Escândalos dificultam discurso anticorrupção tanto para Lula quanto para Flávio Bolsonaro
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Viva a Voz, especial eleições 2026. Apresentação: Vera Magalhães.
Olá, são 7 horas e 3 minutos. Eu sou a Vera Magalhães, você já me conhece aqui do Viva a Voz. Agora, Viva a Voz Especial eleições estreando hoje. Seja muito bem-vinda, seja muito bem-vindo. A gente vai junto até às 8 horas com análise, com bastidores, com um pouco mais de informação sobre essa eleição que tá começando para valer agora. Eu já vou apresentar os meus companheiros de análise de hoje. Pedro Doria vai começar a ficar com a gente todas as segundas-feiras, direto do Rio de Janeiro.
Você já conhece o Pedro da coluna dele de tecnologia nas manhãs aqui com Milton e Acácia, e agora comigo toda noite. Boa noite, Pedro, bem-vindo.
Boa noite, Vera, tudo bom, ouvintes? Vamos lá, essa eleição vai ser uma aventura, né?
Vai, vai ser bom partilhá-la com vocês. Aqui do meu lado, Fábio Zambelli, analista político, jornalista, muitos anos de análise, de cobertura de eleições como essa. Boa noite, Zambelli, obrigada por ter aceitado o nosso convite.
Boa noite, Vera. Boa noite, Pedro. Uma satisfação participar dessa jornada eleitoral aqui do Viva a Voz.
Delícia! É isso, gente, vocês também podem participar. Mandem suas perguntas, mandem suas dúvidas. A gente quer também tornar a eleição algo mais compreensível para todo mundo, os movimentos, os bastidores, aquelas dúvidas que você tem, que acha que são bobagem, Mas que na verdade são importantes. Vou começar trazendo aqui para a gente debater, Pedro Izambelli, as convenções do fim de semana. A gente tá quase no prazo final aí de realização de convenções partidárias.
As alianças estão se definindo agora. Elas são importantes porque dão tempo de TV para os candidatos, definem quem vai contar com palanques fortes nos estados e, portanto, puxadores de votos. Para si. E a gente viu no fim de semana uma convenção importante que oficializou a candidatura do Lula aqui em São Paulo, e outra também em São Paulo um dia antes. A do Lula foi no domingo, no sábado a convenção do governador Tarcísio de Freitas com a presença do Flávio Bolsonaro.
Então aquilo que a gente vem falando há algum tempo, São Paulo como centro nervoso da eleição. Pedro, queria começar passando a bola para você. Hoje foi um dia de pressão em cima do Republicanos. Republicanos é o partido do governador Tarcísio, é também um partido que foi aliado do governo Bolsonaro, mas que hoje tá ali, embora tenha ministério no governo Lula, se diz independente. Mas é o partido que pode dar uma vice ao Flávio Bolsonaro e encorpar o tempo de TV do PL.
O que que você me diz sobre isso? O Republicanos tem interesse de ir com Flávio? Não tem? Vai cozinhar o galo por mais um tempo? E o que é que tá em jogo, né, nessa decisão sobre os partidos irem solteiros ou fecharem uma aliança?
Vera, eu acho que tá evidente que o Republicanos, assim como Progressistas, assim como União, todos os partidos da direita estão fugindo de Flávio Bolsonaro tanto quanto seja possível fugir dele, né? E eu acho que Me parece que existem algumas razões para isso. Primeiro, participar com uma vice quer dizer também participar com dinheiro, e todo mundo já entendeu que as regras de eleição no Brasil mudaram. O que vale mesmo é você ter muito deputado federal na Câmara.
Por quê? Porque deputado federal, quanto mais você tem, mais dinheiro você tem de fundo eleitoral, de fundo partidário. Então, no fim das contas, se o poder tá concentrado no Congresso, se os partidos não precisam mais tanto de presidente da República quanto já precisaram para conseguir soltar emendas, para conseguir fazer sua política local, que é o que vale para 3/5 dos deputados. O que que um partido desses ganha de se unir com a família Bolsonaro, que todo mundo sabe que trai assim que dê?
Houve uma sinalização lá atrás por parte da direita. Se Tarcísio de Freitas fosse candidato à presidência, eu acho que a gente ia ver a direita se unir. Mas era um projeto comum de todo mundo. Um projeto da família Bolsonaro é um projeto da família Bolsonaro. Não é um projeto da direita brasileira. E no fim das contas, se por um acaso o Flávio foi eleito, ele vai precisar do apoio dessa turma e ele vai ter. Mas para que dar agora, né?
Exato. Zambelli, a gente tá vendo uma pressão grande, né? Estão usando de tudo como argumento e eles gostariam de ter a Daniela Marques como vice do Flávio Bolsonaro. Qual que é o raciocínio que pauta a decisão do Marcos Pereira e também dos outros partidos que estão optando por essa solteirice.
Vera, tem alguns elementos políticos, né? Os arranjos regionais desses partidos republicanos, do Progressistas, do União Brasil, eles favorecem a causa da independência, da autonomia, que é importante para esses partidos, como disse o Pedro, formar bancadas numerosas de deputado federal. E essas bancadas não obedecem a lógica nacional, mas a lógica mais paroquial das eleições. Só que tem um outro componente que tá passando, acho que um pouco à margem desse debate, que é o sentimento que esses líderes partidários, principalmente os presidentes de partidos grandes, partidos do Centrão, eles têm com relação aos rumos da campanha do Flávio Bolsonaro.
