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Desistência de União Brasil e Progressistas em apoiar Douglas Ruas teve participação da direção nacional

05 de agosto de 20268min
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A desistência da federação formada por União Brasil e Progressistas em apoiar o candidato do PL ao governo do Rio, Douglas Ruas, teve influência da direção nacional do grupo. Cobiçada por Ruas e por Eduardo Paes (PSD), a federação vai ficar neutra e não vai conceder o tempo de TV que teria à disposição para nenhum dos dois candidatos, cerca de cinco meses após indicar o vice na chapa de Ruas — indicação da qual o nome escolhido já havia desistido em julho.

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Participantes neste episódio2
B

Beatriz Pacheco

HostJornalista
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
Assuntos2
  • Candidatura Douglas RuasAdaptação do cooperativismo no Brasil·UBS na Rua·Governo Lula·João Barradas·Flávio Bolsonaro
  • Política no Rio de Janeiro· PoliticaEleições Rio de Janeiro·UBS na Rua·João Barradas·Anulação da condenação de Garotinho·Desenrola Brasil
Transcrição7 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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?Voz B

Conversa de Bastidor. Vamos lá então, hein? Falar de movimentações que acontecem no minuto que começa a conversa de bastidor. Pois é, Flávio Bolsonaro acaba de anunciar o seu vice, a chapa para presidência da República. Alfredo Gaspar será vice de Flávio Bolsonaro. Alfredo Gaspar, ele havia sido oficializado candidato ao Senado Federal por Alagoas, mas agora será o vice na chapa do Flávio Bolsonaro à presidência da República. Aí é só o compromisso que a gente tem com a informação em cima do lance, né?

Não é exatamente sobre isso que Conversa de Bastidor vai tratar hoje, mas é um movimento importante, desdobramento grande a nível nacional.

?Voz C

Teremos repercussão aí na nossa programação logo mais no CBN Brasil, né? Nesse último dia de convenções partidárias, prazo final. E Flávio Bolsonaro deixou aí para os 45 do segundo tempo mesmo. Agora, por aqui, Leandro, vamos falar sobre Douglas Ruas, né, que tem a ver com o partido, é dentro dessa história do União Brasil que desistiu de apoiar o Douglas. E com uma pressão nacional, é isso, Bianca?

?Voz B

Teve participação, teve dedo do governo Lula nessa desistência da Federação União Brasil e Progressistas em apoiar o Douglas Ruas. Voltando no tempo, 6 meses atrás, fevereiro de 2026, uma foto em Brasília foi feita com o Douglas Ruas no centro, ao lado do Flávio Bolsonaro. Todas as outras pessoas que eu vou dizer os nomes agora deixaram de ser candidatos, muito embora tenham sido anunciadas lá naquela foto feita em Brasília. Cláudio Castro, ex-governador do Rio de Janeiro, era candidato ao Senado, não será mais, alvo da Polícia Federal duas vezes.

Márcio Canella era o outro candidato ao Senado do União Brasil, não será mais candidato ao Senado, vai disputar cargo de deputado estadual porque também foi alvo da Polícia Federal. Ele nesse caso chegou a ser preso. Rogério Lisboa, ex-prefeito de Nova Iguaçu, também tava nessa foto de fevereiro de 2026 e acabou desistindo de ser vice do Douglas Ruas. Então toda uma estratégia e uma campanha que foi pensada em fevereiro, tudo isso ruiu, tudo isso ruiu.

E o golpe final veio ontem com a desistência do União Brasil e dos progressistas em apoiar o Douglas Ruas. Essa federação que é enorme, é hoje o maior grupo político do Brasil, a Federação União Brasil e Progressistas, daria ao Douglas Ruas o dobro do tempo de TV que ele terá. Isso ainda será anunciado pelo Tribunal Regional Eleitoral, mas o Caio Sartori faz hoje no jornal O Globo, neste dia 5 de agosto de 2026, uma previsão do tempo de TV dos candidatos.

Eduardo Paes vai ter um tempo muito maior de TV do que o Douglas Ruas, que precisava muito desse apoio do União Brasil e do Progressistas. Esse apoio não vem por conta de uma pressão do governo Lula para que a neutralidade decretada a nível nacional se repetisse aqui no Rio de Janeiro. Governo Lula operou nos bastidores para que no final de julho houvesse essa decretação da neutralidade, que a União Brasil não apoiasse nem Flávio Bolsonaro nem Lula.

