Amizade x Solidão: estamos com a tendência de nos isolarmos?
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- Amizade· SociedadeTendência de isolamento social·Valorização da independência·Transformação de hábitos familiares·Derretimento da empatia
- Riscos de Saude· SaudeAumento de enfermidades·Menos anos de vida·Declínio cognitivo·Doenças cardíacas·Saúde mental·Comportamentos de risco
- Isolamento social e emocional· SociedadeSolidão (percepção subjetiva)·Isolamento social (privação de contato)·Solitude (escolha positiva)
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CDN Comunicação e Liderança com Leny Quirilhos.
Leny Quirilhos com a gente aqui no estúdio, sempre ao vivo. Obrigado, Leny.
Obrigada, Sardenberg. Boa tarde, boa tarde, Cássia, boa tarde para todos. Boa tarde, Leny.
O tema é amizade e solidão, pois surgiu também, não é uma pergunta direta de ouvinte, mas surgiu de vários comentários de ouvintes.
Me chamou muito atenção porque na semana passada nós falamos sobre amizade, sobre a importância das pessoas estabelecerem relações de amizade, e houve uma grande porcentagem aí de pessoas que entraram em contato falando, nossa, Esse tema é tão relevante, você consegue aprofundar? Nossa, e as pessoas que são sozinhas? E houve muita procura. Então primeiro quero ressaltar que realmente nós estamos vivendo um momento especial em relação a isso, onde por uma série de fatores do nosso dia a dia, da nossa rotina, nós estamos com uma tendência de nos isolarmos, de evitarmos os contatos.
O que chama atenção? A valorização de um estilo de vida mais independente, mais individualista. Isso acontece o tempo todo. A transformação, gente, de hábitos familiares. Veja qual era o passeio anteriormente, quando nós éramos crianças: era ir visitar o parente, era ir na casa dos amigos, a gente jantava na casa de um conhecido, almoçava na casa de um parente, a gente fazia inclusive as refeições em conjunto. Era a hora do almoço, a hora do jantar, a família se reunia.
E hoje a gente não vê mais a abdução que acontece pelo celular de grande parte das pessoas que poderiam estar numa interação mais positiva, né? E assim, um derretimento da empatia, da paciência para estabelecer essas relações. E é algo tão evidente que virou matéria de uma série de revistas, de jornais, Fiz um levantamento, encontrei algumas coisas bem interessantes em matérias da revista Veja especialmente. E o que que eu quero trazer para vocês?
Ouçam só: uma em cada 6 pessoas vive só no mundo. E existe uma relação direta no aumento de enfermidades e em menos anos de vida por conta disso, por conta desses novos hábitos. Isso virou até um alerta de pandemia, entre aspas, da Organização Mundial de Saúde. Vejam esses números: 16% das pessoas no mundo vivem num estado de solidão. 16%. 871 mil mortes são atribuídas à solidão por ano. Um número bastante grande. E mais uma vez, falamos isso semana passada, olham, vejam que curioso: jovens de 13 a 17 anos são a faixa etária mais afetada, 20,9%.
Os jovens de 18 a 19 é o segundo recorte, com 17,4%. Aí, quando a gente olha para os idosos, que é o que a gente mais esperaria encontrar, existe uma porcentagem alta, só que aí não é de solidão, é do que eles chamam de isolamento social. Então vamos fazer uma diferenciação aqui. Solidão, gente, é uma percepção, é um dado subjetivo, é a pessoa que chega e fala. Às vezes ela tá rodeada de gente, Mas ela diz: eu me sinto só. Essa é a solidão a qual os jovens se referem.
Isolamento social é a pessoa que é privada do contato com os outros por alguma circunstância. Então, a pessoa que eventualmente parou de trabalhar e não consegue mais sair sozinha de casa, é a pessoa que não é visitada pelos outros eventualmente. Isso é isolamento social. Quando a gente fala em isolamento social, o recorte maior é em pessoas acima de 60 anos. 25 a 34% das pessoas, tá? Agora, tem um outro conceito que eu entendo que é legal da gente trazer, que é o que os pesquisadores chamam de solitude.
