Ainda é possível permanecer no mesmo trabalho por muito tempo?
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- A mudança no mercado de trabalho e a longevidade no empregocarreira na mesma empresa não faz sentido·dinamismo do mundo atual·impacto da internet e mundo digital
- Novas habilidades exigidas para as gerações mais jovens no mercado39% das habilidades mudarão até 2030·inteligência artificial e gestão de dados·pensamento analítico e criatividade·liderança e influência social
- Fatores que levam à não perenidade na carreira profissionalaumento da expectativa de vida·mudanças econômicas e macroeconômicas·transformações no mercado de trabalho·alterações nas regras previdenciárias
- O desafio da longevidade e o etarismo no mercado de trabalhopessoas vivendo e trabalhando mais·mercado não absorve pessoas mais velhas·preconceito com pessoas acima de 50 anos
- A necessidade de proteção financeira para a longevidade e desafios de carreiraopção de se capacitar para novas competências·transitar melhor no universo profissional·construir poupança e patrimônio·uso estratégico dos recursos ao longo da vida
- A busca por múltiplos trabalhos e a saúde mental na mudança de carreirapoder de compra diminuindo e salários achatados·ter vários trabalhos para compor renda·flexibilidade e empreendedorismo feminino·mudança de profissão por saúde mental
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No fim das contas, Ana Leone, Nayara Bertão, boa tarde.
Olá pessoal, boa tarde!
Olá, boa tarde!
Duplinha reunida novamente depois da moleza que foi a vida da Nayara no último mês, não é mesmo, Ana?
Fazendo inveja para gente porque ela tava no lugar que tinha sol, por exemplo.
Exato, exato, algo que tem sido bastante raro em São Paulo nos últimos 10 dias, não é mesmo? Um privilégio, viu, Nayara? Bem-vinda de volta a esse tempo primaveril.
Obrigada!
Bom, vamos falar sobre mudança de carreira. Na época dos nossos pais, e eu tenho 48 anos, então assim, se você é mais ou menos da minha faixa etária, você deve se identificar. Em geral, a carreira das pessoas era feita inteira, não raramente na mesma empresa, né? Pessoa entrava, sei lá, um homem entrava como office boy com 18 anos e ia fazendo carreira, enfim, dentro da empresa até se aposentar. De lá para cá faz bastante tempo, o mercado de trabalho mudou, a sociedade mudou sobremaneira, e a nossa carreira também foi impactada por essas mudanças.
A ideia de escolher uma profissão no início da vida adulta e ficar nela até a aposentadoria parece que nos tempos atuais não faz mais muito sentido. Esse é o nosso assunto hoje. Nai, por que que não faz mais sentido?
Bom, como você comentou, né, Tati, meu pai, por exemplo, trabalhou em banco por mais de 30 anos. Isso é quase— é muito difícil, né, você encontrar hoje alguém que tá há 30 anos ou mais no mesmo lugar ou numa mesma carreira. Eu, por exemplo, apesar de ser jornalista, tô fazendo um mestrado em administração de empresas. Então o mundo tá muito mais dinâmico e a gente tem muitos outros interesses, né? Também, né? Acho que aí vou trazer um ponto aqui, a questão da internet e de tudo que se abriu, né, com o mundo digital também trouxe essas outras possibilidades, a gente começou a ver outras coisas fora, né, os cursos EAD, etc.
Então tem esse fator aí também relevante, mas tem outros fatores que também interferem. O Instituto de Longevidade MAG trouxe inclusive essa semana uma pesquisa falando um pouco sobre isso, em que eles elencam alguns dos fatores. Que levam as pessoas a não ter essa perenidade, né, numa mesma carreira, acabar mudando ao longo da vida profissional. A questão, por exemplo, de aumento de expectativa de vida é um dos fatores, né, que levam a isso.
A questão das mudanças econômicas, macroeconômicas, e o que tá acontecendo, né, no país. Transformações no mercado de trabalho, que é um pouco do que a gente tá, né, começou a falar aqui, muita coisa vem mudando e alterações também nas regras previdenciárias, que é um fator que interfere bastante. Então assim, falando rapidamente sobre esses tópicos, a questão da expectativa de vida, né? Meus pais, eles têm mais de 60 anos. Quando eles começaram no mercado de trabalho era uma perspectiva, né?