Para embarcar na chapa do Flávio Bolsonaro, você vai acabar sendo sócio de tudo que essa campanha promover daqui para frente. E tem uma expectativa grande desses líderes partidários do Centrão de que a campanha do Flávio em algum momento radicalize um pouco nos ataques, sobretudo ao Supremo Tribunal Federal. E esses presidentes de partido, ele tem, eles têm preocupações objetivas com relação a investigações, as situações que podem ser ainda objeto de apuração pelo Supremo.
Eles não querem criar um ambiente de confronto nesse momento da campanha, ainda mais com a perspectiva de uma campanha muito acirrada, muito disputada. Eles não estão embarcando num candidato que é favoritíssimo, é um candidato que tem chances, mas tá hoje em desvantagem em relação ao presidente Lula. Então esse cálculo bem pragmático dos partidos de centrão— e é bom lembrar, Vera, que nesse momento, em 2022, o Republicanos e o União Brasil e o Progressistas estavam embarcados na campanha do Jair Bolsonaro, né?
Porque 18 com Geraldo Alckmin, uma boa parte desses partidos, essas opções necessariamente não—
e no final das contas também vão estar na base governista qualquer que seja o eleito. Então os cálculos agora, eles levam muito mais em consideração os riscos de uma coligação do que as vantagens. E isso explica essa demora na tomada de decisão, mas que se encaminha para um distanciamento. É claro que a gente tem que esperar convenções sempre o dia 5, né? E até depois do dia 5 tem um processo de registro que ainda vem pela frente.
Mas a fotografia de hoje não nos autoriza a dizer que haverá ali uma composição do Flávio com algum desses partidos, sobretudo republicanos, progressista e União Brasil. O Podemos também está em discussão, né? A gente está acompanhando nos últimos dias esse movimento. Também acredito que o Podemos não vai embarcar na chapa. Então tudo indica que terá uma chapa aí mais puro-sangue com uma vice do PL mesmo.
Do lado do Lula, ele tentou o MDB, não conseguiu. Garantiu o PSB do Geraldo Alckmin e essa aliança está replicada em vários estados. No domingo, a convenção aconteceu aqui em São Paulo e ele acabou cometendo um ato falho que eu queria trazer aqui para nossa discussão. Vou pedir para o Matheus e para o Anderson soltarem a sonora do Lula na convenção no domingo. Pode soltar.
Qual é o país do futuro que eu vou lhe entregar quando você, Haddad, depois de governar São Paulo por 8 anos, quiser ser presidente da República, ou você, Rafael, porque quem sabe sai do Piauí o próximo, ou quem sabe do Rio Grande do Norte, ou quem sabe do Ceará, ou quem sabe de Pernambuco. De algum lugar vai sair, da Bahia, de algum lugar pode sair.
Pedro, ele pensou rápido e corrigiu ali, né? Mas me pareceu que foi um afago, que não foi um ato falho totalmente, foi um pouco calculado. Afinal, ele tá pondo O Haddad na terceira roubada aí, se não me falha a memória, né?
Haddad, Patrulha Ananias, não são poucos os que o Lula tá botando em roubadas, né? O Lula precisa— a eleição vai ser decidida no Sudeste, né? Eleição presidencial é onde tem indeciso, principalmente nas periferias urbanas de São Paulo, Rio e Belo Horizonte. Então ele precisa de candidatos fortes, ele precisa de candidatos que façam presença, que animem a militância a achar que existe uma chance, mesmo que não exista, como é o caso de São Paulo, como é o caso de Minas.
Fernando Haddad já foi o substituto dele em 2018, quando o presidente Lula foi preso, né? Eu tive a impressão durante um determinado tempo que ele tava preparando dois herdeiros, né? Guilherme Boulos para o caso de o brasileiro querer dar uma guinada para esquerda, e Fernando Haddad para o caso de o candidato da esquerda precisar ser uma figura mais próxima do centro. O Boulos escolheu não estar no PT. O Boulos acabou indo para o PT, eu não lembro.
Acho que não fez ainda o movimento, né? Mas ele não precisou porque ele não é candidato.
Ele é candidato. Então a gente tem essa situação em que o Brasil deu uma guinada para a direita, não parece que vai durar muito, ser tão rápido um retorno a uma simpatia à esquerda. O PT não tem muito nome, né, Vera, para suceder o presidente Lula. E com esse perfil mais moderado, Haddad é o único nome. Incrivelmente, o Haddad é o único nome dentro do PT.
Na convenção do Camilo Santana deram um jeito de pôr lá um repente com o nome dele para inflar o nome dele, mas parece estar algumas casas atrás, né?
Mas ele não apareceu muito no Ministério da Educação, né? A oportunidade dele era ter brilhado no Ministério da Educação.
Não aconteceu, não aconteceu. Zambelli, essa falta de um sucessor foi sempre uma opção para que o Lula fosse a única único caminho à esquerda. Mesmo quando ele ameaçou não ser candidato de novo em 22, ninguém acreditou muito e logo ficou claro que ele ia para mais uma jornada, né? Isso explica o favoritismo, mas também a rejeição do Lula, essa insistência em mais e mais e mais projetos do Lula?
Acho que não foi construído um plano de sucessão nos parâmetros convencionais e o Haddad acabou ficando quase como o único candidato que sobrou ali dentro desse figurino Agora tem uma coisa importante, Vera, que a gente não acredita em coincidência na política. Então essas mensagens do presidente Lula, elas sempre têm alguma finalidade. Hoje, por exemplo, várias fontes com as quais eu conversei me chamaram a atenção para um ponto.
