Tensões no Oriente Médio e os desafios para a popularidade de Trump
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CBN Pelo Mundo com Cristina Pesquilo.
Oi, Cris, boa tarde!
Boa tarde, boa tarde, boa tarde para os ouvintes também.
Cris, um pouquinho mais cedo hoje. Maria Cristina vem logo na sequência com Tudo é Política. Não se alterem a ordem dos fatores não altera o produto neste caso. Vamos lá, Cris, a gente começa conversando a respeito da situação na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, que acumulam ambas as situações episódios de violência, quebra de cessar-fogo. Qual foi a justificativa do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para continuar bombardeando Gaza? E quais foram as reações dos Estados Unidos e do Conselho da Paz?
É bem interessante esse tema porque a gente vem falando dele de forma recorrente, mostrando que o Benjamin Netanyahu, ele volta atrás também nas suas decisões. Semana passada, ele esteve em Washington falando com o presidente Trump e diante do presidente Trump, ele aceitou a presença de forças de paz internacionais lideradas pelo Conselho da Paz, que fazem parte daquele plano de 20 pontos que já havia sido negociado o ano passado.
Agora os ataques recomeçaram a Gaza com os bombardeios, justamente porque Netanyahu diz que ele não confia nessa força que deve entrar em Gaza e também que existem movimentações do próprio Hamas que impedem o seu desarmamento. Então, na prática, tudo aquilo que foi negociado e meio foi falado com o presidente Trump semana passada foi deixado de lado. Então, o que a gente tem observado são dos bombardeios. O Conselho da Paz tem pedido moderação a Netanyahu.
E hoje nós tivemos, né, nós podemos ver por vários canais de imprensa, entre outros, esses dias, né, nós temos visto funerais coletivos em Gaza, à medida que mesmo com os bombardeios já tem sido possível tirar corpos de escombros. E são imagens massacrantes que mostram o nível de destruição que nós tivemos na Faixa de Gaza. Então é realmente algo que que a gente tem que ficar observando, porque Netanyahu não banca esse compromisso de desarmamento do Hamas por forças internacionais, diz que não confia.
E ao mesmo tempo nós estamos tendo negociações com o Líbano para que Israel se retire dos territórios ocupados e se crie aqueles bolsões de segurança, como nós já temos falado. Agora, essa palavra do Netanyahu não tem valido muito nos últimos tempos.
É só olhar para Cisjordânia, né? Se a gente olhar para Cisjordânia e para o que declara o primeiro-ministro de Israel nos últimos anos, menos. Não vale mesmo. Há por lá também uma escalada de ataques contra populações palestinas. Por que que a gente já deveria ter prestado mais atenção no que tá acontecendo na Cisjordânia, Cris?
Verdade, ouvintes, é uma situação extremamente séria e há mais de duas décadas, que é o seguinte: tanto Faixa de Gaza quanto a Cisjordânia, elas são consideradas áreas palestinas. Para quem não conhece bem o mapa da região, nós estamos falando de duas regiões muito separadas, muito distintas, né, que a faixa de Gaza ela fica à beira do mar e a Cisjordânia ela é uma região que, se eu puder explicar aqui para o nosso ouvinte, ela fica entre a Jordânia e Israel.
Então ela é meio que uma zona maior que Gaza, mas é um território que há muitos anos vem sendo objeto de controvérsia. Como eu falei, há mais de duas décadas que Israel vem desrespeitando os acordos de paz, que é o seguinte, que aquela região ela não poderia deveria ter ocupação de colonos israelenses. Só que ela tem assentamentos israelenses, só que a faixa, a Cisjordânia, ela tem um desenvolvimento econômico muito grande com base em populações palestinas.
Então essa é uma situação que ela já vem ocorrendo há muitos anos. Por que que a gente tem que falar mais dela agora e não só de Gaza? Porque desde 2023 os colonos israelenses não só têm ocupado o território Mas também eles têm ampliado ataques às populações palestinas, tentando desalojar pessoas na região e assentamentos, não assentamentos, casas, negócios, pastoreio de populações palestinas que vivem lá há muitos anos. E isso tem sido feito à base de muita violência e com a conivência do Estado israelense.
