'PT mostra que aprendeu a lição errada com a Lava Jato'
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Viva Voz, especial eleições 2026. Apresentação: Vera Magalhães.
Olá, muito boa noite! São 7 horas e 3 minutos. O Viva Voz está no ar já na sua nova configuração especial de eleições às 7 da noite, com comentaristas fixos e convidados para trazer as principais análises, os bastidores e muito molho para cobertura eleitoral. Hoje comigo, Thaís Oyama, que vai ser a nossa comentarista das terças-feiras. Ela que é colunista do Globo, também comentarista da GloboNews e apresentadora do programa Linhas Cruzadas na TV Cultura, Boa noite, Thaís. Uma honra ter você aqui com a gente.
Boa noite, Vera. A honra é minha. É um prazer também estar com você, Thiago e seus ouvintes.
É isso. Thiago Bronzato, vocês estão vendo ele aqui às terças, mas não se acostumem porque ele vai estar comigo às quintas-feiras. Hoje ele tá emprestado aqui para terça-feira, já que teve muito assunto de Brasília. Ele vai trazer todos os bastidores Boa noite, Thiago. Bom continuar nessa jornada com você.
Boa noite, Vera. Boa noite, Thaís. Boa noite aos ouvintes. É um prazer estar aqui com vocês integrando esse timaço aí das eleições. Vamos com tudo, hein?
Vamos com tudo. Começando pelo assunto do dia, porque o caso do INSS, que tá se desdobrando já em vários filhotes, hoje acabou na inclusão de um dos principais assessores do presidente Lula, o Marcola, nas investigações. Ontem a gente sabia que tava para ser aberto um novo inquérito, não tava muito claro qual era o objeto, qual era o tema. E hoje se soube que o Marcola contraiu o que ele chama de empréstimo, mas ele recebeu dinheiro de uma amiga do Lulinha, a Roberta Luxinger.
Me corrijam se eu tiver pronunciando o nome dela errado. E ele disse que era um empréstimo que ele quitou logo em seguida, que é um assunto pessoal e que não tem nada para ser investigado. Mas o fato é que a gente sabe que essa questão do tráfico de influências, do trânsito do filho do presidente pelo poder, isso já vem de outros carnavais, já assombrou o PT e o governo Lula nos mandatos passados. E agora, com a aproximação da eleição, vai ganhando novos contornos.
Thaís, de que maneira isso acende no eleitorado, que já tem uma forte rejeição a Lula e ao PT, um déjà vu de casos passados?
Exatamente, Vera, acho que você tocou no ponto, porque, bom, primeiro, o Marcola não é qualquer assessor, né? Ele é o guardião do celular do presidente Lula, ele é a porta de acesso ao presidente Lula, é um assessor muito próximo, talvez o mais próximo hoje do presidente Lula. Mas a coisa mais importante, na minha opinião, é o que você falou. A corrupção, combate à corrupção, na verdade, é a área em que o governo Lula é hoje pior avaliado, né, segundo todas as pesquisas.
E também, segundo as pesquisas, a corrupção é a segunda maior preocupação nacional, só perde para preocupação com roubo, a criminalidade. Então, juntando-se isso ao passivo histórico que o PT tem, como você mencionou agora mesmo. Isso traz um risco muito grande, que é o de reativar essa memória, reativar essa ideia latente de que o PT é um partido associado à corrupção. Eu acho que esse é, na verdade, o problema mais grave neste momento, né?
Porque não entre os petistas, os votos consolidados, convictos, aí não tem problema. Eu acho que dificilmente, como consolidados esses votos, vai haver algum estremecimento. Mas a questão é a dificuldade que o PT pode vir a ter, dificuldade adicional de conquistar os votos entre esses chamados independentes, esses votos que nessa eleição tão apertada, que promete ser tão apertada, pode ser crucial, né? E de novo, Vera, não acredito como é que isso pode ter acontecido com um assessor do gabarito do Marcola, esse apelido infeliz que já não é bom, né?
Já não é bom, né? Ele já devia ter trocado inclusive apelido para evitar qualquer associação com o líder do PCC. Mas enfim, ficou Marcola mesmo. Agora, isso também não vai ajudar nesse momento, né? Porque um assessor como ele não pode só ser honesto, né, Vera e Thiago? Ele tem que parecer honesto igual a mulher de César.
Exatamente, Thaís. Thiago, eu já te aciono para a gente saber um pouco dos bastidores disso. Porque hoje o Lauro Jardim já informou que o Palácio estava informado dessa situação há pelo menos 2 meses. Há poucas semanas ele saiu do Palácio, mas não para ir para casa ou explicar o incidente, mas para ganhar assento na coordenação da campanha do presidente. Então me parece que tem uma certa também soberba na maneira como o PT lida com a corrupção, achando que porque tudo da Lava Jato foi anulado, as pessoas simplesmente passaram a acreditar que nada daquilo aconteceu, quando a rejeição ao presidente mostra que não é bem assim, né?
