para nós tem uma importância simbólica muito forte, que é o fato de o Brasil abrir tradicionalmente, né, a parte das falas dos chefes de Estado. O Brasil é o primeiro a falar sempre e depois vem os Estados Unidos. E então esse momento que a gente fica prestando atenção porque o Brasil passa os principais recados. E o recado que ele já começou a passar ontem nessas entrevistas, no encontro com o Mandani, o prefeito de Nova York, e principalmente na entrevista a Christiane Amanpour, é esse, né, que os Estados Unidos têm um comportamento de— que o presidente Trump tem um comportamento de imperador, de, né, e ele tem toda razão.
Porque o presidente Trump tem inclusive internamente desrespeitado questões que são cânones, questões que são clássicas na democracia americana. Ele tá agora desrespeitando a emenda, a primeira emenda americana. Isso é uma coisa que eu não pensei que eu fosse ver na minha vida, que a primeira emenda sempre foi considerada sagrada nos Estados Unidos, que é a liberdade de imprensa. E ele fechou a Casa Branca para alguns órgãos de imprensa, inclusive a CNN.
Então ele vai trazer esse recado. O recado, ele parece contraditório que ele vá um recado duro e ao mesmo tempo queira negociar, mas é isso que o Brasil precisa fazer: entregar seu recado de forma sincera e, por outro lado, continuar tentando negociar com os Estados Unidos. O Brasil, desde o começo, ele se dispôs à negociação. Para o Brasil essa retaliação. Isso que ele falou, que você chamou atenção também, Milton, que tá procurando produtos para reciprocidade, para lei de reciprocidade.
Ele tem que falar isso, mas você tá vendo como é que tá andando devagar essa ideia de ter um mesmo retaliar os Estados Unidos com produtos americanos que sejam sobretaxados no Brasil, porque isso pode ser uma forma de trazer inflação. Então eles têm que saber como reagir, não é reagir de uma forma que doa neles, mas não produza problemas aqui. O Trump tá com problemas de ter enfrentar lá os efeitos negativos inflacionários das tarifas que ele colocou sobre todos os países, e alguns países de forma particularmente forte, como o Brasil.
Mas é esse o discurso que vai ficar entre falar do autoritarismo americano, mas ao mesmo tempo querer uma porta para negociação, Cássia.
E dá uma resposta, né, Miriam, em relação a essa tentativa de interferência dos Estados Unidos nas eleições aqui. A gente tá poucos dias do primeiro turno e a gente tá observando uma tentativa muito clara de interferência, né?
É, ele tem desde o começo, né, a própria tarifa. A tarifa, quando foi colocada pela primeira vez, colocada com um discurso político, político-eleitoral. Ele fez essas sanções contra ministro do Supremo também com esse discurso. E mesmo essa declaração de que as facções criminosas são terroristas é uma ameaça intervencionista. Não que queira se queira poupar, pelo contrário, o Brasil quer ajuda e cooperação no combate às ações criminosas no Brasil.
Mas o caminho que eles escolheram pode abrir espaço para uma interferência. Mas é isso, eles têm tentado encontrar caminhos de interferência na eleição, influenciar direta ou indiretamente o resultado que eles acham que é bom, que é a eleição de Flávio Bolsonaro. E então isso é uma questão que ele vai falar assim, ele deve falar da forma diplomática, mas assim, para falar contra qualquer interferência em processos eleitorais democráticos dentro dos países.
Muito obrigado, Miriam. Bom dia para você e até logo mais no CBN Brasil.
Até mais tarde.
— Anúncios inseridos dinamicamente —