Campanha presidencial deve ser marcada por troca de acusações de corrupção
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Momento da Política com Merval Pereira. E aí, Merval? Ouvinte, boa tarde, Cássia. Boa tarde, Merval.
Bom, Merval, o Flávio Bolsonaro acabou escolhendo para vice um deputado federal, deputado Gaspar, que foi, mas não, enfim, basicamente porque ele foi o relator da CPI do INSS, e claramente ele quer ligar a CPI do INSS ao ao presidente Lula, né, pelos inquéritos que envolvem o Lulinha, a Roberta Lutzinger, o ex-chefe de gabinete do presidente Lula, Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola. E por outro lado, a campanha do Lula obviamente bate nas questões de corrupção do lado do Bolsonaro, quer dizer, Em outras palavras, a gente não tá falando assim programas e campanhas e tal, e parece que é uma coisa assim de corrupção versus corrupção, meu irmão.
É, agora vai ser uma disputa de quem é o mais corrupto, vai ser uma baixaria danada, cada um acusando o outro de diversas corrupções que estão sendo investigadas, né, todas elas. Realmente não tem ninguém que escape. Até esse vice agora tem um, vai ter uma investigação no Supremo por uma acusação de estupro. Quer dizer, pô, o negócio é completamente fora de qualquer contexto civilizado, né? As pessoas não ligam mais, são acusados de estupradores, são acusados ladrão.
E não, ele reage retoricamente, né? Não, não tem uma vergonha, um escrúpulo, não tem uma atuação decisiva para contestar. É uma coisa. E enquanto tiverem sendo investigados, não deviam concorrer a cargo público nenhum. Não devia ser permitido pela lei, entendeu? Porque, pô, não é possível isso. É uma coisa tão escandalosa que é vergonhosa, né?
Agora, e o Lula teve uma atitude também nessa direção, ao dizer que quem é que nunca pediu dinheiro emprestado para um amigo, referindo-se ao caso em que o Marco Aurélio Ribeiro, que era o seu chefe de gabinete, afirma ter tomado um dinheiro emprestado da lobista Roberto Luxíngia.
E é culpa dele.
Diga.
Não, é isso, todo mundo quer normalizar coisas que não são normais. Um presidente da República não pode achar normal que seu chefe de gabinete peça dinheiro emprestado a qualquer pessoa, a qualquer pessoa, ainda mais a uma lobista que vive disso, vive de tentar marcar audiência, de ver ver fulano, ver Beltrano, entendeu? Não é possível que ele ache. É como o Jacques Wagner: quem nunca pediu dinheiro emprestado para um amigo para comprar um apartamento?
Eu acho que sempre, quase 100% do país. Ninguém tem amigo assim para financiar um apartamento, entendeu? Não é possível que os caras queiram fingir que tudo isso é normal, né? Não dá, não dá para aguentar uma atitude dessa de ambos os lados, né? Todos os dois principais candidatos mais bem votados nas pesquisas têm rabo preso com porcaro. Se não ele pessoalmente, tem os amigos íntimos, o filho. É realmente, é uma pena que a gente tenha chegado a esse ponto.
É, a pessoa chegar aí para o Merval, Cássio, o Merval, me compra aí um apartamento de 2,5 milhões, depois a gente acerta.
Pois é, pô, a gente se conhece há tanto tempo, né, pô?
Agora, ninguém quer falar de programa mesmo, porque parece que as pessoas nem vão acreditar, né, se alguém sair falando de programa.
É, e também cá para nós, os eleitores também não estão muito preocupados com isso, né? A maioria dos eleitores, né? Esse é o problema também, que os candidatos são acusados, são condenados, são presos, são soltos, volta a ser preso e tal, e continuam muito bem votados, muito bem apoiados, né? Não é uma questão mais que pese na disputa, porque os dois são envolvidos, né? Então O Lula, por exemplo, agora que apareceram essas crises todas envolvendo o filho, chefe de gabinete, então vai perder alguns pontos.
O Bolsonaro perdeu alguns pontos quando apareceu o caso do workaholic do filme lá do pai dele, o Dark Horse. Agora vai receber de volta esses, esses desiludidos que saíram da candidatura dele, talvez alguns, a maioria ficou indecisa, outros podem ter ido para outros candidatos, vão acabar voltando para o Bolsonaro. E o do Lula, a mesma coisa, entendeu? Por isso é que eu acho que vai ser muito apertada a disputa, porque a disputa não tá sendo feita mais em termos de valores, de programas e tal, é uma coisa ideológica, né?
Você vota num para derrotar o outro, e você quer derrotar o outro para acabar com o outro, porque ele representa o mal dos dois lados. Então fica uma disputa muito, muito rasteira, né, que não dá para levar a gente a bom lugar.
Meu irmão Pereira, muitíssimo obrigado, meu irmão. Até amanhã.
Até amanhã.