'Convenção para projetar imagem de Lula foi ofuscada pelos novos capítulos do caso Lulinha'
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Conversa de Bastidor com Bernardo Melo Franco. Bernardo. Boa tarde, Sardenberg. Boa tarde, Cássia. Boa tarde, ouvintes da CBN. Boa tarde, Bernardo.
Bernardo em áudio e vídeo e vai nos falar sobre o lançamento da candidatura do Lula, que foi na convenção de domingo, e os novos capítulos do caso Lulinha, que atrapalha a candidatura.
Bernardo. Pois é, Sardenberg, parece que todo o esforço para projetar uma imagem de candidato no domingo na convenção em São Paulo acabou sendo de certa forma ofuscado por esses novos capítulos aí do caso Lulinha, agora envolvendo também os chefes de gabinete do presidente da República. No lançamento na convenção do PT houve uma busca do presidente Lula, Sardenberg e Cássia, por projetar alguma coisa para frente, né, por não fazer apenas uma retrospectiva do que foi o seu terceiro mandato.
O Lula diz lá que não quer ser só o presidente do Bolsa Família, chegou a pedir desculpas por algo que não tenha feito, não tenha conseguido fazer. Isso na linha de combater o principal problema dele nesse momento, que é o fato de a rejeição ao nome dele ainda dar alta e avaliação do governo ser bastante aquém daquilo que esperavam os estrategistas do PT, né? Basicamente, nas pesquisas mais recentes, há um empate entre o segmento da população que aprova e o que reprova o governo.
Portanto, o Lula precisa falar para as pessoas que estão nesse momento reprovando, que estão indecisas, né, reconhecer erros eventualmente, é mais projetar algo para o futuro, sabendo que o eleitor não vota só pelo que foi, mas também pelo que pode vir à frente, né, pelo que virá. Esse caso do Lulinha, Sardenberg e Cássio, os casos que envolvem aí a atuação dessa lobista Roberta Luxíngua, claro, se tornaram uma preocupação maior a partir de ontem, segunda-feira, com a revelação de que o ex-chefe de gabinete do presidente, o Marco Aurélio, conhecido como Marcola, recebeu e confirmou o recebimento de dinheiro da Roberta, né?
Roberta, que é ligada ao Fábio Luiz, filho do presidente, conhecido como Lulinha. O que eu colhi de impressões nessa manhã, Sardenberg e Cássia, foi de que na avaliação geral de pessoas próximas ao presidente, o Marcola foi no mínimo imprudente, no mínimo imprudente, ao receber esse dinheiro que ele afirma ter sido um empréstimo. Porque veja, se você precisa de um empréstimo, geralmente você vai até o gerente do banco, né? Você pode pedir eventualmente para uma pessoa muito próxima, uma pessoa da família, não para um lobista, e muito menos se você exercer um cargo de tanta confiança e tão proximidade com o presidente da República.
Importante lembrar que o chefe de gabinete, ele é quem organiza a agenda do presidente, é quem organiza os encontros, né, o acesso de pessoas ao Palácio do Planalto, ao gabinete presidencial, as pessoas que vão conseguir falar com o presidente pelo telefone, quem que vai ser atendido, quem não vai ser atendido. Portanto, é um cargo de altíssima visibilidade, né, altíssima influência política. E por isso mesmo o seu ocupante precisa tomar precauções, né, cuidados maiores do que uma pessoa comum.
E aí tem aquela discussão que a gente falou mais cedo, Sardenberg, eu vi que você chegou a dizer no ar, que é a questão do tráfico de influência, né. Existe advocacia administrativa quando o sujeito usa um cargo público para favorecer um particular, mas quando ele é um particular caso do Lulinha, tráfico de influência. No caso do Marcola, é que exercia função pública, aí sim será preciso ver no que que dá essa investigação para se eventualmente vai haver a suspeita de advocacia administrativa.
Nesse momento é importante dizer que ele não é ainda formalmente investigado, né? A gente não tem notícia de um inquérito aberto para apurar esse repasse da Roberta para o Marcola. Mas do ponto de vista político, né, a questão já tá colocada na mesa, já foi alvo de comentário de candidatos da oposição, e certamente será uma dor de cabeça daqui para frente para o presidente Lula ao longo dessa campanha. O que o Lula tem feito até agora como estratégia política de defesa é sempre repetir o discurso de que ele dá autonomia para Polícia Federal, de que as investigações vão servir, vão seguir, doa a quem doer, que ele não protege filho.
Não protege amigo. Mas tem um fato aí concreto, que ele afastou, exonerou o Marcola, né, da chefia de gabinete, quer dizer, tirou do governo esse personagem há cerca de 2 semanas, que foi justamente quando começou a circular informação de que havia esse repasse de dinheiro, ainda não especificado o valor também, para ele. E a gente precisa observar agora, esperar agora É se as investigações, né, que já interceptaram, já revelaram mensagens da Roberta, vão fornecer alguma informação sobre a natureza desse repasse, né, se ela tava cobrando algo em troca, se ela estava comprando algum acesso, o que que ela falou, o que que ela deixou registrado em relação a essa transação.