Exatamente, Vera. O governo trata o caso do Marcola como uma crise isolada, né? Auxiliares do presidente Lula com os quais eu falei hoje, eles batem na tecla de que o Marcola cometeu um erro e não um crime. Isso já diz tudo sobre a situação, né, Vera? Porque o partido que quase sucumbiu na Lava Jato tirou da experiência essa uma lição errada, né? Porque aprendeu que deveria ter aprendido que na verdade tinha que ter levantado uma muralha entre o lado público e o pessoal, né?
Mas o PT acha que pode sobreviver, né? E sobreviveu à Lava Jato. E isso gera de alguma forma uma cegueira política deliberada, né? Porque se de um lado o Lula faz questão de se colocar como antagonista ao Bolsonaro. Do outro, o presidente petista nunca esteve tão próximo do seu adversário, principalmente quando ele vê o seu carregador de malas e o seu filho mais velho enredado num escândalo. E não é qualquer escândalo, né, Vera?
É porque não adianta o PT tentar minimizar o episódio, dizer que não afeta o presidente. Como a Thaís bem disse, o Marcola era não só o guardião da agenda do presidente, mas também o guardião dos segredos, dos bastidores ali da cozinha do Planalto, né? E até por conta disso ele não poderia ter sido rifado. Então, o que que o— diante dessa informação de que viria à tona esse recurso que o Marcola recebeu da empresária lobista amiga do Lulinha, a operação montada no Palácio do Planalto foi para que ele fosse deslocado para campanha, né?
Como se isso também não fosse atingir o ex-presidente, né? E isso acabou, enfim, gerando danos ali para campanha, né? E mostrou também que os fatos mudam, os personagens envelhecem, mas os erros políticos do PT insiste em se candidatar à reeleição. E não é um erro político trivial, né, Vera? Afinal, quem tem uma amiga aí que pode te emprestar um recurso, né? Eu sabia que a Roberta, ela era herdeira de um banqueiro, e não que ela era um banco que saía emprestando a rodo para gente do Palácio do Planalto.
Quando a gente sabe, né, pessoal, que um servidor desse gabarito, né, com essa atribuição que ele tem, tem acesso não só ao sistema bancário, mas a crédito consignado, Enfim, tem muitos meios formais de você obter empréstimo. E aí, quando se pergunta, né, cadê o contrato desse empréstimo? Ah, não foi lavrado um contrato. É uma falta de cuidado básica. Parece que sempre na esperança de que conversas privadas de WhatsApp não vão vir à tona.
Mas acontece que ela é investigada, o WhatsApp dela caiu ali na malha da Polícia Federal e as conversas se tornaram de conhecimento dos investigadores, a ponto de se abrir mais um inquérito. E aí aquela dianteira que o Lula tinha recuperado e uma certa vantagem advinda das crises sucessivas da campanha do Flávio Bolsonaro, ele corre um risco de que tudo isso seja zerado e que ele volte a enfrentar uma situação de proximidade, de paridade com o bolsonarismo nas pesquisas, né? Diga, Thaís, eu não passei a bola, né? Deixei ela quicando.
É só para lembrar que no caso do Lulinha, é um, ele é reincidente nessa, nessa denúncia, né? E já escapou duas vezes. Então teve lá 2005, o escândalo da Gamecorp, né, quando as telefonias, investiram R$5 milhões numa empresa muito pequena de fundo de quintal, que é a que ele tinha então. E depois esse escândalo voltou na época da Lava Jato, e agora pela terceira vez tá o Lulinha aí de novo no centro do picadeiro. E daí, naquelas duas primeiras vezes, os inquéritos nem viraram ação penal, né, ficaram na fase do inquérito, eles não progrediram.
Uma vez, a primeira, por insuficiência de provas, e a por questões meramente formais. Então o Lulinha tá aí de novo reincidindo nas denúncias, quer dizer, como alvo de acusação. Isso é péssimo para o presidente Lula também, porque é outra mulher de César, né? Então temos duas figuras aí muito próximas do presidente. E agora com a mudança no esquema de marketing da campanha do antagonista, principal antagonista do presidente Lula, isso aí certamente vai render muita coisa.
Então eu acho que isso vem, como você falou, num momento ruim, no momento em que o Lula tava tomando a dianteira. E agora vamos ver o que que vai acontecer nas próximas pesquisas. As primeiras que já pegam alguma coisa, já pegam um rabicho dessa história, vão sair amanhã, né, que a pesquisa da Quest e a pesquisa da Meio Ideia. É, ainda não acredito que deva ter grandes, grandes efeitos, mas os entrevistados terão, eles têm entrevistados ainda hoje, é capaz de pegar alguma coisa.
É, Lulinha também já teve coisa na semana passada, então pode pegar. Aproveito que a Thaís mencionou a troca no comando da campanha do Flávio Bolsonaro, né, com a volta do Duda Lima ao seio do bolsonarismo, e ele já tinha muito essa ideia de que escândalo do INSS devia ser martelado, porque diz respeito ali a desvio de aposentadoria e pensão, uma coisa de fácil compreensão por parte do eleitorado. E aí já solto uma sonora, peço para soltar aí por São Paulo, porque o Flávio Bolsonaro já tentou pegar uma carona e tirar uma casquinha desse caso logo hoje. Pode soltar.
