Como o mercado recebeu o comunicado do Copom?
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- Mercado e CopomCorte da taxa Selic·Banco Central·Expectativas de inflação·Juros americanos
- Mercado Financeiro· NegociosJuros nos Estados Unidos·Petróleo·Irã·Estreito de Hormuz
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Gustavo Ferreira, editor assistente do Valor Invest, já tá com a gente. Tudo bem, Gustavo? Boa tarde.
Alô, alô, Débora, Nadede, ouvintes, boa tarde a todos.
Boa tarde. Gustavo, que leitura o mercado fez do comunicado do Copom?
Débora, a impressão que ficou é de que o Banco Central segue disposto a cortar juros para além dos 14% alcançados na noite passada, mas essa disposição parece ter diminuído. O comunicado de ontem sugere que se vier um corte em setembro, tem toda a pinta de ser o último. A próxima decisão de juros é em 16 de setembro, daqui Até lá, dois caminhos despontam como os mais possíveis. Num deles, a retórica mais pessimista do Banco Central bastaria para que expectativas de inflação parem de subir, e aí a Selic cairia para 13,75% ao ano e a porta para novos cortes ficaria ainda mais fechada.
No segundo cenário, ou a guerra, ou risco fiscal, ou El Niño, ou tudo isso manteria as expectativas de inflação aquecidas. E aí o Banco Central seguraria os juros nos 14% alcançados ontem. Seria uma tentativa de dar um choque nas previsões de inflação, previsões essas que têm certo poder de autorrealização. Dito tudo isso, os juros americanos hoje roubaram a cena no mercado nacional. Lá nos Estados Unidos, o noticiário tem reforçado o óbvio que de fato precisa ser reforçado: noves fora o oba-oba com a inteligência artificial, os juros americanos têm grandes chances de subirem em setembro.
A decisão lá vai ser tomada horas antes da decisão do Banco Central do Brasil, e essa decisão pode interferir na daqui. Resumindo a ópera, o Ibovespa, principal índice da bolsa, caiu 1,23%, e o dólar caiu também. O dólar normalmente acompanha sinais de alta nos juros americanos, mas a situação não é exatamente normal, né? A Casa Branca de novo falou que tava para sair o acordo para reabrir o Estreito de Hormuz, mas nada de assinatura que tinha sido prometida para hoje.
Ao contrário, circulou um plano do Irã de impor para todos sempre restrições em Ormuz. E aí, disparada de 4% do petróleo favorecendo a balança comercial brasileira, puxando o dólar em 0,41% para baixo, aos R$5,11, né, o câmbio do Brasil hoje na contramão global.
Obrigada, Gustavo. Amanhã falamos mais. Até.
Até lá, convido a todos acessarem o valorinveste.com.
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