Quando o presidente Lula sinaliza, dá essa, passa essa mensagem para a política de que o Haddad é na linha de sucessão ali, quase que a figura número 1, top of mind dele, ele também faz uma sinalização para um ator nem tão oculto assim nas últimas eleições, que é o mercado financeiro. O mercado tá muito preocupado com o que seria um governo Lula 4 do ponto de vista do ajuste fiscal, das contas públicas, dívida pública. E a sinalização de que o Haddad é que tá nessa linha de sucessão, mesmo que ele não vá ser ministro da Fazenda, que não é o cenário mais provável hoje, ele deve assumir uma posição mais política, né, no próximo governo.
Mas é muito importante para o mercado que tá olhando a previsibilidade já os próximos 4 ou 8 anos entender que nessa linha sucessória, na cabeça do presidente Lula, já existe um nome que para o mercado talvez não seja o melhor figurino que o mercado gostaria para uma função como essa, que exige ali um compromisso mais rigoroso com as contas públicas. Mas o Haddad já se provou enquanto ministro que entre os petistas me parece o mais, além de ser o mais moderado, como disse o Pedro, né, o mais tucano entre os petistas, o Haddad me parece o mais responsável do ponto de vista fiscal, ou pelo menos que demonstre essa preocupação.
E nesse momento a gente tá vendo já isso fazer preço no mercado, as pessoas estão começando a entender que Lula 4 pode não ser tão ruim assim quanto se imaginava no passado. Então o presidente Lula, além dos reiterados pedidos ali do ministro Dario Durigan, né, no sentido de fazer um discurso mais previsível para o ajuste fiscal, quando ele coloca o Haddad na mesa, já quase que fechando a porta para outros pretendentes, ele também agrada um pouco esse público, sistema financeiro, empresariado, que tá um pouco preocupado com o que vem pela frente, né?
É porque os números não são nada bons. Aí uma perspectiva de estouro das contas já em 2027, e não pequena. Além disso, alguns outros fantasmas do passado rondando essa candidatura, né? Porque a gente teve na semana passada abertura de um inquérito para investigar o filho do presidente, o Lulinha, e hoje veio aí a público a notícia de que a Polícia Federal pediu mais dois inquéritos, um deles para investigar se houve tentativa de tráfico de influência do Lulinha e de alguns aliados em outra em outro órgão público, na Dataprev, e um terceiro que a gente ainda não sabe a que se refere.
Então esse fantasma da corrupção que nunca abandonou totalmente o PT é de novo presente na candidatura do Lula, quando parecia que esse poderia ser um problema mais para o Flávio Bolsonaro, razão do caso ali do Master, pedido de recursos para o Dark Horse, para o filme biografia do pai dele, também a questão das rachadinhas. Então o PT de volta a esse noticiário da corrupção. Hoje o advogado do Lulinha falou que vai às últimas consequências, que vai pegar pesado ali, falando em pesca probatória.
Mas é o nome do filho do presidente de novo nas manchetes. Pedro, de que maneira isso acende no eleitor uma ali, uma red flag de que ele já viu esse filme na na questão da Oi, Telemar, na questão da Gamecorp, toda a investigação que orbitou em torno do Lulinha na Lava Jato.
Vera, eu tenho impressão que tá muito evidente que houve farto tráfego de influência nesse governo, né? No final das contas, quando a gente vê pessoas próximas do presidente ganhando presentes muito caros, do que que a gente tá falando? A gente tá falando de tráfego de influência. Não é só O Fábio Luiz, filho dele, é o ex-ministro Guido Mantega, que tava com salário de R$1 milhão como conselheiro do Banco Master, que conseguiu cavar uma reunião do Daniel Boccara, do banqueiro Daniel Boccara do Master, é dentro do Palácio do Planalto com o presidente da República.
É isso, são pessoas que são pagas para facilitar acesso ao poder. Isso quer dizer que o poder entregou alguma coisa? Não necessariamente, evidente. Mas que havia uma abertura desse Palácio do Planalto para tráfico de influência, havia. E pessoas muito próximas do presidente, pessoas a quem o presidente prestava esse tipo de valor. Imagina se o presidente Lula não sabe exatamente por que Guido Mantega tá fazendo esse pedido de reunião.
O presidente decidiu dar isso de presente para Guido Mantega: receba o Daniel Bercaro. Então são essas, essas ondas. Quando a gente lembra o fato de que a Petrobras computou oficialmente um desvio de R$42 bilhões por conta do petrolão. É essa sombra que volta. Agora, existe uma diferença fundamental, me parece, nessa eleição em relação a quaisquer outras presidências, eleições presidenciais passadas, que é o seguinte: R$25 milhões prometidos, de dólares prometidos para Flávio Bolsonaro é por conta do filme Dark Horse.
Ganhou metade. Tudo indica que Eduardo Bolsonaro foi para os Estados Unidos gerir esse dinheiro, né? Porque ele foi para os Estados Unidos exatamente exatamente no momento que tava sendo montado o fundo para receber esse dinheiro do Daniel Boccaro. Então, é, a impressão que eu tenho é que se a eleição de fato ficar nesse cenário, Lula e Flávio, Bolsonaro, é difícil o eleitor argumentar que ele tá votando contra a corrupção, né? É porque a sombra tá em ambos os candidatos e com muita força.
Exato, uma coisa meio anula a outra, mas é incrível a reincidência do PT com os mesmos personagens em questões muito parecidas, né? Porque o Lulinha, ele era ali técnico adjunto de futebol, dava aula de educação física em São Bernardo e ascendeu muito rapidamente, inclusive em termos patrimoniais, no governo Lula 1 e 2. Teve todo um aporte de recursos da Telemar na empresa dele, que era concomitante com aquela discussão sobre a fusão ali, aquisição da Oi.
