Os riscos do El Niño para a economia
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- Impacto no Desenvolvimento Infantil· SociedadeFenômeno El Niño·ONU·fome aguda·América do Sul·História da África
- Previsao Climatica Brasil· Meio Ambienteseca no norte·ondas de calor·incêndios no Pantanal·chuvas no Sul·Zona Franca de Manaus
- Crise Climática· Meio AmbienteGoverno do Distrito Federal·transporte de alimentos·escoamento da produção·vida humana
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Dia a Dia da Economia com Miriam Leitão. Miriam, boa tarde, Sardenberg. Boa tarde, Cássia. Boa tarde, ouvintes. Boa tarde, Miriam.
Miriam, como se não bastasse os fatores macroeconômicos, microeconômicos, agências nacionais e internacionais, os analistas econômicos estão introduzindo em seus documentos um outro fator que pode bater na inflação: o El Niño.
Miriam, pois é, o El Niño é esse ano, é um ano dos muitos eventos, né? Teve a guerra que afetou muito a inflação, a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, e agora o El Niño é o temor no segundo semestre. E o que que na verdade mais preocupa não é nem a política monetária ou até o aumento na inflação, que não vai ser uma escalada dado que a gente tem a inflação sob controle, um pouquinho acima da meta, mas no Brasil nós temos uma inflação sob controle.
Mais preocupante, Sardenberg, eu achei é que A ONU soltou um relatório muito assustador dizendo que primeiro que tem 81% de risco de que realmente ocorra um fenômeno como os climatologistas estão dizendo, um grande fenômeno, porque o aquecimento das águas do Pacífico tá acima do que sempre acontece. Quando aquece muito as águas do Pacífico tem um El Niño, que são mudanças drásticas no clima que atinge o Brasil e atinge a América Latina como um todo e também a costa da África.
Então o que a ONU disse é que tem um risco de aumentar em 49 milhões de pessoas para a situação de fome aguda até o fim de 2027. Isso tô falando no mundo, mas principalmente o epicentro desse evento é a América do Sul e a África. Então isso é um grande risco, mas todo mundo que faz análise de risco hoje tá olhando, Sardenberg, para esse evento. Porque, por exemplo, o governo brasileiro, ele fez uma sala da situação com vários ministérios, o governo federal, para olhar tudo que precisa ser olhado no que a gente já sabe que acontece normalmente quando tem El Niño, que é seca no norte, aquecimento, mais calor, ondas de calor no Centro-Oeste, incêndios, mais focos de incêndio no Pantanal e muita água no Sul.
Então é preciso se preparar, portanto, para cenários diferentes em regiões diferentes. Então tem muita coisa sendo feita, como por exemplo preparar até a ideia de transporte de alimentos para comunidades que ficam isoladas. Mas tem também o desafio do escoamento da produção da Zona Franca de Manaus. Essa semana mesmo a gente, eu conversei sobre isso no Bom Dia Brasil, porque a indústria de motos tá fazendo todo um planejamento para não faltar motos, porque tá uma demanda grande, e não faltar motos no país porque pode ficar ilhado lá.
O norte precisa muito da água para o transporte, para logística. É uma logística muito, né, uma região muito extensa e há comunidades isoladas. Enfim, tem um impacto na inflação com consequência na política monetária, sem dúvida. Ontem o Banco Central falou rapidamente sobre as incertezas pela frente, ele botou efeitos climáticos, mas há o mais importante, que é o que os governos— e quando eu falo governo, eu falo governo federal, estadual, municipais— o que os governos podem fazer, o que as empresas podem fazer diante desse cenário que a gente já sabe que tem, como disse a ONU, 81% de risco de acontecer esses fenômenos climáticos extremos.
E o foco tem que ser sempre a vida humana. O que que eu faço para proteger a vida humana? Isso tem que estar na cabeça dos gestores públicos. Sardenberg e Cássia.