Mariana Enríquez explora os medos das cidades latino-americanas em novo livro
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José Godoy
Tati
- Mariana Enríquez e terror latino-americanoMariana Enríquez·Terror latino-americano·Um Lugar Ensolarado para Gente Sombria·Stephen King·Contos de H.P. Lovecraft
- Maldições e lendas urbanas· SociedadeViolência urbana·Medo cotidiano·Metrópoles latino-americanas
- Série baseada em contos de Mariana EnríquezMis Muertos Tristes·Netflix·Pablo Larraín
- Histórias de terror· EntretenimentoSamantha Schweblin·Mónica Ojeda·Giovanna Rivero
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Clube do Livro CBN com José Godói.
Pois é, boa tarde.
Oi, Tati, boa tarde, boa tarde, Fernando, boa tarde, ouvintes.
Fernando tá na Europa, meu amor, pedalando nas clovias de Londres. Tomando cerveja belga na França, tá? Beleza. Sobramos nós aqui, Zé, falando do livro. A gente viaja pelos livros, não é mesmo? Ai, olha só, eu tô cheia dos ganchos hoje. E eu adorei o título dessa coletânea que você nos traz hoje: Um Lugar Ensolarado para Gente Sombria.
Pois é, é o livro, coleção de contos, né, de uma das principais escritoras latino-americanas do momento, argentina Mariana Henriques. Já adiantando aí para o nosso ouvinte, vou dar uma dica aqui para nossa querida Patrícia Kogut, né? Vai estrear agora no final de setembro uma série bem legal assim, baseado nos contos da Mariana. Muitos desse volume aqui que eu tô falando aqui hoje, sabe nome? Com a direção do Pablo Lahaye. Cara, o nome, não sei, mas eu acho que vai ser alguma coisa próxima disso. Acho que eles vão pegar um desses nomes, um dos nomes dos contos.
Você viu muito, você viu muito Pablo Larraín para o seu livro, não?
Pois é, filmes dele, muito. É, eu falo do Larraín, do No, né? Até falo disso no livro, né, que é um filme que eu adoro, né? Aquele filme sobre o trânsito chileno, né?
Não.
E ele vai dirigir esses episódios todos aqui que vão estrear agora no final do mês de setembro na Netflix. Vamos falar do livro aqui.
Vamos. Enquanto isso, eu vou buscando o nome da série para a gente não ficar curioso. Vai, quero te ouvir.
Então, eu acho que a Mariana, eu acho que ela é, talvez ela seja o representante mais importante de um fenômeno literário aqui nosso, da América Latina, que é o terror latino-americano. A gente, quando fala de terror, né, principalmente acho que o ouvinte, né, a gente tá sempre transitando entre a tradição literária e a tradição audiovisual, o terror, de certo modo, ele foi meio banalizado pela indústria do cinema, né? Tem muito filme de terror que é aquele filme para você sair apavorado do cinema. Tem gente que gosta, né, de ter sobressaltos na sala. Pois é.
Desculpa, eu vou ter que te interromper porque eu tô ouvindo mais o número do voo que tá sendo chamado do que você falando do terror da Mariana Henriques, que é de fato Um dos grandes nomes do terror, eu diria sul-americano, não?
Sim, é um fenômeno latino-americano. Acho que tem gente no México escrevendo muito bem, na Argentina tem a Samantha Schwebling, que é uma autora super importante hoje, a Mônica Alreda, né, do Equador, a Giovanna Rivero na Bolívia.
Todas são autoras assim muito relevantes nesse gênero, né? Mas a Mariana, acho que ela começou, ela de certa forma ela abriu essa porta assim, ela começou a chamar atenção para essa mistura da tradição latino-americana, né? Assim, pode pegar desde a época do realismo mágico, que é um trânsito entre o real, entre o realismo e o que tá acontecendo, o que vem da cultura na verdade ancestral, são outras conexões com o mundo dos mortos, com superstições, com relações que são muito, que não são comuns na tradição ocidental, né?
E acho que essa mistura deu muito certo também aqui na América Latina. Não é autora que são autoras, são autoras que hoje são muito lidas.
Mundo afora, né? E a Mariana é forte nesse momento assim. Eu acho que é alguém que realmente abriu esse espaço. Ela tem um grande best-seller, né, que é As Coisas Que Perdemos no Fogo, que é um livro que vendeu no mundo inteiro. E ela tem uma coisa legal, Tati, assim, é uma— ela ao mesmo tempo ela bebe na tradição americana ali do romance gótico da Nova Inglaterra, né, do Hawthorne, do Lovecraft, Cada vez mais eu acho que ela se aproxima de uma coisa mais pop assim, um diálogo mais franco assim com a obra do Stephen King, sem perder esse pé na América Latina.