E isso se repetir com o mesmo personagem. E aí o Lulinha, toda essa atividade empresarial dele meio ficou dormitando nos anos em que o PT ficou fora do poder.
E aí agora o empresário, o empresário Fábio Luiz Lula da Silva, é impressionante.
Atividade empresarial dele volta a acender com esses personagens, a Roberta, os outros amigos que ele foi apresentando aqui e ali. É incrível que não tenha tomado um cuidado mínimo, né, Zambelli? Isso depois do Lula conseguir reverter uma série de ações da Lava Jato, né?
E você trouxe um ponto importante, que nessa eleição polarizada, estamos falando na verdade de uma eleição em que a rejeição vai decidir essa eleição e não a aprovação, não a aderência dos eleitores a determinado candidato. Então Numa competição de rejeições, o tema reputação passa a ser muito mais importante do que uma eleição tradicional, porque nós tivemos o episódio Dark Horse que afetou ali de forma bastante objetiva a reputação do Flávio Bolsonaro e, por consequência, a sua rejeição.
Hoje, a maior parte dos institutos mostra que o Flávio tem alguns pontinhos a mais de rejeição que o presidente Lula, quadro diferente do registrado no mês de abril. Então mostra que teve um impacto reputacional. Quando existe também um episódio no campo ético que afeta a figura do presidente Lula, e de novo o filho do presidente Lula, envolvendo ali uma relação mais objetiva com o poder público, com recursos públicos, né? Isso de alguma maneira colabora com a tentativa de transportar também um momento de rejeição para sua candidatura.
Então nessa eleição, como disse o Pedro, não tem uma competição mais pelo monopólio da virtude, né? Ali tá todo mundo tentando mostrar que alguém cometeu mais deslizes que o outro, né? E nesse aspecto, independente do aspecto jurídico das investigações que ainda estão em curso, nós temos sempre que observar o cuidado com essa, o curso das investigações. O simples fato da denúncia e de não ter sido uma, duas, três, né, é uma coisa, parece reincidente.
Isso ajuda o eleitor a formar no seu imaginário a ideia de que não tem ninguém muito puro nessa disputa.
E vocês acham que isso ajuda de alguma maneira os outros candidatos que estão ali tentando chegar nesse páreo e se mostrar viáveis? Caiado, Zema e principalmente o Renan Santos, que deve ser quem mais vai surfar nesses assuntos.
Eu tenho impressão, Vera, eu vou usar os números da nossa pesquisa Meia Ideia porque eu conheço os microdados por ser um dos organizadores. Então eu tenho na cabeça, mas eu sei que a Quest, por exemplo, tem números muito similares. O presidente Lula tem uma margem de voto sólido que pertence a ele de 35%, 36%. Flávio Bolsonaro tem algo sólido mesmo, é só 12%, 13%, mas tem uns 10% a mais que é o eleitor que não tá nem olhando, não tá nem procurando.
Então ele tem algo que a gente pode chamar de 25% de base. O potencial de voto do Flávio, porque o antipetismo é muito maior do que isso, o potencial de voto do Flávio impulsiona ele para próximo do presidente Lula e não tá garantido de forma alguma no segundo turno uma vitória do Lula. Agora, dentro desse eleitor brasileiro que é conservador, 60% mais ou menos dos eleitores brasileiros se posicionam à direita nos seus valores, existe também uma resistência muito grande ao presidente, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Então a aposta que qualquer um dos outros 3 esses candidatos, né, os ex-governadores Ronaldo Caiado e Romeu Zema e o Renan Santos do Missão, aposta que eles têm de fazer é muito simples. Eles precisam apostar que alguma coisa vai acontecer, um vídeo vai vazar, mais um áudio do Boccaro vai aparecer, alguma coisa acontece e Flávio Bolsonaro derrete. É isso, Flávio Bolsonaro. Pois é, se o Flávio Bolsonaro perde uns 10 pontos, eu acho que o eleitor do Flávio começa a olhar para o lado.
Mas isso precisa acontecer, o erro tem que vir do Flávio, me parece difícil, né, Zambelli? O Caiado tava num jantar na semana passada e aí parece ter caído a ficha que nesse primeiro turno a disputa dele é com o Flávio, que são duas eleições diferentes. E é o mesmo caso dos outros, né?
Os candidatos da chamada terceira via, eles não são de centro, eles são de centro-direita. Então eles estão disputando o mesmo eleitor que o Flávio Bolsonaro e muitos deles, sobretudo o Caiado e o governador Zema, eles se dizem bolsonaristas. Então a dificuldade de você atacar um candidato que é filho do ex-presidente Bolsonaro é enorme. E tem um exemplo, acho que bastante prático do que você perguntou, né? Como é que é a conduta desses candidatos diante de casos de corrupção ou denúncias que cercam ali as duas campanhas?
O ex-governador Zema, quando foi o primeiro a apontar ali para o Flávio Bolsonaro depois do áudio do Dark Horse, o áudio do Vorcaro, ele caiu nas pesquisas. As pessoas começaram a questionar inclusive a possibilidade do Zema ser candidato pelo Novo no resto do país. O Caiado, na semana passada, na sua convenção, também foi para cima do Flávio de forma indireta e caiu nas pesquisas. Então a resposta que o eleitorado dá para alguém que questiona o bolsonarismo mostra o tamanho do desafio que eles têm de falar de temas éticos, mesmo quando eles comprometem ali um candidato que interessa para eles.
