Nova Genial/Quaest indica fôlego curto de programas sociais de Lula na economia
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- Estratégia da direita para união em torno de Flávio Bolsonaro· PoliticaAlfredo Gaspar·Expectativa de vice mulher·Estupro·Isolamento da candidatura Bolsonaro
- Cenário Eleitoral 2026· PoliticaPolarização Lula e Bolsonaro·Terceira Via·Nível de conhecimento eleitoral·Pesquisa Genial/Quaest·Pesquisa Meio Ideia
- Gap Eleitoral entre GênerosLiderança de Lula no eleitorado feminino·Dificuldade da campanha de Bolsonaro com mulheres·Decisão feminina próxima à eleição
- Redução da Dependência de Programas SociaisDesenrola·Bem-estar econômico momentâneo·Endividamento da população·Medidas direcionadas
- Campanha politica· PoliticaHistórico do PT em eleições·Falta de argumento central·Ajuste fiscal pós-eleição
- Taxa de Juros· EconomiaRedução de 0,25 p.p.·Cautela do Banco Central·Impacto na economia
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That's promo code Gift. Viva Voz, especial eleições 2026.
Apresentação: Vera Magalhães.
Olá, boa noite! Seja muito bem-vindo e muito bem-vinda ao novo Viva Voz especial de eleições. Estamos indo para o nosso terceiro dia com o novo horário e a nova configuração mais analítica, com mais bastidores e com comentaristas fixos e convidados muito especiais. Hoje é quarta-feira, você já sabe, é dia de Bruno Carazza no Viva Voz. Ele que é economista, professor associado da Fundação Dom Cabral e já há mais de um ano nosso comentarista aqui. Boa noite, Bruno. Bem-vindo ao novo Viva Voz especial de eleições.
Boa noite, Vera. Boa noite, Maurício. Boa noite para você que está acompanhando. Prazer estar aqui nesse projeto novo. Vera ouviu os dois primeiros episódios e realmente está demais. Espero contribuir para essa conversa hoje.
Isso daí não tem nem dúvida, porque você sempre contribui muito. Ele já deu um spoiler do nosso outro convidado. Mas seja bem-vindo também Maurício Moura, que também é economista, é fundador do Instituto de Pesquisa IDEIA e professor da Universidade George Washington. Boa noite, Maurício.
Boa noite, Vera. Boa noite, Bruno. Eu sou fã e sou leitor do Bruno. É um prazer estar aqui com vocês.
Nossa, hoje tá todo embecado, hein? Tá de terno. Para quem tá nos assistindo aí pela Globoplay, pela todos os aplicativos, até com gel no cabelo.
Tá chique, fiquei até com vergonha aqui.
Falaram que era o programa da Vera, eu tive que caprichar.
É isso. Bom, vou aproveitar a presença luxuosa do Maurício aqui hoje, porque hoje é um dia— se tem a super quarta do Bruno quando sai um monte de juros aqui nos Estados Unidos, hoje tem duas pesquisas: a pesquisa do próprio IDEA, que é conjunta com o Meio, e a pesquisa da Genial Quest. As duas mostram um quadro ali com diferenças de números, porque são metodologias e campos diferentes, mas com uma tônica em comum, que é que apesar de um noticiário que se complicou um pouquinho para o presidente Lula e das tentativas aí do Flávio Bolsonaro de sair de uma maré de crise em que ele estava mergulhado há alguns meses, todos os fatos mexeram na verdade muito pouco nas posições na pesquisa.
E todos os outros postulantes a ser uma terceira via nessa polarização seguem estacionados. Maurício, te pergunto, pode chover canivete que essa polarização tá cristalizada?
Bom, Vera, é difícil responder sobre o futuro, né, mas o histórico dá muitas pistas da situação atual, né. A gente nunca teve numa disputa presidencial a essa altura, né, 5 de agosto, dois candidatos tão à frente dos outros, né, mesmo no ano que a gente tinha uma disputa entre o Jair Bolsonaro como presidente, o presidente Lula nesse mesmo instante. Então, nesse, e aí vários indicadores das pesquisas mostram nessa relação consistente, né, Vera?
É o nível deles na espontânea, o nível deles na estimulada de primeiro turno, e principalmente aí é uma variável que é muito complicadora, né, para esses três que você citou aí, que é a variável nível de conhecimento, né? O nível de conhecimento do Flávio Bolsonaro, apesar do conhecimento ser mais em função do sobrenome do que da própria figura do senador, é muito maior do que o nível de conhecimento de Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos.
Então Eles, além de estarem num patamar menor assim, abaixo nas intenções de voto, eles ainda têm um nível de conhecimento menor. E a gente sabe que a eleição desde 2018, né, Vero, tem 6 semanas, não tem mais 12. Então é muito menos tempo para que eles se façam conhecidos. Então, respondendo a tua pergunta, é um cenário bastante improvável e vai ser histórico se algum, se uma virada dessa magnitude acontecer, porque a gente não tem nenhuma referência desde nas eleições presidenciais de alguém, de candidatos que estejam tão atrás tanto em todos os aspectos espontâneo, estimulado e nível de conhecimento consigam em 6 semanas superar isso.
Então é muito improvável, mas obviamente a gente vai estar acompanhando pesquisa aqui semana a semana, né, Vera?
Exato, Bruno. A gente já analisou outras pesquisas aqui no Viva a Voz ao longo dos últimos meses, sempre com um olho, um olhar seu muito especial para os fatores econômicos que acabam influenciando o voto. Embora a gente possa dizer que não vale mais aquela máxima de que a economia é estúpido, A gente sabe que o bem-estar e a sensação principalmente de bem-estar econômico da população conta muito na hora do voto. O Lula se valeu muito de medidas que vão nessa linha nos últimos meses.
