IA reproduz preconceitos e amplia desafios para as mulheres, avalia especialista
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
Petra
Rosário Pompeia
- Adaptação individual à evolução da IASuperar a negação sobre o impacto da IA · Investimentos altos e irreversibilidade da IA · Responsabilidade familiar na preparação para IA
- Igualdade de GêneroViés de gênero e raça em sistemas de IA · Impacto em análises de crédito e benefícios · Sub-representação feminina no desenvolvimento de IA · Aumento do assédio digital contra mulheres
- Participação das mulheres em IATempo reduzido para aprendizado de novas tecnologias · Custo de cursos e assinaturas de IA · Priorização de orçamento para capacitação
- O Papel da Comunicação e MídiaAnálise crítica da mídia no currículo escolar · IA potencializando a disseminação de informação · Responsabilidade das escolas em debater IA
- Criação de cargos na administraçãoAutomação de cargos repetitivos e administrativos · Mulheres em cargos administrativos mais afetados
- O papel da tecnologia na sociedadeNecessidade de políticas públicas para inclusão · Participação feminina no mercado de trabalho · Luiza Trajano
Revista CBN Tecnologia com Rosário Pompeia, já conexão São Paulo-Recife. Tá em Recife, minha amiga? Tá em Recife?
Tô em Recife, tô em Recife. Que saudade de você!
Gente, que saudade, porque as coisas vão acontecendo, aí tem férias, aí programa especial, aí vem Flip, aí na Globo, aí ela sai de férias, e a vida, o tempo escorrendo pelas nossas mãos, né, Rosário?
Foi, foi, mas estamos aqui de volta vendo suas postagens. Você não me chame para reunião na hora do almoço, eu também, eu detesto.
Não me chame para reunião assim. Aí a pessoa tá lá Aflita, com fome para comer. Aí aquele barulho no restaurante que tem que fazer pedido e você querendo ter uma conversa com a pessoa, fazer a reunião. Ah, pelo amor de Deus, quando que inventaram reunião de negócio na hora do almoço?
Teu amigo Silvio Meira adora reunião na hora do almoço, né?
É um maluco, é um maluco. Por isso que tem que ter você e ele, né, para contrabalancear a doideira. O Silvio é daqueles que deve otimizar o tempo ao máximo, né, Rosário?
É verdade, né? Almoço, café da manhã, é jantar, e se deixar de madrugada tem reunião para otimizar o tempo.
É isso, a cara dele, minha amiga. Deixa eu te fazer uma pergunta aqui no nosso quadro. Você gostou da vinheta nova, da trilha bonita?
Gostei, gostei de tudo, tá lindo. Eu também queria mais tempo no CBN. Se puder ter alguma manifestação, vai ter que pedir para direção.
O pessoal vai ter que pedir para ele. Vamos lá, 5 horas de Revista CBN, vamos lá fazer. Eu não dei ideia, tá, galera? Eu não dei ideia. Rosário, Uma coisa super importante é quando é que a inteligência artificial aprende o preconceito. Inclusive, esse é um alerta, né, de quem tá de olho no funcionamento, na programação da IA, essas IAs que a gente vem usando aí. Me fala um pouco mais sobre isso.
Veja, tem uma coisa que eu tô estudando bastante, comecei a aprofundar mais ainda, é sobre a IA e o impacto nas mulheres. Tem essa questão do preconceito, que é o que a gente olha e vê logo de cara. Veja, a IA ela chega num mundo que não é um mundo desigual, ela aprende como o mundo é. Então ela tem esse impacto, mas eu queria falar depois de outro impacto que achei bem interessante dividir com você. Então veja, essa questão do preconceito, ela pega, foi analisado inclusive no relatório da ONU, 133 sistemas. 44% tinha uma questão de viés de gênero, 26% tinha gênero e raça.
O que que acontece nisso? Isso vai impactar naquela análise de crédito que a gente pede muitas vezes, impacta no poder da mulher, do preconceito. Será que essa mulher vai ter condições de pagar? Exemplo, concessões de benefício, seguro, ele vem com um viés porque ele coloca a mulher no papel cada vez mais de casa, de pouca capacidade de rentabilidade. Então ele tem esse viés que se— aí vem o outro problema. Como a mulher muitas vezes não está na criação daquela tecnologia, na criação daquela IA, né, 30% da força de trabalho da IA tem mulheres e 12% só em cargo executivo, veja a redução como é muita, ou seja, as mulheres não têm capacidade de decidir o impacto que é causado por uma IA.
