Novo tipo de drone na guerra Rússia-Ucrânia
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Nadege
Uriã Fancelli
- A nova fase da guerra Rússia-Ucrânia com drones mais potentesdrones Shaheds adaptados com motor a jato·dificuldade de interceptação dos drones·inverno e infraestrutura energética ucraniana·escassez de interceptadores na Europa
- Donald Trump e a censura a veículos de imprensa nos Estados UnidosTrump bane CNN, MSNBC e O Político·acusação de fake news como tática autoritária·ameaças de retirada de concessão·processos contra empresas de mídia
- A escalada da guerra e a ameaça russa à Europadrones com explosivos perto de aeroportos europeus·Polônia muda regras de abate de drones·risco de erro de cálculo e escalada·testes russos dos limites da Europa
- A ameaça russa e chinesa à Europa e a fragmentação políticadesafio da Rússia e China para a OTAN·Macron alerta sobre ameaça crescente·Rússia fomenta partidos pró-Rússia na Europa·enfraquecimento da coesão política europeia
- A retórica russa sobre o fim da guerra e a influência de Donald Trumpdemandas maximalistas da Rússia·Putin dando migalhas para Trump·Trump culpando a Ucrânia pela alta do diesel·Ucrânia não é o lado mais fraco
- A diplomacia brasileira sob um possível governo de Flávio BolsonaroEduardo Bolsonaro no Itamaraty·Brasil como país pária·histórico da diplomacia de Jair Bolsonaro·impacto nas relações com a União Europeia
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Wayfair, every style, every home. Revista CBN Internacional com Oriane Fancelli.
Eu tô falando seu nome errado? Eu sempre falei Fancelli.
Olha, vou te contar aqui de bastidor que o Laerte mandou mensagem quando ele foi gravar perguntando se era Fancelli ou Fancelli. Eu falei assim, como você quiser.
É tipo na Dede, eu aceito o jeito que vocês falarem.
Quem tem nome assim como o meu, como o seu, a gente sabe que qualquer coisa tá valendo.
Combinado então. É a primeira vez que eu falei com você, eu perguntei para produção, me falaram que era Fancelli, por isso que eu tô falando Fancelli. Depois no off a gente combina isso direito. Adiantei aqui para os nossos ouvintes que a gente vai falar hoje sobre conflito Rússia-Ucrânia. Saiu uma reportagem hoje do Economist descrevendo que a guerra tá numa nova fase. E aí, pelo que eu entendi, tem a ver com o tipo de equipamento militar que tá estaria sendo usado, com um novo tipo de drone? Explica para gente.
Muita coisa, na verdade, muitas coisas diferentes. Então, primeiro sim, equipamentos novos. Se a Rússia ela tava usando até então aqueles drones Shaheds, que são aqueles drones de tecnologia iraniana, que até conseguiam ser interceptados com maior facilidade quando eles chegavam aos céus ucranianos, hoje esse drone ele já foi um pouco adaptado. Então tá usando ali um motor a jato, muito mais difícil de ser contido uma vez que ele entra no território ucraniano e o estrago ele acaba sendo maior, né, porque ele chega ali, passa às vezes dos 500 km/h e o inverno tá chegando, tá chegando, não é Game of Thrones, mas é uma analogia que tem sido usada muitas vezes inclusive pelos russos para assustarem os ucranianos porque eles têm mirado principalmente a infraestrutura energética.
A própria ONU recentemente ela chegou a bolar um plano de de centenas de milhões de euros agora justamente para investir no gerador, investir em infraestrutura ucraniana para deixar o país mais preparado para isso, porque as temperaturas elas chegam ali muitas vezes aos 20, 30 graus negativos e a energia ela acaba diversas vezes por dia, né? Então isso tem sido uma dificuldade agora que a Ucrânia vai enfrentar em um momento em que os interceptadores que muitas vezes eles têm uma facilidade maior para derrubar esses drones a jato, para interceptar inclusive os mísseis, eles estão em falta aí no mundo inteiro, na Europa inteira.
A guerra dos Estados Unidos contra o Irã consumiu um número muito maior do que se imaginava. Saiu um dado dizendo que talvez ali mais de 2/3 deles, eles tenham sido consumidos e que ele só vai conseguir ser reposto a partir de 2029. Então, por um lado, tem essa vulnerabilidade e, por outro, e aí que eu traria, Nadege, o próximo gancho dessa nova fase da guerra, é uma guerra que vai cada vez mais chegando próxima da Europa. E aí os casos que nós temos observado ao longo dos últimos dias é o que tem preocupado muito as lideranças europeias.