Isso parecia estar provocando uma melhora paulatina da avaliação do governo, da avaliação pessoal dele como presidente e também nas suas chances eleitorais. Mas o que principalmente a pesquisa Quest com algumas perguntas específicas a esse respeito parece sugerir é que é um bem-estar momentâneo que a população parece extrair desses programas como Desenrola e outros. É isso mesmo? É um tiro curto esse tipo de programa?
É, Vera, pois é, teve, tivemos essa novidade aí na pesquisa hoje, né, que quando a gente olhava as pesquisas anteriores que perguntavam sobre, por exemplo, Desenrola ou a isenção do Imposto de fazenda, elas davam uma melhoria, né, de conhecimento do eleitorado de um lado e de aprovação, os eleitores sentindo que essas mudanças melhoravam o seu bem-estar. E a pesquisa que saiu hoje, ela não confirma essa tendência. E eu tenho algumas hipóteses, né, para esse processo, né.
É realmente, o governo Lula fez um bombardeio de medidas econômicas para vários setores, para vários grupos sociais nos últimos tempos, replicando um processo que o próprio Jair Bolsonaro fez em 2022 na tentativa frustrada de reeleição. Inclusive hoje a gente vai falar disso mais à frente, né? O próprio Banco Central destaca essas medidas de estímulo, que é um motivo de preocupação do Banco Central. Então o governo realmente tá injetando combustível na economia, mas por outro lado as pesquisas não estão captando mais essa reação positiva Parece que dá essa sensação de tiro curto.
E uma das hipóteses para isso se deve à situação de boa parte do eleitorado brasileiro que tá endividado, uma alta taxa de inadimplência, né? A gente tem mais de 50% dos CPFs no Brasil tão negativados no Serasa. Então essas medidas, elas podem dar um alívio, um alívio momentâneo, mas não muda a situação geral do eleitor. Além de serem medidas direcionadas, muitas delas, né? Tem medida para o motorista de aplicativo, tem medida para o caminhoneiro, tem medida para quem compra o botijão de gás.
Então não é, são melhorias momentâneas para grupos isolados que dá essa sensação de que não houve uma melhora geral na economia para a população como um todo, né? Mas de toda forma, tanto a pesquisa do IDEA quanto a da Quest mostram uma melhoria da aprovação do governo e da avaliação de ótimo e bom. Então, se a gente olha o agregado, né, podem ser que as medidas perdem um pouco essa força, mas no agregado o governo colhe uns frutos aí nos últimos meses.
Você acha que isso ainda tem um peso, Maurício? Diga.
Não, queria fazer um ponto sobre economia, sobre nessa campanha. O PT sempre ganhou as eleições presidenciais com argumento econômico bastante contundente. Em 2002, eles diziam que iam gerar 10 milhões de empregos e o Serra dizia que ia gerar 8. Até hoje eu não sei porque que ele ia dizer que ia gerar 8. Em 2006, eles expandiram o Bolsa Família, foi um argumento de expansão de transferência de renda social, uma escala. 2010 eles pregavam crescimento econômico, né?
A Dilma era a mãe do PAC. Em 2014, mesmo com uma crise contratada, a Dilma fazia dois argumentos: um, que o desemprego tava no nível muito baixo e que ela não podia andar para trás nas transferências de renda, nos programas sociais. 2022, você sabe, né, Vera? O Lula fez o argumento que as pessoas iam voltar, numa metáfora, a fazer churrasco, a comer picanha, que é uma metáfora clássica Eu acho que a grande dificuldade do governo agora é o que o Bruno falou, são várias, são várias pequenas medidas, mas eles não têm um argumento central que a vida melhorou na economia.
É muito difícil chegar na eleição e falar assim, o que eu fiz para você foi um programa de refinanciamento de dívida, um crédito aqui e ali, uma mudança do cálculo da tabela de imposto de renda. Para os argumentos centrais que o PT costuma ter, isso é bastante menor assim. Isso eu acho que é um tema que vai ter que ser endereçado na campanha.
É, o que a gente percebe é uma tentativa de falar aquela coisa de tirar de novo o Brasil do mapa da fome, mas que é um mínimo, né? Não é realmente uma melhoria sensível. E agora, no fim do governo, uma tentativa de pegar carona nessa agenda trabalhista, né? Fim da escala 6 por 1, mas que não vai ter o que mostrar porque não vai ter votado, né?
É uma expectativa só, né? Isso, claro que a gente mediu em pesquisa aqui, a Vera até deu assim, tem uma ampla aceitação popular, além da escala 6 por 1, mas é uma coisa que não tá no dia a dia das pessoas, né? Muito difícil chegar na campanha prometendo uma coisa futura com as ressalvas que tem que passar pelo Congresso, vai ser refinado pelo Congresso. Então eu acho que uma das grandes dificuldades que esse governo vai ter é um argumento econômico central de reeleição, né? Eu acho que eu quero ver isso na campanha, obviamente.
E ainda mais, né, Bruno, quando a gente sabe que uma das discussões econômicas centrais e da qual todos os candidatos vão fugir, o Lula principalmente, mas até o Flávio Bolsonaro vai fugir, é uma coisa impopular, que é a necessidade de um ajuste profundo a partir do ano que vem, né?
