Lula faz um discurso ‘moderado’ que mostra ‘clareza em relação ao que o Brasil é e ao que defende’
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Carlos Eduardo Éboli
Carol
Cristina Pecequilo
- A análise do discurso moderado de Lula na Assembleia Geral da ONUrepetição de linhas clássicas da diplomacia·clareza sobre o que o Brasil defende·defesa do multilateralismo
- O tom ofensivo de Trump sobre o Irã e as eleições de meio de mandatoameaça de aniquilar a República Islâmica·recado para o Irã e o Partido Republicano·pressão de países do Oriente Médio
- A competição tecnológica entre Estados Unidos e ChinaTrump usando a ONU para propósitos domésticos·encontro de Trump com Xi Jinping·Estados Unidos à frente da China
- A atenção de Trump ao hemisfério ocidental e a saída da delegação cubanahemisfério sob hegemonia americana·ofensiva contra Cuba e comunismo·crise humanitária em Cuba
- O panorama de sucessos de Trump e a superinteligênciaguerras resolvidas e economia próspera·acordo com a Groenlândia e Dinamarca·superinteligência como nova inteligência artificial
CBN Pelo Mundo com Cristina Pescequilo.
Oi, Cris, boa tarde!
Oi, Tati, boa tarde, boa tarde, Fernando e ouvintes!
Boa tarde, Cris!
Bom, vamos lá, abertura da Assembleia Geral da ONU. Então a assembleia segue acontecendo ali em Nova York. A gente acabou de ouvir a análise da Maria Cristina Fernandes. Eu queria ouvir você também a respeito de que balanço é possível fazer do discurso do presidente Lula. Maria Cristina achou que ele foi austero em relação às expectativas que havia a respeito do discurso. Confirmou as expectativas, Cris?
Confirmou sim, Tati. Discordar da Maria Cristina, não vou discordar não. Concordo com ela em tudo praticamente. Então, eu acho que foi um discurso austero, eu acho que foi um discurso moderado e foi um discurso que repetiu linhas clássicas da diplomacia brasileira, mostrando que independente daquilo que os Estados Unidos ou qualquer outro país estejam provocando o Brasil nesse momento ou criando problemas, existe uma clareza com relação ao que o Brasil é, ao que o Brasil defende em termos de direitos humanos, o que defende em termos de geopolítica e principalmente na na defesa do multilateralismo.
Eu acho que essa foi uma das grandes questões que o governo Lula pôde trazer para esse discurso em termos de política internacional, mostrar que a ONU é relevante, mas ao mesmo tempo ela está deixando de ser em um contexto no qual os próprios membros estão desconstruindo a sua agenda. E aí, lógico, né, a gente teve aqueles momentos mais ligados à eleição do Brasil, ligados a críticas aos Estados Unidos, mas sempre dentro de um padrão bastante contido, né?
Eu acho que foi um discurso muito bom, mas é aquilo, né? Que que o público interno vai ouvir? Não muito, né? As pessoas não se importam muito com política externa, por mais que me doa dizer, né? Mas é algo que a gente tem que estar atento, né? A PIGS escala 6 por 1. Então foi um discurso dentro das nossas expectativas mesmo.
Cris, Trump adotou um tom ofensivo, principalmente quando falou sobre o Irã, quando ele fala que vai aniquilar a República Islâmica rápidamente sobre isso e sobre vincular isso às eleições de meio de mandato. Eles estariam esperando terminar as eleições para algo, para que algo aconteça, um acordo ou não? É isso?
É, foi isso sim, Fê, Tati, ouvintes. E aí uma coisa bastante interessante é que o Trump disse várias vezes que ele não está preocupado com reeleição porque ele não vai concorrer em 2028. Então ele deu um recado para o Irã, um recado eu diria até violento. Não é a primeira vez que ele comete esse, assim, podemos dizer crime de guerra, né, ao dizer que ele vai aniquilar uma civilização. E ele deixou claro que agora as coisas estão na mesa, mas que ele só vai fechar o acordo depois.
E há também algo no que a gente chama de encontros paralelos da Assembleia Geral. O presidente Trump vai ter um encontro com os países do Oriente Médio que formam o Conselho de Cooperação do Golfo para discutir essa questão. E aí a gente tem também uma pressão desses países para que o Trump não ataque o Irã novamente, não crie o caos, né? Isso a gente tem Iêmen, tem Arábia Saudita, tudo, todo nesse balaio, né? E aí essa questão das eleições de meio de mandato, eu também gostaria de pontuar uma coisa que às vezes tá passando um pouco desapercebido aqui para gente, que é o seguinte: o Trump tá com a popularidade muito baixa e a gente tem alguns republicanos, né, que estão concorrendo às eleições, que estão começando a tentar se desvincular dele.
Então ele deixou bem claro para o público interno e também para o Partido Republicano que é ele que manda. Ele não vai se reeleger, mas que ele que está levando as pessoas a serem eleitas ou deixarem de ser eleitas. Então, mais uma vez, a ONU sendo usada para propósitos mais domésticos do que internacionais.
