Devo tomar a vacina contra o sarampo novamente?
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Luis Fernando Correia
Tatiana
- Sarampo em São PauloQueda da cobertura vacinal · Movimento antivacina · Casos confirmados · Transmissão local
- Sarampo Sintomas e Prevencao· SaudeComplicações graves · Pneumonia viral · Meningite · Surdez · Transmissão pelo ar
- Campanha Nacional de MultivacinaçãoAtualização de cadernetas · Crianças e adolescentes · Cobertura vacinal
- Política de Vacinação BolsonaroPacto social · Proteção de vulneráveis · Pessoas com imunidade baixa
- Vacinação e Imunização· SaudeDose zero · Reforço vacinal · População de risco em cidades turísticas
- Declaração de Robert F. Kennedy Jr.Vacina do sarampo · Eficácia da vacina
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Saúde em Foco com Luiz Fernando Correia.
Doutor Luiz Fernando, boa tarde.
Boa tarde, Tatiana. Boa tarde, ouvintes.
Que saudade que eu tava de falar de vacina, viu?
É bom, né?
Nossa, e o Fernando, se tivesse aqui, ia lembrar. Lembra na pandemia que a gente falava todo santo dia na abertura e no encerramento do programa e no meio dele, em todas as oportunidades que a gente tinha: vai tomar vacina. E a gente voltou para dizer a mesma coisa, mas é uma outra vacina. Bom, desde ontem, ou começou ontem, a campanha nacional de multivacinação. O objetivo é que você atualize as suas vacinas, atualize a caderneta de vacinação de crianças e adolescentes menores de 15 anos em todo o país.
É uma mobilização que segue até o comecinho de setembro. No dia 22 de agosto tem um dia D para ampliar a cobertura vacinal, alcançar quem tá com doses em atraso. Então atenção às suas crianças e adolescentes na sua casa, Leve suas crianças para tomar vacina em qualquer lugar do Brasil. Isso é uma coisa importante. Outra coisa importante: surto de sarampo em São Paulo. Mas eu vivi para ver um surto de sarampo, que era uma doença que não aparecia mais, doutor. O que que aconteceu?
O que aconteceu foi que a gente deu mole. Falar português bem claro, né? A gente, todos nós brasileiros, demos mole. Demos mole porque deixamos a cobertura vacinal cair. A gente sabe que tem esse, essa queda tem dois lados. Um lado é onde em todas as vacinas, não só na do sarampo, é as vacinas pagam o preço do seu próprio sucesso. A nossa geração foi vacinada, as gerações seguintes foram vacinadas e doenças deixaram de ser comuns, graças a Deus, e a graça vai às vacinas.
Só que muita gente fala assim, pô, mas não tem essa doença, por que que eu vou vacinar? Então tem um pedaço que é o próprio sucesso das campanhas de vacinação que levam as pessoas a não se preocuparem com isso. Tem outro pedaço que é um pedaço que a gente sim, infelizmente, tem que falar aqui toda hora também, né, que é o pedaço da turminha antivacina, né, uma galera que por por várias razões ideológicas, pecuniárias, que eles ganham dinheiro com isso.
Não se esqueçam nunca, eles não fazem isso porque são bonzinhos, eles não fazem isso porque estão preocupados com os filhos de vocês, eles fazem isso para ganhar dinheiro, que eles vão em algum momento te vender alguma coisa, seja uma solução mágica, seja uma bobagem qualquer, seja um voto na campanha eleitoral, porque tem uns desses que são candidatos, Enfim, isso tudo combinado fez a cobertura vacinal do sarampo cair. Para a gente entender esse surto em São Paulo, São Paulo registrou o 16º caso do estado em 2026, 13 na capital, 2 em São Bernardo do Campo e 1 em Guarulhos.
Para comparar, em todo o ano de 2025, a hora que nós estamos mais na metade do 26, São Paulo teve 2 casos. O Brasil inteiro fechou o ano passado com 38. São Paulo já tem 16 esse ano, né? Então existe um surto ativo, principalmente porque existem casos onde se consegue comprovar a transmissão local. Ou seja, nesse momento São Paulo é o único estado do Brasil com infecções confirmadas em andamento e É tão importante entender quem tá doente, quem tá ficando doente, quanto a quantidade de pessoas.
Sim, a maioria dos casos são em bebês com menos de 1 ano. Gente, os outros casos são em adultos entre 20 e 50 anos. E aí é que você, aí você pega, pega 2 bolsões de pessoas que estão suscetíveis: quem não chegou à idade de tomar a primeira dose regulamentar E a galera que cresceu na janela de cobertura irregular pelo sucesso, pela época da queda de vacinação durante a pandemia. Tem gente que fala isso e é verdade, muita gente deixou de se vacinar porque na época do lockdown, enfim, tudo mais, e depois não correu atrás para atualizar a caderneta.