É, esse vai ser um não tema da campanha, né, Vera? Porque como você disse, todos os candidatos vão fugir, né? Ninguém vai sair defendendo corte, mudança nos critérios de reajuste de benefícios social ou reformulação de programas de transferência de renda, necessidade de aumentar superávit. Nossos candidatos não vão, apesar, né, de serem questionados por isso. Mas essa discussão é uma discussão que é impopular e é uma discussão que não chega, né, no grosso do eleitorado, né.
Isso realmente vai ser um teste para pós-eleição, na composição da base do governo, nas medidas que vão ser. O governo já vai, seja ele quem for eleito, já vai assumir pressionado com essa demanda. Mas não acredito que isso seja um item predominante na campanha.
Mas para ser justo, para ser justo, esse não é um tema em nenhuma campanha global assim, né? Acho que eu só vi esse tema sendo tema em dois países, que foi a Argentina, que teve que quebrar diversas vezes para que isso virasse um tema na campanha, e na Grécia. Então, depois da pandemia, os governos começaram a gastar e esse tema saiu da pauta das campanhas eleitorais. Então, isso não é um fenômeno tupiniquim, assim, digamos assim.
Tem um tema que esse sim sempre aparece, mas que agora também tá numa circunstância curiosa, porque os dois principais candidatos têm telhado de vidro. Que é o tema da corrupção. A gente até vai se deter um pouco mais sobre ele quando falar dos desdobramentos do caso Lulinha Marcola, que ainda não estão cobertos nem pela pesquisa do IDEA e nem pela pesquisa da Quest totalmente, né? O Lulinha já tinha alguma coisa na semana passada, mas não as principais revelações, mas que também atinge o Flávio Bolsonaro.
Que a pesquisa Meio IDEA mostra é que para quem liga para essa questão, né, do combate à corrupção, para quem tem como essa, essa questão como fundamental, o Lula vai pior. Ele tem mais rejeição entre aqueles que consideram o tema da corrupção o tema central da campanha, né? Não é isso, Maurício?
Não, totalmente correto, Vera. E esse tem sido um legado do PT pós-Lava Jato. Uma das coisas que tem alimentado o antipetismo justamente é esse tema. Então, quando a gente quebra o eleitorado exatamente como você descreveu, obviamente a oposição dá mais valor a isso. Mas eu também queria fazer um ponto, Vera, que na margem ali, que é aquele eleitorado que eu tenho defendido que vai definir a eleição, que são os 3, 4% do eleitorado, existe uma percepção já instalada que os dois lados são corruptos.
Então esse vai ser um não tema para essas bordas. Agora, para o antipetismo, certamente a gente tem dados recorrentes sobre isso.
Eu falei, né, Bruno, num vídeo que eu gravei para o Globo, que a corrupção virou um item de série. O pessoal acho que já vem ali acoplado na política brasileira. Isso tem um custo também aí, né, no cômputo final do custo Brasil, em todas as perspectivas de mercado, etc.
É, sem dúvida, né, é um tema, vai ter um chumbo trocado aí entre os candidatos, né. O Lula se beneficiou aí das gravações aí do Voo Caro com o Flávio Bolsonaro a respeito do pedido de ajuda para supostamente rodar o filme do Bolsonaro. Isso atingiu bastante a percepção de voto do Flávio Bolsonaro. Mas agora, com o surgimento, ressurgimento dessas denúncias contra o Lulinha e o uso que aparentemente vai ser feito, dada a escolha do vice do Flávio Bolsonaro, da CPMI do INSS, É essa, esse argumento da corrupção vai voltar contra o Lula.
E aí dá essa sensação, né, de que virou um não tema ou de que isso não afeta mais. Mas eu concordo totalmente com Maurício, acho que isso expõe aí uma fragilidade da candidatura do Lula. E acho que a corrupção ainda continua sendo um tema relevante para esse eleitor de nem, nem, né, nem Bolsonaro e nem, e nem Lula.
Agora, é incrível que em outro assunto que também teve desdobramentos, que a gente vai tratar logo mais, que é esse tema da política externa influindo pela primeira vez na eleição de uma forma muito ali importante, o eleitor vinha dando sinais de que entende que a postura do governo e do Lula estão mais corretas no enfrentamento, principalmente com Donald Trump, mas também com Javier Milei. Mas isso dá uma rateada, pelo menos ali na pesquisa da Quest.
Parece que jogar na confusão e tentar dissipar um pouco a responsabilidade pelo tarifácio e por outras rusgas que existam na relação, parece estar funcionando, pelo menos com uma parcela do eleitorado. Não sei, Maurício, o que que você acha da importância que isso vai ter? O que que as pesquisas mostram a respeito de como, quanto central esse assunto vai ser na eleição?
Bom, primeiro lugar, eu acho que tem uma consistência aí nas pesquisas, e a nossa mostrou isso hoje, que o saldo do apoio do Trump, da conexão com o Trump, da ligação com o Trump, é negativo, né? Para o mesmo entre os eleitores inflável, isso não gera superávit, digamos assim, né? Agora, Vera, eu acho assim, em primeiro lugar, o Brasil, como você sabe, né, nunca foi tema, política externa nunca foi o tema de debate presidencial brasileiro, né?
Inclusive na linha contrária das principais democracias do mundo, né? As principais democracias do mundo debatem política externa o tempo inteiro e o Brasil não fazia isso, mas acho que dessa vez vai ser um tema, mas eu acho que pode influenciar e aí é difícil de mencionar, se houver alguma coisa de tarifa, alguma coisa que bata nos preços ali, bata no dia a dia, bata no bolso, E aí é assim, aí a gente vai transportar esse tema para o centro do debate e para o centro da decisão de voto, né?
