A diferença entre advertência e ameaça na diplomacia
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Cássia
Milton
Mário Sérgio Cortella
- Sinais de alerta e comportamento· SociedadeDiplomacia · Confronto · Diálogo
- Praxe diplomática e agrémentOxímoro · Guerra
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Conversa de Primeira, No Meio do Caminho, com Mário Sérgio Cortella. Muito bom dia, professor Mário Sérgio Cortella.
Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia.
Bom dia, professor.
Professor, a diplomacia é território de combate simbólico para impedir a ação mais danosa. Funciona como advertência ou ameaça? Qual é a diferença dos conceitos?
É isso aí, a gente tem no dia a dia até, né, lá em casa. Uma coisa é você dizer para os teus guris, como se diz no Rio Grande, ou diz igual eu no Pará, para os meus piaços, e assim você vai ver Você vai ver. Aí o outro responde: vai ver o quê? Você disse você vai ver. Isso é uma advertência, ou seja, é um aviso. Ameaça é uma promessa. Você vai ver, genérico, é apenas um alerta. Você indicar, né, se você seguir nessa direção, eu vou fazer isso, né.
Nessa hora, a tarefa da diplomacia é impedir que haja o confronto, é admitir a administração disso. Nesse caso, né, o governo norte-americano, que você lembrava Reserva, inclusive na matéria anterior, ele não faz apenas uma advertência, ele faz não só ameaça como concretiza. E ainda diz: se não houver, né, autorização por embaixador nosso, nós não retiraremos esse bloqueio do visto. Nesse sentido, é a diplomacia aí usando a força, né, e não o diálogo, na organização. Advertir é alertar, ameaçar é prometer que haverá um tipo de efeito danoso.
Aliás, diplomacia usando força é quase uma contradição em termos, né, professor?
Pois é, seria um oxímoro, né, para usar o termo técnico no nosso idioma, né, em que se traria a ideia de alguém que desiste, né, dos canais que são mais pacíficos para utilizar uma força mais direta. Claro, o diplomata ou a diplomata também é usado no dia a dia para avisos de confronto ou de guerra. Aí ele que faz o comunicado, ele que alerta, e também alguns momentos ameaça. A gente A gente tem visto isso naquilo que vem acontecendo hoje, né, pelo mundo afora.
Várias vezes o Executivo, o presidente ou primeiro-ministro, que vai lá e faz ameaça e deixa para diplomacia o amaciamento. Mas esse é um momento muito tenso. Em última instância, para retomar o que o Milton lembrou no começo, a tarefa da democracia é deixar faísca na faísca, não admitir que ela se torne uma explosão. E nós estamos lidando com algumas micro explosões que a gente deseja que não Se alguém chegar na minha vida e falar, você vai ver.
A pergunta é, e se eu não quiser ver? Ele terá que dizer, então vou fazer isso para você parar de ver.
Muito obrigado, professor Mário Sérgio Cortella.
Bom dia. Abraço.
Abraços.
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