De onde veio o dinheiro? É dinheiro do aposentado? Para quem acredita em coincidência, vai acreditar também que é só uma coincidência o Lula e o PT barrarem a CPI do INSS.
É isso, né, Thiago? Com isso ele também tenta virar a página de uma sucessão de crises que ele próprio enfrentou e jogar a bomba ali no terreno do adversário, né?
É isso, Vera. Se é que é possível Flávio virar a página, né? Porque cada semana vem uma surpresa nova sobre a campanha do Flávio. Mas como essa eleição tá dinâmica, o Flávio tá tentando se posicionar, ou melhor, se reposicionar nesse tabuleiro político. Né? E o que ele tem insistido e vai começar a insistir cada vez mais a partir desse novo episódio envolvendo a campanha do Lula é que é relacionar esse caso ao desvio de recursos do INSS, que afeta diretamente ali a percepção dos eleitores independentes, que a Thaís falou, mas também que tocam ali o sentimento do eleitor que fica indignado quando surgem casos de corrupção, escândalos de fraudes envolvendo desvios de pensão e aposentadorias do INSS, né?
Apesar desse esforço do Flávio de tentar colar o selo de corrupção no gabinete presidencial e mais especificamente na figura do Lula, eu acredito que vai haver um efeito limitado porque esse escândalo do Lulinha já vinha ocorrendo há um tempo, ele tá sendo precificado. É claro que agora ele avança algumas casas ali na investigação, chegando ao gabinete ali na antessala do presidente, mas a polarização que a gente tem visto delineado ali nas pesquisas, criou uma espécie de blindagem emocional no eleitor, né?
E um retrato disso é o próprio Flávio Bolsonaro, que mesmo depois do escândalo envolvendo Daniel Vocário e o Banco Master, a candidatura dele continuou no páreo. Claro que sofreu um baque nas pesquisas, mas ela voltou para o páreo, né? E agora acontece algo parecido com Lula. Ele pode sofrer ali uma queda ou outra, né? Mas eu acho que o eleitor, ele olha para o candidato e acaba dizendo o seguinte: olha, eu vejo isso, reconheço a gravidade, mas primeiro eu preciso impedir que o outro vença, né?
Então acho que o problema desses escândalos é que os dois favoritos nas eleições se sentem de alguma forma dispensados também de apresentar justificativas, né? O Flávio até hoje não apresentou as contas do Dark Horse. Cadê as contas que ele ia divulgar, né? O Lula também não explicou essa questão dos empréstimos. Não é só o Marcola que tem que explicar, é o próprio Lula que escolheu o Marcola, que escolheu para estar ao lado dele ali.
E ao mesmo tempo eles também não explicam qual vai ser o plano concreto de governo deles, né? Nem Lula nem Flávio dizem como eles pretendem, por exemplo, desarmar encrenca fiscal em 2027. E aí vão tocando a campanha jogando um no erro do outro.
E aí eu introduzo um outro assunto que eu acho que tende a ter esse componente macro, que pode ser importante na decisão de voto desse eleitor independente que não tá ainda capturado emocionalmente pela polarização. Que é essa questão da interferência externa na eleição brasileira em moldes nunca vistos desde a redemocratização. Hoje houve um lance importante nesse capítulo porque o governo dos Estados Unidos simplesmente revogou o visto da embaixadora do Brasil em Washington.
Maria Luísa Ribeiro Viotti vai poder ficar no país, mas não vai poder exercer as suas atribuições até que o governo brasileiro analise as credenciais do embaixador indicado pelos Estados Unidos para atuar em Brasília. Essa crise está escalando, a gente não sabe onde ela pode chegar, nem o que o eleitor conclui disso tudo, mas a gente vai vendo aí atos muito preocupantes e muito ostensivos, né, Thaís?
Então, Vera, eu tava falando com um diplomata assim que eu vi essa notícia, ele me alertou para o seguinte: em 2010 Mas houve um precedente imperfeito. Nunca houve nada como isso, como você disse, mas em 2010 o governo Barack Obama revogou o visto do embaixador venezuelano em Washington. Ele revogou de fato, mas ele fez isso depois que Hugo Chávez, então presidente da Venezuela, se recusou a aceitar um diplomata que tinha sido indicado pelo governo americano.
Se recusou porque o diplomata teria feito menções, alegações governo chavista com as FARC, etc. Então o Chávez recusou esse embaixador e em retalia, represália, o governo Obama revogou o visto do embaixador venezuelano em Washington. Mas veja, nesse caso, no caso brasileiro, no caso atual, não houve recusa da parte do governo federal, não houve recusa da parte do governo Lula, né? O que aconteceu foi que os Estados Unidos indicaram o Pérez, que é ligado ao secretário de Estado Marco Rubio, sem fazer aquela consultazinha prévia, como é praxe, como é protocolo, né, a Itamaraty.
E daí, claro que isso desagradou o Brasil, inclusive porque o Pérez, como eu disse, é um nome ligado a Marco Cúpio. Mas o Brasil não recusou essa indicação, o Brasil apenas segurou, não deu aval ainda. E daí o Washington já reagiu desse jeito, que me parece um tanto desproporcional, revogando o visto da embaixadora. Que nem sei onde ela vai ficar agora, porque se ela não tem visto, ela tá ilegal.
