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‘Tédio sempre foi matéria-prima’

18 de setembro de 20263min
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Rossandro Klinjey faz uma análise dos efeitos positivos em um ano da lei que restringiu o celular nas escolas brasileiras. Pesquisa cita a redução da ansiedade dos alunos. Comentarista destaca a importância do tédio. ‘Quem nunca se entedia também jamais se encontra. (...) o celular sequestrou esse vazio’. Ouça.

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Participantes neste episódio1
R

Rossandro Klinjey

ComentaristaPsicólogo
Assuntos3
  • A importância do tédio para o desenvolvimento da criatividade e identidadeo celular sequestrou o vazio·mente divagando ativa redes cerebrais·criação de brincadeiras e personagens·descoberta do que se sente
  • Os efeitos positivos da restrição do celular nas escolas brasileirasaumento da participação em sala·melhora na concentração dos alunos·mais socialização presencial·redução da ansiedade dos alunos
  • A geração atual e a dificuldade de lidar com o silêncio e a ausência de estímulosBrasil é o segundo país em tempo de tela·nunca experimentou ficar sozinha com a própria cabeça·pânico quando o silêncio chega·nenhuma fresta sobrou pra mente respirar
Transcrição3 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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RKRossandro Klinjey

Refletir para Viver com Rosandro Klinger. A lei que restringiu o celular nas escolas brasileiras completou um ano. E o MEC anunciou uma pesquisa nacional para medir os efeitos. Os primeiros números colhidos com gestores já contam uma história: 97% relatam mais participação em sala, 95% apontam melhora na concentração, 95% observam mais socialização presencial. E o dado que mais me interessa como psicólogo: 86% dos diretores associam a restrição à redução da ansiedade dos alunos.

Tiraram a tela e a ansiedade caiu. Veja que informação preciosa! O Brasil é o segundo país do mundo em tempo de tela: 9 horas e 13 minutos por dia, em média. Uma criança que cresce nesse regime nunca experimentou algo que toda a geração anterior conheceu de sobra: ficar sozinha com a própria cabeça, sem nada para fazer. O tédio, esse vilão que os pais correm para exterminar com mais uma atividade e mais um vídeo, sempre foi matéria-prima.

É no vazio que a criança inventa brincadeira, cria personagem, elabora o que viveu e, o mais importante, descobre o que sente. A pesquisa em psicologia mostra que a mente divagando ativa justamente as redes cerebrais ligadas à criatividade e à construção da identidade. Quem nunca se entedia também jamais se encontra. As melhores ideias que tive na minha vida aconteceram no tempo do tédio. Só que o celular sequestrou esse vazio.

Cada microsegundo de espera virou rolagem. A fila, o intervalo, o banheiro, na mesa de jantar, até no cinema quando a cena desagrada. Nenhuma fresta sobrou pra mente respirar. Formamos uma geração que nunca ficou desacompanhada de estímulo e que por isso entra em pânico quando o silêncio chega. O recreio voltou a ter barulho de gente, bola, conversa, riso, briga pequena de criança, queda, carrinhos e bonecas. Tudo aquilo que forma alguém.

A escola devolveu aos alunos algo que nenhum aplicativo oferece: a chance de se aborrecer. E do aborrecimento, quem diria, nasce gente mais inteira.

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