Se a Selic caiu, por que o meu cartão de crédito e custo de vida continuam praticamente iguais?
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- Impacto da taxa Selic nos investimentosRenda fixa·Investimentos pós-fixados·Investimentos prefixados·CDI
- Janela de tempo para efeitos da SelicPolítica monetária·Inflação·Investimentos·Crédito·Consumo
- Legislação Brasileira· PoliticaTaxa de juros real·Atração de investimentos·Política monetária restritiva
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No fim das contas, Ana Leone, tá pesado esse piano aí que você tá carregando sozinha essa semana ou não?
Olha, ainda bem que eu tô carregando, porque eu não sei tocar piano, entendeu? Então eu tô levando vantagem carregando esse piano aqui.
Cada um com a sua habilidade, não é mesmo? Vamos em frente. Pois é. Ana, Comitê de Política Monetária, o COPOM, do Banco Central, reduziu de novo a taxa Selic, uma redução de 0,25%, de 14,25% para 14% ao ano. É uma redução que foi comemorada, mas é bom que a gente se diga que a nossa taxa básica de juros ainda é a maior do mundo. Essa decisão já movimentou o mercado financeiro, mas todo mundo ou muita gente se faz uma mesma pergunta.
Muito bem, taxa de juros básica diminuiu e no fim das minhas contas, como é que vai pesar? Se é que vai pesar, né? Cartão de crédito, meu financiamento, meu custo de vida continua basicamente igual. Qual é a janela, o intervalo de tempo entre uma decisão do Copom e a sensação de que de fato esses juros foram reduzidos no fim das minhas contas?
Pois é, né? O que que eu tenho a ver com isso, né? Essa é a pergunta que as pessoas têm se perguntado. Então essa é uma dúvida que realmente é bastante comum, porque esses efeitos eles não acontecem de um dia para o outro. Então vale aqui, né, só para a gente trazer o educativo da coisa, que o Banco Central ele utiliza a taxa de juros para controlar a inflação e estimular ou desacelerar a economia. Então ele é um instrumento de de política, mas a gente tá falando que a transmissão desse resultado, ou seja, os efeitos dessa redução, ele só vai acontecer no bolso das pessoas, na conta, nas contas das pessoas, aos poucos.
E aí, respondendo a tua pergunta, os economistas estimam que os principais efeitos dessa política monetária costuma aparecer aí, costumam aparecer entre 6 e 18 meses, dependendo do setor da economia. Então, quando há uma redução, essa é a janela que pode acontecer essa percepção no bolso das pessoas, mas também isso depende muito de cada setor. Então, na prática, alguns impactos podem aparecer antes de outros. Então, quando a gente está falando, por exemplo, de investimentos que são atrelados à taxa de referência, no mercado se chama CDI, que é uma taxa, é uma referência, né, Certificado de Depósito Interbancário, muito próximo da Selic, Isso começa a render um pouco depois, né, da redução da Selic.
Então esse efeito ele é mais rápido. Por outro lado, quando a gente está falando de empréstimos, financiamentos, financiamentos imobiliários, o crédito para as empresas costumam demorar a refletir mais essa queda, porque os bancos eles avaliam outras coisas, outros fatores, como por exemplo o risco de inadimplência, a inflação, o custo da captação. Então o efeito no preço do crédito que a gente paga demora um pouco mais, porque outras variáveis entram em cena.
E aí existe um terceiro efeito que costuma ser um pouco mais demorado, que é essa redução estimular o consumo e os investimentos, porque como eu falei é um dos instrumentos que serve para isso. Então quando se reduz aí a taxa de juros, espera-se que as pessoas consumam mais porque elas vão ter mais acesso ao crédito e a economia vai girar um pouco mais. Mas esse efeito também demora um pouco porque isso é em cascata. Se o dinheiro não ficou mais barato imediatamente, as as pessoas automaticamente também não comprarão imediatamente.