Algo que chama muita atenção é a violência desses movimentos nacionalistas, principalmente de 2023 para cá, os ataques têm aumentado muito e são ataques que são de nacionalistas, como eu mencionei, mas também grupos ultrarreligiosos. E a questão central é a seguinte: são feitos não só por pessoas de mais idade, mas principalmente por uma juventude muito radicalizada, né? Um dos grupos mais atuantes nesse processo é um grupo que em português ele se chama Topo da Colina, E é um grupo que ele se assemelha em ações a grupos paramilitares, mas qual que é a diferença?
Ele tem certo apoio do Exército também para suas ações. Então são jovens da faixa etária de 12 para cima que vêm atuando de uma maneira extremamente violenta. Nós temos outros grupos também, como o Price Tag e os Guardiões, que pensam nesse projeto de Grande Israel que vem sendo apoiado por Netanyahu. Então são grupos que eles são tanto da sociedade civil, muito ligados a movimentos religiosos, mas que são grupos armados, muito fortemente armados, e que têm tentado expulsar toda a população palestina da Cisjordânia.
Então é algo para a gente prestar atenção, não só pela violência que isso tem envolvido, mas também pela proximidade com a fronteira com a Jordânia.
Muito bem. Mudando de assunto, vamos falar um pouco sobre a popularidade do presidente dos Estados Unidos. Tem pesquisas novas apontando que só 35% da população dos Estados Unidos apoiam o governo Trump. O que é que tá pesando mais contra o presidente dos Estados Unidos, Cris? Quais são os principais pontos negativos apontados pela população?
A população tem focado muito, Tadinho, na questão econômica. E aí é muito interessante porque essa questão econômica ela faz um arco com todas as coisas que nós estamos discutindo aqui. Então a questão do Oriente Médio, Israel, Israel-Palestina, a questão da guerra do Irã. Por quê? Porque esse desequilíbrio regional no Oriente Médio aumentou e muito o custo de vida da população americana com relação ao acesso a bens. Então aqui a gente tá falando de bens energéticos, mas tá falando também de bens comerciais de uma maneira geral.
E aí tem um outro contraponto, que é o contraponto da guerra comercial do Trump, que mesmo com as exceções, né, que ele faz de produtos que atraem, né, que são muito consumidos consumidos pelo povo americano, como café, suco de laranja, falando aqui especificamente do Brasil, também tem tido impacto para subir o custo de vida. E esses números, eles refletem não só essa preocupação com a economia, mas com todas essas crises, embora quando questionado diretamente, o público americano ele não diga, ah, eu estou totalmente preocupado com a política externa, mas está, porque todas essas questões elas se encadeiam.
E um outro dado que é até mais preocupante para o Trump do que a popularidade popularidade dele próprio também é que essa faixa de 35%, ela tá sendo o nível de aprovação da Câmara dos Representantes, onde os republicanos têm maioria. Se há uma boa notícia para o Trump é que os votos não têm sido facilmente passados para os democratas, mas tanto a popularidade do Trump quanto do Congresso liderado por ele, aí Câmara, principalmente, mas também um pouco Senado, é muito baixa.
E isso, a cada dia que a eleição se aproxima de meio de mandato, é muito preocupante para ele. Então, economia e todas as crises internacionais agregadas pelos conflitos militares e pela guerra comercial são os principais fatores para isso.
Trump deu novas declarações sobre o Irã, falou contra empresas dos Estados Unidos, Traz mais contextualizadamente essas declarações para gente, Cris, e a relação com essas pesquisas, essas declarações mais recentes de Donald Trump?
Total, Tati, ouvintes, há uma relação direta, porque além de você ter a necessidade do Trump de demonstrar força nas situações de crise, ele precisa desviar atenção. E são vários problemas internos e externos, nem vamos entrar nos internos, são muitas brigas, né, que ele vem perdendo com a Suprema Corte e outras, mas falando basicamente aqui das coisas do mundo, né? Então, o que que o Irã representa para o Trump? Ele representa uma questão não resolvida que afeta o eleitorado, principalmente naquelas questões que a gente mencionou de preços de energia.