Apoiar Flávio Bolsonaro seria o normal. O Ciro Nogueira, que é senador do Piauí, foi ministro do governo Bolsonaro. Seria o normal que esse grupo político, que é de direita, é do Centrão, mas é muito mais ligado à direita, seria normal que esse grupo ali seguisse. Isso acabou não acontecendo. E a nível nacional também teve ali um olhar muito importante do governo Lula para influenciar nessa decisão anunciada ontem, que foi um golpe duro para o Douglas Ruas e foi uma notícia muito boa para o Eduardo Paes.

No fim das contas, olha o que que aconteceu nesse desenho político-eleitoral do Rio de Janeiro. A partir do momento em que o Márcio Canella foi preso no final do mês de julho, esse grupo do União Brasil e do Progressistas começou a conversar com o extremo oposto do Douglas Ruas, que é o grupo do Eduardo Paes. Ontem tava tudo muito bem encaminhado, inclusive, para que esse grupo que havia indicado— eu tô frisando várias vezes isso para que as pessoas entendam o absurdo da situação— o grupo que havia indicado o vice do Douglas Ruas ontem esteve muito perto de anunciar apoio formal ao principal adversário dele, que é o Eduardo Paes.

Olha como mudou a política do Rio de Janeiro em 6 meses. Isso só não aconteceu porque, do mesmo jeito que houve uma pressão do governo Lula, houve uma pressão forte da direita do Rio de Janeiro para que, olha, já que vocês não vão caminhar com a gente, também não vão caminhar com Eduardo Paes, porque isso aí já é demais. E aí houve pressão dos dois lados. O que que a União Brasil e o Progressistas quis com todo esse movimento?

Fazer um gesto para o governo Lula, mas não um gesto tão grande para entornar de vez o caldo com a direita. Sabe o que que o Centrão quis fazer no fim das contas? Continuar sendo Centrão, continuar não se comprometendo com ninguém e continuar sendo imprescindível para seja lá quem for governar o Rio de Janeiro em 2020, a partir de janeiro de 2027. Se for o Douglas Ruas, olha, a gente não apoiou formalmente Eduardo Paes. Se for Eduardo Paes, olha, a gente não apoiou formalmente o Douglas Ruas.

Se for o Garotinho, a mesma coisa. O Centrão nadou, nadou, nadou, negociou, negociou, negociou e quis fazer o que eles fazem de melhor: ficar em cima do muro para salvar a própria pele. Isso que eles fizeram aqui no Rio de Janeiro, isso que eles fizeram a nível nacional. Compromisso com projeto de país, compromisso com algum projeto político para o Rio de Janeiro, deixa para depois, deixa isso para depois. Agora, em cima do muro, planejar não ficar em cima do muro, continuar.

?Voz C

Agora dá para fazer mais um balanço assim do período de convenções, Leandro, pensando em vencedores e vencidos?

?Voz B

Acho que dá para fazer puxando pelo Eduardo Paes, né, o grande vencedor desse período de convenções, ele conseguiu fazer, ele conseguiu fazer com que prefeitos do PL saíssem do PL para ir para o PSD. Esse movimento a gente contou ao longo de todo o período de convenções, Haroldo, de todo esse período pré-eleitoral a gente contou aqui dentro do Conversa de Bastidor. Prefeito de Paraíba do Sul, por exemplo, o Júlio Canelinha, que eu citei aqui várias vezes, o cara era funcionário do Rodrigo Bacelar e hoje foi para o PSD, partido do Eduardo Paes.

Pro caso do Douglas Ruas, ele tem uma campanha desafiadora pela frente, mas tem uma boa notícia para ele. As últimas pesquisas, inclusive da Quest, mostram um grande número de eleitores indecisos. E agora ele vai numa chapa puro-sangue tentar fazer aquilo que o Alexandre Ramagem em 2024 não conseguiu fazer na capital, que é provocar um segundo turno. Essa é a primeira tarefa do Douglas Ruas. E aí, Antônio Garotinho, Antônio Garotinho conseguiu também se sair bem nessa convenção, nesse período de convenções.

Muito embora ele tenha perdido o vice, que foi, cujo partido foi lá aderir ao Eduardo Paes, ele conseguiu fazer um barulho grande à direita do eleitorado. Agora organizamos o tabuleiro. A partir de semana que vem já começa a campanha eleitoral.

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