Há quem não brigue com ninguém, mas viva esgotado
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- Evitação de conflitosImplosão emocional · Repressão da raiva · Conflito interno permanente · Gabriel Mec
- Comunicação Assertiva· SociedadeDizer o que pensa com respeito · Paz que exige apagamento · Relação saudável
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Refletir para Viver com Rosandro Klinger. Você conhece alguém que não briga com ninguém, mas vive esgotado? Uma das grandes ironias da vida emocional mora aí: a pessoa engole tudo para evitar conflito e termina vivendo em conflito permanente, só que interno. Não explode, implode. Preserva a paz dos outros ao custo da própria destruição. O mecanismo é conhecido no consultório. A pessoa aprendeu cedo que discordar era perigoso. Foi levada a acreditar que a raiva dela incomodava e que aquilo que desejava Atrapalhava a vida dos outros.
E assim aprendeu que o silêncio era a moeda que comprava aceitação. Aí virou especialista em concordar. E nessa especialidade, a pessoa aprende a dizer sim com a boca e não com o estômago. Até sorri na reunião de trabalho, mas passa a madrugada se maldizendo e repassando a cena da reunião com raiva das humilhações que suportou. Cede na discussão e passa 3 dias reescrevendo mentalmente o que deveria ter falado. Gabor Maté, médico que estudou a relação entre emoção reprimida e adoecimento, mostrou que o corpo cobra a conta do que a boca não disse.
A raiva engolida não evapora, muda de estado físico, vira gastrite, insônia, tensão crônica, enxaqueca, aquela exaustão que o exame de sangue não explica. E tem um detalhe cruel nessa conta: o conflito evitado não desaparece, só muda de endereço. Sai da mesa de jantar e vai morar dentro de quem calou. A briga que seria de 10 minutos com o outro vira uma guerra de anos consigo mesmo. Péssimo negócio. A pessoa trocou um desconforto pontual por um estado permanente de falta de paz interior.
Dizer o que pensa com respeito não é agressividade, é na verdade um modo maduro e saudável de se relacionar com as pessoas. O outro pode não gostar, se chatear e até se afastar. Faz parte. Relação que só sobrevive à custa do seu silêncio já não é mais um relacionamento, mas sim uma desistência de si por uma ocupação de território permitida. A paz que exige seu apagamento tem outro nome: rendição, e muitas vezes chega mesmo a ser covardia.