No caso, nesse momento interessa para o Zema, interessa para o Caiado que o Flávio evapore do ponto de vista de intenção de voto. Mas ele, quando eles vão para cima, eles são—
é, acho que a receita, pelo que eu vi, pelo menos no caso do PSD, vai ser assim, dizer: olha, se for com o Flávio, Lula ganha. Então vota em mim, que eu sou a garantia que vai ganhar do Lula. Mas esse é um debate ainda para muitos programas. A gente precisa fazer um Rápido intervalo e voltamos já já com mais Viva a Voz. Não sai daí que a gente continua aqui e vem Bruna Barbosa, repórter, para trazer bastidores ainda disso que a gente tá falando.
Viva a Voz especial eleições 2026. Viva a Voz, especial eleições 2026. Repórter CBN.
Segunda-feira, 3 de agosto de 2026. O Supremo Tribunal Federal ampliou a isenção prevista na regulamentação da reforma tributária para compra de veículos por pessoas com deficiência mental e pessoas com transtorno do espectro autista. Por unanimidade, os ministros derrubaram um trecho da lei que restringia o benefício apenas a casos classificados como moderados ou graves. A medida permite agora que a alíquota zero do IBS e CBS passa a valer independentemente do grau da deficiência.
O ministro das Relações Exteriores informou que a diplomacia brasileira vai analisar a íntegra da entrevista em que o presidente da Argentina, Javier Milei, chamou o presidente Lula de ladrão e corrupto. O governo Lula decidiu que não haverá uma resposta institucional imediata. O objetivo é evitar confrontos verbais diretos. A orientação inicial do Palácio do Planalto é ignorar as declarações e não dar palanque político às provocações.
Cuba enfrenta um apagão pelo segundo dia consecutivo. O sistema de geração de energia do país está sob forte pressão devido à escassez de combustível, a deterioração da infraestrutura e ao bloqueio de petróleo imposto pelos Estados Unidos. Havana atribui a crise às sanções impostas por Washington. Já a Casa Branca afirma que os apagões são consequência da má gestão da economia cubana. No horário de Brasília, 7 horas 34 minutos.
Repórter CBN, as principais notícias do dia a cada meia hora.
Estamos de volta com o Viva Voz especial de eleições, hoje com Pedro Doria e Fábio Zambelli. Tô recebendo várias mensagens aqui de Se você também quiser falar com a gente, o nosso WhatsApp é 11 9911-9981. Eu tenho aqui a mensagem do Edilton, ele tá dizendo que não vai perder nenhum viva voz, que ele é do Parque Independência, é isso, e não vai perder nenhum. Obrigada, Edilton, pela sua audiência. A Milena também de Brasília falando que tá na escuta, falou é nós.
Achei o máximo o Viva Voz como programa independente. Obrigada, Milena. Tem algumas dúvidas também dos ouvintes que eu vou trazer à medida que a gente for tratando dos assuntos. No último sábado aconteceu aqui a convenção do governador Tarcísio de Freitas, uma convenção com muita presença ali de políticos e de público, e com a presença do candidato, pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro. Ainda existe essa dúvida quanto a uma aliança formal, Mas ninguém tem dúvida da importância do Tarcísio como cabo eleitoral do Flávio nesse estado, que é o estado aí que vai centralizar, que vai ser o centro nervoso da eleição.
A gente vai soltar uma sonora do que o Tarcísio falou nessa convenção, já mostrando o quanto ele tá sendo cobrado e sabe que tá a ser fiel ao bolsonarismo. Pode soltar, Chicão.
Queria agradecer, Flávio, ao presidente Bolsonaro que me abriu essa porta lá atrás. Que me permitiu fazer aquilo que eu gostava, fazer infraestrutura pelo Brasil, que me incentivou. Uma pessoa, Flávio, que nunca trouxe vitória nenhuma para ele, sempre compartilhava com o time. Ele me fez, e ele teve essa ideia, ele tinha genialidade, ele tinha um carisma que eu nunca vi igual, e ele me abriu essa porta. Nós amamos teu pai, nós amamos Jair Messias Bolsonaro. Obrigado por tudo.
E para falar dessa convenção, dos bastidores dessa relação, aí tá conosco a Bruna Barbosa, nossa repórter aqui da CBN, que tá em campo, por isso não tá hoje em vídeo. Boa noite, Bruna! Como é que foi lá no sábado? E desde então, o que que você já colheu de bastidores a respeito dessa relação PL-Republicanos, Flávio Tarcísio?
Oi, Vera, boa noite para você e para todos. Parabéns pela estreia pelo programa, muito bom estar aqui com vocês. Olha, enquanto o governador Tarcísio de Freitas chegou para essa convenção com apoio de 12 partidos, o cenário de Flávio é completamente diferente, né? Então ele acabou usando muito dessa convenção também para fazer um momento de articulação política da campanha presidencial, e de certa forma era o que o Republicanos também temia nos bastidores, de como senador iria se posicionar nessa convenção.
Mas ele aproveitou para fazer ali alguns acenos públicos para dirigentes de legendas que estavam lá. Tarcísio conseguiu reunir todos os representantes dos partidos aliados. Então Flávio aproveitou esse momento, agradeceu o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, pelo apoio aqui em São Paulo, e fez um gesto direto à presidente nacional do Podemos, a deputada Renata Abreu. Eu aproveito para já colocar uma informação que chega agora aqui nesse, nessa nossa conversa, porque há uma discussão em torno do que vai acontecer hoje com a vice do Flávio e uma reunião envolvendo a deputada Renata Abreu, que hoje também é cotada como uma das vices.
