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A diferença entre advertência e ameaça na diplomacia

05 de agosto de 20264min
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Para Mário Sérgio Cortella, a diferença entre advertência e ameaça ajuda a entender o papel da diplomacia: enquanto a primeira funciona como um alerta, a segunda representa a promessa de uma ação danosa.

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Participantes neste episódio3
C

Cássia

HostJornalista
M

Milton

HostJornalista
M

Mário Sérgio Cortella

ConvidadoProfessor
Assuntos2
  • Sinais de alerta e comportamento· SociedadeDiplomacia · Confronto · Diálogo
  • Praxe diplomática e agrémentOxímoro · Guerra
Transcrição12 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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MMilton

Conversa de Primeira, No Meio do Caminho, com Mário Sérgio Cortella. Muito bom dia, professor Mário Sérgio Cortella.

MSMário Sérgio Cortella

Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia.

CCássia

Bom dia, professor.

MMilton

Professor, a diplomacia é território de combate simbólico para impedir a ação mais danosa. Funciona como advertência ou ameaça? Qual é a diferença dos conceitos?

MSMário Sérgio Cortella

É isso aí, a gente tem no dia a dia até, né, lá em casa. Uma coisa é você dizer para os teus guris, como se diz no Rio Grande, ou diz igual eu no Pará, para os meus piaços, e assim você vai ver Você vai ver. Aí o outro responde: vai ver o quê? Você disse você vai ver. Isso é uma advertência, ou seja, é um aviso. Ameaça é uma promessa. Você vai ver, genérico, é apenas um alerta. Você indicar, né, se você seguir nessa direção, eu vou fazer isso, né.

Nessa hora, a tarefa da diplomacia é impedir que haja o confronto, é admitir a administração disso. Nesse caso, né, o governo norte-americano, que você lembrava Reserva, inclusive na matéria anterior, ele não faz apenas uma advertência, ele faz não só ameaça como concretiza. E ainda diz: se não houver, né, autorização por embaixador nosso, nós não retiraremos esse bloqueio do visto. Nesse sentido, é a diplomacia aí usando a força, né, e não o diálogo, na organização. Advertir é alertar, ameaçar é prometer que haverá um tipo de efeito danoso.

CCássia

Aliás, diplomacia usando força é quase uma contradição em termos, né, professor?

MSMário Sérgio Cortella

Pois é, seria um oxímoro, né, para usar o termo técnico no nosso idioma, né, em que se traria a ideia de alguém que desiste, né, dos canais que são mais pacíficos para utilizar uma força mais direta. Claro, o diplomata ou a diplomata também é usado no dia a dia para avisos de confronto ou de guerra. Aí ele que faz o comunicado, ele que alerta, e também alguns momentos ameaça. A gente A gente tem visto isso naquilo que vem acontecendo hoje, né, pelo mundo afora.

Várias vezes o Executivo, o presidente ou primeiro-ministro, que vai lá e faz ameaça e deixa para diplomacia o amaciamento. Mas esse é um momento muito tenso. Em última instância, para retomar o que o Milton lembrou no começo, a tarefa da democracia é deixar faísca na faísca, não admitir que ela se torne uma explosão. E nós estamos lidando com algumas micro explosões que a gente deseja que não Se alguém chegar na minha vida e falar, você vai ver.

A pergunta é, e se eu não quiser ver? Ele terá que dizer, então vou fazer isso para você parar de ver.

MMilton

Muito obrigado, professor Mário Sérgio Cortella.

MSMário Sérgio Cortella

Bom dia. Abraço.

CCássia

Abraços.

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