Tem que ficar exilada na embaixada, doideira, né?
Talvez dormir na embaixada. É uma situação inédita isso, né? Agora, quanto à segunda parte, quanto à segunda parte do que você disse, Vera, eu tenho minhas dúvidas, sabe, se isso vai chegar a promover algum tipo de abalo, porque Como a gente tava falando antes, essa eleição tá de certa forma com os votos tão consolidados já, né? E tem aí uma pequena parcela que as pessoas falam que entre 3, os pesquisadores discordam um pouco, entre 3 até 10% que seriam esses independentes.
E aí eu, essas pessoas, elas estão muito concentradas na classe C, nas periferias das grandes cidades, muito preocupadas com a sobrevivência, com trabalho, trabalho, com o custo de vida, com as próprias rotinas. E eu tenho minhas dúvidas se uma questão como essa, que vai certamente ser associada à defesa da soberania da parte do governo Lula e da parte do Flávio, ele vai ser colocado como alguém que tá tentando punir o Brasil para ajudar o seu aliado.
Enfim, eu tenho dúvida se essa questão, que tem uma certa complexidade, vai chegar a mudar o voto ou esses independentes decidirem o voto. Então eu, minha opinião é que não, eles estão mais preocupados com o preço do feijão e da batata, que são as coisas que mais subiram aí nos últimos meses.
Eu, o que eu acho é que pode ter um efeito junto a uma parcela do próprio eleitorado conservador, para o qual essa questão do nacionalismo tem algum apelo. E mesmo entre o empresariado, agronegócio, que sentem de alguma maneira os efeitos de questões como tarifação, etc. Ô Thiago, como é que isso foi recebido aí em Brasília e o que que o governo vai fazer agora? Porque também teve um outro precedente, além da não análise do nome do Pérez, que é a revogação de vistos de alguns outros funcionários do Departamento de Estado que pretendiam vir ao Brasil para fazer uma espécie de vistoria da lisura do processo eleitoral brasileiro, né?
Pois é, Vera, a reação aqui do governo brasileiro foi de descrença e também de muita indignação, né? As fontes com as quais eu falei alertaram ali que precisam receber esse comunicado de forma oficiosa, né? Porque até agora surgiu ali de uma informação extraoficial de Washington, que foi confirmada ali pelos veículos que cobrem a Casa Branca, né? Mas o que eu ouvi de um integrante do Itamaraty é que o embaixador não pode ser tratado como turista.
Ou seja, não pode chegar lá e revogar o visto do embaixador, até porque ele tá representando o Estado brasileiro, né? Passa a ser até um pouco curioso, porque assim, à medida que os Estados Unidos concede o green card para o Eduardo Bolsonaro e do outro lado vai lá e tira o visto da embaixadora brasileira em Washington, né? Acaba sendo contrassenso diplomático aí nas relações entre os dois países, né? E quando os Estados Unidos resolve retirar, revogar esse visto, esse visto, e passa o recado de que só vai devolver quando aprovarem, né, derem autorização diplomática para que o Dani Pérez, indicado por Trump para ser embaixador em Brasília, assuma o posto aqui no Brasil, na prática o governo Trump tá fazendo o que ele faz de melhor, que é chantagear o governo brasileiro, né?
Até aqui a crise vinha escalando em etapas, né? Primeiro o Trump impôs o tarifação, depois veio a Lei Magnitsky, depois veio as críticas públicas ao governo brasileiro, e agora essa crise atinge o seu ápice com uma medida muito drástica e também vista como histórica, assim, porque essa decisão do Trump não é uma escolha aleatória, né? Ao revogar o visto de embaixador, eles estão atingindo justamente aquilo que simboliza o coração da relação bilateral entre os dois países, né?
É claro que o governo brasileiro não pode escalar essa crise porque vai ter um efeito, pode ter um efeito nefasto ali para economia brasileira, pelas relações comerciais, né? Isso pode estremecer ainda mais outros canais do governo, com, acho que já estão bem escassos e estreitos, né? E de outro lado, o governo Lula pretende sim explorar esse episódio politicamente, porque o Lula tá no palanque, quer levar essa crise com Estados Unidos para o palanque, né?
Só como disse a Thaís, acho que o efeito ainda vai ser bem limitado, né, porque as posições já estão bem definidas ali na polarização e as pessoas realmente estão jogando e torcendo ali pela rejeição do candidato, né, e vendo também aquilo que afeta o bolso delas. Enquanto elas não tiverem a percepção, o eleitor não tiver a percepção de que isso afeta economicamente o dia a dia deles, talvez essa crise ainda se torne um pouco mais etérea.
Já dou um spoiler, amanhã a gente tem a presença do Maurício Moura, que além de ser de um instituto de pesquisa também é pesquisador da Universidade George Washington. Acho que dá para a gente continuar nesse assunto. A gente vai agora para um rápido intervalo e volta falando da questão das alianças. Flávio Bolsonaro vai mesmo solteiro para essa disputa. Até já.