Essa reunião ainda não aconteceu, Vera, tava prevista para parte da tarde, mas Renata Abreu está no Tocantins. Quando terminar a convenção do Podemos no Tocantins, ela vai se reunir com o diretório do Podemos para essa discussão. Mas fato é que Flávio já começou, viu? Falou que ela deve ajudá-lo em Brasília a resgatar o país.
Bom, é aquela coisa de tentar pelo menos um partido para encorpar o tempo de TV e essa importância que ele tá dando até uma mulher como vice, né, Zambelli? No frigideiro dos ovos, você acha que isso faz alguma diferença realmente?
Acho que faz diferença, mas nesse momento o cenário é muito adverso para o Flávio no sentido de agregar apoios. E ali dentro da campanha a gente tem ouvido cada vez mais que O nome da deputada Priscila Costa, do Ceará, é o nome hoje mais factível para ser, para compor essa chapa, que seria uma chapa puro-sangue com Flávio. Renata Abreu, Tereza Cristina foi o movimento da semana passada também. Todos esses movimentos, Daniela Márcia, esses movimentos desses vices republicanos progressistas, Podemos, eles vão sendo minados pelas direções nacionais dos seus respectivos partidos, que estão mais interessadas em manter essa autonomia na disputa nacional.
Mas com relação a esse banho de São Paulo, né, que o Flávio tomou, Flávio veio para cá na quinta-feira, se reuniu com empresários, depois com o prefeito Ricardo Nunes, com vereadores, que é bastante incomum nessa época da campanha, né, reunir vereadores. E depois no sábado participando da convenção do Tarcísio, acho que tem uma conta muito objetiva que tá sendo feita pela campanha do Flávio, e ela remete a 2022. Em 22, Lula e Haddad venceram Tarcísio de Freitas aqui na Grande São Paulo e capital, né?
Existe uma expectativa na campanha do Tarcísio que ele melhore o desempenho dele pessoal enquanto candidato à reeleição ao governo do estado nessa região metropolitana de São Paulo. E na campanha do Flávio tem uma expectativa de colher um pouco esses dividendos. Se o Tarcísio melhorar um pouquinho o seu desempenho, até por ser governador, entregar obras, investimentos nessa região, o Flávio poderia ser beneficiado também por essa onda.
Então tem uma contabilidade aí das campanhas de que é importante criar uma sinergia da campanha do Flávio para o Tarcísio, embora não seja tão natural, até pelas dificuldades que ambos enfrentaram no transcorrer desse tempo todo, né? O Tarcísio era um postulante à presidência que perdeu ali essa disputa interna. Então tem um resquício desse processo ainda, mas no entendimento das duas campanhas, nesse momento essa simbiose acaba sendo positiva, porque o Tarcísio também não pode ficar, Vera, com a pecha de traidor.
Agora, o Pedro, tem uma possibilidade dele fazer ali uma coisa protocolar de apoio ao Flávio Bolsonaro sem se empenhar tanto. Hoje eu conversei com um dirigente importante do Republicanos que, diante dessas tratativas, eu perguntei o empenho do Tarcísio. Ele falou, ah, ele tá ali ajudando, mas sem muito entusiasmo. É provável que o Flávio Bolsonaro vença no estado de São Paulo. Ele sempre vai poder dizer que fez a parte dele. Tô correta?
Eu acho que é bastante provável. Que o senador Flávio Bolsonaro vença no estado de São Paulo. O problema é que ele não precisa vencer no estado de São Paulo, ele precisa fazer no estado de São Paulo a maioria necessária para vencer do presidente Lula nacionalmente. O problema da conta é esse, o problema não é vencer. Vencer em São Paulo por um Flávio Bolsonaro é fácil, não é difícil. De que desenho que a gente está falando aqui?
O Felipe Nunes da Quest, que sempre faz esse desenho, acho que bastante bem. É, dois eleitorados definiram a eleição para o presidente Lula em 2022: mulheres da periferia urbana de Rio, São Paulo e Belo Horizonte, e vamos chamar de os órfãos dos tucanos, né, aquele eleitorado centrista, liberal progressista principalmente concentrado na cidade de São Paulo, principalmente concentrado na cidade de São Paulo. Esses dois grupos que não costumam votar no presidente Lula votaram no presidente Lula.
É esse, esse público da classe média tradicional paulistana tá mais difícil esse ano para o presidente Lula. E essas mulheres que têm valores conservadores da periferia, que têm valores conservadores que a militância de esquerda não suporta por serem evangélicas, né, e tudo mais. Elas são mulheres que têm valores conservadores e portanto não gostariam de votar no presidente Lula, mas ao mesmo tempo tem muita preocupação com a qualidade de retorno do serviço público.
E aí tem imensa preocupação com uma candidatura Flávio Bolsonaro. Essas mulheres possivelmente vão definir essa, essa eleição. E embora estejam no Rio, em São Paulo e Belo Horizonte, elas estão muito mais na cidade de São Paulo do que no Rio e Belo Horizonte. Então a chave é essa.
Aqui é onde vai estar o pote de ouro dos votos. A gente vai falar muito disso até outubro, tá? Vocês vão cansar de ouvir análises falando de São Paulo, mas é porque de fato é relevante. Eu vou para mais um break, não sem ler a mensagem do Thiago Xeregati, da MOCA, dizendo que a gente tá num dream time aqui e dizendo, Pedro, que você é muito preciso, tem que manter isso aí, o que me remete ao Com o Supremo, com tudo. E a gente fala de Supremo no próximo bloco, tá certo? Até já, gente!