O hemisfério ocidental recebeu bastante atenção, Cris. O que que é possível destacar nesse tópico?
Ah, esse tópico é o tradicional do Trump, né, Tati? Feu-vindos é colocar o hemisfério ocidental sob a sombra da hegemonia americana, algo que foi bastante criticado, né, pelo presidente Lula durante o discurso. E essas críticas do presidente Lula também foram trazidas naquela fala do quintal, né? Mas o que eu gostaria de destacar aqui foi a saída da delegação cubana do recinto durante a fala do Trump, porque o Trump ele foi muito ofensivo, dizendo que o hemisfério é dele e que ele vai poder usar quaisquer ações militares para resolver essa situação, seja com crime organizado, seja com aquilo que ele chama de comunismo.
E não vai abrir mão das sanções em Cuba, dando a entender que o secretário de Estado, Marco Rubio, já está chegando a alguma solução na região. Enquanto isso, Cuba passa por uma crise humanitária, e fez bem a delegação cubana de sair do recinto mostrando o seu protesto pela falta de respeito à soberania cubana.
E Trump fez ainda, Cris, um panorama de seus sucessos. Agora são 8 guerras resolvidas, uma economia que vai de vento em popa. E que sucesso é esse? O problema disso tudo na visão dele?
Olha, eu assim, eu sempre digo o seguinte, eu queria ter a autoestima do Trump.
Eu pensei a mesma coisa, gente, é impressionante, né?
É impressionante. E a Melania fazendo tchauzinho para ele, eu falei, gente, é um mundo paralelo, né? Vamos combinar. E esses sucessos, né, são principalmente essas guerras que ele encerrou. Ele disse que ele encerrou Israel e Palestina, Hamas, né? Mas lembrou, né, que vai fazer aniversário, né, entre aspas, o ataque do Hamas a Israel, condenado também pelo presidente Lula. Mas ele colocou isso na agenda de sucessos. E o próprio fato do Irã não poder mais desenvolver uma arma nuclear, ainda que isso não esteja de forma nenhuma clara.
E aí ficaram os problemas, né, que ele disse que ele vai resolver rapidinho, né? E dentre os problemas estão Rússia e Ucrânia, estão também a questão do Tribunal Penal Internacional, o avanço do comunismo, a questão de mais uma vez criticar os direitos humanos no campo LGBTQIA+. Então ele meio que listou isso como problema, indicando que os Estados Unidos, eles estão no centro do mundo, eles vão resolver os problemas do mundo, e que Putin, que Ucrânia, que tudo vai ser resolvido, né?
Então a gente ele tem aí para coroar também a cereja do bolo para ele de sucesso foi justamente o acordo com a Groenlândia, Dinamarca, que ele diz que vai ser a melhor coisa que existiu para todo mundo, né? É, de certa forma, para os Estados Unidos foi uma vitória, né? A gente vai ter novas bases militares lá e mais uma demonstração de fortalecimento da Organização do Tratado do Atlântico Norte.
O Cris, Trump terminou falando da superinteligência. O que é isso? Como é que, como é que isso reflete no encontro de Estado com o presidente da China, Xi Jinping, por exemplo?
É interessante até a gente lembrar que vai ter esse encontro, tá, de fevereiro, porque a China, o presidente da China, ele não vai discursar na Assembleia Geral, né? A gente vai ter um representante chinês. E durante o discurso do Trump foram mostradas várias vezes cenas, né, da delegação chinesa se comportando diplomaticamente, como tem que ser, ouvindo o que o Trump tava falando. Superinteligência é mais uma invenção do Trump para criar um novo termo para inteligência artificial.
Eu acho que é uma tentativa de mostrar que os Estados Unidos estão dominando o setor. E por que que ele procurou deixar isso para o fim e colocar isso meio como um recado à China dizendo que os Estados Unidos estão ganhando essa competição? Porque durante esse encontro com Xi Jinping, a gente vai ter vários representantes das Big Techs americanas nesses encontros, também comandantes, né, chefes em exercício da NVIDIA, outros, né.
Tudo isso vai estar nesse combo que o Trump vai discutir com Xi Jinping. E muitas das falas do Trump querem mostrar que os Estados Unidos estão à frente da China. A gente sabe que não é bem isso, mas foi como o Fê disse no início, um discurso ofensivo para sinalizar para todo mundo, mas principalmente para essas negociações futuras com a China, que os Estados Unidos estão na linha de frente de processos tecnológicos, de processos geoeconômicos e principalmente de processos geopolíticos. Então o Trump fez questão de se colocar à frente de tudo isso.
Muito bem, Cristina Pesecchillo conosco às terças-feiras no nosso CBN Pelo Mundo, hoje fazendo uma leitura, portanto, dos discursos dos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, Donald Trump. Obrigada, Cris, um beijo para você, até a semana que vem.
Até a semana, beijão, gente.
Obrigado, Cris.