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Genial/Quaest: distância entre Lula e Flávio Bolsonaro diminui em meio a novas turbulências

05 de agosto de 202610min
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O candidato do PT aparece com 44% das intenções de voto, enquanto o do PL registra 39%. Vera Magalhães comenta os dados da nova pesquisa, além do anúncio de Alfredo Gaspar como vice na chapa de Flávio Bolsonaro.

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Participantes neste episódio3
V

Vera Magalhães

HostJornalista
C

Carlos Alberto Sardenberg

Co-hostJornalista
L

Leandro

Co-hostJornalista
Assuntos3
  • Pesquisa Eleitoral· PoliticaLula · Flávio Bolsonaro · Intenções de voto · Margem de erro
  • Campanha do Governo Lula· PoliticaCorrupção · Lava Jato · Acusações contra filho e assessor
  • Estratégia da direita para união em torno de Flávio Bolsonaro· PoliticaAlfredo Gaspar · CPI do INSS · Busca por mulher qualificada
Transcrição10 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
VMVera Magalhães

Viva a Voz com Vera Magalhães.

VMVera Magalhães

Vera, oi, Sardenberg! Boa tarde para você e para o Leandro. Boa tarde para os ouvintes também, para quem nos assiste.

VMVera Magalhães

Boa tarde, Vera!

?Voz C

Vera em áudio e vídeo. Vera, bom, saiu hoje a pesquisa Quest. Eu já vi uma coluna sua, um comentário, né, no jornal O Globo, mas há toda também uma movimentação política a escolha do vice do Flávio Bolsonaro, outras movimentações. Vamos começar pela sua visão, do seu destaque da pesquisa Quest, Vera.

VMVera Magalhães

Pesquisa tem uma oscilação, várias oscilações dentro da margem de erro, Sardenberg, mas que voltam a aproximar os percentuais, né, de intenções de votos do presidente Lula e do senador Flávio Bolsonaro. Nada que seja fora da margem, como eu E se, mas torna o resultado da Quest agora um pouco mais em linha com o que o Datafolha tinha indicado e com algumas diferenças em relação à própria Quest do mês de julho, que tava mostrando o que a gente chama de abertura da boca do jacaré.

A distância entre Lula e o Flávio tava aumentando e não reduzindo, e agora ela dá uma leve estreitada. Os dois se aproximam. Ainda não é aquele cenário de março e abril em que o Flávio Bolsonaro conseguia empatar com o presidente tanto em primeiro quanto em segundo turno. Até maio ainda perdurou um pouco esse cenário, mas de alguma maneira os dois se aproximam. O presidente tem uma leve oscilação negativa e a avaliação de governo permanece estável.

Em índices de rigoroso empate entre aqueles que aprovam e aqueles que rejeitam o governo. Então, para a largada, o que se tem é o Lula ainda na frente, mas o Flávio Bolsonaro tendo permanecido muito competitivo, mesmo depois das turbulências todas que a gente vem listando aqui. E aí, em que cenário que essa pesquisa chega, né? Num cenário em que o Lula, depois de uma grande calmaria que enfrentou na sua campanha, como eu falei aqui ontem, enfrenta um problema agora, um problema com a volta do fantasma da corrupção a rondá-lo.

Porque isso é um passivo grande do PT, é uma das principais razões que explicam uma rejeição enorme ao Lula e ao PT, que vem num crescente desde 2018 e que não se anticipou com o fim da Lava Jato. Pelo contrário, muita gente atribui esse fim da Lava Jato a uma acomodação que houve entre o Supremo e o PT para fazer de tudo uma letra morta. E agora essa denúncia de corrupção atingindo o filho do presidente e um dos seus assessores mais próximos, o seu ex-chefe de gabinete.

Não é que ele tenha deixado de ser chefe de gabinete, para explicar as acusações. Ele foi deslocado para a campanha, aparentemente, quando o Lula já tinha conhecimento das acusações. Então, uma situação que eles vão ter de lidar e trazendo esse que é um dos temas mais delicados para o Lula abordar. Do lado do Flávio Bolsonaro, a novela da escolha do vice dele é a nova configuração do ditado de que a montanha pariu um rato, né?

Porque ele passou meses dizendo que tava procurando uma mulher, meses tentando alianças com outros partidos, e não foi bem-sucedido nem numa coisa nem outra. Acabou anunciando um deputado do PL de Alagoas, deputado Alfredo Gaspar, relativamente desconhecido, que a meu ver não agrega muito para chapa dele, e cuja única razão para estar lá é o fato de ter feito parte da CPI do INSS. Então é um sinal de que a campanha do Flávio Bolsonaro vai carregar muito nas tintas nessa questão do desvio de recursos do INSS.