Viva a Voz, especial eleições 2026. Viva a Voz, especial eleições 2026.
Estamos de volta, também recebendo ainda muitas mensagens. Queria agradecer a mensagem do Thiago da Moca, que eu já citei, o Alan Pepe de Recife, Alexandre Borges também dizendo que tá gostando do Viva Voz Independente. Obrigada! Tem algumas com perguntas que eu vou deixar para a gente responder no final, pessoal. Bom, hoje foi a volta dos trabalhos do Judiciário depois de um breve recesso, e foi ali marcada por um discurso do Ministro Luiz Edson sobre as críticas que muitas vezes o Supremo Tribunal Federal recebe.
A gente vai ouvir um trechinho dessa fala do Fachin e depois trazer aqui outros temas ligados ao Supremo e ao Judiciário. Pode soltar.
É oportuno também reafirmar que a força institucional do Supremo Tribunal Federal não reside na ausência de crítica, e sim na capacidade de conviver com ela sem perder a serenidade necessária ao exercício da função jurisdicional. Um tribunal constitucional que decide todos os dias temas de grande repercussão social há de aceitar como natural que suas decisões sejam debatidas, analisadas e por vezes contestadas pela opinião pública.
Pedro, o ministro tá aí respondendo algo que aparece também nas pesquisas, que aparece na crítica dos políticos, e que vai ainda tá muito presente no segundo semestre, porque tem muita casca de banana solta por aí. Queria te ouvir sobre essa pauta carregada do Judiciário. A gente tem aí só de cabeça é a questão do Flávio Bolsonaro com uso de IAC, tá no Tribunal Superior Eleitoral, mas também no Supremo, porque pode ter consequências para condicional do Jair Bolsonaro.
A decisão sobre a eleição aí no Rio de Janeiro que até agora não saiu, tá marcada para o dia 18 agora. Uma decisão que talvez nem saia sobre a validade da lei da ficha limpa, porque o Ministro Gilmar Mendes pediu vista e sentou em cima disso. Digamos que o Supremo e o Judiciário também abrem alguns flancos para serem criticados, né?
Nossa, é claro. E aqui no Rio de Janeiro a gente tá com governador interino Tudo indica que a gente vai terminar o ano com governador interino, né? E se por um lado muitos cariocas respiram aliviados, isso existe, tá, Vera? É, por outro, é evidente que é uma situação completamente irregular. Por pior que seja a Assembleia Legislativa do Rio, e é, segundo a própria PF, metade dos deputados estaduais estão sob investigação por envolvimento com crime organizado.
Deveria ser a Assembleia Legislativa que elegia o governador, né, na ausência de governador e vice, como é o nosso caso. Mas enfim, a situação concreta é, e isso acho que é a grande novidade desses últimos 4 anos, a gente vai chegar a 2027 com um novo presidente, com Supremo na berlinda também. Isso nunca tinha acontecido na Nova República. O brasileiro desconfiado também do Supremo Tribunal Federal. E me parece, Vera, que muito mais grave do que tudo são essas, é essa relação de ministros do Supremo com patrocinadores como Daniel Porcaro, como muitos outros.
A ligação do ministro Gilmar Mendes com a CBF, como assim? Por que que isso acontece? É as muitas viagens, as muitas degustações em restaurantes com fornecedores de bebidas muito caras e tudo mais. O ministro Edson já anunciou que gostaria que o CNJ tivesse regras controlando todos os juízes do país, menos, né? Então a gente vai chegar no ano que vem com— lembra um pouco a eleição de 2016, né? Com a Lava Jato começando a ferver, chegou 2017, a Lava Jato explodiu.
A impressão que eu tenho é que isso vai acontecer em 2027, 14, 15, né? Essa coisa, desculpa, 2014, 2015, isso, mas Mas concordo com essa analogia, acho que ela faz sentido. Agora, Zambelli, essa resolução que o Fachin tá tentando passar no CNJ, isso deve ser discutido amanhã, em que o Pedro falou, parece que tem ali algumas sugestões para os tribunais que não atingem o Supremo. Parece que ele tomou um atalho, né, porque ele queria fazer um código de conduta que fosse para os ministros do Supremo, chegou a designar a ministra Cármen Lúcia como relatora, e esse assunto meio sumiu do mapa. Porque não foi bem recebido pelos pares, né?
O que chama atenção nesse caso é que essa declaração do Ministro Fachin, que deveria ser uma declaração protocolar e até óbvia, né, de dizer que a Suprema Corte não está imune a críticas, ela é notícia. Ela é notícia aqui no Viva Voz e será notícia em vários telejornais, porque é preciso que o ministro venha dizer o óbvio. Às vezes o óbvio é preciso ser dito, né, por uma autoridade como presidente da corte. E aí a gente tem tem que mencionar, como você já relatou, Vera, é digna de nota essa persistência do Ministro Fachin em tentar estabelecer alguns parâmetros, já que ele não vai conseguir vencer essa batalha.
Como você mencionou, ele já sofreu um revés dentro da corte quando tentou implementar um código de condutas, que ele tente de uma outra via, né, pelo CNJ, que é uma articulação quase que do ponto de vista institucional, para estabelecer alguns parâmetros para conflitos de interesse. Que essa me parece uma demanda inequívoca da sua gestão, né? E ele, o fato dele não ter desistido desta causa, é que me parece que hoje é o mais importante, é o movimento mais importante dentro da corte, que me parece não estar afeita a estabelecer mecanismos que não seja a própria autocontenção que a gente tá vendo, que não é muito bem resolvida dentro do Supremo, nem recebida, né?
