União Europeia anuncia novas regras para data centers
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- União Europeia exige novas regras para data centers de inteligência artificialtriplicação da capacidade de data centers·consumo de eletricidade e água·escassez de água na Europa·aumento das emissões de carbono
- Big techs buscam reduzir impacto ambiental da inteligência artificialcompra de energia solar e eólica·aposta em energia nuclear e geotérmica·data centers mais eficientes·projetos de remoção de carbono no Brasil
- Criação de uma inteligência artificial ambientalmente responsáveldiscussão ética e ambiental·pegada ambiental da tecnologia·passivo ambiental preocupante
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CBN Sustenta.
Contabilidade com Rosana Jatová. E aí, Rosana?
Oi, Sardenberg, boa tarde para você, para cá, para os nossos ouvintes.
Boa tarde, Rosana.
Nós já falamos aqui da questão dos data centers de inteligência artificial, que são estruturas imensas que consome muita energia e muita água. E o que nós temos hoje é que a União Europeia anunciou que vai apertar as regras para a instalação desses data centers.
Rosana, Sardenberg, a questão é que a União Europeia deve triplicar sua capacidade de data centers nos próximos 5 anos. Já existem 2.800 data centers e quase 600 novos projetos em andamento. Isso significa muito mais eletricidade sendo consumida e muito mais água para resfriar os equipamentos dos servidores. Hoje os data centers já consomem 2,5% da eletricidade na Europa e esse índice deve dobrar nos próximos 4 anos. 40% do território europeu já enfrenta períodos de escassez de água.
Tem também uma outra preocupação aí das autoridades, que é com o aumento das emissões de carbono por causa da maior demanda de eletricidade. Só no ano passado, o Google aumentou em 18% as suas emissões e a Microsoft ainda mais, 25%. Então, as novas regras da União Europeia preveem uma espécie de etiqueta de eficiência para o data center, mostrando como eles usam energia e água, se estão localizados em regiões com escassez hídrica, se reaproveitam o calor que é produzido pelas máquinas.
Com todos esses dados transparentes, você pode comparar o desempenho ambiental dos data centers e acaba com isso pressionando as big techs a acelerar investimentos para tentar limpar a barra com o meio ambiente, né, que tá ficando séria essa questão do dano ambiental dos data centers.
E dá para a gente dizer, Rosana, que as big techs já estão pelo menos tentando começar ali a se mobilizar para reduzir a conta ambiental da inteligência artificial?
Já estão agindo em várias frentes, Cássia. Todos estão, por exemplo, comprando grandes volumes de energia solar e eólica, e muitos estão apostando em energia nuclear e geotérmica para ter energia limpa 24 horas por dia nos data centers. Uma outra iniciativa é tornar os próprios data centers mais eficientes, gastando menos eletricidade, menos água. E tem uma medida muito importante que afeta diretamente o Brasil. Projetos para tirar carbono da atmosfera.
O Google, por exemplo, acabou de fechar um grande projeto que vai remover carbono e metano em lavouras de arroz no Rio Grande do Sul. E outras gigantes da tecnologia estão também financiando projetos de reflorestamento de áreas degradadas da Amazônia, justamente com essa intenção de capturar carbono. Ou seja, a União Europeia tá começando a criar as bases para uma inteligência artificial mais responsável também do ponto de vista ambiental.
Porque não adianta discutir apenas o que a inteligência artificial pode ou não fazer. A discussão não é apenas ética, tem que olhar também para pegada ambiental que faz toda essa tecnologia funcionar e que tá deixando um passivo ambiental aí muito preocupante.
É isso, Rosana. Já tá bom, muitíssimo obrigado, Rosana.
Até amanhã, um beijo para vocês dois. Amanhã tô de volta. Até mais, Rosana.