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'Escolha de Alfredo Gaspar como vice não parece agregar muito à campanha de Flávio Bolsonaro'

06 de agosto de 20267min
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Bernardo Mello Franco comenta que a escolha do deputado federal Alfredo Gaspar como vice na chapa de Flávio Bolsonaro representa mais um aceno ao ex-presidente da Câmara Arthur Lira do que uma estratégia para ampliar o eleitorado do PL.

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Participantes neste episódio2
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
B

Bernardo Mello Franco

ComentaristaJornalista
Assuntos2
  • Flávio Bolsonaro· PoliticaAlfredo Gaspar·Arthur Lira·Eleitorado feminino·Estratégia de campanha·Acusações contra Alfredo Gaspar
  • Caso Marcola e INSS· SociedadeMarcola·Agenda do presidente Lula·Chefe de gabinete·Pedido de dinheiro
Transcrição9 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
BMBernardo Mello Franco

Conversa de Bastidor com Bernardo Mello Franco. Bernardo, boa tarde, Zadenberg. Boa tarde, Cássia. Boa tarde, ouvinte da CBN.

CACarlos Alberto Sardenberg

Boa tarde, Bernardo. Bernardo nos estúdios da CBN do Rio de Janeiro, em áudio e estúdio. Bernardo, temos aqui, saiu o vice do Flávio Bolsonaro e que tem algumas questões, digamos assim, e também tem questões do outro lado na campanha do Lula, como o caso do Marcola. Bernardo.

BMBernardo Mello Franco

Pois é, Sardenberg, agora a campanha de fato engrenou, os times estão escalados, quem faltava se apresentar foi apresentado, e o último dessa lista foi justamente o vice do Flávio Bolsonaro. O Flávio Bolsonaro vinha nas últimas semanas criando uma enorme expectativa sobre o anúncio desse vice. Disse inclusive que seria uma decisão histórica, convocou os seguidores a acompanharem o anúncio nas redes sociais, e no fim das contas, e no fim das contas, a montanha pariu um rato.

Quer dizer, a escolha do Alfredo Gaspar é uma escolha que não parece agregar muito à campanha. Não causa grande impacto e dificilmente vai levar votos para candidatura do PL. O plano A, como nós sabemos, do Flávio Bolsonaro era oferecer o lugar de vice na chapa a um partido aliado, e ele tentou de fato repetir o palanque do pai na eleição de 2022. Então ele ofereceu a vice à Federação PP União Brasil, a senadora Tereza Cristina, Depois ele ofereceu a vice ao Republicanos, né, o partido ligado à Igreja Universal, e sinalizou também que escolheria a Daniela Marques.

E mesmo no caso de uma chapa puro-sangue do PL, né, o que sobrasse, os coordenadores da campanha diziam é que a intenção era chamar uma candidata a vice mulher. Quer dizer, tentar com a escolha do vice é compensar a dificuldade que o Flávio Bolsonaro já mostra nas pesquisas de se aproximar do eleitorado feminino. Pois bem, tinha algumas opções na mesa, opções de deputadas federais do PL, mas no fim das contas ele optou pelo Alfredo Gaspar, que é uma solução que agrada também um grande aliado do Flávio Bolsonaro, que é o ex-presidente da Câmara Arthur Lira.

Por quê? Porque o Alfredo Gaspar era candidato ao Senado em Alagoas, era favorito, e com a saída dele para ser o vice do Flávio fica limpo ali o caminho para que o Arthur Lira dispute uma vaga da direita no Senado Federal por Alagoas. Então, resumindo isso tudo, Sardenberg e Cássia, entre agradar o eleitorado feminino, que hoje é mais de 50% do eleitorado brasileiro, e agradar o Arthur Lira, o Flávio Bolsonaro escolheu agradar o Arthur Lira e fez essa indicação do Alfredo Gaspar como vice.

Ele tem na cabeça ali dos coordenadores da campanha do PL ele pode agregar com o discurso anticorrupção e tentando focar sempre ali no caso do Lulinha, né, do Fábio Luiz Lula da Silva, filho do presidente. Porque o Gaspar foi relator da CPI do INSS, pediu o indiciamento do Lulinha num relatório que foi rejeitado. Mas ele agora, claro, vai tentar ressuscitar esse relatório para usá-lo como arma política contra a candidatura do presidente Lula.

Mas por outro lado, é um personagem que, como você lembrou, Tá envolvido em escândalos, já teve acusações de malversação de dinheiro de emenda parlamentar de R$6 milhões e também uma acusação de estupro de vulnerável. Esses dois casos estão no Supremo Tribunal Federal. Evidentemente, o deputado é inocente até que se prove o contrário, mas são rolos que podem causar dor de cabeça para candidatura do PL ao longo da campanha.

CACarlos Alberto Sardenberg

Agora, só uma observação, Bernardo. Você disse que em vez de escolher uma mulher, ele acabou escolhendo o Alfredo Gaspar. Na verdade, ele tentou uma mulher, né, e que não conseguiu. Os partidos não toparam, né. A primeira escolha dele era a Tereza Cristina, segunda Daniela Marques. Não deu certo nenhum dos dois, ele foi com o que tinha, né.

BMBernardo Mello Franco

Exatamente, Zatenberg, foi o que a gente falou, né. Primeiro a Tereza Cristina pela Federação PP União Brasil, depois a Daniela Marques pelo Republicanos. E aliás, a Daniela Marques publicou vídeos indo lá para o anúncio de ontem como se fosse ela a escolhida, né? Quem seguiu, acompanhou aqueles vídeos, deve ter ficado com a impressão de que ela ia ser anunciada. Mas mesmo no PL, no caso de não fechar nenhuma aliança partidária, como aconteceu, o Flávio Bolsonaro tinha algumas opções.

Tinha deputadas que foram cogitadas como possíveis vices, como por exemplo a Júlia Zanatta lá de Santa Catarina, uma outra deputada evangélica de Pernambuco. O fato é que ele acabou optando por esse arranjo que favorecia o Arthur Lira na disputa pelo Senado de Alagoas. Agora dá tempo da gente falar rapidinho do Marcola?

CACarlos Alberto Sardenberg

Dá, dá sim.

BMBernardo Mello Franco

Então vamos lá, um minuto. Sardenberg, o recado é o seguinte: a campanha do presidente Lula afastou da coordenação, né, afastou da campanha esse personagem que foi o chefe de gabinete, Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola. Mas isso não significa é que a sombra desse personagem tenha sido afastada da campanha. Esse que é o ponto que eu quero chamar atenção. O caso é um caso muito rumoroso. A gente tem aí um chefe de gabinete que era o principal assessor do presidente da República, né, aquele que abria a porta do gabinete do presidente, envolvido no pedido de dinheiro para uma lobista, lobista ligada ao careca do INSS.

Portanto, é um caso de alta octanagem aí para prejudicar a campanha do presidente Lula. Obviamente, o Marcola foi afastado para tentar distanciá-lo da figura do presidente, mas nada garante que não vão aparecer novos fatos, novos indícios aí ao longo desses 2 meses de campanha que tem pela frente. E claro, a gente sabe que um lobista procura acesso, acesso a autoridades que tomam decisão. Ninguém tinha mais acesso a essa autoridade do presidente da República do que o seu chefe de gabinete.

Portanto, é um caso que vai inspirar ainda cuidado, e talvez a gente volte a tratar desse personagem ao longo das próximas semanas.

CACarlos Alberto Sardenberg

Bernardo Melo Franco, muitíssimo obrigado, Bernardo, e até a semana.

BMBernardo Mello Franco

Um abraço, até mais, até mais.

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