Foi uma faísca de um drone nos últimos dias que atingiu um helicóptero em um país da Escandinávia. Foi um drone agora com um aparato explosivo que foi encontrado perto do aeroporto de Leipzig, na Alemanha. Isso causou uma crise diplomática maior ainda entre Alemanha e Rússia. E a primeira vez assim, porque incursões acontecem o tempo inteiro, drones. Por exemplo, na Polônia já aconteceu de um dia entrarem 19 drones. Só que agora a gente já tá falando de drones que estão com equipamento para serem ali acionados, para serem de fato explodidos.
Então o nível de atenção agora dos europeus é muito maior. E aí algumas coisas têm sido feitas. Por exemplo, o que que mudou de uma semana para cá? Hoje, o Donald Tusk, que é o primeiro-ministro da Polônia, ele chegou a fazer um pronunciamento dizendo, na verdade expondo qual seria a estratégia por trás da Rússia agora, e a gente já já pode falar sobre ela, mas eu vou pular isso por enquanto, mas me lembra de voltar nisso. Mas uma das coisas que poderiam acontecer Digo, uma das coisas que a Rússia poderia fazer agora era continuar testando esses limites da Europa, porque cada incursão que acontece é uma maneira da Rússia ver quanto tempo a Europa demora para agir, é uma maneira dela saber onde estão aqueles radares.
Então tudo isso vai fazendo com que a Rússia consiga acumular conhecimento. E aí A mudança mais drástica, qual que foi? Antes, até então, no caso de uma incursão, a Polônia, né, o militar que tava ali de plantão, que tava ali na fronteira, que tava numa base aérea, ele precisava pedir autorização para abater um drone, para abater, enfim, alguma ameaça que entrasse em território polonês. Isso mudou. E aí foi essa Talvez ali a grande guinada é que todos os abates agora eles estão pré-autorizados.
Isso é arriscado porque corre o risco de haver um erro de cálculo, porque quem decide agora em um momento de drone a jato, drone a jato não dá tempo de você pensar, de você terceirizar essa decisão militar para antes vir uma ordem política. Então tá pré-autorizado. A aviação civil, ela acaba correndo risco também, porque se há um erro de interpretação, de comunicação, uma aeronave civil pode se tornar um alvo a partir de agora.
Pode correr o risco de escalada também a partir de agora. Então eu diria que sim, a Europa, a Polônia principalmente, que tá ali na fronteira, ela é forçada a mudar sua abordagem para se adaptar a essa maior agressividade russa, mas por outro lado isso aumenta também as variáveis, e as variáveis elas aumentam a capacidade de escalada e de erros.
Perfeito. E para a gente já voltar no seu assunto, eu queria te ouvir também, Oriane, sobre a meta russa de encerrar a guerra em 2026 ainda.
É um pouco, eu diria que é um pouco retórico ainda, tá, isso, porque as demandas que nós temos observado desde o início, elas são demandas extremamente maximalistas. Sempre que existe algum tipo de sinalização por parte do Vladimir Putin, essa sinalização ela é um pouco ali no sentido de tentar acalmar os ânimos do Donald Trump, que tá pressionado nesse momento por conta da guerra no Oriente Médio, tá tão pressionado que essa semana a gente já viu ele inclusive tentando culpar a alta do preço do combustível, do diesel nos Estados Unidos, na Ucrânia.
Então nada do que tá acontecendo é culpa da guerra dele, que teve como consequência o fechamento tanto do Estreito de Ormuz quanto também agora de Bab-el-Mandeb no Mar Vermelho. A culpa é do Zelensky, que tá retaliando as refinarias na Rússia. Isso já mostra um pouco para onde ele inclina, né? Então o Putin entendendo essa interessa do Trump de mostrar serviço, ele vai dando migalhas, vai dando coisas com que o Trump ele pode trabalhar.
Então aí tem essa conversa de que o Putin poderia resolver encerrar agora, que ele aí recebeu recentemente o Jared Kushner, que é o genro do Trump, recebeu o Steve Wittkoff, o enviado especial, amigo de golfe do Trump, no Kremlin para conversar. Mas eu não diria que existe nenhum tipo de mudança substancial no cenário diplomático. Assim, eu acho que ainda é tudo muito cortina de fumaça, enquanto o lado ucraniano é aquele que acaba sendo penalizado, que acaba sendo pressionado pelo Donald Trump, porque o Trump ele é um bully, né, Deja?