E para mim foi muito estranho, né, porque eu via o Donald Trump e a Casa Branca entrarem em eleição após eleição pelo mundo, e foram pouquíssimos os casos, talvez na Argentina, porque eles colocaram dinheiro durante a eleição de Congresso lá, foram pouquíssimos os casos em que a ajuda do Trump, dessa Casa Branca, foram positivas para o candidato que se alinhou com eles, né? Então essa tática é no mínimo bastante arriscada, justamente até pelo que você mencionou, né, Vera? É muita confusão na cabeça da opinião pública para entender o Donald Trump, né?
Bruno, você acha que esse assunto, pelo menos entre aquele, aquela parcela do eleitorado que é empresário, que é ligado ao agronegócio, que é do mercado financeiro, pode ter o condão de tirar votos mesmo do Flávio na hora H?
Então, Vera, eu acho que a gente observou aí esse movimento, né? O Lula explorou muito bem essa questão, né, da defesa da soberania, né, do governo que tá do lado do brasileiro. É, mas eu também não sei até que ponto o Lula tá disposto a forçar essa discussão e a pagar para ver mais medidas sendo tomadas pelo Trump, né? A gente vê que o Trump tá disposto a escalar, a gente sabe que o Trump não, não se contenta em perder aí um argumento, uma discussão, um embate, né?
Então também não sei até que ponto, né, depois desse caso agora de ontem, né, do do visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, né? Como que o governo brasileiro vai reagir? E porque isso pode ter outras sanções econômicas. E aí, quando a gente vê o resultado, né, até agora do tarifação, desde que o Trump começou em abril do ano passado, a gente vê que os danos são localizados em alguns setores da economia brasileira, né?
Não é um efeito geral. A gente não tem um impacto sobre desemprego, a gente não tem impacto sobre crescimento econômico, mas setores específicos sofrem. E aí o caso do agro é um setor que é vulnerável porque o agro brasileiro compete com o agro dos Estados Unidos, e eventualmente isso pode prejudicar ainda mais o Lula diante desse público, dessa região, né? Não são só os empresários do agro, né? Toda a região do Centro-Oeste brasileiro, do Sul brasileiro, do interior de São Paulo, né, que já é antilulista, né?
E isso pode agravar ainda mais caso o Lula decida escalar essa discussão e o Brasil sofrer outras sanções.
Esse ponto do Bruno é muito importante, Vera, porque, porque a maior intervenção eleitoral da Casa Branca até agora foi no Canadá, e era justamente o oposto disso, né? Um tarifaz para o Canadá era basicamente, era uma bomba atômica para economia canadense, diferente do que o Bruno falou, que era, são focalizados no Brasil.
E lá teve consequência porque foi eleito uma liga, alguém que contrapunha ao Trump, né? Então lá o Trump funcionou como um eleitor da oposição a ele mesmo, né?
Foi incrível. Quando o Trump tomou posse, o Partido Liberal tava quase 25 pontos atrás do Partido Conservador, tava indo para o potencial quarto mandato, que nunca aconteceu na democracia canadense. Eles conseguiram virar e conseguiram manter a maioria no Parlamento de Ottawa justamente pela intervenção do Trump.
A gente vai tratar mais dessas questões todas porque teve novidades aí hoje, ontem, no próximo bloco. Mas não queria sair do assunto pesquisa sem tratar da questão do gap que existe, Maurício, entre o eleitorado masculino e feminino. Eles estão enxergando eleições diferentes. Queria te ouvir sobre o peso que isso pode ter quando a gente vê uma eleição tão parelha e com tão pouco voto em disputa. Uma divergência desse grau, como é que isso pode se refletir nas urnas e ter importância no, no cômputo final?
Essa é uma má notícia para a campanha do Flávio, né? Porque justamente o que sustenta a liderança do Lula hoje é basicamente o eleitorado feminino. O eleitorado feminino, como você sabe, né, Vera, foi fundamental para a vitória em 2022. E eu não vejo, eu não vejo esforço da campanha do Flávio de alguma maneira de endereçar isso até agora, né? Talvez na campanha isso se reflita. Mas eu também queria fazer um ponto importante para o— e além do quê, Vera?
As mulheres aparecem mais para votar do que os homens, o nível de abstenção entre as mulheres ainda é menor, então ele tá distante entre as mulheres, as mulheres tendem a aparecer mais que os homens. A única boa notícia, entre aspas assim, para o Flávio, é uma coisa que eu aprendi inclusive na eleição americana de 2024, é que mesmo durante a campanha as pesquisas mostram esse gap, mas as mulheres, Vera, costumam decidir muito mais próximo do dia da eleição.
E as mulheres, que obviamente que não gostam desse governo, elas têm essa curva, essa diferença, ela tende a diminuir, como diminuiu em 18, como diminuiu em 22. Em 22 a diferença não foi tão grande como as pesquisas apontavam. Agora, dito isso, é preciso um esforço da campanha do Flávio de endereçar esse tema, porque esse tema pode ser inclusive a principal fonte de uma eventual derrota, né?
A tentativa do Flávio, né, Bruno? Ah, diga, pode falar.
Só complementando o que o Maurício citou, que os próprios números da pesquisa, né, Meio Ideia, que saiu hoje, reforçam essa situação, né, que a melhoria da intenção de voto no Flávio Bolsonaro no segundo turno, ela foi toda atribuída a eleitores homens, né. O Flávio Bolsonaro não se recuperou da queda da intenção de voto decorrente do vídeo da Michele, né, e a própria dificuldade do Flávio indicar também uma mulher como vice mostra as dificuldades que ele tá tendo de incorporar essa temática da participação feminina na campanha dele.
