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'Quem Você Ajudou Hoje?': Paulo Galvão lança livro sobre democracia e educação

04 de agosto de 202610min
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O jornalista e âncora da CBN, Paulo Henrique Galvão, lança nesta terça-feira (4) o livro "Quem Você Ajudou Hoje?". A obra propõe uma reflexão sobre democracia, desigualdade social e o papel da educação na reconstrução do Brasil. Em entrevista ao CBN São Paulo, Galvão afirmou que o livro nasceu de preocupações com o avanço da radicalização política e o aumento da desconfiança em relação às instituições democráticas.

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Participantes neste episódio1
P

Paulo Henrique Galvão

ConvidadoJornalista
Assuntos2
  • Democracia e polarização· PoliticaDemocracia · Radicalização política · John Stuart Mill · Carl Schmitt
  • Desigualdade Social· SociedadeDesigualdade social · Ações afirmativas · Reforma tributária · Rui Barbosa
Transcrição13 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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PHPaulo Henrique Galvão

Agenda Cultural acontece em São Paulo. Apoio Prefeitura de São Paulo.

?Voz C

Nossa agenda cultural de hoje é diferente. Pela trilha você já está percebendo, né, que estamos num fuso horário diferente. Pois é, porque hoje a gente conversa com o nosso querido colega Paulo Henrique Galvão, jornalista das nossas madrugadas. Aqui da CBN, faz companhia para os nossos ouvintes durante as madrugadas e hoje lança o livro Quem Você Ajudou Hoje, uma reflexão sobre democracia, desigualdade e o papel da educação na reconstrução do Brasil.

Paulo Henrique Galvão, muito bom dia para você, bom ter você aqui no CBN São Paulo.

PHPaulo Henrique Galvão

Ô Muniz, muito bom dia, muito obrigado pelo espaço que você me dá para poder falar um pouco sobre essa obra, agradecido demais, viu?

?Voz C

Imagina, a gente que agradece sua presença aqui para falar sobre isso. Que livro é esse, Galvão? Qual é a reflexão que você quis trazer para os ouvintes, leitores, a partir dessa obra? Que que você debate aí em Quem Você Ajudou Hoje?

PHPaulo Henrique Galvão

É um trabalho, Muniz, de praticamente 3 anos de pesquisa e escrita, e que veio de algumas inquietações, né? Acho que são duas vertentes principais. A primeira questão da democracia, não só no Brasil, mas no mundo inteiro, né? A gente tá vivendo um momento de de exceção democrática, né? As pessoas simplesmente estão desacreditando, as pessoas estão esperando da democracia algo que a democracia não pode oferecer. Isso é um perigo, né?

Há uma pesquisa que foi feita o ano passado aqui no Brasil que mais da metade da população disse que precisa de um líder disposto a quebrar regras para consertar o Brasil. Isso é extremamente perigoso. Então esse aspecto da democracia é um aspecto que eu abordo bastante, esse momento que a gente tá vivendo de radicalização. Em que as pessoas simplesmente não conversam, as pessoas se veem como inimigas porque estão num espectro político diferente, não como adversárias.

E essa história de a política como um debate entre amigos e inimigos, isso é coisa do Carl Schmitt lá, que era o ideólogo do nazismo. Então isso é extremamente perigoso. Então o que eu tô propondo é que haja diálogo. Aí eu vou lá no John Stuart Mill, manter a arena aberta, né, para que a verdade possa se aproximar da gente. Verdade, nem falo em ter a verdade, porque numa sociedade, eu coloco isso, existem várias verdades, né? Quando você fala de fenômenos sociais, a minha verdade pode ser diferente da sua, dependendo de como esse fenômeno nos atinge.

Então, o que eu busco é isso, manter a arena aberta, que as pessoas, ainda que tenham uma opinião formada sobre um determinado assunto, que estejam abertas a ouvir opiniões contrárias ou para reforçar o seu argumento, para de repente mudar de opinião. Então, essa ideia inicial de distensionar essa radicalização, porque polarização é normal, né? Num país tão desigual como o Brasil, obviamente que haverá embates, né? As demandas são muito distintas da nossa sociedade, então vai haver embate.

Isso é normal da democracia, né? A política é essencialmente conflitiva, as pessoas precisam entender isso. E a outra vertente é a vertente da educação. Eu coloco que a gente só vai continuar, vai conseguir mudar esse país é eliminar essa desigualdade quando aqueles que estão numa posição de privilégio primeiro admitirem essa posição de privilégio. Esse é um primeiro passo. E depois que essas pessoas estejam realmente determinadas a mudar essa situação.

Infelizmente, isso não vai mudar do dia para noite. Então, por isso que eu prego que isso seja feito desde a educação. E aí não sou eu, é a UNESCO. A UNESCO divulgou recentemente o que eles acham que deve ser a educação do futuro. Reuniram lá 19 educadores do mundo todo, Antônio Nova de Portugal, Cristóvão Buarque do Brasil. E o principal aspecto que eles colocam é mudar a educação, o foco da educação do indivíduo para o coletivo.

A gente foi criado, e as crianças hoje continuam sendo criadas, para ser o melhor, para se destacar, né, para viver nesse mundo que é uma competição entre ganhadores e perdedores, né. Os americanos falam muito de losers, e a gente tem que tentar mudar isso. Então é um foco muito grande nesta questão da educação para que lá mais, né, as crianças já cresçam com essa ideia de coletividade. Porque assim, a gente só vai ter governo, Congresso voltado para mudar essa situação quando a gente tiver eleitores que estejam realmente querendo essa mudança. Então, por isso que o foco é lá na garotada.