Viva a Voz, especial eleições 2026.
34 minutos, o Viva Voz tá de volta já no seu novo formato eleitoral. A gente tá recebendo bastante mensagens aqui dos nossos ouvintes. O Gesiel de Brasília parabeniza a gente pelo novo horário, pelo novo formato, e pergunta para a gente: por favor, nos ajudem a entender essa loucura que é a política brasileira. A gente tá tentando, Gesiel, não é simples, mas vamos tentar, vamos juntos nessa tentativa. Hoje o Republicanos e também União Brasil decidiram ir sozinhos nas eleições, não vão fazer parte de nenhuma coligação.
E com isso vai se configurando um cenário em que Flávio Bolsonaro vai ter apenas o seu próprio partido, PL, para lidar tempo de TV e também para composição da chapa. Chapa. Quem tá acompanhando esse caso é a Bruna Barbosa, nossa repórter de São Paulo, que tem informações. Oi, Bruna, boa noite para você.
Oi, Vera, boa noite para você e para todos. Parece que amanhã vai, viu? Acaba de ser convocada uma coletiva de imprensa da equipe de Flávio Bolsonaro dizendo que amanhã o nome do candidato ou candidata, escrito assim, a vice na chapa será divulgado. Essa oficialização vai acontecer numa coletiva de imprensa em Brasília marcada para as 11 horas da manhã. Hoje Flávio Bolsonaro participou de uma sabatina promovida pelo G4 numa parceria com Antagonista, e ali até disse, olha, essa decisão pode ficar para 15 de agosto.
Mas conversando com algumas pessoas de dentro da campanha, passaria a imagem de que de fato ele não conseguiu aliança nenhuma. Então a ideia era soltar o quanto antes, e vão usar esse prazo de quarta-feira, que é o prazo final, né, das convenções, para poder fechar a chapa. São 3 derrotas do dia de hoje. Republicanos e União, como que você disse, mais o Podemos, que agora durante a noite divulgou que vai optar pela neutralidade.
Foi uma nota da presidente do partido, Renata Abreu, que era inclusive um nome cogitado para vice. Disse que é uma posição que representa milhões de brasileiros que não aguentam mais ver a polarização ocupar o lugar de soluções. O Republicanos foi mais cedo, embora o governador Tarcísio de Freitas tenha atuado também um pouco nos bastidores. Ontem mesmo ligou duas vezes para o Marcos Pereira, presidente nacional do partido, mas não teve jeito. 17 diretórios defenderam queriam neutralidade.
E hoje, Vera, minimizou, viu? Nessa sabatina do G4 Educação, disse que essa dificuldade para formalizar alianças não significa muita coisa, porque ele já conta com apoio de importantes lideranças políticas, mesmo sem adesão oficial dos partidos.
Bruna, fica aqui com a gente conectada, que a gente pode te acionar. Ontem eu nem te dei tchau, né? Estreia do programa, tava tudo meio caótico. Já peço desculpa. Mas, Thaís, diante desse quadro, isso sozinho mostra uma certa tibieza, fraqueza da candidatura do Flávio, ou faz pouca diferença também para o eleitor, a seu ver?
Sem dúvida, né, Vera? E isso que a Bruna falou é uma desculpa esfarrapada. Aí a gente tem outros apoios, tá, mas aí não tem tempo de TV, né, que é isso que importa nessa altura do campeonato. E bom, a vice, sem dúvida, ou vice é uma lacuna simbólica aí que tá gritando. Mas eu queria dizer sobre isso que tem uma porção de problemas que fizeram o Flávio, a campanha dele, chegarem a essa situação. A pressão do governo federal, inclusive pela neutralidade dos partidos, né, porque quanto menos apoio o Flávio tem, melhor para o antagonista, para o governo Lula.
Tem também os arranjos, os interesses estaduais dos partidos, mas tem também uma tremenda de uma falta de traquejo do Flávio como político. Não é? No caso, a história se repete. No caso da Tereza Cristina, falou-se muito que contribuiu para o fracasso da negociação o fato de o Flávio adiar e adiar e adiar o momento de falar pessoalmente para Tereza, tentar entrar no acordo, fazer o convite e tal, a despeito inclusive dos muitos pedidos do Valdemar Costa Neto, presidente do partido.
Ele só foi procurar assinadora nos 44 do segundo tempo. No caso da Renata Abreu, do Podemos, que agora também pula fora, Moura, é, foi um caso muito parecido. Ele, Flávio, já tinha feito convite para ela, Renata Abreu, do Podemos, presidente do Podemos, lá atrás em maio. Daí, logo depois que eles se encontrarem, veio o escândalo Dark Horse. E daí que aconteceu? O Flávio simplesmente sumiu, sumiu, nunca mais falou com a Renata, deu um ghost nela.
E ela reclamou disso, inclusive comentou isso com Assim como a questão da Michelle, né, que ele também ficou meses para resolver uma situação que já era sabida que era muito ruim entre ele e a madrasta, né?