E nessa coleção, essa coletânea que eu tô contando aqui, ela traz muito um ponto importante que é o horror de viver nas cidades latino-americanas. O conto que abre, que abre a coleção, que vai ser um dos contos que vão estar nessa série que eu falei aí da Netflix, é Os Mortos Tristes é um livro todo que acontece todo num bairro, que era um bairro de classe média simpático, que vai se deteriorando ao longo do tempo e vai cada vez mais empobrecendo.
Então é um lugar de grande violência urbana onde vão acontecer algumas manifestações que a gente classificaria como sobrenaturais, mas na verdade assim, todo o entorno dessa história é uma história de um grande o grande terror cotidiano da nossa existência nesses lugares que a gente habita nessas grandes metrópoles latino-americanas, né? Um lugar onde ninguém nunca tá tranquilo, as pessoas sempre estão inquietas com o que tá acontecendo, o medo paira, o pânico paira.
Então acho que ela consegue pegar muito essas emoções que pairam na nossa vivência de habitantes urbanos dessas cidades e começa a misturar isso com questões ali de cunho mais sobrenatural: fantasmas, mortos que conversam com vivos, coisas do tipo. Mas o que alimenta mesmo, as emoções que alimentam essas situações, são emoções que todos nós lidamos com no nosso dia a dia urbano das grandes cidades. Então acho que faz disso um livro muito, que conversa com muitos públicos, e acho que ele tá muito longe de ser um livro muito específico assim de gente que só gosta de literatura de terror ou ficções de terror, né?
Fiquei pensando, porque esse é um gênero que tem muitos fãs mas que quem não gosta não gosta mesmo, né, Zé?
Ah, sim, acho que acaba sendo aquele, aquela caixinha, né, que só abre quem se interessa, né? Mas acho que tem coisas muito brilhantes assim sendo feitas. Assim, eu acho que essas são todas escritoras mulheres, né, que eu tô falando aqui, né? Giovanna Ribeiro, Mônica Alreda, Samanta Schwebelin, Mariana Henriques, né, de quem eu tô falando aqui hoje. Elas conseguiram, essas escritoras conseguiram um lugar muito interessante assim.
Acho que elas conversando com o público muito mais amplo. A Mariana, por exemplo, esse conto que dá origem à coletânea, né, esse Um Lugar Ensolarado para Gente Sombria, é um conto que acontece em Los Angeles. Ele tem todo um ambiente ali meio pop, porque ela vai descrevendo a vida em Los Angeles.
A história se passa num hotel icônico ali da cidade, tem toda uma vivência ali naquela cultura hollywoodiana, e ao mesmo tempo ela consegue trazer algo dessa que na verdade não é um terror para ficar assombrado, mas é de uma abertura para histórias que vem, que parece que vem de outro lugar, conexões que a gente acredita ou não no nosso dia a dia, mas que fazem parte também das culturas, de cultura de todos os lugares.
Eu acho que ela faz isso muito bem. Os livros, os contos são muito bons de ler, as histórias são muito bem contadas. Eu sou fãzasso da Mariana Henriques.
Legal demais. Repete para a gente então, por favor, Zé, o nome do livro, a editora e autora e a tradutora.
Então falei aqui, falei hoje fundamental, falando da tradutora. Pessoal tá me perseguindo, eu tô indo para um festival literário daqui a pouco, são pessoal lá, me pega no café ali para me pegar. Mas ó, eu adoro tradutoras, tradutoras são pessoas incríveis, pessoal que sustenta, faz a nossa literatura mais rica, né, com traduções maravilhosas. A Elisa Menezes, que traduz a Marianne Hicks, é uma craque na tradução. Tem vários livros importantes que ela traduziu recentemente.
Falei aqui hoje então, Tati, da Marianne Hicks, Um Lugar Sombrio para Gente Ensolarada, saiu pela Editora Intrínseca aqui no Brasil, tradução da Elisa Menezes.
Muito legal. Zé Godói tá com a gente. Eu acho que você trocou o nome do livro, Zé. Você falou Um Lugar Sombrio para Gente Ensolarada, ou eu tô doida?
Não, é um lugar ensolarado para a gente subir. Se eu troquei, eu tô doido. Eu me responsabilizo totalmente por estar doido.
Freud ou situação de aeroporto? Não sabemos, Tati.
Eu tô viajando tanto que eu já tô com dificuldade de saber para onde eu tô indo.
Não vai embarcar no voo errado, faz favor, tá bom? Eu vou ajudar nosso ouvinte aqui, vou ajudar você, vai.
Nome da série: Mis Muertos Tristes, Meus Mortos Tristes, é o nome da série da Netflix, vai estrear no final de setembro.
Perfeito. Zé Godói conosco toda quinta-feira no nosso Clube do Livro. Um beijo, Zé, até a semana que vem.
Até a semana que vem, tchau tchau.
Então, ó, para você não se confundir, Um Lugar Ensolarado para Gente Sombria é o nome do livro da argentina Mariana Henriques.