É isso, as pesquisas acabam por refletir o noticiário. Foi uma coincidência feliz para nós porque a gente vai poder esmiuçar cada um desses assuntos nos nossos próximos blocos. A gente faz um intervalo no Viva a Voz agora para o noticiário da sua E volta já já, justamente falando da questão dos embates com os Estados Unidos, da escolha do vice do Flávio Bolsonaro e do Copom, que hoje baixou um pouquinho mais a taxa de juros. Já já.
Viva a Voz, especial eleições 2026.
7 horas e 32 minutos. O Viva Voz tá de volta hoje com o Bruno Carazza e Maurício Moura. A gente tá tratando aqui de diversos assuntos e agora não podemos deixar de falar sobre a crise entre Brasil e Estados Unidos que escalou algumas casas desde ontem, quando o governo Donald Trump decidiu revogar o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luísa Ribeiro Viotti. Foi uma retaliação ao que eles entenderam como uma demora proposital do Itamaraty em dar o aval para entrada do novo embaixador indicado dos Estados Unidos em Brasília.
Com Buenos Aires, com o governo argentino, as coisas também estão bastante tensas. A gente já tratou disso um pouco no bloco anterior. Mas, Maurício, queria aproveitar essa sua visão holística aí sobre eleições no mundo, o peso que esses assuntos têm, também a sua experiência de viver em Washington há bastante tempo, para entender se a gente pode ir além do que a gente viu até aqui, porque já estão na praça as teorias da conspiração, que são muitas, e que vão até a conjectura a respeito da possibilidade do governo americano promover no Brasil algo semelhante ao que fez na Venezuela, retirada, remoção de um governante.
Então a gente já tá até conjecturando esse tipo de coisa, que me parece absurda, né?
Concordo, Vera. Vamos para os partes, né? A primeira coisa é que a situação da Venezuela não tem nada a ver com a situação brasileira, né? Existe um consenso em Washington, sem nenhum trocadilho aqui, que só aconteceu aquela situação porque houve uma colaboração interna ali do governo venezuelano que basicamente entregou o Nicolás Maduro. Obviamente que não tem não passa nem perto de ter o cenário na Venezuela, não passa nem perto do governo brasileiro colaborar com o governo americano para remover um chefe de Estado.
Então é uma situação bastante, na minha visão, irreal pensar nisso. Mas dito isso, Vera, primeira coisa, quando você mora em Washington você nunca— você sabe que o Donald Trump não tem limites, né? Então assim, não tem mais surpresa, né? Ele sempre causa choque e o processo decisório dentro do Salão Oval agora é muito centralizado em poucas pessoas, então é muito difícil prever os próximos passos. Agora, o que eu ouvia lá em Washington sobre esse, o que aconteceu hoje, é que a embaixada brasileira meio que tava esperando isso em algum momento, tá, Vera?
Não foi assim, isso se ventilou em diversos momentos desde o começo do tarifaço do ano passado, né? Então assim, não é uma surpresa para quem ouve a relação da embaixada brasileira especificamente, não é do governo brasileiro, da embaixada brasileira especificamente com a Casa Branca, ela já vem mal há muito tempo, né? E no começo a esperança que essa embaixadora fosse o canal de negociação com o Departamento de Estado, com o Donald Trump, nunca se materializou.
Então assim, sempre teve. E agora, obviamente, com a questão do embaixador do Brasil, isso ganhou, entre aspas, um motivo. Mas havia uma expectativa que isso em algum momento fosse ocorrer. E enfim, e no meio do processo eleitoral, né, para ficar mais animado.
O Bruno, a gente vê aí começarem algumas, alguns questionamentos até de especialistas se o governo brasileiro fez tudo que podia para que as coisas não chegassem a esse ponto, ou se fez tudo que podia para proteger os setores em relação ao tarifação. É uma situação meio esdrúxula em que, como disse o Maurício, as decisões são arbitrárias, são imprevisíveis, mas a forma como você reage de alguma maneira também importa. Até aqui o governo conseguiu evitar os principais danos econômicos, o mercado também não se abalou muito, mas parece ser um assunto que, pela complexidade que ele tem política e econômica, todo mundo tem um pouco de dificuldade de entender o impacto real que pode ter, né?
Sim, Vera, esse é um novo capítulo, né? Um capítulo que é sobretudo diplomático e político, mas do ponto de vista econômico, toda essa, esse atrito nas relações do Brasil com os Estados Unidos, né, que vem desde julho do ano passado, né, que foi quando o Donald Trump impôs o tarifação específico sobre o Brasil e depois abriu a investigação contra, as investigações contra as supostas práticas desleais, né, de comércio praticados aqui no Brasil.
O que a gente percebe nesse processo é que o governo brasileiro tá tentando negociar. Então são, foram inúmeras as reuniões, né, com o corpo diplomático, o órgão comercial americano, o empresariado brasileiro também se mobilizou, fez lobby, Mas do ponto de vista econômico, as perdas ao Brasil, elas ainda são limitadas, né? Porque, principalmente porque boa parte das empresas brasileiras que vendem para os Estados Unidos, elas resolveram e deram um jeito de buscar outros destinos para suas exportações.
Então, os setores mais articulados conseguiram entrar nas exceções que o Trump acabou concedendo, e outros conseguiram exportar mais para China, exportar mais aqui para América do Sul, exportar mais para Europa. Então é toda essa história, né, desse atrito, sobretudo comercial, com os Estados Unidos, ele é limitado a alguns setores, algumas empresas, mas tá longe de afetar a economia brasileira como um todo, né. E como se não bastasse, o empresariado brasileiro ainda conseguiu, né, com essa história toda do tarifação, extrair do governo aí um plano de ajuda de crédito subsidiado que é o Brasil Soberano, né, que já tá na terceira etapa, em que o governo consegue de crédito subsidiado do BNDES para essas empresas em dificuldade.
