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Ciclosporíase: por que o surto nos EUA preocupa especialistas?

04 de agosto de 20268min
0:00 / 8:48
Luis Fernando Correia comenta que um surto de ciclosporíase nos Estados Unidos acendeu o alerta das autoridades de saúde. A infecção intestinal causada por um parasita já foi associada a duas mortes em Michigan e diversos casos pelo país.

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Participantes neste episódio3
L

Luis Fernando Correia

HostJornalista
C

Carlos Alberto Sardenberg

ConvidadoJornalista
C

Carlos Eduardo Éboli

ConvidadoJornalista
Assuntos3
  • Surto de Ciclosporíase nos EUACiclosporíase · Michigan · Taco Bell · Taylor Farms · CDC · FDA
  • Processos de produção alimentar· NegociosAlface iceberg · México · Comida e culinária · Cozinhar alimentos
  • Perseguição a autoridades sanitáriasVigilância epidemiológica · Administração Trump · Robert Kennedy Júnior
Transcrição18 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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LFLuis Fernando Correia

Saúde em Foco com Luiz Fernando Correia. Muito bom dia, Doutor Luiz Fernando Correia.

?Voz C

Bom dia, Milton.

?Voz D

Bom dia, Cássia.

?Voz C

Bom dia, ouvintes.

?Voz D

Bom dia, Doutor.

LFLuis Fernando Correia

Havíamos conversado, né, algum tempo atrás aí sobre esse surto que vem atingindo algumas pessoas nos Estados Unidos, ciclospora. E a situação agora ela começa a ficar mais grave?

?Voz C

O que a gente tem é o seguinte: o surto continua, e eu vou falar sobre os números daqui a pouquinho. Agora, o estado de Michigan, que é o epicentro do pior desses surtos, confirmou duas mortes. Associadas ao surto da ciclosporíase, que é uma infecção por um parasita, né? É importante o seguinte: essas duas pessoas já eram pessoas que tinham problemas de saúde pré-existentes. A ciclosporíase é um, como até o próprio nome já tem sido usado, alguns nomes esquisitos, diarreia explosiva, enfim, diarreia aquosa.

As pessoas, infelizmente, que têm problemas de saúde prévios podem sofrer um quadro de desidratação grave e aí irem a ir para o hospital, precisar ser internada e falecer por causa dessa complicação. Então não é dizer que ela morreu da ciclosporíase, mas morreram provavelmente por complicações de uma desidratação sobre uma doença prévia. Problema é que o desmonte, a gente já falou disso, infelizmente vamos ter que falar de novo, né, o desmonte da estrutura de vigilância epidemiológica, de vigilância sanitária que foi feita pela administração Trump, tem a conta chegando.

Existia um departamento que fazia fiscalização dessa doença, acompanhava a circulação desse, desse, de outros parasitas, e isso foi desmontado pelo brilhante Robert Kennedy Júnior, né? E aí aconteceu, tinha que acontecer, no ano seguinte, foi desmontado em 2025, estourou esse problema esse ano. Então, por conta de não ter mais um departamento para consolidar dados, acompanhar a circulação do parasita, você tem 3 contagens pelo menos circulando no país aqui nos Estados Unidos.

Primeiro, o surto inicial, né, aparecendo, que parece que era o surto inicial, que é de uma alface americana, alface iceberg, mais branquinha, servida na rede de restaurantes Taco Bell. Do país inteiro, ou na maioria dos países, que foi rastreada até uma fazenda no centro do México. Isso é outro problema, porque os Estados Unidos acabou evoluindo para um modelo de suprimento, por exemplo, de vegetais e campainha de legumes e tudo mais, é importado muitas vezes do México ou centralizado em algumas fazendas em outros lugares, na Califórnia principalmente.

E distribuídos pelo país inteiro. Então você tem um problema na fonte, você tem um problema no país todo. Então esse surto, o número desse surto ligado a essa fazenda Taylor Farms é de 1.947 pacientes com 98 hospitalizações em 9 estados. Aí tem o que sobrou da Vigilância Nacional do CDC, de alguma coisa sobrou lá em Atlanta: 6.707 mil casos confirmados por laboratório desde 1º de maio, e ainda existem 11.500 casos em investigação.