Exatamente, até explodir naquele vídeo. Ou seja, ele vai levando com a barriga, vai empurrando até que as coisas saem do controle dele, como foi no caso das 3 vices aí que foram cogitadas. Então eu acho que essa é a situação. Agora, para o eleitor, não sei se importa muito a vice, né, essa questão da vice. O que importa é, na verdade, a coligação e o tempo de TV. E nesse ponto, ele agora tá abrindo a views, né. Talvez a gente possa falar disso depois.
Agora, Thiago, isso mostra também, claro, isso que a Thaís falou, contou, a gente tem informação disso, de uma certa pressão do Lula para que esses partidos ficassem neutros, já que ele também não conseguiu o MDB e só pegou a esquerda, né, não conseguiu ampliar para o centro a sua aliança. Mas é aquilo que você falou do cheiro de poder, né, a constatação de que o Lula voltou a ser favorito também pesou para isso, além dos acordos regionais, dos cenários em que alguns desses partidos estão com o PT nos seus estados.
Né?
Sim, Vera. E o que chama atenção é que assim, o Flávio, se ele tivesse no Tinder, ele ia ser um péssimo candidato do Tinder ali, né? Porque ele não consegue dar match com nenhum partido, né? É como aquela música do Tom Jobim, Samba de uma Nota Só, né? Ele quis tocar com todas as notas, republicanos, União Brasil, PP, mas acabou sem nenhuma. E ele não conseguiu atrair nem o Podemos, Vera. O Podemos é aquele último contatinho que você tenta quando ninguém quer, e ele não conseguiu fechar o acordo com Podemos assim.
Então realmente a situação do Flávio é muito complicada e isso vai representar na prática 20% a menos de tempo de TV e rádio do que o presidente Lula, né? Enquanto Lula vai contar ali com 5 minutos e 32 segundos de cada programa, o Flávio vai ter 4 minutos e 25 segundos. Isso importa bastante, né? Isso é uma arma importante ali das eleições. E agora para o Flávio vai ser uma sinuca, né? Ele vai ter que partir ali para uma chapa por sangue, né?
Só que ele não é o pai dele, que tem toda aquela novidade que em 2022 ali tentou ali fazer uma composição política que não foi adiante com o Centrão, né? E mais tarde, quando chegou à presidência, o próprio Bolsonaro era visto como um outsider. O Flávio não é visto como um outsider, né? Ele não tem capital político para embarcar numa chapa isolada. E agora ele não vai poder nem contar também na sua vice com a Daniela Marques, né, que era um outro nome que tava sendo cogitado, que se filiou ao Republicanos.
Que também estava sendo vendida ali como um efeito duplo para campanha, né, que era uma figura que dialogava com o público feminino, mas também falava com o mercado financeiro. Enfim, perdeu também aquilo que lhe restava. Então tô muito curioso para saber qual que vai ser o anúncio. Amanhã, né, vai anunciar amanhã.
Tô tentando saber aqui com os meus contatinhos. Oi, Cleitinho!
Pode surgir um Cleitinho, porque tá tudo uma novela desse Cleitinho. Vai que surge.
A gente ainda vai falar disso, não queima a largada, mas não dá porque o Republicanos não vai com ele. Mas por falar em Daniela Marques, a Bruna, que continua com a gente, conversou com ela hoje, né, Bruna? Que que ela falou?
Olha, Vera, ela nos bastidores ainda vai ser muito decisiva para esse ponto. Isso que o Thiago disse é importante, porque mesmo se ela não tiver na vice, a expectativa é de que Dani Marques ajude nessa ampliação do eleitorado feminino. Então ela deve aparecer em lives, tá bastante confiante, acreditando que vai dar tudo certo, já não se colocando ali, né, nessa posição de vice, até pela decisão do republicano Mas ela tem esse bom trânsito com empresariado, experiência na área econômica, então deve estar lado a lado de Flávio nesse momento.
Agora, na Puro Sangue, alguns nomes são aqui vistos e falados nos bastidores. Eu cito duas deputadas federais, Júlia Zanatta e Bia Kicis, que desde o começo, quando a Puro Sangue começou a ser questionada, eram nomes que apareciam. Mas agora há outros dois e são masculinos, né? Senador Marcos Pontes e também o próprio Rogério Marinho, que coordena a campanha do Flávio. Agora eu volto para vocês. Colocar um homem nesse momento, depois de ter defendido e batido a tecla de que a única certeza era de que seria uma mulher, seria mais um tiro no pé, né?
Seria mais uma amostra de dificuldade de combater justamente os estigmas que mais o atrapalham, né, Thaís? Só para a gente fechar, a gente tem um minutinho.
É, mas essa altura, né, Vero, constrangimento é o menor dos problemas do Flávio Bolsonaro. Ele tem que ter uma vice, eu tenho que ter um vice. Eu acho que voltar atrás agora, eles são capazes. Até me chamou atenção o fato de que Na nota que a Bruna leu, eles dizem que amanhã eles apresentarão a vice, ou vice, quer dizer, já teve um recuo aí. E o Rogério Marinho, por exemplo, seria essa pessoa que amaciaria, por exemplo, o caminho dele junto a Faria Lima, né, ao PIB, que tá de nariz torcido para o Flávio.
