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Fabricante de chips chinesa lidera ranking das empresas com maior valor de mercado da China

06 de agosto de 20269min
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Marcelo Ninio, diretamente da China, discute sobre novidade na Bolsa de Xangai: a CXMT,empresa fabricante de chips que estreou na bolsa com alta recorde e valorização de 466%. O especialista compartilhou que após a estreia da empresa na bolsa, o presidente da CXMT se tornou um dos novos bilionários da China. Confira!

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Participantes neste episódio1
M

Marcelo Ninio

ReporterEspecialista em geopolítica
Assuntos4
  • Fabricante de chips de IACXMT·Bolsa de Tóquio·Valor de mercado·Chips
  • Busca por investimentos e tecnologiaHefei·Estado como investidor·Capital de risco·Veículos elétricos·Inteligência artificial
  • Geopolítica China-EUA· InternacionalRestrição de chips·Dependência tecnológica·Desenvolvimento doméstico
  • Problemas de tecnologia· TecnologiaOportunidades de emprego·Ameaça aos empregos·Desemprego jovem
Transcrição11 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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?Voz C

Marcelo Ninho diretamente da China hoje para falar sobre uma empresa que chamou atenção para uma cidade chinesa. Olá, saudações de Pequim.

MNMarcelo Ninio

Olá para você e aos ouvintes, Tati.

?Voz C

Vamos lá, na semana passada o ranking das empresas com maior valor de mercado da China ganhou um novo líder, que é a fabricante de chips CXMT. Isso aconteceu depois de uma estreia na bolsa de Xangai com alta recorde e uma valorização de 466%. Bom, claro que o sucesso acabou chamando atenção para a cidade de Hefei, no leste da China, e o modelo de investimento em tecnologia que essa cidade usa. Marcelo Ninho teve por lá logo depois do lançamento na bolsa e conta o que é o modelo de Efei.

MNMarcelo Ninio

Ninho, pois é, eu achei uma cidade muito simpática, né, com parques, lagos, um clima amistoso e sem aquele estresse das metrópoles chinesas que tem aqui em Pequim ou em Xangai ou Cantão. Refei, essa cidade não costuma entrar no roteiro de turistas estrangeiros. É uma cidade sem saída para o mar e com menos atrativos do que outras regiões aqui do país, mas começou a chamar atenção internacional justamente pelo que ficou conhecido como o modelo de Refei.

É um modelo que foi lançado há mais ou menos 10 anos e que passou a ser copiado por outras cidades da China. E significa mais ou menos o seguinte: é o envolvimento do Estado como investidor de empresas de tecnologia que considera promissoras e de interesse estratégico. Claro que esse envolvimento, esse sistema híbrido entre público e privado na China é um dos, é o que tá por trás, né, do, da economia chinesa. Mas no caso de Refein dessa cidade foi diferente.

Como a inovação tecnológica virou uma prioridade estratégica da China, uma das questões sempre foi como dar suporte financeiro a quem tá começando, essas empresas de tecnologia que estão começando. E essa simbiose entre setores público e privado, como eu falei, que tantas vezes é muito difícil saber onde termina um e começa outro na China, no caso de Refei, a novidade foi que o governo entrou não como provedor de subsídios, como acontece muitas vezes, ou financiador de empresas, financiador de de sucesso, mas como parceiro de negócios desde o início com capital de risco.

Então é dividir o risco com essas empresas privadas. Então nos últimos anos o município de Refei injetou capital em várias empresas da cidade, que, né, concentrados assim em setores estratégicos como veículos elétricos, inteligência artificial, robótica, e deu muito certo, né. Em alguns casos, como empresas de veículos elétricos. E o mais evidente agora é o da CXMT, que virou na semana passada a empresa com maior valor de mercado da China, que é mais ou menos 3,3 trilhões de yuans.

Quer dizer, é o equivalente a 2 trilhões e meio de reais. Até difícil imaginar exatamente o que que é esse montante de dinheiro. É quase o PIB da Noruega, para se ter uma ideia. Então, um detalhe curioso é que na euforia do sucesso estrondoso que foi essa estreia na bolsa da empresa, o presidente dessa empresa, CXMT, que ganhou uma fortuna instantânea de 15 bilhões de dólares, se tornou um dos novos bilionários da China, prometeu dar 40% dele, dessa fortuna, aos funcionários.

E se essa promessa for cumprida, significa que cada funcionário vai ganhar 200 mil dólares. Nada mal, não é mesmo? Mesmo.

?Voz C

O sucesso dessa empresa tá relacionado com o avanço da China como potência tecnológica e também tem a ver com a competição com os Estados Unidos. Como é que a CXMT entra nessa rivalidade, Nínio?

MNMarcelo Ninio

É, hoje em dia a tecnologia tá no centro, né, da rivalidade entre a China e os Estados Unidos, de tal maneira que praticamente qualquer movimento nessa área entra na competição dos dois países. E no caso da CXMT tem a ver diretamente, porque a restrição imposta pelos Estados Unidos ao acesso de chips pela China levou a um desenvolvimento dessa indústria para que a China pudesse reduzir essa dependência. Essa empresa foi criada em 2016, né, justamente quando a rivalidade estava prestes a sofrer uma escalada com o primeiro governo do presidente Donald Trump.

E naquela época a China não tinha uma indústria para produção doméstica desses chips que são fabricados pela CXMT. E são chips que são essenciais para todo tipo de bens de consumo, de celulares a veículos elétricos, ou seja, qualquer aparelho que tem um sistema de computação. A China era nessa época totalmente dependente de fornecedores estrangeiros, principalmente da Coreia do Sul, e dos Estados Unidos. Então, o que se vê, 10 anos depois, né, graças a esse modelo de financiamento de refém dessa cidade, da prioridade estratégica que foi dada pelo governo central da China a esse tipo de movimento, né, e também pela demanda, né, do mercado com a explosão da inteligência artificial, a CXMT se tornou a maior empresa do setor da China.

Né, o mercado interno já dá uma vantagem enorme para esse desenvolvimento. E hoje em dia já tem quase 8% do mercado global. Ainda não é a autossuficiência que o governo chinês almeja, mas é uma dependência do exterior diminuiu muito. E mais um detalhe curioso sobre a competição geopolítica é que o fundador e presidente da empresa, o Zhu Yiming, aquele que prometeu dar parte dos lucros aos funcionários, ele estudou nos Estados Unidos.

Então é como muitos chineses que atuam no setor de tecnologia. E é interessante que eu observei andando pelo parque tecnológico de Hefei é que a grande maioria dos funcionários parece ter menos de 30 anos, quer dizer, uma atmosfera muito jovem. Descontraída, como é a cidade de Hefei. E claro que ajuda esse clima de descontração o fato da cidade ser uma das mais prósperas da China, é muito por causa desse boom tecnológico. Agora, por outro lado, conversando com alguns desses jovens, transpareceu o que é um dos dilemas atuais da China, da população chinesa.

Quer dizer, o avanço da tecnologia oferece muitas oportunidades, mas também é uma ameaça aos empregos desses milhares de jovens que se formam todo ano na China, principalmente nessas áreas de engenharia e matemática e tecnologia, e principalmente em particular a inteligência artificial e a robótica, que são uma ameaça aos empregos, né? O desemprego entre jovens cresceu muito nos últimos anos e esse é um impasse Que cada vez mais vai atingir não só a China, né, mas o mundo inteiro.

?Voz C

Marcelo Nínio, diretamente da China, toda quinta-feira conosco no Estúdio CBN.

MNMarcelo Ninio

Sempre um prazer, até a próxima.

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