Eles acham que é um escândalo fácil de colar, todo mundo entende desvio de aposentadoria e de pensão, e que portanto é uma tecla importante para você martelar. Só me pergunto se vai ser eficaz o Flávio Bolsonaro concentrar a sua artilharia em escândalo de corrupção quando ele próprio tem o caso master também ali para chamar de seu, né?

VMVera Magalhães

E chama atenção, né, que depois de tantas tentativas ele não tenha conseguido uma mulher para vaga de vice, mesmo dentro do PL, né? A gente tem a Bia Kicis que vai concorrer ao Senado, a própria Michele Bolsonaro, e não conseguiu aliança com os outros partidos, né, de onde poderiam vir esses nomes, a Daniela Marques da Caixa, também a Tereza Cristina do PP. Nenhuma aliança deu certo e ele não conseguiu. E aí, eu ligando com o assunto anterior da pesquisa, a gente também tem que entender também o período em que foram feitas essas entrevistas, né?

Entre sexta e segunda-feira a gente não tinha uma boa parte dessas notícias más para o presidente Lula, né? Foram abertas mais investigações contra o filho dele. E também a gente teve agora o envolvimento do ex-chefe de gabinete nesse pedido de empréstimo aí da lobista Roberta Luxinger. O que a gente teve de novidade nesse mês foi justamente aquele, aquela reconciliação de Flávio Bolsonaro com Michele Bolsonaro, né, na convenção partidária do candidato.

VMVera Magalhães

Exato, uma reconciliação que ninguém comprou muito, né. Mas vamos ficar nos casos do Lula. O Lulinha já tava um pouco em evidência na semana passada quando André Mendonça autorizou a abertura de um outro inquérito a respeito dele. Então ele, a pesquisa cobre, mas você tem toda razão, o caso do Marcola, que é esse chefe de gabinete que deixou, ainda não foi objeto da pesquisa. Então isso pode até levar a gente a raciocinar que pode haver um outro repique de impopularidade para o Lula em razão razão disso, a depender de como essa crise escalar ou não.

No caso da vice do Flávio, Leandro, vai ficar muito difícil de explicar que isso não foi um arranjo de última hora e insatisfatório, porque ele mesmo fez um discurso que tava procurando uma, abre aspas, para ele mulher qualificada para esse posto. A pergunta que ele vai ter de responder: no PL não tem nenhuma mulher qualificada para ocupar essa vaga. Então vai ter, quando a coisa demanda mais explicação do que alguma análise positiva, é sinal que realmente não foi muito frutífera.

Uma pessoa com quem eu tava conversando, Sardenberg, lembrou que um caso semelhante, de fato, de 2002, quando o José Serra ficou nessa coisa do vice, do vice, convidou o senador Álvaro Dias, que não aceitou, convidou outras pessoas que também não aceitaram. E aí acabou anunciando, falou, ah, vai ser anunciado. E aí fez uma cerimônia, uma coletiva também, acabou anunciando o ex-deputado Índio da Costa. É mais ou menos o mesmo efeito político de você anunciar ali um estardalhaço e jogar um traque. Eu acho que a receptividade foi mais ou menos a mesma.

?Voz C

Agora, Vera, não deixa de ser muito decepcionante para o país, para nossa política, que os dois candidatos mais à frente sejam também os líderes em rejeição. E ao mesmo tempo, os dois candidatos mais à frente também têm que lidar com casos de corrupção, né?

VMVera Magalhães

Exatamente. E o eleitorado parece que tá fazendo a sua escolha meio à revelia disso, né, Sardenberg? É engraçado, ele tá fazendo já do primeiro turno uma disputa daquele que ele rejeita menos e parece ter dado de barato que os dois têm casos de corrupção e tapado o nariz e vai em frente assim mesmo. Isso nos mantém presos a essa polarização e não aponta nenhum caminho para que ela seja superada nesse pleito, porque se você olhar os indicadores do Ronaldo Caiado, do Romeu Zema, do Renan Santos, também não se movem.

Então nem esses casos levam o eleitor a buscar alguma outra opção. Uma fonte tá me corrigindo em tempo real aqui, que eu falei 2002, o Serra 2002 foi a Rita Camata, foi 2010 o Índio da Costa, não 2002. Tá bom, Vera, obrigado, Vera, até mais, gente, até mais, até mais tarde também no Viva a Voz 2ª edição. A gente volta a falar de pesquisa, fala de Trump, de Brasil, tem bastante assunto hoje. Espero todo mundo às 7 da noite.

VMVera Magalhães

Isso aí, até lá!

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