Então eu acho que eles estão já preparando o caminho para um novo recuo, né. Não será o primeiro e não será o último, certamente.
Vão defender a neutralidade de gênero, quem sabe. É isso, gente, vamos fazer mais uma pausa. Você fica com o noticiário da sua região e a gente volta já já para o encerramento do Viva Voz, falando dele, Cleitinho, que foi aqui citado e vai se configurando como um personagem exótico dessa eleição.
Viva Voz especial eleições 2026. Viva a Voz, especial eleições 2026.
Estamos de volta com Viva a Voz e agora, como prometido, vamos falar desse personagem Cleitinho, senador Cleitinho do Republicanos de Minas Gerais, que lidera as pesquisas de lá segundo todos os institutos e que ficou estava hesitando a respeito de ser candidato ou não. Hoje fez uma participação ali na convenção do Republicanos pedindo uma nova chance. Solta aí a fala do Cleitinho antes de eu passar para os nossos comentaristas, por favor, Matheus.
Eu tenho que falar uma coisa para vocês aqui com toda humildade, que é o Espírito Santo tá me pedindo para falar isso. Eu venho passando um momento de luto há 15 dias, né? E ontem, na hora que eu fui decidir essa situação de domingo para segunda, eu tive momento de vulnerabilidade, de universidade, não tava bem. Então, pelo meu pai, pelo meu irmão, pela minha mãe, pelo professor, pela Polícia Militar, por todos os trabalhadores do Brasil, de Minas Gerais, por todo o povo mineiro, eu quero ser candidato a governador.
Que personagem é esse, Thiago Bronzato? Fornecendo entretenimento ele tá, mas o que que dá para levar a sério desse vai não vai do Republicanos.
Pois é, Vera, nosso ouvinte que perguntou, pediu a nossa ajuda para entender a política, acho que ele deve ser mineiro, né, porque tá difícil de entender a política lá em Minas com tudo que tá acontecendo. E a política, ela exige duas virtudes que nem sempre andam juntas, né: ouvir as pessoas e depois de ouvir decidir. É isso que o Republicanos tava fazendo junto ao Cleitinho. E o Cleitinho parece que ficou um pouco preso justamente nesse intervalo entre uma coisa e outra, entre ouvir e decidir.
Até porque ele ter ouvido aí, como a gente ouviu agora pouco, ouviu do Espírito Santo para tomar uma decisão que ele voltou atrás várias vezes, né? Nos últimos dias, nos últimos meses, ele adiou a decisão sobre disputar o governo de Minas, levou até o limite ali do que era razoável, né? Diz que seria candidato, depois desistiu, depois voltou a dizer que seria candidato de novo, e agora na reta final voltou a pedir ao Republicanos que reconsiderasse essa decisão para não deixá-lo fora da chapa.
Só que aí o Marcos Pereira, presidente do Republicanos, Deon chega para lá nele, falou que não podia arrastar mais essa indefinição por muito tempo e falou que o assunto estava encerrado, né? E há uma ironia em tudo isso assim. O Cleitinho, ele construiu sua carreira vendendo a imagem de político simples, espontâneo, que fala o que pensa, né? Só que a espontaneidade, a gente sabe, não funciona muito bem ali para ser, para conduzir uma campanha a governador, que exige previsibilidade, composição, alianças políticas, né?
E acabou que o Cleitinho se enrolou nessa novela, mudando de posição várias vezes, e acabou prejudicando também a campanha do Flávio, né? O Flávio por um tempo ficou ali à reboca, à espera do Cleitinho, porque seria um palanque importante para ele, né? O Cleitinho liderava as pesquisas, né, tava cabeçando ali as pesquisas eleitorais em Minas. E o Flávio chegou até durante um tempo abrir mão de lançar um candidato próprio, esperando essa aliança com Republicanos e apostando nesse cavalo do Cleitinho.
Só que agora Enfim, todo o jogo político mudou em Minas e o Flávio precisa correr contra o relógio para reorganizar essa estratégia num dos maiores colégios eleitorais do país, que costuma definir as eleições. Então essa novela aí de Minas continua, e um dos maiores prejudicados é a própria campanha do Flávio Bolsonaro.
O Lula também enfrentou dificuldades lá, né, Thaís? Teve de tirar o Patrus praticamente da aposentadoria para aceitar ser candidato depois de ouvir não. O que que tá acontecendo no segundo maior colégio eleitoral do país?
Pois é, o Lula teve dificuldades, mas agora ele ganhou esse presente, né? Porque se essa novela tiver mesmo chegado ao fim, o Thiago parece que aposta nisso, mas eu não sei, vai depender aí da consultoria celestial, né?
Do Espírito Santo ainda tem que se manifestar, né?
Pois é, vai que amanhã o Espírito Santo muda de ideia de novo. Mas é, neste momento, o ganhador, como disse o Thiago, é o Flávio. O perdedor, como disse o Thiago, é o Flávio, e portanto o ganhador é o Lula, né, com toda essa indefinição que antecedeu a escolha do Ananias. Mas eu queria chamar atenção principalmente porque no caso do Flávio a perda é dupla, porque ele perde esse palanque popular competitivo de fato no estado do Sudeste, que essa região de crucial importância para campanha dele, né?
