Próximo governo terá de enfrentar ajuste fiscal difícil e sem soluções simples
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Dia a Dia da Economia com Miriam Leitão. Bom dia para você, Miriam Leitão.
Bom dia, Milton Jung. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes da Rádio CBN.
Bom dia, Miriam.
Quem vai ser o presidente a partir do ano que vem não tem como saber agora. O fato é que quem assumir vai ter um tremendo desafio fiscal pela frente.
Exatamente, Milton. E esse é o grande problema da economia hoje, né? Hoje, quando se discute economia com qualquer economista, qualquer, a conversa vai ser sempre sobre o ajuste fiscal que terá que ser feito no ano que vem. E tem um detalhe, tem uma, por causa, porque são medidas todas amargas que precisam ser tomadas, nenhum candidato quer dizer exatamente o que ele pretende fazer. E mesmo na discussão sobre quem é responsável por ter chegado até aqui, é uma situação de dificuldade com a dívida crescendo, déficit alto, tem interpretações que são movidas pela política, não são exatamente a realidade.
Então, começando com o que tem que fazer, quando o candidato Flávio Bolsonaro diz que vai, ele falou que ia dar uma tesourada, não é nada. Ele falou tesourada, não tem substância. Quando ele falou orçamento base zero, se falou em orçamento base zero na campanha dele, agora já dão para trás, já dizem que não estão dizendo. Ontem a Daniela Marques disse no GloboNews que não defende isso, porque isso é É inviável você fazer orçamento base zero.
Só para o nosso ouvinte entender, é todo ano começa o orçamento do zero, saber o que que realmente precisa de gasto, onde vai ser gasto o dinheiro. Não tem como fazer isso porque você teria que entrar na Constituição, mudar muita coisa na Constituição, as vinculações da saúde, da educação, a indexação das aposentadorias e e benefícios ao salário mínimo, enfim, despesas obrigatórias. Você tem que mudar completamente. Então é um trabalho que não vai ser feito.
Então o que que eu fui falar com o governo? O governo também não tá sendo explícito sobre o que ele pretende fazer, mas o governo tá lá e ele tem mais responsabilidade. Ele tem mais responsabilidade de dizer o que ele pretende fazer, porque é o incumbente e porque ele já faz o orçamento do ano que vem e, e ele coloca o trem em andamento independentemente de quem for governar. Então o que eles dizem é que eles têm para o orçamento, o projeto de orçamento, PLDO, foi com superávit primário para o ano que vem de 0,5%, em 2028 de 1% e 2029 1,5%.
O que o governo está dizendo é que se ele continuar Ele pretende sempre nos próximos anos gastar menos do que ele arrecada e num volume crescente. Então faria um ajuste de 2% do PIB nesse, nesse próximo mandato, se o governo ganhar. O que os economistas dizem é que nem isso é suficiente, é porque é preciso tomar medidas bem fortes realmente. Agora, indo para quem é responsável pelo crescimento da dívida, O governo que tá administrando é sempre o principal responsável, mas é preciso comparar duas coisas.
O governo anterior, que é o governo do Bolsonaro, teve juros baixos durante quase a maior parte do tempo. Entrou com 6,5% de juros e depois chegou a 2% de juros, e no final do— só no último ano é que os juros subiram. O governo Lula tem enfrentado juros altos durante mais tempo. Os juros altos aumentam a dívida pública. Mas isso não quer dizer que você possa reduzir juros só para diminuir a dívida, porque isso é um erro técnico.
Então você tem que criar as condições para os juros caírem. Então veja como é uma— eu não sei se eu consegui me comunicar direito com vocês sobre essas confusões fiscais.
E é uma situação bem complexa, né, Miriam? Porque a gente tem que colocar aí também, e você pontua isso muito bem na sua coluna, a questão do peso das emendas parlamentares nesse aumento das despesas também.
Exatamente. Você fala o governo executivo é responsável? Não, todos os setores, todos os poderes são responsáveis porque eles criam despesa. E o governo e o Congresso começou nos últimos anos a criar cada vez mais despesa. Ele criou despesa para ele executar e as emendas chegaram no nível muito exagerado. Elas distorcem a economia. Além de ser um volume exagerado, a maior parte é impositiva o governo não tem como não pagar as emendas.
E além disso, com pouca transparência. E a gente soube recentemente que até Valdemar Costa Neto, que não é parlamentar, tinha um grande poder de ordenar essas despesas, ou seja, dizer para onde vão as emendas parlamentares, para se ver o grau de distorção. Então esse problema precisa ser enfrentado pelo próximo governante, seja ele qual for, porque o Congresso tem que voltar a ter um poder menor sobre o orçamento. Algum poder ele sempre terá, mas ele não pode ter tanto poder e tanto dinheiro na mão do Congresso, porque isso distorce completamente o princípio da organização dos três poderes.
Porque o Executivo, como o nome diz, executa o orçamento, e isso é cada vez menos verdade no Brasil.
Muito obrigado, Miriam, e um bom dia para você.
Bom dia para todos nós.