Então, a preocupação do Trump é a seguinte: a guerra está se prolongando, ela tá indo para mais de 5 meses, vai completar 6 meses daqui a pouco, e ela não se resolve. Então, ele precisa demonstrar força para com o Irã. Hoje, um membro do governo norte-americano, o Bassett, já disse que pode ser que entre hoje e amanhã saia um novo acordo com o Irã para liberação do Estreito de Ormuz, um novo cessar-fogo. Mas como você sabe, todos os nossos ouvintes, isso é vai e volta, né?
Mas ele precisou colocar isso na mesa. E as empresas americanas, principalmente as do setor de energia, as grandes petrolíferas, estão sendo acusadas de especulação de preços pelo Trump. E aí é muito curioso, né? Né, tá te ouvindo. Por quê? Porque ele é um grande especulador, ele lucra em cima dessas coisas, né? E aí, de repente, ele criticando o movimento de capitalismo normal, que é explorar vantagens comparativas numa situação adversa.
Então a gente tem aí para o Trump dois pesos, duas medidas. E ele colocou mais um ultimato para o Irã, dizendo: olha, ou é rendição ou é destruição. E ele fala isso também para esconder não só a baixa popularidade, mas também várias notícias que estão estão pipocando, que são relacionadas à falta de armamentos de mísseis de longo alcance. A gente já acabou falando disso um pouco em outras oportunidades aqui, mas o que que chama atenção?
Que estão talvez sim faltando munições e mísseis de longo alcance para as guerras que os Estados Unidos vêm apoiando. E no caso do Irã, isso tem tido algumas consequências em solo. Esses mísseis de longo alcance são essenciais para a defesa dos aliados americanos e de suas tropas no Oriente Médio.
E as respostas do Irã, Cris?
O Irã é muito interessante. Ele tem uma postura que eu chamo de uma postura geopolítica clássica, né? Todo mundo, quando a guerra começou, disse que o Irã ia entrar em desespero, que ele ia ceder logo, que ia ter uma mudança de regime. E de fato, né, a gente tem um custo para o Irã, mas eles não demonstram isso para fora. Fora, né? Então o Irã, ele continua negociando a situação geopolítica do Estreito de Ormuz. Há possibilidade de um novo acordo, né, até com o Omã, para controlar entrada e saída dos navios.
Isso contradiz as declarações do Trump de que os Estados Unidos estariam controlando o Estreito de Ormuz totalmente, onde passam, né, todas essas mercadorias. E aí uma coisa que é também muito relevante é mencionar aqui o Irã parece ter chegado a um acordo com a Ucrânia. Então aquele medo geopolítico que a gente tinha semana passada de uma guerra total no Oriente Médio se estendendo, né, Oriente Médio para guerra Rússia-Ucrânia, à medida que a gente teve alguns bombardeios, né, no Mar Cáspio, houve algumas disputas entre Irã e Ucrânia, parece agora ter sido colocado de lado, né.
Então a Ucrânia pediu desculpas pelo Irã, pelos drones que haviam invadido espaço, atacado seus navios, e o Irã, na figura do aiatolá Khamenei, disse que aceitaria essas desculpas. Então, esse risco, por enquanto, né, eu sempre digo por enquanto, parece afastado, mas é uma situação geopolítica extremamente sensível. Por quê? Porque as negociações, elas continuam, elas parecem chegar a termo e depois elas parecem retroceder. Então, é um xadrez geopolítico que a cada semana ele vem se desenhando de uma forma diferente.
E ainda bem que a gente tem a Cristina Pesquillo aqui para nos ajudar a entender esse contexto, toda terça-feira no nosso CBN Pelo Mundo. Obrigada, Cris, um beijão para você, até a semana que vem.
Até a semana, Tati, até a semana, ouvintes, e um beijão para todo mundo.