Então os danos são limitados, inclusive tem setores que até se beneficiaram com essa história toda do atrito com os Estados Unidos.
Parece que o novo tema que os Estados Unidos vão eleger e vão martelar é o da segurança das urnas brasileiras, né? A ideia de mandar emissários para acompanharem a eleição brasileira, ela tá no ar e tá por trás aí também de uma negativa do governo brasileiro de concessão de visto para alguns funcionários do Departamento de Estado. E o Flávio Bolsonaro voltou a evocar esse assunto recentemente, também se reunindo com embaixadores no mês de julho.
Como a gente sabe que é um tema que tem alta aderência numa parcela mais radicalizada do eleitorado também, esse déjà vu a gente vai ter que viver. É isso, senhores?
Isso me preocupa bastante, viu? Inclusive, na pesquisa de hoje a gente tem um dado aí que pouquinho mais de 50% confiam na urna eletrônica. Esse dado, historicamente, desde que eu comecei a medir isso, desde 2016, chegou a quase 80% de pessoas confiam muito. Então a gente perdeu a confiança no sistema eleitoral, e esse é um ataque muito cantado, né? Muito. E uma das coisas que eu, que eu, que mais me preocupa, porque inclusive, Vera, assim, eu tive, além de trabalhar em outros países, eu fui observador eleitoral na Colômbia, no Chile, na Noruega, na Alemanha, no México, e o sistema eleitoral brasileiro é o melhor sistema do mundo que eu já vi.
E é muito triste que a gente tenha, ao longo dos últimos 8 anos, destruído a confiança na urna eletrônica. E mais uma vez esse tema volta, e dessa vez esse tema volta, como você falou, com possível lastro de Estado, né, os Estados Unidos atuando nisso. Mas é importante lembrar que no governo Biden, no Departamento de Estado, estado soltou uma nota falando da exuberância e da solidez do sistema de urnas brasileiro. Então é muito ruim ter esse sistema que é bom, que é comprovado, sendo alvo de outros estados ou alvo de uma campanha nossa interna para descredibilizar uma coisa que funciona, né?
Pois é, né, Bruno? Até vacina também voltou a ser questionada, a questão da origem da COVID. Então as narrativas vão sendo recicladas, de acordo com cada ciclo eleitoral, né?
É, Vera. E nesse caso também não sei até que ponto que isso também não é um tiro no pé na campanha do Flávio, né? Porque a gente sabe que em 2022 todo esse questionamento das urnas, da democracia, do sistema eleitoral brasileiro acabou mudando ali, gerando aquelas pessoas que estavam ali no centro, né, que não são nem bolsonaristas nem lulistas, a apoiarem o Lula, né? Então essa essa postura do Flávio Bolsonaro com apoio dos Estados Unidos, também não sei até que ponto ela não pode ser até prejudicial.
Ela galvaniza apoio de um lado, mas também ela fragiliza de outro. E uma preocupação adicional que eu tenho aí é do outro lado, né, é da postura dos integrantes do Supremo ao longo dessa campanha eleitoral, né. Tivemos hoje a notícia de que Lula se reuniu com Alcolumbre na casa do Alexandre de judiciais para fazerem negociações políticas, fazerem as pazes aí, né? Isso também gera no eleitorado uma sensação de que o Judiciário também tem lado, que certos juízes têm lado.
E aí tem o efeito contrário, né, o efeito que mina aí o apoio da candidatura Lula. Então acho que a gente vai lidar até o final das eleições com todos esses componentes aí de narrativas, de fake news, de suspeições envolvendo o sistema eleitoral. Envolvendo o Judiciário e a própria Justiça Eleitoral.
Mostra que a decisão, desculpa, Maurício, do Alexandre de Moraes de proibir o acesso do Flávio Bolsonaro ao pai foi amplamente rechaçada. Ela teve apoio de apenas 41% contra 52% que julgaram que ela foi excessiva, que ela foi errada. Diga, Maurício, desculpa.
Lembrando que em 2022 a gente tinha o país dividido em relação à figura do Alexandre de Moraes. E agora a gente tem um consenso, um sentimento anti-STF como um todo, que obviamente foi derivado inclusive da crise do Banco Master. Então a gente tá vivendo um outro sentimento, né? Então o que o Bruno falou faz todo sentido, porque isso pode gerar já naturalmente uma irritação adicional do eleitor em relação a esse tema do STF, né?
E aí não só do eleitor, mas da franja mais radicalizada do bolsonarismo, né?
Exatamente. Eu acho que essa é a grande novidade, né? A gente tinha muita gente, metade achava que o Alexandre de Moraes estava salvando a democracia, mas metade achava que ele tava estabelecendo uma ditadura. Agora não, agora existe um consenso de que o STF é rejeitado pela maioria da população brasileira, inclusive quem defendeu Alexandre de Moraes há 4 anos atrás. É um momento muito mais, um sentimento muito mais forte anti-STF.
É isso. O Maurício Moura vai ter que se despedir da gente por conta de outros compromissos, mas não se preocupem porque ele vai ser uma figurinha muito presente aqui no novo Viva a Voz, que eu já fidelizei Maurício como nosso comentarista. Obrigada por hoje, Maurício.
Obrigado, é uma honra estar aqui com o Bruno também.
