Qual a diferença entre ‘fronteira’, ‘divisa’ e ‘limite’?
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
Professor Pasquale
Tatiana
- Termos de usoDicionário Aulette·Países limítrofes·TDAH·Limite de município·Divisa de estado·Fronteira de país
- Fronteira entre Estados de SerUso coloquial vs. oficial·Definições de dicionário·Nomenclatura do DNIT
- Uso da palavra 'fronteira'Robin dos Bosques·António Leitão Amaro·Salomão·Música 'Zona de Fronteira'·Terra de ninguém
- Limites PessoaisCajado Filho·Milton Nascimento·Música "Quero Que Tu Vá"·Sentido de ausência de fim
— Anúncios inseridos dinamicamente —
A nossa língua de todo dia com o Professor Pasquale.
Olha quem veio mais cedo hoje! Professor, boa tarde!
Boa tarde, Tatiana! Boa tarde, ouvintes! E eu nem tive tempo de abrir aqui para ver você. Pronto, tô abrindo.
Hoje não sei se tá valendo muito a pena não, sendo muito honesta, viu, com você e com nosso ouvinte. Porque tô brincando, tô brincando. Vamos lá, dúvida do nosso ouvinte Charles Dickens, que sugere que o senhor esclareça aos ouvintes as diferenças entre fronteira, divisa e limite. É porque ele percebe o uso equivocado de fronteira no sentido de divisa e limite. E aqui o Daniel já falou uma frase aqui que vale para muita gente, viu, professor? Quem tem limite é município, ele não tem não.
Bom, aí nós vamos ter nesse caso de divisa, limite, fronteira, uma coisa interessante, porque Os dicionários vão dizer uma coisa e os organismos oficiais, a prática jornalística, os manuais de redação e tal vão dizer outra. Então eu vou começar com auxílio para a gente já ter uma ideia do uso da palavra, de um uso da palavra limite. A gente vai começar então com Chico Buarque e Milton Nascimento. Nesse trecho é o Chico que canta, mas o Milton tá lá no fundo com aquela voz maravilhosa dele, fazendo aqueles falsetes, vocalizes e coisas maravilhosas.
A música é O Que Será, a flor da pele, porque há mais de uma canção. O Chico escreveu mais de uma canção, O Que Será. Esta é a flor da pele, uma obra-prima que o Milton Nascimento incluiu no disco dele Gerais de 1970. 76. O disco é do Milton, mas existe nele a participação do Chico nessa faixa. Vamos ouvir e ver como aparece a palavra limite. Vamos lá.
O que será que será que dá dentro da gente que não devia, que desacata a gente, que é revelia, que é feito uma guardente que não Que é feito estar doente de uma fobia que nem 10 mandamentos vão conciliar, nem todos os unguentos vão aliviar, nem todos os quebrantos toda alquimia, e nem todos os santos. Será que será? O que não tem descanso nem nunca terá, o que não tem cansaço nem nunca terá. O que não tem limite.
Esse limite dessa letra, O que não tem, essa letra maravilhosa, né? É um absurdo, é muito uma letra pungente de um tempo escuro do Brasil, muito escuro. E felizmente a censura da ditadura era como toda censura e como toda ditadura, era muito burra e não percebeu o sentido disso. E isso passou, felizmente, né? Senão a gente teria que ter esperado um tempo para conhecer essa maravilha. Diz a letra então: o que não tem descanso nem nunca terá, o que não tem cansaço nem nunca terá, o que não tem Limite. Como é que disse o nosso operador querido?
Quem tem limite é município, eu não. Daniel Sem Limites Mesquita.
Daniel Sem Limites Mesquita. Pois é, esse limite aí dessa canção do Chico é aquilo que não tem mesmo, não tem onde parar, não tem limite, vai até onde for, né? Agora, a primeira coisa que aparece nos dicionários, por exemplo, no Wise, na palavra limite é linha que determina uma extensão espacial ou que separa duas extensões, linha de demarcação, duas extensões quaisquer, né, quaisquer. Bom, um outro sentido aqui: linha que marca o fim de uma extensão espacial ou temporal.
E como sinônimo, com fim. Caminhou até os limites da praia, entregou o trabalho em cima do limite do prazo. Bom, vamos deixar isso amadurecer e vamos pensar no segundo auxílio, que é uma obra-prima também. Uma canção chamada Zona de Fronteira, a melodia do João Bosco e a letra é de dois gênios brasileiros que estão lá no céu conversando: Antônio Cícero e o Ali Salomão. A música tem o nome do disco, disco homônimo, 1991. Vamos ver o que acontece nessa letra genial desses dois gênios da poesia brasileira, Antônio Cícero e o Ali Salomão.
