Sites de compras fictícias simulam prazer de consumir sem efetivar a compra
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Luis Fernando Correia
Cássia
Milton
- O fenômeno dos sites de dopamina que simulam compras sem efetivá-lasbusca pelo prazer de consumir·sites de comida que não entregam·site de 'break para fumar' sem fumar·site de compra de roupa com desconto
- O prazer da compra reside na antecipação e na busca pelo produtoprazer em comprar não está em ter o produto·procurar e esperar a chegada do produto·antecipação ativa sensação boa
- A pressão do consumismo e a proposta de resistir ao consumo realpressão constante para consumir·ajudar a resistir ao consumo real·saúde do cérebro
- O risco de sites de dopamina aumentarem o desejo de consumo realtruque de usar antecipação·diminuir o consumo·deixar a vontade real mais forte
- A falta de evidência científica para a eficácia dos sites de dopaminanão há pesquisa clínica organizada·relatos de usuários dizem que ajuda·não é evidência científica
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Alice, plano de saúde como deve ser. Muito bom dia, Doutor Luiz Fernando Correia, tudo bem?
Então, bom dia, Milton, bom dia, Cássia, bom dia, ouvintes. Bom dia, Doutor.
Aí da outra, aí na conversa que a gente tem lá com o pessoal do Hora do Expediente, a gente trouxe essa história desses sites que o pessoal entra lá para fazer compra, mas não compra, né? Não precisa comprar, é só para passar esse momento, essa excitação da compra, etc. e tal. Aí a gente pensou assim, bom, mas pera aí, isso tem, claro, nós tava brincando, chamando atenção para o hábito, etc., mas tem um fundo científico nessa história toda aí que a gente precisa pensar, né?
Tem sim, Milton. A gente tá falando desses sites de dopamina, na verdade, né? Porque a base de tudo isso é a busca pela coisa, né? Você, só que isso começou com um site de comida, né? Então é a busca, o que que eu vou, o que que eu vou pedir na internet para o jantar? Aí escolhe, olha, não sei o quê, e tipo assim faz o pedido, só que essa comida nunca chega, né? Então a ideia é a seguinte, e não sei se vocês comentaram, tem até um site que fala sobre um break para fumar.
Só que ninguém fuma, né? É isso, eu não conhecia, hein? Então é um site, existe um site que é um site animado com telinha em que você, os funcionários de uma empresa ou amigos saem do trabalho e vão fumar em algum lugar. Então ficam caindo bituca de cigarro no chão, só que ninguém tá fumando em lugar nenhum, né? É muito doido isso. Enfim, é isso, é isso que tá acontecendo na Coreia do Sul, mas tá replicando em outros lugares do mundo.
Inclusive, um desses sites foi feito por engenheiro da Microsoft e ele imita compra de roupa com desconto, né? As pessoas ficam escolhendo roupas com desconto, mas não compram roupa nenhuma, não chega roupa nenhuma em casa. Então, o que parece estar por trás de tudo isso é justamente essa pressão constante do consumismo, né? A gente tem que consumir, mostrar, ter as coisas. E a ideia que eles dizem Aí vem sempre o perigo, né? A proposta pela criação desses sites é ajudar a resistir ao consumo real sem gastar dinheiro.
E aí é que interessa essa história da saúde do cérebro. Tem um pesquisador da Universidade de Yale chamado Ravi Dar que estuda comportamento do consumidor, e ele explica que isso acontece, esses sites existem porque boa parte do prazer em comprar não tá em ter o produto, tá em você procurar e esperar a chegada desse produto. É uma antecipação que ativa uma sensação boa. Então, por isso mesmo, é muitas vezes, às vezes a pessoa, você compra alguma coisa por assim, por impulso, e quando dá—
Opa, Doutor Luis Fernando, pera aí só um pouquinho porque o seu áudio aqui sumiu enquanto nós estávamos conversando. Por alguma razão aí tivemos um problema. Já voltou, então volta lá, vai lá, vai lá.
A gente tenta bloquear as ligações, mas Sempre tem alguém que não consegue. É, o senhor tava falando no momento que a gente teve a perda, que era a questão do impulso. Exatamente. Aí você, muita gente já acontece, pode ter sentido isso, você comprou alguma coisa por impulso, muitas vezes na internet, né? E quando a coisa chegou em casa, você nem ligou para aquilo, né? Então não tinha uma, você não tava. Então boa parte do prazer de comprar, segundo ele, tá em esperar pelo produto, em procurar Então, na prática, isso aí vem um alerta também de um economista chinês que estuda exatamente essa utilidade da antecipação, que esse truque de usar a antecipação desses sites de mentirinha, compras de mentirinha, vamos dizer assim, para diminuir o consumo, ele pode até, pelo contrário, deixar a vontade real mais forte.
Ou seja, não tem nenhuma pesquisa clínica organizada cientificamente, metodologicamente feita para avaliar isso, mas o que se diz é o seguinte: tem gente, os relatos nas matérias têm sido feitas no mundo inteiro, obviamente começaram nos jornais da Coreia, dizendo que quem usa esses sites diz que ajuda. Mas isso não é uma evidência científica e fica um alerta. Será que essa ciência da antecipação, ou seja, esperar algo bom é real?
Que todo mundo já fez isso, gente, vamos confessar aqui, todo mundo já encheu o carrinho virtual de uma loja dessas virtuais e não comprou, né? Não quer dizer que você desistiu, mas você procurou naquela hora, você, pô, esse negócio deve ser legal, vou comprar, eu acho que eu preciso, muitas vezes não precisa, mas enfim. Agora, isso aí não pode ser transformado assim empiricamente em estratégia de saúde mental, seja para quem tem problemas de compras por impulso ou mesmo vícios, como vício em cigarro, Isso pode ser até uma ferramenta no futuro, mas por enquanto, Milton, eu achei extremamente curioso.
Nem desculpe não ter escutado ontem o comentário de vocês, mas chama muita atenção, né? Coisa de coreano, né? Tá na moda, né?
Tá bom, muito obrigado, Doutor Luiz Fernando.
Um bom dia, um bom fim de semana para todo mundo, e que realmente a chuva dê uma folguinha, porque aqui no Rio tá dando.
Tá bom, que bom. Até mais, doutor.
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