Abraço, Maurício, prazer falar com você também. Admiro muito o seu trabalho.
Eu e o Bruno vamos beber uma aguinha, você fica com o noticiário da sua região e a gente volta para falar do vice do Flávio Bolsonaro. Atenção ao artigo, o vice. É falar um pouco de Copom, falar também corrupção, porque tem desdobramentos do caso Marcola. Não sai daí.
Viva a Voz, especial eleições 2026. Viva a Voz, especial eleições 2026.
Estamos de volta com o Viva a Voz. São 6 horas, 7 horas, olha aí o costume antigo, 7 horas e 50 minutos. Já tá conectada com a gente também por vídeo a nossa repórter Samanta Klein lá de Brasília, que acompanhou um anúncio que foi fomentado ali com grande expectativa do vice do senador Flávio Bolsonaro. Até ontem ainda se trabalhava com a hipótese de ser uma mulher, porque ele disse que buscaria uma, abre aspas, mulher qualificada para ser sua companheira de chapa.
Samanta, antes de te ouvir sobre esses bastidores, eu vou soltar aqui uma sonora do senador hoje no anúncio e quando ele falou isso há alguns meses atrás, para a gente pensar o que que aconteceu no meio desse caminho. Pode soltar aí, pessoal.
Alguém já foi promotor de justiça, chefe de Ministério Público do seu estado, sabe, alguém que enfrentou e defendeu os nossos aposentados na CPMI do INSS, alguém que pediu a prisão do Lulinha porque tinha culpa no cartório, que alguém que representa o Nordeste de fato, que a gente vai levar prosperidade para o Nordeste, vai levar saúde para o Nordeste, melhor infraestrutura para o Nordeste, vai ser o maior programa de dignidade que o Nordeste já viu.
E agora a fala antiga, pode soltar.
O prazo é até 14 de agosto, você tá apressada, cara. O que eu posso falar é que o perfil é de alguém que complemente na nossa chapa, uma pessoa preparada e de preferência uma mulher.
Pronto, é isso, Samanta. Ele criou uma expectativa para esse anúncio que depois depois pareceu que a montanha pariu um rato. Eu queria saber se no anúncio também havia esse clima de um certo, uma certa surpresa com o nome escolhido do deputado Alfredo Gaspar. Boa noite.
Boa noite, Vera e Bruno. E Bruno, foi uma surpresa imensa essa escolha. Os aliados não esperavam, tanto é que o bastidor comprova isso. Essa escolha ficou restrita a 3 pessoas: ao próprio Flávio Bolsonaro, ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e também ao Rogério Marinho, senador coordenador da campanha. Essa decisão então foi nas últimas 24 horas, e inclusive essa segunda sonora mostra ali que teria até o dia 14 de agosto.
Ou seja, tinha uma indicação de seguir nessa negociação, mas fato é que houve um esvaziamento com a decisão do Podemos, do Republicanos, da Federação PP União Brasil em manter essa essa neutralidade. Então ficou muito difícil. Mas fato é que, apesar dessa frustração, o que que foi uma tentativa de compensação de Flávio Bolsonaro? Ele colocou 6 mulheres ao lado dele, inclusive pelo menos 2 cotadas a vice: a senadora Tereza Cristina, do PP, ex-ministra da Agricultura.
Teve também a Daniela Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal no governo de Bolsonaro. Então era quase como uma forma de dizer: olha, não é uma mulher mais uma vez, mas vocês estão aqui comigo. E aí no bastidor ele também tem dito, olha, como uma forma de trazer as mulheres para o governo, o objetivo é trazer mais ministras numa eventual vitória e também indicações ao Judiciário, como ao STF, que vão abrir vagas, STJ e outros conselhos.
E até a própria fala do seguido, o deputado federal Alfredo Gaspar foi nessa linha. Olha, ele citou várias mulheres, o Brasil estaria melhor representado com vocês, mas Deus quis desta vez me escolher.
Dessa vez, só dessa vez, né? Não é na história, não é na história da humanidade, é só dessa vez. Me chamaram atenção duas falas muito infelizes, Bruno. Samanta, obrigada, fica com a gente que a gente pode te acionar ainda. Mas a primeira, que a Michele não foi porque tava fazendo a comida do marido, e a segunda fala do próprio Flávio ainda justificando o fato de não ter uma mulher dizendo que tem duas filhas, aquele papo, né? Eu tenho dois amigos gays, parecia isso.
Ah, eu tenho duas filhas mulheres. Qual é a dificuldade da direita brasileira de falar com as mulheres em termos ali contemporâneos? Bruno, O que acontece? Que gap é esse?
Vera, sobre esse aspecto, assim, é uma escolha muito infeliz, né, do Flávio Bolsonaro, não só pela conta—
Deu uma travadinha no seu áudio, vamos ver se o Bruno volta. Deu uma travadinha no vídeo dele também, mas enquanto a gente refaz a conexão com ele, Samanta, essa parte da Damares falando que a Michele foi cuidar do almoço do Bolsonaro Realmente me chamou muito a atenção.
É, chamou muita atenção. E aí dá aquela desconfiança. Não, não posso confirmar isso, mas uma espécie de recado também. Olha, não quero comparecer neste evento. Afinal de contas, foi uma coletiva que durou 25 minutos. A coletiva, ela não começou exatamente às 11 horas como prevista. Lembrando que ela foi decidida aí de última hora também, Vera. Mas chama atenção que a Primeira-Dama não pudesse comparecer num evento que totalizou aí menos de meia hora, falando aí de forma líquida, né, não daquele bastidor que a gente acaba acompanhando.