Aí, sei que sou, sempre fui, sempre serei o bar de um continente por se descobrir. Já alguns sinais estão aí, sempre a brotar do ar de um território que está por explodir. Sim, mas é preciso ser sutil, pois justo na terra de ninguém sucumbiu Sem pé em cima do barril, exato na zona de fronteira eu improviso o Brasil. Sem pé em cima do barril, exato na zona de fronteira eu improviso o Brasil. Rei, sei que sou, sempre fui, sempre serei o bar de um continente por se descobrir.
Já alguns sinais estão aí, sempre a brotar do ar de um território que está por explodir.
Você percebeu aí o detalhe? Mas é preciso ser sutil, pois justo na terra de ninguém sucumbe um velho paraíso. Sim, bem em cima do barril, exato na zona de fronteira, eu improviso o Brasil. Fronteira aí, Brasil, tal. O fato é o seguinte: se você abrir, por exemplo, dicionário Aulette, que é fácil de abrir, que todo mundo pode ter acesso, aulette.com.br, na palavra fronteira você sabe qual é a primeira definição? Linha divisória entre territórios ou países, divisa.
Limite. O Aulette diz que fronteira, divisa e limite são sinônimos, são equivalentes, né? Quando a gente diz que o Brasil e o Uruguai são limítrofes, o que a gente quer dizer com isso? Que Brasil e Uruguai têm limite comum, né? Ou seja, a gente usa limítrofe, que é uma palavra da família de limite, para indicar divisão de país. São países fronteiriços, são países limítrofes. Bom, agora vem aquilo que eu disse no começo, o uso específico.
Se eu pegar o site, e eu peguei porque eu vou atrás, né, eu faço minhas pesquisas aqui, peguei o site do DNIT, né. O DNIT substitui o DNER, né? Certo, Tati querida. É o a sigla DNIT quer dizer Departamento cadê que eu não sei direito Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes.
Perfeitamente.
DNIT vinculado ao Ministério dos Transportes. Isso no site do DNIT. As palavras fronteiras, divisas e limites são usadas com valores específicos, né? Tanto que as placas que eles põem aqui, ó, tá na página 200, na página 195 do Manual de Sinalização Rodoviária do glorioso DNIT. Temos lá como exemplos: limite de municípios Guapimirim Terezópolis. Divisa de estados: Minas Gerais, São Paulo. Fronteira: Argentina, Brasil. Então, nesse uso específico, parece que há uma diferença clara.
Divisa é de estado, limite é de município, fronteira é de país, né? E isso a gente vê, é só andar pelas rodovias brasileiras, a gente vê isso tranquilamente. Em nenhuma rodovia se vê fronteira de estado, Minas Gerais, São Paulo, né, fronteira de município, e por aí vai. Mas a gente usa muito divisa, por exemplo, no uso comum para município, né. A gente fala divisa de Diadema, né. Havia até uma linha de ônibus que eu não sei se existe ainda aqui em São Paulo, o nome da linha era Divisa de Diadema.
Você tem uma ideia de como essas palavras trombam uma na outra, né? Então o que eu posso dizer é o seguinte: se quiser ficar de acordo com a nomenclatura adotada pelo DNIT, limite é de município, divisa é de estado, fronteira é de país. No uso efetivo da língua, no dia a dia e tal, os dicionários todos dão limite fronteira e divisa praticamente como sinônimos. O aulete é bem explícito, é escancarado. Tá aqui o verbete fronteira, primeira definição: linha divisória entre territórios ou países.
Por território a gente entende qualquer coisa, né? Linha divisória entre territórios ou países, divisa, limite. Aí fica a critério do freguês.
Muito bem, tá bom. Sim, claro. Se você tem dúvidas sobre a língua portuguesa, você pode mandar o seu email diretamente para o Professor Pasquale, anossalingua, tudo junto, sem acento, @cbn.com.br. Esse é o nosso endereço, anossalingua@cbn.com.br. Pode, professor? Claro que sim.
E então eu peço aos ouvintes que mandem mesmo. Eu tô com muita dúvida assim repetida, eu tenho vergonha de repetir o assunto, né? Então o ouvinte A que manda uma pergunta que o ouvinte B já mandou lá atrás, e eu tento evitar a repetição do assunto. Então mandem, mandem, mandem, que eu tô precisando de dúvidas novas.
Olha, muito bom, muito bom. Sejam criativos, tá? Obrigada. Beijo, professor! Obrigada por hoje, até amanhã.
Beijo, beijo, Tati! Beijo para você, beijo para os ouvintes.
O que será que me dá, que me queima por dentro? Será que me dá Que me perturba o sono, será que me dá? Que todos os tremores vem aqui.