Episódios de Comentaristas

Por que empresas brasileiras estão investindo na contratação de refugiados?

03 de agosto de 20266min
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Rosana Jatobá compartilha que enquanto vários países endurecem as regras para conter a imigração, no Brasil cresce o número de empresas que estão abrindo as portas para refugiados. A especialista destrincha o panorama da imigração no país. Ouça!

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Participantes neste episódio2
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
R

Rosana Jatobá

HostJornalista
Assuntos3
  • Empreendedorismo de migrantes e refugiados no BrasilEscassez de mão de obra · Diversidade nas equipes · Inclusão social
  • Asilo e Refugio· SociedadeLegislação avançada · Acesso a direitos · Proteção contra exploração
  • Pedidos de refúgio no BrasilVenezuelanos · Cubanos · Colombianos · Angolanos
Transcrição11 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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RJRosana Jatobá

CBN Sustentabilidade com Rosana Jatobá. Rosana, como está?

CACarlos Alberto Sardenberg

Oi, Sardenberg, boa tarde para você, para Cássia, para os nossos ouvintes. Boa tarde, Rosana.

RJRosana Jatobá

O tema da Rosana é sobre imigração, que há uma restrição. A gente tem visto problemas de restrição de imigração nos países da Europa e sobretudo nos Estados Unidos, né, a política anti-imigração do presidente Trump. Mas no Brasil as empresas estão abrindo as portas, as portas para refugiados. Essa é a informação da Rosana Jatobá. Rosana.

CACarlos Alberto Sardenberg

Sardenberg, eu quero destacar uma iniciativa que dá medida desse acolhimento aos refugiados, que são pessoas que tiveram que deixar seus países por causa de guerras, violações de direitos humanos e crises humanitárias. É o Fórum Empresas com Refugiados do Pacto Global da ONU, que reúne 160 empresas brasileiras. Só no ano passado, o número de contratações de refugiados cresceu 41%, chegando a cerca de 17 mil pessoas empregadas.

E o melhor é que 98% das contratações são com carteira assinada e 43% dessas empresas já têm refugiados em cargos de liderança. Certamente existem outras empresas no Brasil com programas de recrutamento para refugiados, só que a gente não tem um número consolidado porque não existe um cadastro nacional que informe quantos refugiados estão empregados. Dos 160 mil refugiados que hoje vivem no país, a ONU estima que mais da metade já esteja inserida no mercado de trabalho.

É por isso, gente, que o Brasil é citado pelos organismos internacionais como uma referência em acolhimento e integração de refugiados na sociedade brasileira. A gente desenvolveu uma legislação avançada que dá acesso rápido a muitos direitos. Por exemplo, CPF, carteira de trabalho, direito ao SUS, a matricular os filhos na escola, abrir uma conta bancária. Aliás, a formalização do trabalho é uma boa estratégia para proteger os refugiados da exploração que infelizmente ainda persiste, principalmente no setor têxtil e na construção civil.

A gente lembra o histórico negativo que o Brasil tem com relação aos bolivianos resgatados de trabalho escravo, né, trabalho análogo ao da escravidão aqui no país. E Rosana, conta pra gente quais são as principais nacionalidades das pessoas que chegam ao Brasil com pedido de refúgio. Cássia, todo mundo pensa de imediato nos venezuelanos. De fato, nos últimos 10 anos, mais de 1 milhão e meio de venezuelanos entraram no Brasil. Muitos voltaram para casa, mas hoje a gente tem cerca de 680 mil venezuelanos residindo por aqui.

É o maior grupo de refugiados já estabelecido no Brasil. Mas isso mudou no final do ano passado. Pela primeira vez, os cubanos lideram os pedidos de refúgio, representam 55% das solicitações. Depois sim vem os venezuelanos, os colombianos, angolanos, marroquinos e ganeses, o pessoal de Gana. Então assim, a gente sabe que é uma questão delicada o fluxo migratório. O Brasil não vive uma crise migratória como alguns países da Europa, né, Espanha, Itália, Portugal, Alemanha, Estados Unidos, para onde vai a imensa maioria dos refugiados, né.

Esses países é um contingente estimado em 118 milhões de pessoas no mundo todo, mas o empresariado brasileiro tá buscando formas de acolher as pessoas que vêm para cá. Porque as empresas brasileiras estão entendendo que isso não é apenas uma questão migratória, não é só uma pauta humanitária, é uma questão de negócio. Ajuda a enfrentar a escassez de mão de obra em muitos setores, amplia a diversidade das equipes nas empresas e fortalece a inclusão.

Então é um excelente passo aí que a gente tem que comemorar e pode oferecer cooperação internacional nesse momento em que o mundo vive esse problema, né?

RJRosana Jatobá

Tá certo. Problema grave. Recentemente a gente viu esse episódio lá na Espanha, né, marroquinos procurando entrar na cidade independente de Ceuta, que é uma cidade espanhola. E uma coisa impressionante, né, coisa de 60 mil imigrantes que entraram num dia só numa cidade que tem pouco mais de 80 mil habitantes.

CACarlos Alberto Sardenberg

Desestruturou toda a rotina da cidade, né? Você viu, Sardenberg, as imagens dos saqueamentos Nos supermercados, nas lojas, realmente uma crise humanitária muito severa.

RJRosana Jatobá

É, e a maior parte dos imigrantes já foi, já voltou para o Marrocos, quase todos já voltaram para o Marrocos, e mas a situação continua tensa, né?

CACarlos Alberto Sardenberg

Tensa, muita gente morreu na travessia, um horror.

RJRosana Jatobá

Rosana, obrigado, Rosana, até um beijão para vocês, até amanhã, até mais.

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