Mas isso chamou atenção. E o fiz duas filhas para cuidarem de mim quando ficar velhinho também foi outra frase incômoda. Na sequência ele seguiu falando, é, na sequência ele seguiu comentando sobre a economia do cuidado. Aí citou mulheres, a necessidade de criar mais creches, é mais educação, enfim, oportunidades de trabalho para mulher. Ele lançou recentemente um programa aí focado na mulher. Mas de fato, esses dois momentos que você destacou chamaram bastante atenção.
E sem contar a própria falta, o não cumprimento daquela promessa dele, que era escolher uma mulher. Então, além de fazer essa citação, a CPM do INSS, já que o Alfredo Gaspar era o relator, ele acabou ganhando muita projeção por conta disso. Vale dizer que um outro fator é ser nordestino e também é um homem da segurança pública. Afinal de contas, ele foi secretário de Segurança de Alagoas e também foi promotor de justiça, Vera.
Mas que agora tem ali um pedido de investigação, inclusive por uma questão aí que a gente a gente nem deve mencionar muito porque ainda não tá aberta e é uma questão um pouco mais controversa, mas também por suspeita de desvio de emendas, né? Então pode ser que também nesses dois aspectos o tiro acabe saindo pela culatra, né, a depender de como avançarem essas investigações.
Quanto a essa acusação que você se referiu, é uma acusação que surgiu inclusive durante a CPMI do INSS, gerou discussão. O deputado foi acusado de estupro contra uma menor, uma adolescente de 13 anos, gerou gravidez. E ele inclusive alega ter feito teste de DNA. Ele sustenta que de forma alguma teve qualquer relação com isso. Gerou uma denúncia que hoje está sendo avaliada. A PGR pediu diligências para a Polícia Federal com relação a esse caso.
É isso, Samanta Klein. Muito obrigada, Samanta, até a próxima. Muito bom ter você aqui no E o Bruno tá de volta com a gente agora. Obrigada. O Bruno tá de volta com a gente agora sem imagem. Bruno, queria que você concluísse o seu raciocínio sobre essa questão do vice do Flávio, e depois a gente tem ainda um ou dois minutinhos para falar de Copom.
Sim, Vera, desculpa, caiu aqui, não sei o que que aconteceu, mas acho que essa escolha, tava dizendo, é muito infeliz porque revela um isolamento da candidatura do Flávio Bolsonaro, né, de não conseguir atrair partidos que poderiam ofertar uma vice mulher, né, para candidatura dele. É o caso do Republicanos com a Daniela Marques, é o caso do Podemos com a Renata Abreu, que foram cotadas. Mas também é uma falta de habilidade política, porque ele não conseguiu nem convencer a senadora Tereza Cristina do próprio partido dele, o PL, a assumir a vice, né.
E fora isso, ela é do PT, né. O Ciro Nogueira também negou essa aliança. Mas sim, poderia ter costurado isso. Atrás.
É, e também, você tem razão, e tem o ponto da acusação que a Samanta acabou de mencionar, né, de estupro, que vai ser muito explorada pela candidatura do Lula ao longo da campanha, que vai pegar muito mal sobre o eleitorado feminino brasileiro.
Exato. Desde que a PGR decida, né, efetivamente abrir a investigação, coisa que ela ainda não não fez. Temos um minutinho, não queria deixar de te ouvir sobre o Copom, que baixou de novo a taxa de juros pela quarta vez, de novo em 0,25. Então são ali baixas muito graduais, um pouso suave, mas que ainda mantém um patamar da Selic muito alto, né, Bruno, para uma corrida eleitoral.
Sim, Vera, só um refresco, né. Nesse ponto, Donald Trump, ele pesou contra os planos do Lula, né? Porque no início do ano havia uma expectativa de que o Copom poderia ser mais agressivo de reduzir as taxas de juros. O mercado trabalhava com uma taxa de juros em dezembro em 12%, que iria estimular a economia a retomar e iria dar alívio para essa população e para o empresariado brasileiro que tá endividado, que tá inadimplente. Mas com a alta do petróleo, a perspectiva do super El Niño, o Banco Central tá sendo bastante cauteloso e aí reduziu a taxa de juros em 0,25 pontos percentuais.
Não deixou muito claro quais vão ser os próximos movimentos, mas o cenário econômico tá dado, né? Daqui até as eleições a gente não vai ter grandes alterações de melhoria no aperto monetário, grandes alívios na taxa de juros, e isso vai acabar fazendo com que o governo busque estímulos de outra forma. E aí os estímulos fiscais ou os estímulos de crédito subsidiado vão continuar sendo aí uma tentação para o governo tentar garantir a reeleição até o final do ano.
É isso, Bruno Carazza com a gente todas as quartas-feiras. Obrigada por hoje, muito bom ter você por mais tempo, um luxo aqui para gente, Bruno.
Foi um prazer, Vera. Desculpa ter caído aí a conexão. Mas estaremos aí sempre às quartas. Vai ser um prazer essa conversa.
Isso aí é o dia a dia do rádio, ouvinte já tá acostumado, não se preocupe. Obrigada, viu? É isso, gente. O Viva a Voz de hoje teve produção do Matheus Leite, assistência de produção do Sueliton Viana, trabalhos técnicos Henrique Dias, que tava ontem e eu esqueci dele, e do Paulo Alberto Xavier aqui no Rio de Janeiro, onde eu estou no lugar de Carolina Moura. Amanhã tem mais. Até lá, gente!
Viva a Voz, especial eleições 2026. 2026. Apresentação: Vera Magalhães.