Então ela não consegue ver os dados que são utilizados, não tem um olhar atento do que é considerado normal por um IA, porque ela não tá nesse processo de criação da tecnologia. Então a gente tem um problema do viés, do preconceito, e a gente não tá lá para poder mudar isso. E a violência também, né? 58% nesse relatório da ONU das jovens disseram que aumentaram o assédio digital em relação a isso. Mas tem um ponto, Petri, que me chamou muita atenção, que eu nunca tinha parado para pensar.
Que é: IA exige um tempo, tempo para aprender. E aí tudo começa um pouco nesse sentido, nesse sentido de tipo, quando eles fazem uma reflexão, né, esses vários estudiosos, muitas mulheres discutindo sobre isso, qual é o tempo que a mulher tem para aprender sobre inteligência artificial comparado ao homem? Aí vamos para nossa realidade bonita, que é acordar, preparar muitas vezes o café da manhã, levar o filho no colégio, organizar a casa, é o trabalho.
Então a gente tem o tempo da gente, querendo ou não, ele é mais reduzido para aprender sobre novas tecnologias, porque o homem em outra posição na sociedade hoje ele tem mais tempo para se dedicar a cursos, a entender melhor do que tá acontecendo. E eu nunca tinha parado para pensar sobre esse aspecto. Eu só pensava aí na lógica de tipo, eita, tem o preconceito, a gente não tá, não tem, não tem esse impacto. Tem um outro impacto que é importantíssimo, que é o impacto que a gente, das mulheres, elas vão ser mais afetadas pela IA, porque os cargos que o que a IA vai afetar são cargos muito administrativos.
Então quem está em cargo administrativo, que é de educação, serviço, cargos repetitivos, que vai ser muito mais fácil automatizar, quem tá lá mulher. Então nunca tinha parado para pensar nesses dois pontos: o tempo que a gente precisa para poder, poxa, agora eu vou, 10 horas da noite, agora eu vou poder estudar. Todo mundo tá dormindo, os meninos foram dormir, o jantar foi servido, vamos agora estudar, 10 horas da noite. O homem muitas vezes, logo que acaba o trabalho, ele tá ali disponível para conseguir pensar e estruturar melhor a carreira. Então foram coisas que eu fiquei pensando sobre isso.
Eu quero muito pegar o gancho nisso importantíssimo que você tá trazendo para a gente. Eu faço parte de alguns grupos, como todas nós, né, a gente faz parte desses grupos, né, coletivos de mulheres no WhatsApp mesmo, grupo desde as vizinhas até, enfim, vários grupos, desde escola, dezenas de grupos. E é interessante porque praticamente todos eles, uma das discussões sempre vem: ah, tem esse curso para fazer, e ah, tem aquele outro curso, e muitos são muito caros.
Também tem isso, né? Também tem para você também se capacitar, não é sempre baratinho não, é muitas vezes caro demais até para você saber, né? E refinando esse conhecimento, tem alguma dica, Rosário, para quem tá acompanhando a gente? A gente tem aí uma audiência muito grande de educadores, educadoras, professoras, pessoas ligadas à área da saúde, psicólogos, psicólogas. Como é que a gente pode entender esse cenário? Dá para ir atrás disso? Tem alguma reflexão prática que a gente possa ficar atento mesmo, né?
Sim, os cursos estão começando a diminuir de custo porque tá muito popularizado. Então você vai começar a ver cursos mais baratos, vai chegar em você cursos mais baratos. Então isso é interessante. Um outro ponto interessante é que no orçamento, eu tava conversando com minha planejadora financeira essa semana sobre isso, é o custo de assinaturas, da quantidade de coisas. Você tem Netflix, aí você tem Disney, você tem HBO, você tem agora o ChatGPT, você tem, enfim, porque você tem que estar em todos, né?
Quem pode?
Tá caríssimo, caríssimo.
Eu não assinei, eu já dando aqui já caríssimo.