E isso são dados que vêm de 45 estados dos Estados Unidos, os 50, 51 estados americanos. Não quer dizer que tem um surto em 45 estados, ou seja, esse parasita circula na natureza. Então eventualmente aconteciam casos todos os anos. Existe um surto sim separado na Carolina do Norte, mas que não é ligado a alface, é ligado a salsinha e coentro. E o terceiro surto importante é esse do estado de Michigan, no Nordeste, que inclui 11.234 casos com 193 hospitalizações.

E lá aconteceram esses 2 óbitos. Para a gente ter uma ideia, no ano passado, nesse mesmo momento do ano, o país tinha registrado 200 casos. Ou seja, se a gente pensar a soma disso tudo, nós estamos falando aí de 30 vezes mais, pelo menos. E aí é o seguinte: uma amostra da alface deu positivo lá na fazenda no México. Dias depois, o FDA disse: não, era um falso positivo. Mas manteve o recolhimento da suspensão, recall, dessa alface que veio de lá.

O problema é que o que se comprovou foi que, embora naquela eventualmente naquela amostra que foi para o laboratório pode não ter dado positivo de verdade. A história epidemiológica, ou seja, entrevista com os pacientes, como é feita a investigação de um surto, né? Investiga-se, conversa com o paciente: onde é que você comeu? Onde é que você foi?

?Voz D

O que que aconteceu?

?Voz C

Quem foi com você? Você conversa com as pessoas e acaba chegando ao link. É uma investigação exatamente igual investigação criminal, para se entender.

?Voz D

E aí podem não ter achado parasita numa das amostras.

?Voz C

Agora você imagina uma fazenda que produz para o país inteiro, né, nos Estados Unidos, que pelo menos exporta para 45 estados diferentes.

?Voz D

É aquele negócio, né, aqui tem a facilidade, entre aspas, daquelas saladinhas que já vem pronta no saquinho, né.

?Voz C

É aí que tá o problema, porque se na fonte tiver uma contaminação, aquilo vai se espalhar para todo mundo que recebeu aquele produto, né?

?Voz D

E é o seguinte, o CDC explica que esse parasita é um parasita difícil de matar depois de que ele contamina um alimento. Desinfecção de rotina, ou seja, aquele banho de água com cloro, sanitizante, aqui tem umas coisas que você usa aí um spray para poder limpar as folhas dificilmente matam esse parasita. Lavar bem ajuda, mas não elimina. Você teria que cozinhar isso. Ninguém cozinha alface, né, gente?

?Voz C

Então a coisa complica.

?Voz D

Controle não tá na pia, controle tem que estar na cadeia de produção. E aí é isso, gente. É, agência britânica já registrou 67 casos em pessoas que viajaram aos Estados Unidos e voltaram para o Reino Unido entre abril e julho. Vamos lembrar que ainda teve a Copa do Mundo no meio para atrapalhar, né? 48 desses 67 também passaram pelo México, inclusive passaram pela Riviera Maya lá em Cancún, né, região próxima a Cancún também. Então, é, e no Reino Unido eram 90 casos por ano e já estão, esse já estão com 67, né?

Então, ou seja, gente, o problema não é o parasita só, O parasita causa, tem um poder de causar diarreia, uma diarreia importante, volumosa, que demora para melhorar, demora às vezes semanas para melhorar. É, mas tá no fato de que tá se mostrando também que esse modelo de suprimentos de alimentos que deveriam ser locais para serem mais saudáveis, você comer comida de verdade local Isso ser transformado numa produção industrial terceirizada em outro país tem um risco enorme, né?

Então, gente, infelizmente esse é o mundo que a gente tá vivendo hoje em dia, né? Fica, fica, a vida tá ficando bem complicada, viu?

LFLuis Fernando Correia

Muito obrigado, Doutor Luiz Fernando Corrêa, pelas suas informações. Um abraço e até mais.

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