?Voz C

E aí a gente volta com essa discussão que você faz sobre a educação, a gente volta lá para o início da sua reflexão sobre aquele, o que a pessoa espera sobre democracia, né, Galvão? Porque se ela tá esperando algo que a democracia não pode entregar, ela vai para aquele caminho que você falou, que é o da descrença na democracia. Agora, pegando o final da sua fala, a gente também passa por uma situação de muita desigualdade no nosso país, o que certamente dificulta também esse debate, né, Galvão?

Para a gente conseguir avançar, a gente vai ter que conseguir equalizar lá atrás essa discussão, que é um pano de fundo aí bastante complicado, que o Brasil tenta avançar, tem iniciativas importantes, mas ainda a passos muito lentos. Esse é um contexto muito difícil de conseguir chegar nesse nesse futuro que a gente tá almejando aqui nessa discussão, né?

PHPaulo Henrique Galvão

É por isso que eu vou lá no Rui Barbosa, na oração aos moços, no começo do século passado, lá na São Francisco, nas arcadas. Ele destacou a necessidade de tratar de forma desigual os desiguais num país colossal, plural como o Brasil. Só assim a gente vai continuar, vai conseguir diminuir essa desigualdade. Ah, vai terminar? Vai ter uma igualdade total? Não vai. Isso nem é benéfico. Eu explico isso por quê, tá? Mas tratar de forma desigual os desiguais.

Então ainda são necessárias ações afirmativas. A questão, por exemplo, tributária é importante também. A gente teve uma medida recente que é importante, que vai nessa linha, que é você cobrar mais imposto de quem ganha mais e menos de quem ganha menos. Então esse é um exemplo de como a gente pode, de alguma forma, buscar essa igualdade que não vai ser alcançada. Aí eu vou lá no Maquiavel, que ele fala do arqueiro do Maquiavel, né, o arqueiro sagaz.

Ele sabe que ele não vai atingir o objetivo dele quando ele olha o alvo dele lá longe. Ele não vai atingir jogando aqui, ele vai jogar para cima. Então ele vai jogar a seta dele lá para cima para pegar o objetivo que tá lá embaixo. Então tentemos buscar a igualdade total, que não vai ser alcançada e nem é benéfica, para diminuir a desigualdade. É isso que a gente está propondo.

?Voz C

Bom, já deu para acompanhar aí, que é um livro cheio de referências, né? Galvão colocou aí várias das, vários dos pensadores que podem ajudar a gente a refletir sobre isso. E eu queria até aproveitar, Galvão, o Galvão também, além de jornalista, é mestre em relações internacionais, bacharel em história. Você vê paralelos, Galvão? Você vê exemplos de países, de sociedades, de discussões parecidas com essas que conseguiram dar frutos, avançar ainda que nesses contextos mais adversos, e que podem ser exemplos para gente?

Ou a gente tem aí muitas características peculiares de Brasil que acabam dificultando essa comparação? Você consegue fazer algum tipo de paralelo nesse sentido, de bons exemplos para a gente também mirar lá em cima e atingir bons resultados?

PHPaulo Henrique Galvão

Esse é um debate, Muniz, que tá sendo realizado no mundo todo, né? Porque aquele estado de bem-estar social em que o Estado é o provedor do crescimento econômico, ele já se mostrou ineficaz. Ele serviu durante um tempo, mas Mas a gente tá percebendo que isso não funciona, porque o Estado, ele não vai gerar riqueza. É por isso que no aspecto da democracia eu destaco muito a questão, o perigo que a gente passou no governo Jair Bolsonaro de quase uma quebra, uma ruptura institucional.

Mas em relação à situação atual econômica, eu faço as minhas críticas ao governo atual, porque infelizmente a gente tá com uma esquerda atrasada que acha que o crescimento, o motor da economia, tem que ser o Estado. Então o que eu acho que pode funcionar é um Estado social-liberal que abra espaço para o crescimento econômico, mas que ao mesmo tempo tenha mecanismos, ferramentas para melhor distribuir esse crescimento, que é o que não acontece historicamente no Brasil.

Delfim Neto lá atrás falava que o bolo tinha que crescer para depois dividir. Quantos bolos cresceram nas últimas décadas, foram degustados pela elite, pelos donos do poder, por aqueles que estão numa situação de privilégio, e a população simplesmente não sentiu nem o cheiro?

?Voz C

Muito bem. Bom, já deu para ter só por essa conversa aqui um gostinho de tudo que Paulo Galvão discute no livro Quem Você Ajudou Hoje. E tem muitas outras discussões que dá para ter a partir dessa leitura. Faço aqui o convite: Paulo Galvão lança nesta terça-feira, dia 4 de agosto, às 7 horas da noite, este livro lá na Livraria Drummond, do Conjunto Nacional Avenida Paulista, número 2073, esperando por todos os nossos ouvintes que podem passar por lá adquirir um exemplar, já pegar um autógrafo e dar um abraço no Galvão. Galvão, obrigado, sucesso aí com o novo livro, viu? Até uma próxima.

PHPaulo Henrique Galvão

Obrigado, Muniz. Estarei lá pelo menos entre 7 e 10 da noite esperando as nossas ouvintes, os nossos ouvintes, e você também, viu? E os nossos colegas, que eu sei que vão me prestigiar, o que aquece demais o meu coração.

?Voz C

Estaremos por lá, Galvão. Obrigado, bom dia para você.

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