Você ali se imaginava de fato com até 60 anos já se aposentando, fazendo outras coisas da vida, mas que não envolviam tanto trabalhar e se aposentar com a previdência pública. Hoje em dia, quem tá começando agora no mercado de trabalho, tá muito mais difícil, né, você pensar em depender de uma previdência pública. E a gente também tem o fator da expectativa de vida. A expectativa de vida hoje é muito maior do que era há 40, 50 anos atrás.
Então também isso muda a perspectiva. Muita gente não tem dinheiro para conseguir se manter por 90 anos, né? Né? Ou se aposentando com 60 por mais 30 anos. E a gente tem aí uma média de expectativa de vida em torno, sei lá, de 80 anos no máximo. Mas quando a gente faz, por exemplo, o planejamento financeiro de uma pessoa, a gente considera a expectativa de vida de 90 anos, porque pode ser que você viva mais. E isso é um risco, inclusive financeiro.
Você precisa garantir que você tenha dinheiro para viver e aí com dignidade, né? Não é só sobreviver, mas viver com dignidade. Essa é uma questão. Outra questão é mudanças econômicas, como por exemplo o poder de compra. A gente vem falando, a inflação corrói o poder de compra e outras tantas coisas, né? O dólar, enfim, tudo isso acaba mexendo com o tanto de dinheiro que você precisa para sobreviver. Então também precisa ter essa adaptação.
Então cada vez mais esse tipo de mudança, né, e as regras previdenciárias também, que vem aumentando ali o tempo, né, de você de trabalho, levam as pessoas a ficarem mais no mercado de trabalho e não necessariamente elas conseguem ficar no mesmo trabalho também. Algumas escolhem, mas muitas não conseguem mais. E a gente ainda fala pouco sobre isso, mas há uma questão de etarismo muito forte, que é um certo preconceito com pessoas com mais de 50 anos. Então muitas saem das suas carreiras por isso.
Sim.
E quando a gente discute— não, não, eu pensei muitas coisas. Entre elas, a gente discute longevidade E esquece de combinar com o capitalismo, né? Esquece de combinar com o mercado de trabalho, porque se as pessoas estão vivendo mais, elas vão trabalhar mais, ou elas pelo menos podem trabalhar mais, né? Evolução da medicina também e tudo aquilo. Mas e o mercado vai absorver essas pessoas? Porque não adianta elas terem saúde, condições de trabalhar mais, se o mercado as expulsa tão logo elas fazem 45 anos, né?
E é isso, infelizmente, que não é raro a gente ver acontecer. Agora, Ana, quando a gente fala das gerações mais novas, o que que aparece?
Olha, também ali entram outros fatores que são super importantes, que é a mudança das habilidades que são exigidas para os jovens. Então a gente tem uma geração que é uma geração mais velha que tá vendo essa transformação e ela tá vivendo durante essa transformação, e as gerações mais jovens tá vendo que este olhar no retrovisor já não reflete os desafios que elas verão no para-brisa, ou seja, para frente. Então algumas habilidades que vão ser demandadas desses mais jovens precisam também serem observadas.
Tem um levantamento interessante do Fórum Econômico Mundial que mostrou que 39% das principais habilidades que são exigidas pelo mercado de trabalho hoje, elas devem mudar até 2030. Então, por exemplo, né, a gente está falando da inteligência artificial que chegou para ser uma realidade, o olhar e a gestão de de dados, que também precisa de uma habilidade, de uma inteligência diferente, um pensamento analítico, criatividade, liderança, influência social.
E é muito interessante, se debate muito, né, Tati, essa questão do uso da inteligência artificial, mas eu ouvi um especialista falando que também não adianta a gente usar inteligência artificial com aquilo que a gente não sabe. Então a gente precisa também usar, saber usar inteligência, e parte do pressuposto da gente dominar determinadas áreas para que a gente consiga fazer melhor uso dessa ferramenta. Então isso, por exemplo, é uma nova competência.
Então esses movimentos que criam um desafio diferente daqueles que as gerações anteriores enfrentam é algo que os mais jovens vão precisar se preparar. Então se tem uma pessoa que ela precisa permanecer economicamente ativa por mais tempo, ela vai precisar desenvolver outras competências daquelas que atualmente ela tá ali já estabelecida. E isso gera uma mudança e uma adaptação importante social e de carreira, mas também as pessoas elas podem ter vontade de experimentar coisas novas.