E os bullies, eles têm essa característica de sempre pressionar o lado que eles enxergam como sendo o lado mais fraco. Só que também é muito difícil a gente dizer que nesse contexto a Ucrânia é o lado mais fraco, porque se ela fosse mais fraca, como que o país ainda ia estar de pé depois de 5 anos, tendo perdido ali menos de um quinto do território 5 anos depois? A guerra tá saindo muito cara para a Rússia para dizer que ela tá ganhando.
É um país que se tornou isolado, sancionado, com um presidente que hoje tem um mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional. Então, é uma, eu acho que é uma distorção a gente dizer que ela tá vencendo essa guerra.
Algo mais do leste europeu antes da gente passar para o próximo bullying de Donald Trump?
Ah, é, não, eu acho que é importante dizer como os europeus de fato, e eu fizaria isso, como eles estão levando a sério essa questão da ameaça russa, tá? Mark Rutte, que é o secretário-geral da OTAN, ele tem dito isso, que agora o desafio ele não é apenas a Rússia, mas também a própria China, o que muda um pouquinho aquele discurso central da OTAN de que ela servia ali apenas para proteger as suas áreas no Atlântico Norte. Então é algo para a gente ter no radar a partir de agora.
Emmanuel Macron, presidente da França, ele chamou outros líderes do G7 para falar sobre essa ameaça também, que tá cada vez maior. Ele chamou inclusive os candidatos à presidência da França, porque tem eleição na França no ano que vem, para dizer o tanto que essa ameaça ela tá se concretizando. E aí, o que que a Rússia ela tá fazendo? Ela tá fazendo esses testes, tá testando o limite Porque ela quer principalmente, e aí ela tem, eu acho que duas abordagens, uma militar, que é essa das incursões que a gente falou agora, de sabotagens, e a gente pode dizer que apenas em 2026 foram mais de 100 incursões, 100 sabotagens, e um viés político.
O que aconteceu algumas semanas atrás que a gente inclusive discutiu aqui na CBN, vitória do Alternative für Deutschland em uma eleição local na Alemanha, né, na Saxônia-Anhalt. E o partido, esse partido, ele é um partido pró-Rússia, que ele é contra sanções, ele é contra ajuda à Ucrânia. Então quando a Rússia ela vai ajudando a fomentar esse tipo de partido político, e curioso porque tanto a extrema-direita quanto à extrema esquerda na Europa, elas acabam se encontrando nesse terreno de se colocar a favor da Rússia, né?
A Rússia enxerga que por meio do apoio a esses partidos ela acaba enfraquecendo a coesão política dentro da Europa. E coesão política dentro da Europa é fundamental porque muito daquilo que é aprovado é por meio de consenso. Você não pode ter um país discordando para que algo seja colocado em vigor. Então é por meio dessa fragmentação de dentro para fora que ela vai agindo também politicamente.
Perfeito. Eu falei que passaríamos ao próximo bullying de Donald Trump, que é o anúncio de que ele baniu imediatamente 3 veículos de imprensa que ele acusou de publicar notícias falsas. Não citou nenhum exemplo. Disse que pode estender essa medida a outros veículos. Os que foram banidos agora foram a CNN, MSNBC e O Político. Eu acho que tem até nome quando um líder de país restringe a atividade de veículos de imprensa. Não tô conseguindo pensar agora, mas vamos comentar esse assunto, Uriel?
É curioso, né, porque o Trump é daquele campo político que fala que liberdade de expressão acima de tudo, que as pessoas têm o direito de falarem aquilo que ela quiser. E ele é essa mesma pessoa que tem, não é de agora, tá, desde a sua primeira administração, feito esse bullying real com a imprensa. Você deve se lembrar que recentemente ele chegou a mandar uma repórter calar a boca também, porque ela fez uma pergunta que ele considerou que seria inconveniente.
Então ele fez isso agora. Isso obviamente não vai mudar, eu acredito, a abordagem que a CNN norte-americana ela tem. É um canal sim muito crítico, ao Donald Trump, mas as críticas elas são fundamentadas, elas são críticas válidas, elas são corroboradas por fatos, por argumentos, não são simplesmente do imaginário. E aí ele tenta justificar isso dizendo que a emissora ela tem replicado fake news e fake news, ou você acusar alguém de promover fake news, e a tradução de fake news não é apenas notícia falsa, como muitas vezes as pessoas dizem aqui ao pé da letra, mas é desinformação, é notícia deliberadamente falsa.