A gente vai ter aí nos próximos dias alguns embates institucionais que a gente vai a gente vai discutir melhor aqui, mas um deles que tá contratado é essa questão a respeito do vídeo de IA exibido na convenção do PL há uma semana e que divide de certa maneira o Ministro Alexandre de Moraes e o Ministro Cássio Nunes Marques, que é o presidente do TSE e também relator desse caso. Quando sair uma decisão, a gente vai tratar aqui no Viva Voz, mas claramente esses grupos que são grupos de influência dentro do Supremo também estão espraiando essas disputas para a Corte Eleitoral, e isso certamente vai ser um tema da campanha.
Não queria terminar sem responder algumas perguntas aqui. Vou passar uma para você, o Pedro, é sobre a respeito da interferência internacional nas eleições. Um ouvinte traz a questão das novas críticas do Javier Milei e a questão do tarifácio do Trump. Pergunta como que o Flávio Bolsonaro vai conseguir, nas palavras dele, acochambrar o seu discurso, já que no momento ele defendeu o tarifácio, depois pediu para o Trump só tarifar após as eleições.
Aí a gente aproveita e trata um pouquinho também das novas declarações do Milei. A mensagem veio do Paulo Piazza.
O que eu diria para o Paulo é o seguinte: o Flávio não vai conseguir O que uma das coisas que as pesquisas todas deixam muito claro é que o eleitor brasileiro entendeu que as tarifas são Flávio, Flávio são as tarifas. O que vem de Donald Trump é para favorecer Flávio. Alguns eleitores vão achar que é positivo, alguns eleitores vão achar que é negativo, mas fingir que não há relação não é algo que me parece que o Flávio vai conseguir fazer nessa eleição.
Agora, tem um detalhe que o Christian Lynch, né, o cientista político Christian Lynch, chama atenção, que eu acho que ele tem muita razão, que é o seguinte, tem uma característica particular do brasileiro e do mexicano, do conservador brasileiro e do conservador mexicano, que é o seguinte: são muito nacionalistas. Então não é positivo para o Flávio essa, esse apoio externo. Isso não necessariamente conta a favor, nem Trump, nem Milênio também.
Exato, concordo com você, Zambelli. O Marco Gomes Tá perguntando aqui se seria possível cobrar dos candidatos uma maior efetividade na apresentação de planos de governo, porque tem temas muito importantes e eles quase nunca são tratados.
Esse é um tema super relevante, Vera. Lembrar que em 2022 nenhum dos dois principais candidatos apresentou programa de governo, né? O presidente Lula, nas vésperas do segundo turno, apresentou ali uma carta de alguns compromissos redigida pelo então coordenador do programa, Luiz Mercadante, mas não tinha um plano de governo, até porque foi desestimulado pelos marqueteiros. O plano de governo passou a ser um problema para as campanhas, que se assume ali uma série de compromissos, cria muitas arestas para articulação política, para composição com alguns grupos importantes nas eleições.
Tem algumas expressões que aparecem nos programas de governo que são meio proibidas aí para esse momento, né, de conquistar o apoio do eleitorado. Reformas, reformas. E também você pode ter palavras proibidas, você não pode desagradar às vezes o evangélico, você desagrada o outro eleitor, o mais conservador. Então Então eu entendo que até a legislação precisa se aprofundar um pouco no sentido de cobrar dos candidatos não que apresentem ali uma carta com 3 ou 4 intenções, como é hoje a legislação, ela não obriga um programa de governo que possa ser dissecado, possa ser auditado, mas no momento em que a legislação não obriga os candidatos a fazê-lo, ela delega aos marqueteiros a decisão sobre vamos assumir alguns riscos e comprar algumas brigas, porque assumir compromisso exige, né?
Explicar como fazer também, acho muito importante, né? O programa de governo é fácil ser feito, ainda mais hoje, o Pedro conhece bem as ferramentas de IA ali, você desenvolve um programa de governo robusto de uma hora para outra. Agora, o mais importante é como fazer. Os candidatos me parecem interessados em entrar nesse detalhamento, nessa explicação na campanha, porque tem mais ônus do que bônus.
Mais ônus do que bônus. Tem toda uma discussão sobre desvinculação de recursos orçamentários, que também é uma Casca de banana da qual todo mundo vai tentar fugir ao máximo, nova reforma da Previdência, enfim, temas difíceis. Eu agradeço a participação de todos, não consegui abordar todas as mensagens, mas a gente vai melhorando aqui ao longo dos próximos dias. Já fica o convite para você voltar amanhã, a gente vai ter a Thaís Oyama e excepcionalmente o Thiago Bronzato, que é o nosso comentarista das quintas-feiras.
E vai vir na terça porque ele não pode na quinta. Obrigada, Pedro, por hoje. Já te espero segunda que vem.
Até.
Obrigada, Zambelli. Fica o convite para voltar em breve com a gente.
Obrigado, Vera. Boa noite.
Obrigada a todos. Aqui o Viva Voz Especial tem produção de Mateus Leite, assistência na produção do Sueliton Viana e trabalhos técnicos do Anderson Wendel. Obrigada pela sua companhia. Todo o nosso programa vai estar à disposição aí nas plataformas digitais. Até amanhã!
Viva a Voz, especial eleições 2026. Apresentação: Vera Magalhães. Hey, it's Ryan Reynolds here from Mint Mobile.
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