Lula tem discurso mais 'ponderado' em debate na ONU
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- A postura mais ponderada de Lula no discurso da ONUdiscurso austero·não foi palanque eleitoral·abordagem de temas sensíveis
- O contraste entre o discurso de Lula e o de Donald Trump na ONULula como porta-voz da reação·Trump negacionista·Trump sobre Venezuela e Irã
- Os temas abordados por Lula no discurso da Assembleia Geral da ONUdefesa da soberania nacional·reforma do Conselho de Segurança·democracia em xeque no Brasil·luta contra o feminicídio
- A mensagem de Lula sobre a democracia brasileira e a soberania nacionalBrasil não permitirá inimigos da democracia·democracia brasileira pertence aos brasileiros·Brasil não é quintal de ninguém
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Tudo é Política com Maria Cristina Fernandes. Oi, Maria Cristina, boa tarde.
Boa tarde, Fernando. Boa tarde, ouvintes.
Bom, boa tarde. Discurso de Lula na Assembleia Geral da ONU. Quero começar te perguntando se algo te surpreendeu no que disse o presidente hoje.
Eu achei um discurso mais austero do que muita gente tava apostando que fosse, que fosse fazer ali da Assembleia Geral um grande palanque. Obviamente ele tocou em muitos temas, falou de 4 de outubro falou do que a democracia, a democracia estava em xeque no Brasil, que o Brasil ia ter que escolher entre anseio por mudança ou retroceder, entre supremacia racial e submissão feminina. Isso, reeditar essa supremacia racial, reeditar a submissão feminina.
Ele colocou vários pontos do que ele acha que é a pauta adversária dele. Falou das bets que transformam o vício em lucro, falou da resistência ao tarifação, da luta contra o feminicídio. Mas a despeito de ter colocado a 6 por 1, de ter colocado todos esses temas, eu achei que foi um discurso mais ponderado do que o do ano passado, em que ele não estava em campanha. Porque no ano passado o presidente americano, Donald Trump, tinha acabado de tomar posse, tava ali no auge do tarifação, Gaza tava sob bombardeio, a guerra do Irã tava no momento muito mais tenso também, e o Lula se fez um pouco de porta-voz de uma reação, né?
Como ele havia derrotado um governo que, depois de uma tentativa de golpe inspirada no 8 de janeiro do Trump, ele meio que se fez porta-voz. Ele, o discurso dele repercutiu muito em função disso, né? Então aquele era o mundo que ainda tava assim apoplético com a posse do Trump e do que ele estava ameaçando para o mundo. De alguma maneira, hoje, este mundo que assistia um pouco apalermado após o Trump rendeu-se, de certa maneira.
E eu acho que isso, isso de alguma maneira, eu acho que explica também a pouca repercussão que esse discurso do Lula teve. Mas eu acho que teve o próprio tom que o presidente deu, porque foi um discurso de legado, eu diria, mais do que um discurso eleitoral, porque ele tá vivendo uma eleição bastante apertada, né? E lá para as tantas, já no final, quando ele falou que em 4 de outubro milhões de brasileiros e brasileiras vão às urnas para definir esse destino, o seu destino, ele disse que o Brasil não permitirá que os inimigos da democracia internos e externos atentem contra a vontade popular. Ninguém nos afastará desse caminho.
E opôs também o que é a democracia e o que é o negacionismo, nas palavras dele, né? Se referindo ao pleito presidencial.
Exatamente, para o Trump. O Trump, o que veio em seguida, diz disso tudo que o Lula falou, né? Mas eu achei um discurso relativamente resignado, e com um discurso que ele conclamou ali os valores que ele reputa a campanha dele representar. Mas olha, aconteça o que acontecer, Ninguém afastará o Brasil do seu caminho democrático. A democracia brasileira pertence aos brasileiros. Por incrível que pareça, soberania só apareceu uma vez no discurso.
E eu acho que deixou um recado. A intenção de encontrar o Trump ali nos bastidores não aconteceu. E o discurso que veio em seguida foi realmente o oposto de Lula, né? Porque ele falou da Venezuela, juntou o petróleo da Venezuela e dos Estados Unidos, disse que os dois países juntos tinham 60% do petróleo do mundo, como se fosse um— a Venezuela tivesse virado um protetorado americano, né?
Mas é assim que ele se comporta e enxerga, né, a situação.
E disse que o que ele fez na Venezuela, ele não pronunciou o Nicolás Maduro, mas disse que o que ele fez lá mostrou que o continente não está aberto aos vermelhos, né, aos inimigos externos. Enquanto Lula disse que o Brasil Não é quintal de ninguém, ele disse ali em todas as letras que a América Latina era quintal dos Estados Unidos, que não permitiria essa captura do continente por nenhuma outra potência. E ele, um discurso absolutamente negacionista, disseram que haveria aquecimento global, o mundo está resfriando.
O Trump falou isso, gente, é tão absurdo, né? É tão absurdo que a gente trate isso com normalidade. É tão absurdo isso sair da boca do presidente do país mais poderoso do mundo, né? Que é o contrário do que todos os cientistas vêm falando há anos. Pois é, disse que o Irã será aniquilado, o que também é horrível, porque o Fernando chamou aqui atenção, tá aí fazendo alusão a um crime de guerra, né?
Com certeza. Então foi um show de horrores. E a inteligência artificial, que os Estados Unidos têm condição de vencer esta guerra, é sempre a preponderância e a supremacia americana que estão em pauta, né? E sobre, disse que o Irã tava esperando que os Estados Unidos perdessem a as eleições de meio mandato agora em novembro, ele fez questão de dizer: eu não sou candidato. Ou seja, aconteça o que acontecer, eu vou seguir na minha, na minha linha, né?
E vou partir para cima e aniquilar o Irã. Então foram discursos contrastantes, mas que pela conjuntura internacional o Lula fez menos o contraponto do que o havia feito no ano passado e fez um discurso com recados para dentro e para fora. Obviamente que em função do calendário eleitoral, um discurso que tem um endereçamento para o eleitorado brasileiro muito claro, mas de maneira mais austera até do que eu imaginava.
Muito bem. Maria Cristina Fernandes, conosco diariamente em Tudo é Política, hoje analisando, portanto, o discurso do presidente Lula na abertura da Assembleia Geral da ONU. Obrigada, Maria Cristina. Até amanhã.
Eu que agradeço. Tá te esperando até amanhã, 14:20.
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