Isso é o que líderes autoritários fazem quando eles querem censurar um veículo de imprensa. Eles acusam esses veículos de prestarem algum tipo de serviço, de tramarem um complô contra o governo. E o Trump, ele já faz isso desde quando ele nomeia também o Brendan Carr, que era um aliado dele, que ajudou inclusive a escrever aquele Project 2025, que era a Bíblia do trumpismo, do conservadorismo. Ele nomeou essa pessoa para ser quem comandaria a instituição norte-americana que é responsável por conceder autorização para que as emissoras de rádio, de televisão funcionem.
E aí, em diversos momentos diferentes, foi feita uma ameaça de retirada de concessão. Trump, que também processou outras empresas, a própria Disney, a ABC, New York Times, por divulgarem notícias que muitas vezes ele não gostava. E aí isso vai de alguma forma criando um precedente também. Porque os veículos começam a se autocensurar, percebendo que eles poderiam eventualmente se tornar alvos de processos. Muitos acabaram pagando o Trump para simplesmente encerrar os processos.
Então ele ganhou alguns milhares, alguns milhões de dólares com isso para fazer acordo. E outros simplesmente diminuem a gravidade das críticas porque não querem ser banidos, não querem sofrer o bullying presidencial. E aí, curioso, né, Nadézia, porque a gente vê hoje o Eduardo Bolsonaro que está lá nos Estados Unidos acusando o Brasil de promover censura, acusando as instituições brasileiras, Judiciário, governo brasileiro, de promoverem a censura, de acabar com a liberdade de expressão.
O que que ele diz em relação a essa censura que foi agora cometida do governo norte-americano contra a principal emissora de notícias do país? Até agora eu só ouvi silêncio por parte dele, não teve nenhum tipo de condenação. Então isso mostra mais uma vez a seletividade desse discurso de liberdade a qualquer custo. Liberdade é só para mim e para os meus de dizerem o que nós pensamos. Quando a liberdade ela é uma crítica, e uma crítica fundamentada, aí não é liberdade, aí é abuso.
Tem uma ouvinte aqui, a Júlia, falando sobre os ataques que eram conduzidos a jornalistas pelo presidente Jair Bolsonaro. Disse que aqui no Brasil também acontece. Ela mandou uma alfinetada aqui: parece que para CBN tá tudo bem. Não tá não, viu? Nós tivemos jornalistas que foram alvos de ataques do ex-presidente Jair Bolsonaro. Tivemos uma repórter que foi ofendida Inclusive o caso mais conhecido em 2021, quando ela questionou então o presidente sobre as negociações da compra da vacina da COVID-19.
Tratamos isso amplamente aqui ao longo da nossa programação porque foram episódios muito graves. Não à toa Jair Bolsonaro e Donald Trump se tratam como aliados, né, porque lançam mão do mesmo tipo de estratégia autoritária. E como Uriam bem disse, pessoas que defendem supostamente liberdade de expressão, até mesmo a qualquer custo, né. Enfim. São os grandes defensores da manifestação de livre opinião nas redes sociais, mesmo opiniões antidemocráticas, em alguns casos criminosas.
Isso tudo é muito grave. E nos Estados Unidos, acho que vale a gente frisar, Uriah, acontecendo isso num ano de eleição. Eles têm midterms esse ano e estão banindo veículos americanos de entrarem na Casa Branca para acompanharem a cobertura presidencial.
E é justamente assim o que que explicaria O fato disso acontecer agora, porque de fato foi uma escalada, né? A gente já tinha visto anteriormente veículos sendo de alguma forma censurados, como foi o caso da Associated Press, que foi banida da Casa Branca porque não quis chamar o Golfo do México de Golfo da América, que é uma daquelas várias mudanças de nomes que o Trump tem promovido quando não consegue alcançar políticas concretas.
Não consegue ter sucesso concreto nas suas políticas comerciais, na sua guerra, aí ele promove esse tipo de bravata de fachada. Então ele muda o nome aqui, muda o nome do Lago de Ontário para Lago da América, muda o nome do Golfo do México para Golfo da América. Então vai fazendo isso para projetar uma percepção falsa de que ele está tendo um sucesso na sua política externa, quando na verdade não. O efeito prático dessas ofensivas dele tem sido o enfraquecimento do próprio Ocidente que ele tanto diz defender.
E aí outras figuras do mesmo campo político dele, trago aí também Flávio, JD Vance, toda essa galera que fala que o Ocidente está sendo ameaçado, na verdade são eles que estão acabando com essa hegemonia do Ocidente. E como que eles fazem isso? Ameaçando os próprios aliados. Essa semana, o que que aconteceu também que é de extrema relevância? Canadá aceitando ali, teve um discurso de Estado, um discurso da Ursula von der Leyen, que é a presidente da Comissão Europeia, que é como se fosse ali a presidente da União Europeia, e ela falou no Parlamento Europeu em Estrasburgo que o Canadá poderia se tornar o primeiro Estado associado da União Europeia.