Então esse é um efeito que pode demorar. Então por isso que apesar da expectativa positiva que o mercado tem, né, com esse novo corte, ninguém deve esperar aí que isso vai refletir diretamente e rapidamente no bolso, porque isso pode levar um tempinho.
O Ana, como eu disse, o Brasil tem a maior taxa de juros do mundo, e eu falei a maior taxa de juros do mundo, eu preciso confirmar essa informação. Porque até algum tempo atrás era uma das maiores do mundo.
Uma das maiores, isso.
É, é. Por que a gente ainda tá nesse patamar de taxa de juros e o que é que isso significa para nossa vida financeira?
Então, né, porque tem razão, é uma taxa de juros muito alta, que é um jeito que a gente busca para atrair investimentos. E também aí tem uma questão mais macro, enfim, que eu acho que não tá aqui muito no dia a dia das pessoas, mas que acaba afetando. Então, o que que a gente estava falando? Tá falando, né, que o Brasil ele lidera aí o ranking, tá lá no topo e com uma taxa de juro real de 9,3%, ou seja, a taxa de juros quando a gente desconta a inflação para os próximos meses.
Então é isso que vale muito também, o nosso dinheiro custa, só que a inflação come um pedaço, mas ainda assim é um juro real muito significativo.
E aí sim a gente ocupa o topo, tá, Ana? Foi bom você fazer essa ressalva, não é a taxa básica, é o maior juro real do mundo.
Exatamente. E aí isso é bom porque só para quem tem dinheiro no banco, porque aí você consegue manter o valor da sua compra, o valor do seu dinheiro, e ainda supera esse valor porque você tem rentabilidade acima da inflação. Porém, né, os juros reais muito elevados, ele costuma refletir no país de uma maneira que a gente precisa olhar, né, de uma maneira mais ampla. Então é uma boa notícia, mas não necessariamente para todo mundo.
Por quê? Porque fica caro o dinheiro para todo mundo. Mundo. Então é uma política monetária bastante restritiva que ajuda a controlar a inflação e lidar com as incertezas, né? Mas por outro lado, o dinheiro fica caro para todo mundo. As empresas, elas não conseguem fazer seus investimentos, empregar mais. Então a gente ter essa taxa de juros, ela não é algo sustentável. Por isso que se comemora tanto quando há uma sinalização desta redução.
Então por isso que não existe uma relação direta aí, né, dentro do bolso das pessoas pessoas, porque muitas coisas estão envolvidas nisso. O Brasil precisa ter uma política mais de longo prazo para que a gente volte a ter patamares também que sejam patamares sustentáveis, porque se a gente parar para pensar também, Tati, até outro dia aí a gente tinha taxa de juros de 2% ao ano e que também não é muito saudável, vamos dizer assim, para uma realidade brasileira.
Então há uma série de estruturas que precisam ser pensadas para que a gente sinta esses efeitos no bolso. Acho que o recado aqui dessa redução é: Vale olhar então se você tá buscando empréstimo, se você tá buscando uma renegociação de dívida, isso pode ser o momento. Use isso a seu favor, mas saiba que se você precisa de um financiamento, principalmente um financiamento de longo prazo, que quando a gente tá falando de empréstimos de curto prazo a gente sabe ser feito aqui na mão, né?
Mas imagina só para quem tá financiando um imóvel para os próximos 30 anos, isso pode fazer muita diferença. Então taxas nesse patamar a gente precisa observar para entender como isso vai organizar nas nossas finanças. Porque no fim, né, a gente, como eu falei, comemora esse valor, só que a gente ainda precisa olhar para as nossas finanças familiares, o nosso planejamento pessoal, para entender como a gente pode tirar proveito o mais rápido possível, vamos dizer assim, dessa redução.
Ana, tem uma pergunta de um ouvinte, eu vou te fazer. Ele tá fazendo uma relação entre a percepção do custo de vida e a manutenção da taxa de juros. Ele diz assim: é possível e correto afirmar que a percepção de um custo de vida elevado tem um papel crucial na manutenção da taxa Selic em patamares altos?
