Episódios de Comentaristas

Lula enfraquece posição do Brasil ao antecipar desejo de falar com Trump

06 de agosto de 20265min
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Para Vera Magalhães, presidente trata tema de forma pouco cautelosa. A comentarista analisa que anúncio antecipado pode expor desgaste diplomático caso a conversa não aconteça.

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Participantes neste episódio2
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
V

Vera Magalhães

ComentaristaJornalista
Assuntos2
  • Lula e Trump· PoliticaLula·Donald Trump·Relação Brasil-EUA·Diplomacia
  • Crise diplomática Brasil-EUA· InternacionalLula·Donald Trump·Deterioração da relação·Pesquisa de opinião·Revogação de visto
Transcrição9 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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VMVera Magalhães

Viva a Voz com Vera Magalhães. E aí, Vera?

CACarlos Alberto Sardenberg

Oi, Sardenberg, tudo bem? Boa tarde para você e para Cássia. Boa tarde para os ouvintes também, para quem assiste o CBN Brasil. Boa tarde, Vera.

VMVera Magalhães

Bom, Vera, o assunto é o seguinte: o presidente Lula, ou assessores dele, não sei, você vai nos contar, manifestaram a ideia de que o Lula pode procurar uma conversa com o presidente Trump no meio dessa troca de farpas entre os dois governos. O que que o Lula pode conversar com o Trump? Será que vai tentar refazer aquela tal da química?

CACarlos Alberto Sardenberg

Por enquanto, Sardenberg, isso tá só ali no terreno dos desejos e das especulações do próprio presidente. Foi ele mesmo que manifestou esse desejo de falar com o Trump. Numa reunião que ele teve com parlamentares do PSOL e da Rede. E aí ele fez umas tantas conjecturas sobre política externa e falou que pretende ligar para o Trump ou conseguir que eles tenham um telefonema. Mas primeiro, eu acho que tem aí um começo meio enviesado, né?

Você soltar isso numa reunião com parlamentares da esquerda da sua coalizão, né, da ala mais à esquerda da sua coalizão, que certamente tem uma visão mais ideologizada da já complexa relação entre Brasil e Estados Unidos. E isso vazar de uma maneira informal assim, sem mais detalhes, eu acho que enfraquece a posição do Brasil. Fica ali o presidente jogando no vento que pretende se reunir com o Trump, E aí não deixa claro qual vai ser a linha, como é que vai ser essa conversa, que temas ele pretende encaminhar nessa conversa.

É já uma coisa invada de muitas dificuldades nessa relação. Ela se deteriorou imensamente nesse ano, depois que a tal química, pelo jeito, evaporou ali num tubo de ensaio. E E o Lula deveria tratar disso de uma maneira um pouco mais profissional, mais cautelosa, deixar o Itamaraty cuidar dessa questão e só ventilar a possibilidade de uma conversa depois que ela esteja marcada. Porque se ela não chegar a acontecer, e existe uma boa possibilidade dela não chegar a acontecer, vai ficar evidente o quê?

Que o presidente brasileiro não teve ali prestígio para conseguir marcar uma reunião com o Donald Trump. E isso vai ajudando a turvar a imagem que se tem de como o Brasil tá lidando com essa crise. O Lula tava surfando nela naquela base de fomentar o discurso da soberania nacional e do nacionalismo. A pesquisa dessa semana da Quest mostra que agora não tá tão preto no branco essa narrativa, que as pessoas não estão todas elas como estavam até agora nas rodadas anteriores da pesquisa comprando majoritariamente essa versão.

Já começa a haver questionamentos a respeito de se o Brasil tá lidando bem com essa crise e o que mais poderia fazer para lidar tanto com a questão das tarifas quanto com as dificuldades diplomáticas no campo da política, como essa revogação temporária do visto da embaixadora Maria Luísa Viotti. Então eu acho que o presidente não tá dando a esse assunto a dimensão, a seriedade e também a complexidade que ele tem.

VMVera Magalhães

Tá certo. É como se ele tivesse assim no meio de uma conversa, jogar: ah, eu vou ligar para o Trump.

CACarlos Alberto Sardenberg

É bem isso, uma certa alevosia, sabe? Hoje eu tô usando umas palavras que até eu tô achando difíceis, mas é isso, lidando de uma forma meio leviana com o assunto. Que não permite esse tipo de expediente.

VMVera Magalhães

Tá certo, Vera. Obrigado, Vera. Até amanhã.

CACarlos Alberto Sardenberg

Até amanhã, gente. Ótimo jornal para vocês. Obrigado. Até mais tarde. Até mais tarde.