Isso é claramente uma resposta ao bullying que o Trump tem feito tanto ao Canadá quanto também também aos líderes europeus. Trump que tarifa o Canadá, que ameaça anexar o Canadá, tornar o Canadá um estado norte-americano. Canadá vai lá, responde e se aproxima daquele que é o bloco que junto com os Estados Unidos são, eles promovem o maior comércio do mundo. O comércio entre Estados Unidos e União Europeia, Nadeja, ele é de 1,5 trilhão de dólares.
Não existe nada maior do que isso no planeta. E o Trump falou essa semana que se essa história de acordo entre Canadá e União Europeia de associação fosse levada adiante, que ele iria cortar o comércio com a União Europeia. Então assim, ele tá aproximando aqueles países que ele ameaça, ele tá abrindo caminho inclusive até mesmo para a China na própria Europa. E aí Como o efeito, o tiro sai pela culatra, o que sobra a ele é esse tipo de discurso vazio em que ele tem que promover mudança de nome para mostrar para o eleitorado que ele tá conseguindo alguma coisa.
E aí silencia também veículos que expõem esse tipo de tática dele, como é o caso da CNN, há poucas semanas das eleições, porque ele não quer uma cobertura crítica a sua atuação em um momento de recorde de desaprovação.
Uriel, tenho 2 minutinhos para te ouvir ainda sobre um último tema. O Lauro Jardim, nosso comentarista, colunista do Globo, revelou que Eduardo Bolsonaro tem dito a interlocutores que quer comandar o Itamaraty se Flávio Bolsonaro vencer a presidência.
Eu diria que Eduardo no Itamaraty seria a certeza, a certeza, eu falo isso aqui nacionalmente na rádio para o Brasil inteiro ouvir, seria a certeza de que o Brasil se tornaria um país pária, um país desrespeitado no mundo inteiro. E eu levo 3 coisas em conta para poder fazer essa afirmação. A primeira delas é o próprio histórico de como foi a diplomacia do Jair Bolsonaro durante o seu governo, quem era o chanceler dele? Era o Ernesto Araújo, que foi responsável por negar mudanças climáticas, por atacar o Ocidente.
Ele chegou a dizer em determinado momento que se atacar o multilateralismo e ter apenas um parceiro faria do Brasil um párea, e aí ele tava falando apenas dos Estados Unidos, então que o Brasil fosse um párea. O Ernesto Araújo, ele foi quem publicou um texto chamando o coronavírus de comunavírus. E foi por conta disso que a CPI da COVID deixou claro mais tarde que o insumo que estava sendo importado da China atrasou para chegar no Brasil.
Então isso teve um impacto direto. Foi durante esse governo que países como a Noruega travaram aquele investimento no Fundo Amazônia, congelando o investimento aqui tão importante para o Brasil. E aí, como se não bastasse a atuação do Ernesto Araújo, e de novo a do Eduardo não seria diferente, tem as falas do próprio, do próprio Eduardo Bolsonaro ao longo da história, que também já questionou as mudanças climáticas, que em determinado momento defendeu o AI-5.
Isso foi em 2019, depois de protestos que estavam acontecendo no Chile por parte da esquerda. Ele disse que se a esquerda no Brasil radicalizasse que também deveria ter um i5 por aqui. Então é essa pessoa, Nadeja. E num cenário em que o próprio governo norte-americano, por meio do Trump, legitima e até mesmo incentiva esse comportamento, isso seria munição grátis nas mãos de países e políticos europeus que são contra, por exemplo, o acordo do Mercosul com a União Europeia, que inclusive não foi ratificado pela União Europeia.
Então seria o brasileiro pedir para ser olhado como um pária lá fora. Então não seria aí o melhor nome para isso, sem a menor sombra de dúvida.
Aproveitando que você citou o AI-5, eu lembro que no governo Médici, Orlando Geisel era ministro do Exército. Nem o ditador General Geisel manteve Ernesto Geisel, manteve o próprio irmão no ministério quando assumiu o governo. Teve uma ruptura familiar ali, mas nem ele manteve o próprio irmão como ministro. Então, se isso acontece no Brasil agora, realmente é muito sintomático. Corinha Fancelli, obrigada por hoje. Obrigada pelo seu conhecimento, por compartilhar mais uma vez sua análise aqui com a gente e até uma próxima.
Eu que agradeço o convite. Sempre bom estar com você. Até uma próxima.
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