Não sei se essa relação é tão direta, Tati, se é que eu entendi bem a pergunta dele. O que a gente percebe é o seguinte: acho que talvez a taxa de inflação seja uma referência, né? Porque a gente vê ali uma taxa de inflação controlada em alguma medida ou com um patamar que não é o que a gente vê ver no boleto do supermercado, né, no valor que a gente paga no supermercado. Então isso sim, às vezes você tem um custo de vida super alto e aí você vê esse poder de manter esse custo alto mais difícil porque o seu dinheiro tá perdendo valor.
Então uma taxa de juro alta prejudica isso também em alguma medida. Por quê? Porque o custo do seu dinheiro é maior, então é mais caro para o supermercado contratar, pegar empréstimo, expandir, ter estoque. Então de, a taxa de juros alta, ela não beneficia, ela beneficia uma parcela, ela é um instrumento de política monetária, porém fica caro para todo mundo, porque para todo mundo que precisa de dinheiro, né, para seja, como eu falei, expandir o seu negócio ou fazer um empréstimo para crescer o seu patrimônio.
Então é tudo muito interligado, é tudo muito interdependente, mas nesse caso assim, a manutenção de uma, de um custo de vida alto, ele tá muito mais relacionado à nossa perda de capacidade de manter aquilo que a gente podia manter e vai ficando cada vez mais caro porque o nosso poder de compra tá diminuindo.
Isso no custo de vida. A variação da taxa Selic tem qual impacto nos investimentos das pessoas? Aí depende do investimento, né?
Depende do investimento, mas é uma taxa que ela referencia principalmente os ativos, né, os investimentos de renda fixa, que a gente tem os pós-fixados que levam a taxa Selic como uma referência, o CDI, né, que como eu falei é o custo que é o custo de dinheiro transacionado entre os bancos, que fica muito próximo da Selic. Então aqueles investimentos pós-fixados, ou seja, aqueles que vão acompanhar o movimento da Selic ou do CDI, ele vai subir e vai descer conforme o movimento.
Então se a gente tiver uma subida da taxa de juros, a gente vai ter reflexo nesses investimentos. Por outro lado, os investimentos que são pós-fixados, desculpa, prefixados, eles já têm uma determinação de taxa no momento que você aplica. E aí os efeitos de subida ou descida podem afetar. Então é até curioso, é um movimento inverso. Quando a taxa de juros cai, você vê os títulos prefixados sofrendo um pouquinho. Por quê? Porque você comprou aquele título, fez aquele investimento a uma taxa que agora tá, aquela taxa está menor.
Então sempre que se investir em prefixados, ou seja, aquele que você tem uma taxa pré-determinada, o ideal é mantê-los até o final do investimento, porque daí você vai ter exatamente aquilo que foi acordado. Se você resolver resgatar antes, o que vai acontecer é que você vai estar sujeito ao preço do mercado. Então aquele título que você comprou com uma taxa maior vai estar sendo ofertado por uma taxa menor. Então por isso que a gente fala: pense bem no investimento que você vai fazer, se ele vai respeitar o prazo que você tem para ele, porque senão você pode estar sujeito a essas oscilações de mercado.
Então, mesmo em redução de taxa de juros, podem sim afetar positivamente muitos investimentos. Os que são pós-fixados, eles vão acompanhar esse movimento, mas esse é o objetivo. E outros tipos de investimento vão ter comportamentos diferentes a depender do risco e prazo, enfim.
Muito bem.
Ana Leônica, mas esse nosso ouvinte, Tati, pode mandar uma dúvida para a gente, a gente responde para ele detalhadamente.
Para onde ele escreve, Ana?
É nofindascontas@cbn.com.br.
Ana Leoni conosco, em geral com a Naira Bertão, com a Natália Larghi, hoje em voo solo aqui conosco no nosso No Fim das Contas, que você ouve às terças e quintas aqui no Estúdio CBN ao vivo, e a hora e o dia que você quiser nas nossas, nos seus aplicativos e nas plataformas digitais. Obrigada, Ana, um beijo, até terça!
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