Então, duas coisas importantes: São Paulo instituiu a chamada dose zero. Que que é a dose zero? É uma dose aplicada entre os 6 meses e 11 meses e 29 dias, porque justamente a primeira dose dessa vacina era aos 12 meses de idade do bebê. Não é uma invenção nova, isso já foi feito no surto que aconteceu em São Paulo em 2018. Quem mora em São Paulo deve lembrar o que foi isso, foi um surto bastante importante também, inclusive com pessoas falecendo.
Era isso que eu ia dizer, teve morte.
É, morreu gente em 2018 de sarampo. Sarampo mata, viu, gente?
Pois era o que eu ia te perguntar, porque eu acho que importante da gente dizer para o nosso ouvinte, porque o sarampo pode levar à morte a partir de uma série de complicações, né, doutor?
Pode levar à morte a partir de uma série de complicações. Uma pneumonia viral, por exemplo, de sarampo num adulto é uma catástrofe, é um quadro extremamente grave de difícil tratamento, vai levar esse adulto para o CTI e infelizmente pode levar à morte. Além disso, A gente sabe que crianças com sarampo vão ter casos de meningite, meningoencefalite, inflamação das membranas do cérebro. Essas crianças podem não morrer disso, mas vão ter complicações para o resto da vida: surdez, retardo de educação, enfim, terão problemas.
Então a gente sabe que não é uma doença benigna como muita gente acredita, não é assim, não são pintinhas na pele só por isso mesmo. Como transmite, doutor? Transmite pelo ar, viu? E é o seguinte, é a doença infecciosa mais contagiosa que a gente conhece no momento. A média é uma pessoa infectada transmite, é possível transmitir para 18 pessoas não vacinadas. Se eu entrar, se a pessoa contaminada entrar, que tá contaminando o meio ambiente, infectante, entrar numa sala fechada e sair dessa sala, nas próximas 2 horas e meia, se 100 pessoas não vacinadas entrarem, 95 serão contaminadas.
E eu gosto sempre de lembrar, a partir desse exemplo, que vacina também é exemplo do que a gente falou muito aqui durante a pandemia: é um pacto social coletivo, né? É um marco civilizatório da vida em sociedade. Você está se protegendo e está protegendo as pessoas ao seu redor, quaisquer que sejam elas, desde as pessoas que você ama dentro da sua casa até aquelas que você não conhece no transporte público. Mas volto a dizer, pacto social coletivo civilizatório, né?
E a gente tem que lembrar, Tatiana, que existem pessoas, principalmente crianças e adultos, que não vão poder ser vacinados.
Isso é para proteger justamente elas, né?
É elas que a gente também tá buscando proteger, pessoas que estão em tratamento, que afeta a imunidade. Pacientes em recuperação de casos de câncer, pacientes que passaram por transplantes. Ou seja, tem uma série de pessoas que não podem se vacinar, e a vacinação é para isso. Aí vão pensar, alguém pode perguntar assim: mas poxa, o Ministério da Saúde resolveu vacinar todo mundo de novo? Olha, gente, é mais fácil vacinar de novo do que tentar conferir a caderneta, por exemplo, em São Paulo, de 20 milhões de pessoas.
É importante que as pessoas, se você tem a caderneta, que pode comprovar, ótimo. Mas a campanha vai principalmente em São Paulo para vacinar todo mundo de novo, que eles querem que todo mundo seja, tenha reforço. Porque qualquer pessoa de 6 meses a 59 anos pode se vacinar, mesmo sem ter a caderneta, mesmo sem saber se tem as duas doses, tomou só uma. Gente que trabalha nas cidades grandes, principalmente cidades onde a gente recebe turistas internacionais.
Existem surtos ativos de sarampo na Europa já tem algumas décadas. Os Estados Unidos vivem um surto de sarampo sem precedente nos últimos 35 anos, com mais de 2.500 casos. A coisa tá tão feia nos Estados Unidos que olha o que aconteceu essa semana. Você não vai acreditar, Tatiana.
Rapidinho, doutor, por favor.
Lembra o Jota, assim, antes que eu apanhe? Lembra do Jota F. Kennedy Júnior, aquele que dizia que vacina não era bom? Ele foi para televisão nesse fim de semana e disse que a vacina do sarampo é eficaz.
Olha, veja só que coisa, que coisa, não é mesmo?
Ele se converteu, viu a luz, viu a luz. Não foi nada disso, até com medo mesmo, tá na conta dele esse problema todo lá. Então, gente, é isso. Vamos reforçar a vacina do sarampo para todo mundo. Eu vou essa semana, vamos, a partir dessa semana, e vamos atualizar a caderneta do resto das vacinas. Isso é muito importante, melhorar a cobertura vacinal no país.
Muito bom, doutor, muito obrigada. Um beijo e até quinta. Não, amanhã temos férias.
Eu vou tirar uma semana de férias, gente.
Uma semana só?
Na verdade, para a gente aqui são 3 programas.
Eu volto Daqui a uns 10 dias.
No dia 18. Tá bom. 18 de agosto.
Divirta-se, descanse até a volta. Obrigada.
Que isso, obrigada a vocês e a todos que ouvem a gente todos os dias.
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