Então eu acho que eu sou um pouco esse exemplo, fui executiva muito tempo, trabalhei um tempo fora do mercado corporativo, que para mim foi uma super novidade. Eu tenho essa parte editorial aqui na rádio, no Valor, tenho uma atividade executiva de consultoria. Isso também dá uma diversidade de renda e de carreira que é muito potente para um mercado e uma dinâmica que tem mudado tanto. E tem um aspecto que a Nay falou, que é fora aqui do que a gente conversa, que é a questão financeira.
Então muitas pessoas, para terem a opção de se prepararem, se capacitar para essas novas competências e até transitar melhor nesse universo, elas vão precisar de proteção financeira. Então isso é uma competência que assim nasceu e já tem que começar a desenvolver, porque isso vai ser o alicerce, o suporte para essa vida mais longeva e mais desafiadora. E tem até, Tati, rapidamente aqui falando de um conceito que é a longevidade financeira, que tem se mudando muito, ou seja, é a forma como a gente acompanha o enriquecimento e o uso do dinheiro pelas pessoas ao longo do tempo.
Então as pessoas terão que ser estratégicas em construir a sua poupança, o seu patrimônio, mas também terão de ser estratégicas no uso desses recursos ao longo da vida, porque possivelmente você vai trabalhar 40 anos para poder depois se sustentar por mais 30 quando a renda diminuir de volume, né? Porque a vida produtiva e a vida na aposentadoria, por exemplo.
E eu tenho observado Tenho ouvido muito isso, pelo menos ao meu redor, gente que tá tendo mesmo que fazer. E aí é menos por teste ou deixa eu, ou uma mudança calculada, né, uma transição calculada de carreira, e mais movidas pela necessidade mesmo, assim, poder de compra diminuindo, salários muito achatados. Então todo mundo fazendo comunicação hoje em dia, né, porque quando eu me formei jornalista, jornalismo era uma profissão.
Hoje em dia Qualquer pessoa com celular faz comunicação ou acha que faz comunicação. Então muita gente tendo que ter 1, 2, 3, 4 trabalhos, fazendo freela para um monte de gente para conseguir compor uma renda que seja adequada ao padrão de vida que levava há 5 anos, que mudou muito de lá para cá. Não sei se vocês observam essa mudança também ao redor de vocês. A Ana ia falar, eu acho, desculpa.
É, não, eu ia comentar que tem um outro fator que a gente acabou não citando, mas assim, as pessoas também estão olhando mais para a saúde mental. Então, em muitos casos, a mudança de profissão ou de emprego, ela vem também por essa decisão ou a questão da flexibilidade. Quando a gente fala ainda de maternidade, muitas mulheres optam pelo empreendedorismo depois da gravidez por acharem que terão mais flexibilidade, etc. E assim, é uma outra carreira.
Você ser empreendedor também é uma outra carreira, exige outras habilidades. Então também tem mudanças nesse sentido.
Fala, Ana.
E tem uma questão que a gente até está debatendo agora nas eleições, qual é a agenda que é uma agenda percebida pelas pessoas. Então a gente vê assim indicadores econômicos até positivos, mas as pessoas não estão sentindo na vida cotidiana delas uma melhora no bem-estar. Ao contrário, elas estão se vendo tendo necessidade de trabalhar mais para conseguir manter o mesmo padrão de vida e qualidade. Então esse é um desafio que a gente tem que observar também, como a gente muda essa percepção se o fato está instalado, porque também não adianta mudar a percepção se de fato as pessoas não conseguem observar que o mundo melhorou.
Não somos negacionistas aqui não, né, Ana?
É, a gente precisa de fato ter uma, ser mais palpável, né, tangível para as pessoas essa qualidade. Então quando você tem que trabalhar mais para estar no mesmo lugar, isso gera um desafio para todos os lados, para as empresas, para as pessoas e para a sociedade como um todo. E fato é, né, a profissão, o trabalho, ele é muito mais do que só uma fonte de renda. Parte importante do trabalho é a inserção social e a manutenção do capital humano, que também é um fator super importante quando a gente fala de longevidade.
Se encontrar, né, no que faz, isso é bem importante. Infelizmente nem todo mundo pode, né? Virou, olha que Olha que ponto chegamos, a que ponto chegamos. Talvez tenha virado um privilégio isso, né? Pessoal trabalhando por necessidade nem sempre encontra algo que goste muito de fazer ou que se identifique ali com a profissão, com a nova carreira. Tá bom. Ana Leone, Nayara Bertão, estão conosco às terças e quintas em No Fim das Contas.
A gente fala aqui do nosso dinheiro. Obrigada, duplinha, um beijo, até quinta-feira.
Obrigada, pessoal.
Até já.
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