Vamos lembrar que Minas e Rio de Janeiro e São Paulo são o foco da campanha agora do Flávio Bolsonaro. Eles estão apostando todas as fichas no Sudeste. E no Rio ele tá com uma ligeira vantagem lá, mas não é território dominado, né? Ainda tá lá muito perto do Lula. Em São Paulo, o bolsonarismo vem minguando historicamente. Vamos lembrar que em 2018 o bolsonarismo deu uma lavada no estado, foram 36 pontos de vantagem sobre o Haddad.
Daí em 2022 já foram só 10 pontos, uma vantagem ainda grande, mas só 10 pontos. Hoje, Vera, se ele ficar nos 5, 6 pontos de vantagem que ele tem, o Flávio Bolsonaro hoje em São Paulo em relação ao Lula, Ele tá morto nas palavras de um integrante da campanha. Então ele tem que tirar essa vantagem.
E é por isso que ele tá colando o máximo que pode no governador Tarcísio, à revelia do próprio Tarcísio, que gostaria de fazer uma campanha mais focada nos temas locais, é cuidar da própria vida, porque para ele tá bem mais fácil do que isso. Ele tem uma grande chance de arrastar todas as fichas já no primeiro segundo turno. E por ele, acho que ele tiraria umas férias em Paris, viu, pessoal? Tipo Ciro Gomes no segundo turno de 2022.
Exatamente, a tábua de salvação do Flávio Bolsonaro e da campanha. Mas aparentemente essa tábua não tá muito empenhada agora, não. O que que acontece?
Antes da gente terminar, a gente tem uma pergunta aqui de uma ouvinte que tá nos acompanhando, a Elisa Diniz, a respeito do que a gente falava antes, do fato do Flávio Bolsonaro não ter conseguido fechar uma aliança. Ela pergunta se vocês acham que o tempo de TV ainda é tão relevante nesses tempos de mídias sociais. Começa com você, Thaís.
Bom, dizem os pesquisadores unanimemente, os que eu ouço, que sim, é relevante e pode ser até determinante. Porque vamos lembrar que em regiões mais pobres você não tem internet, você não tem essa influência das redes sociais como existe nas grandes metrópoles. Então o voto se decide na última hora e na televisão, porque o que dizem os pesquisadores, a televisão você não escapa, televisão tá ligada em muitas casas o tempo todo.
Você passa na frente dela e vai estar lá o horário eleitoral eleitoral em que o Lula tá dominando, né, como disse o Thiago, vai estar, se a situação continuar do jeito que se apresenta, com 20% a mais de tempo de TV. Então esse tempo de TV, não obstante toda influência, todo barulho na verdade, né, que faz as redes sociais, é considerado importante pelos marqueteiros, pelos pesquisadores até hoje. E dado que eles consideram isso muito importante, eu acho que, e dada a disputa que se faz em torno desse tempo de TV até hoje, eu tô com eles. Eu acho que isso ainda é relevante, velho.
E você, Thiago, acha que ainda joga um peso importante?
Pois é, eu concordo com a Thaís e acho que a propaganda eleitoral na televisão, segundo os pesquisadores, atinge principalmente o público de até 2 salários mínimos, que é uma faixa de renda do eleitorado em que o Lula vence o Flávio. Então, para o Flávio seria muito importante ter essa vantagem em relação ao Lula, ou pelo menos empatar, para tentar neutralizar o avanço do presidente nessa faixa. Então acho que exerce sim um papel muito relevante, embora as redes sociais de fato, acho que, e agora candidatos, né, forjados aí com o IA, seja o grande mote das eleições.
Acho que essa, a televisão é realmente, é uma estratégia muito fundamental para as campanhas.
Só complemento meus companheiros aqui com uma observação que me foi feita pelo, pelo comando da campanha do Caiado, porque ele precisa de alguma maneira se colocar nesse páreo aí para tentar quebrar essa polarização. Ele conta com o fato de que o tempo de TV daqueles partidos que não têm candidato a presidente, mas tem muito tempo de TV, vai ser dividido ali. Então ele quer chegar nos 2 minutinhos de tempo de TV para ter espaço para se se impor como o favorito na visão deles para vencer o Lula no segundo turno.
Então, reforçando essa ideia de que sim, o tempo de TV é crucial, essencial. Agradeço a Thaís, o Thiago, por hoje, estreia dessa dupla também. Thiago não vem na quinta, mas ele vai começar a ficar com a gente todas as quintas-feiras. Obrigada pela sua audiência, fica o convite para você pegar a íntegra, se você não ouviu tudo, nas redes sociais, nas plataformas todas da CBN. Convite para vocês voltarem amanhã, que tem Bruno Carazza, Maurício Moura, Priscila Cruz.
A gente vai discutir o IDEB, pesquisa, quest, pesquisa, ideia. Tem muito tema amanhã na pauta. O Viva a Voz teve produção do Matheus Leite, assistência de produção do Sueliton Viana e trabalhos técnicos do Anderson Wendel. Até amanhã, pessoal!
A Voz, especial eleições 2026. Apresentação: Vera Magalhães.