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Sustentabilidade passa a ser critério de avaliação no futebol brasileiro

04 de agosto de 20266min
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Rosana Jatobá explica que clubes responderão a um diagnóstico sobre práticas de ESG, em iniciativa que pode elevar os padrões de gestão do esporte.

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Participantes neste episódio3
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
C

Cássia

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R

Rosana Jatobá

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Assuntos2
  • Sustentabilidade no futebolÍndice Brasileiro de Sustentabilidade no Futebol · Práticas ESG · Pilar ambiental · Pilar social · Pilar de governança · Casas de apostas
  • Implementação de ESG· NegociosCBF · Meio Ambiente e Sustentabilidade · Perda de patrocínios
Transcrição18 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
RJRosana Jatobá

CBN Sustentabilidade com Rosana Jatobá.

?Voz B

Rosana, vai!

RJRosana Jatobá

Oi, Sardenberg, boa tarde para você, para cá, para os nossos ouvintes.

CCássia

Boa tarde, Rosana.

?Voz B

Bom, o assunto hoje é que você vai nos falar de um novo sistema que pretende inserir boas práticas, perdão, boas práticas de sustentabilidade no futebol brasileiro. Como é que é isso, Rosana?

RJRosana Jatobá

Sardenberg é o Índice Brasileiro de Sustentabilidade no Futebol, uma espécie de raio-x do desempenho dos 40 times das séries A e B Com relação às melhores práticas ambientais, sociais e de governança, os clubes terão que responder a um questionário de 86 perguntas e enviar documentos que comprovem a situação real de cada um. É um índice Sardenberg-Cássia que chega em boa hora, porque a maioria dos times nunca deu bola para o ESG, sempre enxergou a sustentabilidade como marketing ou como caridade, com pouca transparência.

Mas agora parece que vai mudar as regras do jogo. O que é que vai acontecer na prática? No pilar ambiental, o clube vai ter que informar como faz redução de carbono, como monitora o consumo de água e energia, como opera a gestão de resíduos. E nessa questão da reciclagem, o diagnóstico deve ser decepcionante, porque o percentual de reciclagem nos estádios não passa de 5%. Quase todo lixo que é gerado em dia de jogos vai parar nos aterros.

No pilar social, o que que vai acontecer? O time vai ter que dizer como é que faz o combate eficiente ao racismo e à intolerância, como é que ele promove ações de cidadania com as torcidas e como fomenta a diversidade da força de trabalho. Aqui o resultado também vai ser desapontador, porque se você olha a representatividade de mulheres nos conselhos deliberativos dos clubes, a média é de 4% de participação feminina. Seria até bom você mandar seu livro para os clubes, viu, Cássia, para entender um pouco dessa questão da equidade entre as mulheres, né? Seria bom sim. Agora, na questão da—

CCássia

não, mas pode concluir.

RJRosana Jatobá

Na questão da governança, que é mais um pilar da agenda ESG, aí é que a gente vai ter o maior desafio, porque esse índice vai examinar a transparência financeira, conformidade com a lei, regulação de patrocínios e relação ética com casas de apostas. Ora, o futebol brasileiro é altamente dependente das bets. 60% dos clubes têm marcas de bets como seus patrocinadores master, né? Mais de R$1 bilhão por ano que é despejado no setor.

E aí você tem um risco reputacional. Os clubes, eles ficaram tão reféns dessa receita das bets que qualquer escândalo envolvendo apostas pode provocar perdas financeiras e também um desgaste muito grande de imagem, né, para os clubes. Então, gente, Esse índice de sustentabilidade é muito bem-vindo, ele pode ser sim o pontapé inicial de um novo padrão de governança no nosso futebol.

CCássia

Agora, é obrigatório? O que que pode acontecer com algum time que não fizer essa autoavaliação das práticas de sustentabilidade, Rosana?

RJRosana Jatobá

Cássia, não é obrigatório, é voluntário. Nenhum time vai perder ponto, pagar multa ou ser rebaixado se não responder esse questionário. O foco da CBF agora é mais pedagógico, né? Vai mostrar em que pé os clubes estão e ensinar o caminho das pedras sobre sustentabilidade. Agora, se o clube não quiser responder, ele passa uma imagem ruim para o mercado, e aí ele corre o risco de perder os grandes patrocínios. A gente sabe que os patrocinadores globais e os fundos de investimento operam com regras muito rígidas de governança e responsabilidade socioambiental.

Eles nunca se associam a clubes de futebol que que não tem esse compromisso e essa transparência com o ESG. Agora tem um detalhe: a CBF e o movimento Sustentabilidade em Campo, que criaram esse índice, não descartam que esse sistema se torne um modelo regulatório obrigatório aí nos próximos anos. Vamos observar para ver como é que vai ser essa aceitação por parte dos clubes, né? Mas realmente é algo que vai ser, que vem para ser comemorado.

Agora uma curiosidade aqui para terminar. De acordo com alguns rankings não oficiais, os clubes mais ESG do Brasil, pela ordem: Coritiba, Internacional, Fortaleza, Atlético Mineiro, Palmeiras e Flamengo. Infelizmente o meu time não alcançou esse nível de sustentabilidade. Tô aguardando para ver aí se ele começa a se adequar.

CCássia

Nem o do Carlos Alberto. Será que é o mesmo? Qual que é o seu time, Rosana?

RJRosana Jatobá

O meu time é dono daquele hino assim, ó: somos da turma tricolor, somos a voz do campeão. Já identificou? No final não grita Bahia, grita Baeia.

CCássia

Muito bom, muito bom. Bom, eu tô no rol ali dos times que já estão se coçando para implementar essas práticas.

?Voz B

Bahia!

RJRosana Jatobá

Aí, Bahia, mais um, mais um Bahia, mais um, mais um título de glória. Agora eu sou uma torcedora fajuta, nem vou lá nem sei da situação do time.

CCássia

Olha aí, mas cantou direitinho o hino.

?Voz B

Afinal, fica aqui o hino do Bahia.

RJRosana Jatobá

Falou, Rosana, obrigado, até mais, um beijo, até quinta.

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