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Os riscos dos cigarros eletrônicos: apesar de proibidos no Brasil, eles estão por toda parte

22 de setembro de 20266min
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Dr. Luis Fernando Correia comenta sobre o consumo de cigarros eletrônicos no Brasil. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, a PeNSE, mostrou que a experimentação de vape entre adolescentes de 13 a 17 anos quase dobrou em cinco anos. Em 2019, 16,8% dos estudantes já tinham experimentado o cigarro eletrônico. Em 2024, esse número chegou a 29,6%. Ou seja: quase 3 em cada 10 adolescentes brasileiros já experimentaram o produto. Ouça para saber mais.

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Participantes neste episódio1
L

Luis Fernando Correia

HostJornalista
Assuntos4
  • O aumento do consumo de cigarros eletrônicos entre adolescentes brasileirosdados do IBGE sobre experimentação de vape·quase um terço dos adolescentes já experimentou vape·crescimento de 16,8% para 29,6% em cinco anos
  • A probabilidade de cigarros eletrônicos causarem câncer de pulmão e bocarevisão internacional da Universidade de Gales do Sul·estudos de laboratório e modelos animais·falta de estudos epidemiológicos de longo prazo
  • A dependência da nicotina e o marketing do vape direcionado a jovensvape como forma de criar novos clientes·quantidade de nicotina maior em vapes descartáveis·risco de vício mais rápido
  • A estratégia da indústria do tabaco para promover o vape como alternativa seguramarketing em redes sociais e patrocínio de eventos·promessa de alternativa segura ao cigarro tradicional·questionamento da promessa pela comunidade médica
Transcrição8 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
LFLuis Fernando Correia

Saúde em Foco com Luiz Fernando Correia.

?Voz B

Oi, doutor, boa tarde.

LFLuis Fernando Correia

Boa tarde, Tatiana. Boa tarde, Fernando. Boa tarde, ouvintes.

?Voz B

E lá vamos nós na nossa missão incansável de trazer informação para os nossos ouvintes a respeito dos malefícios do vape. Esses tubinhos de vapor que, enfim, jovens e adultos consomem, embora não seja permitido no Brasil, né, doutor?

LFLuis Fernando Correia

É, não são permitidos, mas a gente encontra em qualquer canto, né? É uma dessas coisas aí. Mas tem dois dados que eu queria comentar, juntar na verdade, que são importantes para as pessoas entenderem. O primeiro deles vem do IBGE. Foi a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, que é a PENSE, que mostrou que adolescentes de 13 a 17 anos experimentam vape. Esse número dobrou em 5 anos, ou seja, em duas amostras. Em 2019, 16,8% dos estudantes já tinham experimentado isso, trouxe.

Em 2024, esse número chega a 29,6%, ou seja, quase um terço de todos os adolescentes brasileiros já experimentaram vape. E aí vem o outro lado da informação. Uma revisão internacional liderada por pesquisadores da Universidade de Gales do Sul, de South Wales, na Austrália, e foi publicada na revista Carcinogenesis, reuniu um conjunto de evidências sobre vape com nicotina e câncer e chegou a uma conclusão que é inédita na literatura, embora bastante lógica.

O produto é provavelmente cancerígeno para pulmão e boca. Aqui a gente tem que falar com muito cuidado para entender. Provavelmente cancerígeno obviamente não é o mesmo que comprovadamente, porque nós, o que tá sendo, tá sendo mostrado e comprovado são estudos de laboratório, modelos animais, biomarcadores em células humanas. O que a gente não vai ter, pelo menos por alguns anos ainda, é um estudo epidemiológico de longo prazo.

Esses dispositivos, eles têm no máximo uma década, se é que tem, né? As pessoas que utilizam vape tem que utilizar por muito tempo para causar grandes problemas. Mas a gente vai esperar isso, né? A gente tem que lembrar que para o cigarro tradicional, esse tipo de estudo levou décadas para ser construído, né? Então, por que que isso importa? Porque ainda tem gente que houve o canto da sereia da indústria do tabaco, que diz que criou o vape como uma promessa de ser uma alternativa segura ao cigarro.

E essa promessa, eles obviamente sustentam isso com estratégia de marketing muito bem feitas, conteúdo em redes sociais, patrocínio de eventos, coisa que não é permitido, mas acontece, né? E isso começa a ser questionado. Lembrar que o INCA, Instituto Nacional do Câncer, projeta 32 mil novos casos de câncer de pulmão no Brasil de 26 a 28, nos próximos 3 anos. Cigarro tradicional, de longe, a principal causa evitável. A pergunta que a gente tem que começar a responder é: será que o vape vai se somar nessa conta?

Em que tamanho? Lembrar também que o problema não tá no câncer somente, né? Esse é um problema muito grave, é lógico, O problema é dependência da nicotina, porque a historinha de que criou-se vape para ajudar as pessoas a parar de fumar não se sustenta também, né? Porque na prática, se fosse, se fosse realmente isso, Tatiana, você não precisaria marketing para jovem, né? Você fazia marketing para quem tem 40, 50, 60 anos. Mas não, o marketing do vape é para o jovem.

Então é, na verdade, que eles querem é manter cliente, criar novos clientes, né? Vamos dizer assim. Novos dependentes do produto que eles fazem. Essa é a triste realidade. Então a gente tem que pensar que essa, essa adição, essa dependência da nicotina já é uma preocupação super importante. Ainda mais quando você vê esse salto, né, eu que falar de novo, de 16,8% para 29% em 5 anos. Ou seja, é um pouco menos que o dobro, mas enfim, próximo do dobro de jovens e adolescentes passaram a experimentar o vape.

E o vape tem uma outra coisa, que a quantidade de nicotina dentro dele é muito maior do que no cigarro tradicional, de todas as formas. Então tem, por exemplo, esses vapes descartáveis, que um desses vapes descartáveis tem mais nicotina que um maço de cigarro inteiro. Então as pessoas muitas vezes vão se, vão se, vão sim se se viciar muito mais rapidamente. Então é importante, a gente não pode esperar o problema estourar na cara da gente para, enfim, tentar fazer alguma coisa.

Mas vivemos essa, continuamos vivendo essa realidade distópica onde a legislação proíbe, mas o produto tá na mão e na boca de quem quiser, né? Infelizmente.

?Voz B

Muito bem, Doutor Luiz Fernando tá com a gente às terças E quintas fazendo alertas importantes como este. Obrigada, doutora. Até quinta.

LFLuis Fernando Correia

Até quinta, Tatiana, Fernanda e todos os ouvintes.

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