Episódios de Comentaristas

Petróleo, inflação e clima mantêm incertezas sobre a economia brasileira

18 de setembro de 20266min
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Miriam Leitão comenta que a economia brasileira chega ao fim de 2026 cercada de incertezas. Segundo ela, apesar da deflação registrada em agosto, a expectativa é de alta dos preços em setembro. Ela também destaca que a alta do petróleo, os efeitos ainda indefinidos do El Niño e as dúvidas sobre a próxima safra agrícola dificultam as projeções para inflação e crescimento.

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Participantes neste episódio3
M

Miriam Leitão

HostJornalista
C

Carlos Alberto Sardenberg

Co-hostJornalista
C

Cássia

Co-hostJornalista
Assuntos5
  • Incertezas sobre a economia brasileira no final de 2026desempenho da inflação·impacto da alta do petróleo·efeitos do El Niño·dúvidas sobre a safra agrícola
  • Pressões inflacionárias e o retorno do petróleo a 100 dólaresdeflação em agosto·expectativa de alta em setembro·bônus de Itaipu·petróleo em patamar de 100
  • Incerteza sobre a meta de inflação e projeções econômicasintervalo de flutuação da meta·expectativa do governo·projeções de economistas·MB Associados
  • Impactos do El Niño e chuvas irregulares no clima brasileiroaquecimento das águas do Pacífico·chuvas no Rio de Janeiro·aumento da água em reservatórios·chuva irregular nos próximos meses
  • Dificuldades na produção agrícola e oferta de insumosoferta de fertilizantes·guerra do Irã·fechamento do Estreito de Ormuz·próxima safra brasileira
Transcrição2 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
MLMiriam Leitão

Dia a Dia da Economia com Miriam Leitão. Oferecimento Seguros Unimed. Se é Unimed, é seguro.

?Voz B

Boa tarde, Sardenberg. Boa tarde, Cássia. Boa tarde, ouvintes da Rádio CBN. Sardenberg, a gente tá no em setembro, né, mas da segunda metade de setembro. E ainda pesam muitas dúvidas sobre como é que vai ser o desempenho da economia esse ano, desempenho num ponto principal, por exemplo, inflação, né. A gente viu que agosto teve deflação, mas também todos os economistas dizem: agosto vai ter deflação, em setembro vai ter inflação.

Ou seja, os preços vão subir em parte pela volta daquele bônus de Itaipu que deu o rebaixamento na conta em agosto, ele volta agora, né, volta ao patamar normal. E isso significa um aumento. Mas não é só isso, que a incerteza é sobre, afinal de contas, a economia. Qual vai ser o impacto na economia do petróleo ter voltado a 100? Vamos lembrar que no começo do ano, antes da guerra do Trump, contra o Irã, o petróleo tava em 70 e às vezes até namorava o patamar de 60.

Aí começou a subir, teve altas muito fortes, foi muito além de 100, depois baixou e baixou. E isso teve um reflexo positivo na economia. E agora ele voltou ao patamar de 100, ele oscila, às vezes sobe e desce, mas tá nesse patamar. Então esse patamar cria mais pressões inflacionárias. Tem o El Niño, mas como é que o El Niño vai chegar? Isso ninguém sabe responder, nem mesmo cientistas. Eles confirmam que o El Niño vai ser mais forte, ou seja, o aquecimento das águas do Pacífico são maiores do que se imaginava.

Mas acontece que não se sabe como é que isso vai ter, como é que isso vai aparecer no clima do Brasil, por exemplo. Até agora, o que que houve? Houve mais chuvas do que natural, do que o normal. Eu moro no Rio de Janeiro, tem chovido todo dia, é um negócio impressionante. Tem dia, Sardenberg, Cássia, que amanhece assim aquele dia paulista no Rio de Janeiro, né? Aquela neblina, sabe? Aquele céu fechado. Eu acho charmoso, mas o carioca mesmo, você sabe, não gosta de dias nublados.

Tem tido chuva atrás de chuva. Isso aumentou a água nos reservatórios, que era um dos medos. Porém, os próximos 3 meses, os últimos 3 meses do ano, é de chuva irregular. Ninguém sabe, pode chover concentrado em poucos dias, muita chuva, e um período longo de seca. Então isso aí vai determinar, por exemplo, água no reservatório, que afeta disponibilidade de energia da fonte hidrelétrica, que é a nossa maior fonte. Então isso afeta os preços da energia, a própria produção da agricultura.

Agora em outubro começa a produção, tinha várias dificuldades. Uma delas é oferta de insumos agrícolas, de fertilizantes, por exemplo, que tiveram dificuldade de escoamento por causa da guerra do Irã. E o fechamento do Estreito de Ormuz. Então isso permanece a dúvida. Até já se fala de uma supersafra, mas, e que o Brasil tinha feito uma compra antecipada desses produtos que permitiu que a safra brasileira desse ano não sofresse.

Mas a próxima vai sofrer ou não vai sofrer? Então veja que a gente normalmente, quando chega no último quadrimestre, último trimestre do ano, você já sabe, já tá dado. Olha, o país vai crescer tanto, vai ter uma inflação de tanto, vai ter, enfim, a gente já sabe os indicadores. O final do ano é só a conta de chegar. E esse ano, diferentemente dos outros, é cada mês uma dúvida, cada momento uma dúvida. Então é possível que a inflação fique dentro do intervalo de flutuação da meta.

Outro dia eu perguntei para o ministro Dario Durigan e ele disse que o governo tem essa expectativa, mas eu converso com economistas que não sabem se vai acontecer ou não. Tem gente que fala, olha, pode ficar bem pertinho do teto, tipo 4,6%, por exemplo, a MB Associados refez a conta e botou 4,6%. Mas se vai ficar ali dentro daquele intervalo, que também não é a meta em si, a gente sabe, a meta em si é 3%, vai ainda, ainda não se sabe.

Então muita incerteza ainda pesa sobre o ano de 2026. E eu nem entrei nas dúvidas fiscais que o meu comentário já acabou. Então até segunda-feira, Sardenberg, até segunda-feira, Cássia e ouvintes.

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