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Estudo comprova que não existe uma 'epidemia de autismo'

21 de setembro de 20265min
0:00 / 5:22
Luis Fernando Correia destaca a publicação de um estudo na JAMA Pediatrics, revista internacional sobre pediatria. A pesquisa foi criada justamente para responder à seguinte pergunta: existe uma 'epidemia de autismo'? Após os anos 1980, a prevalência do Transtorno do Espectro Autista (TEA) virou uma bandeira política nos EUA, o que reforça a ideia equivocada. Ouça para entender.

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Participantes neste episódio3
L

Luis Fernando Correia

HostJornalista
C

Cássia

Co-hostJornalista
M

Milton

Co-hostJornalista
Assuntos5
  • Não existe uma epidemia de autismo, mas sim melhoria no diagnósticoprevalência de diagnósticos subiu desde os anos 80·grupos políticos usam números como bandeira·estudo da JAMA Pediatrics desmente epidemia·capacidade de diagnosticar e encontrar crianças melhorou
  • Metodologia do estudo coreano para avaliar a prevalência do autismoacompanhamento de 12 grupos de crianças·avaliação com mesmo instrumento de triagem·62 mil crianças rastreadas·avaliação diagnóstica mais completa
  • Resultados do estudo mostram estabilidade na quantidade de diagnósticosquantidade de crianças com diagnóstico estável·1,9% a 3,2% das crianças receberam diagnóstico·sem tendência de alta ou queda em 12 anos·patamar compatível com CDC americano
  • Importância de entender a evolução dos critérios diagnósticosmaior parte das estatísticas vem de registro administrativo·critérios diagnósticos evoluíram·políticas públicas incentivam o diagnóstico·estudo eliminou variável de rastreamento ativo
  • Subidentificação de meninas com autismo e a necessidade de suporteproporção desigual de meninas não diagnosticadas·meninas continuam sendo subidentificadas·ficando sem o suporte necessário·alerta para problema de saúde pública
Transcrição11 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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LFLuis Fernando Correia

Saúde em Foco com Luiz Fernando Correia. Oferecimento: você luta pela sua saúde, a gente também. Alice, plano de saúde como deve ser.

?Voz C

Muito bom dia, Doutor Luiz Fernando Correia.

LFLuis Fernando Correia

Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes.

?Voz A

Bom dia, doutor.

?Voz C

O que o senhor nos traz aí de alerta em relação ao autismo?

LFLuis Fernando Correia

Então, Milton, a frase é: não existe uma epidemia de autismo, né? Muita gente já ouviu falar disso, algumas pessoas repetem, seja lá por quê. Enfim, a prevalência, ou seja, o número total de diagnósticos, realmente subiu bastante desde os anos 80. Só que aí tem grupos políticos, ideológicos, enfim, que usam isso, esse número, essa elevação, como uma bandeira política. Até o próprio secretário de Saúde, né, do governo americano, Robert Kennedy Jr., chegou a afirmar que existiria uma causa ambiental escondida.

Mas é o seguinte, será que tem dado para confirmar isso? Então, o estudo foi publicado na revista JAMA Pediatrics essa semana. E que é um estudo desenhado para responder essa pergunta. E a resposta foi: não existe evidência de que mais crianças estejam desenvolvendo autismo. O que mudou foi a capacidade de diagnosticar e encontrar essas crianças. O desenho foi bem interessante. Eles acompanharam 12 grupos consecutivos de crianças nascidas entre 98 e 2010 numa cidade da Coreia.

Ou seja, quando as crianças chegavam aos 7 anos de idade, elas eram, todas elas eram avaliadas com o mesmo instrumento de triagem todos os anos, mesmo grupo de testes diagnósticos, uma coisa que é utilizada em vários lugares do mundo. Foram 62 mil crianças rastreadas. Aquelas que apresentavam sinais de diagnóstico do espectro autista eram convidadas para uma avaliação diagnóstica mais completa. Com testes padronizados e um seguindo um consenso clínico internacional.

E o resultado mostrou o seguinte: a quantidade de crianças com diagnóstico é estável ano após ano. Entre 1,9% e 3,2% das crianças receberam diagnóstico, sem que isso mostrasse nenhuma tendência de alta ou de queda nesses 12 anos seguidos de estudos. Isso, aliás, é um patamar compatível com o que o Centro de Controle de Doenças americano relata para crianças americanas de 8 anos de idade, por volta de 3%. E por que que isso é importante?

Porque a maior parte das estatísticas que a gente tem do diagnóstico, elas vêm de registro administrativo, ou seja, contagem de diagnóstico que já foi feito, serviço que já foi utilizado em sistemas de saúde, em planos de saúde, por exemplo. Então é importante entender, os critérios diagnósticos vieram evoluindo nesse tempo. Políticas públicas passam a incentivar o diagnóstico. Agora, nada disso quer dizer que mais crianças estejam nascendo com autismo.

Então isso é importante, que esse estudo teve esse cuidado de eliminar essa variável, que ela, esse estudo rastreou ativamente toda uma população da mesma maneira durante todos os anos seguidamente. Importante, entre as crianças com autismo que nunca tinham sido diagnosticadas antes e estavam obviamente em salas de aula regulares, existia sim uma proporção desigual às meninas. Ou seja, o que a gente pode estar olhando, Milton, é um problema de saúde pública que não seja um excesso do diagnóstico, e ao mesmo assim um alerta.

Existem grupos como as meninas que continuam sendo subidentificadas e ficando sem o suporte que precisam. Tem um ressalvo, tem sobre o tempo fazer uma ressalva importante, é o estudo de uma cidade na Coreia do Sul que utiliza uma metodologia que não é nem a que a gente usa no Brasil, mas é uma metodologia replicada em várias partes do mundo. Agora, é um desenho que mostra, vem, visa mostrar isso: quantos diagnósticos existem, quantos casos realmente existem.

Os achados, Milton, volto a dizer, não sustentam uma ideia de uma epidemia ou de um aumento do nascimento de crianças com esse problema.

?Voz C

Muito obrigado, Doutor Luiz Fernando. Um bom dia.

LFLuis Fernando Correia

Bom dia para você, Milton, Cássia e todos os ouvintes.

?Voz C

Bom dia, Doutor.

LFLuis Fernando Correia

Até amanhã. Tamo aí.

Anunciantes1

Alice

Plano de saúde
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