Diferente da solidão e diferente do isolamento social, a solitude é muito positiva. É aquele momento onde a gente para, se recolhe, reflete, pensa sobre as coisas que acontecem, Então somos nós conosco mesmos, tá? Digamos assim. E é muito positivo, até porque, minha gente, é fruto de uma escolha. Então é muito bom também quando as pessoas conseguem se sentir bem mesmo fazendo alguma atividade sozinhas. Por exemplo, nossa, quero muito assistir a um filme, não tô conseguindo companhia, eu vou sozinha, assisto ao filme, depois bato um papo com as pessoas com quem eu tenho contato.
E tudo bem, é desejável e é saudável que a gente possa cultivar também esses momentos onde nós escolhemos estarmos sozinhos. Isso é muito bom e é muito positivo. Aprofundando um pouco mais, Harvard traz um estudo mostrando que as pessoas mais velhas que se sentem sós têm um risco 40% maior de morrerem em 4 anos. E vejam o tipo de doenças que podem afetar essas pessoas. Declínio cognitivo, então a pessoa começa a ter problemas de memória, de aprendizado, de entender as coisas que se passam.
Infarto, AVC, diabetes tipo 2, ansiedade, depressão, autoagressão e ideação suicida. E é muito comum que essas pessoas também se encaminhem para comportamentos de risco, como tabagismo, né, o uso do fumo, o uso exagerado do álcool. Eventualmente de drogas, de até de medicamentos. Ah, eu vou tomar um remédio para tirar minha dor. Ah, eu vou tomar um remédio para dormir melhor. Muitas vezes sem nenhuma indicação, como se fosse aí um tampão para segurar algo mais relevante.
E tem os estudos do Dr. Avezum, que é um cardiologista lá do Hospital Oswaldo Cruz. Ele faz, gente, estudos muito amplos considerando problemas cardíacos associados a estilo de vida, a tipos de personalidade. Inclusive, a gente chegou a comentar um estudo dele há alguns meses falando sobre a importância do perdão. E o Avezum diz que existe um aumento mesmo da pressão arterial nesses momentos, um aumento no risco de formação de coágulos, predispõe a arritmias.
E um ponto que ele destaca, Sardenberg, escuta só: as pessoas nesse estado, elas se sentem menos motivadas a se cuidarem. E aí, claro, às vezes algum sintoma, algo pequeno, pode alcançar um desdobramento perigoso, não é? Nesses casos. E aí a proposta, né, buscar essa interação de forma ativa, olhar para as pessoas ao redor. Tá rolando meio que uma preguiça, não é, Cássia? A gente falou sobre isso com a história da amizade. Uma preguiça da gente cultivar relacionamentos, porque as oportunidades estão aí.
A gente em qualquer ambiente tem gente por perto, não é? Então é se dirigir, demonstrar interesse pelo outro. Às vezes as pessoas se sentem sós e elas estão muito carentes, em busca de alguém que queira saber delas. Só que essa pessoa, ela também pode dar um primeiro passo mostrando interesse pelo outro. Certamente isso traz uma bela de uma lei de reciprocidade aí que vai fazer com que o outro também tenha interesse em estabelecer aí essa relação.
E sabe o que os autores colocam, Cássia? Lembrei muito de você, o uso de companhias não humanas: gatos, cachorros e até robôs Sardenberg. Nos Estados Unidos e no Japão, as pessoas estão fazendo robôs para fazerem essa companhia, essa interação. Então abrir-se para amizade, investir nisso com boa vontade.
Leny Quirilhos, mas mais uma vez muitíssimo obrigado. E você tava se referindo às gatas?
A Cássia tem duas gatas, Thelma e Luíse, não é isso? Exatamente, uma beleza. E eu tenho um cachorro, tá? Preciso contar também, meu Potter maravilhoso.
Obrigada, Leny, até a semana.
Obrigada, Sardenberg e Cássia. Um ótimo restinho de semana aí para vocês, para todos. Obrigada, Leny, até mais. Nice.
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