Você vai precisar priorizar. Então o orçamento seu pessoal vai começar a você priorizar o curso com personal para quem tem, curso para quem tem assinaturas, e essa é uma demanda pessoal. Então vai ter que dar uma priorizada. Assina um pelo menos, porque não adianta não assinar, você não vai ter, não vai ter o acesso que é melhor para você se se capacitar. Então tem um investimento para se fazer. Então rever o orçamento é outro ponto.
Governos, vai ser preciso aí uma política pública para conseguir colocar não é só mulheres em cargos de tecnologia, não é mais sobre isso, é mulheres com capacidade de entender sobre a— ou empresas, empresas que têm como política, que fala tanto de gênero, é a grande oportunidade. Então, como é que a gente pode trabalhar sobre isso? Vai ter um evento agora em São Paulo puxado pela Luiza Trajano, é muito forte sobre as profissões e as mulheres.
Ocupa esses espaços, tenta ver de forma coletiva como é que participa desses acessos.
Então, tem a informação completa para gente, Rô? Tem a informação completa do evento da Luiza?
Eu sei que vai ser no Expo Center.
Vamos buscar essa informação, que ela é sempre uma expoente importante, né, nesse sentido.
A Luiza Trajano vai ser essa semana, é porque tem minha sócia, tá lá, e ela falou muito. Vai ter uma caravana, é o Summit Mulheres nas Profissões, dia 4 e 5 de agosto, no Expo Center Norte, pavilhão azul. Olha aí, o jornalismo ainda tá na veia.
Adoro! Você sabe, né, que Rosária é jornalista. Summit Mulheres?
Summit Mulheres nas Profissões.
Tá.
E é 4 e 5 de agosto. Tá. Ela vai, inclusive, ela fala muito sobre isso, que ela tá muito preocupada com esse movimento para levar as mulheres cada vez mais para um lugar, né, de destaque executiva. E ela tá falando muito sobre inteligência artificial em relação a isso.
Bom, a gente tem muito aí a aprimorar. E sabe o que eu fico pensando e que eu queria também, enfim, falar com você. Temos que nos capacitar. Eu tenho inclusive, quando eu faço algum tipo de programação de prompt no ChatGPT ou Gemini, ou enfim, no Claude, que eu uso os três, né, bastante, eu mostro para minha filha, tenho mostrado para minha filha como que a gente faz esses. Tá vendo aqui como a mamãe fez isso aqui para isso aqui e tal, abastecendo de fonte?
E tem sido muito interessante já poder conversar com eles, porque eu não sei se esse tipo de informação já está nas escolas. E acho difícil. Isso já deveria estar, porque a escola, de certa maneira, e mais uma imposição para escola, né? Mas assim, a sociedade, a escola, nós mulheres, enfim, todos a gente vai ter que correr na velocidade da tecnologia, porque a tecnologia tá nos atropelando, Rosário. E é isso, eu tento mostrar para as crianças em casa Até depois de ouvir você aqui num dos nossos quadros, eu tenho tentado mostrar em casa como que eu faço a programação ali do que eu coloco na inteligência artificial para me trazer o resultado mais apurado, com fonte fidedigna, com rastreamento da informação o mais apurada e verdadeira possível.
É tantos desafios que a gente tem nessa, com essa velocidade da tecnologia, da inteligência artificial, e isso só tende a piorar, Rosário.
É, a gente tem, Petra, você tá falando da ponta do iceberg. Eu trabalhei muito tempo da minha vida olhando a comunicação como política pública. Se você for olhar o Brasil, o Brasil é extremamente atrasado em termos de constituição de comunicação, e o Brasil é atrasado como ele entende comunicação como direito humano. Vou chegar nas escolas. Se a gente entendesse que comunicação, informação, ela é um direito humano essencial também, assim como a saúde, como a educação, e que mexe com vidas, apesar de ser intangível, a gente não materializa, mas ele mexe com vidas, a gente teria dado mais, teria mais cuidado.
Por exemplo, a gente no Brasil nunca teve no currículo análise crítica da mídia, o que sai na mídia, né? Uma análise crítica do que você pode confiar. E com essa questão aí da inteligência artificial, isso tá potencializado. Então o Brasil precisa entender que tecnologia, comunicação, ele faz parte da vida das pessoas. Ele pode levar pessoas a cometerem crimes contra elas mesmas, para não falar aqui algumas palavras. Isso mexe com a vida das pessoas.
Pessoas estão utilizando tecnologia muitas vezes, ainda falou muito sobre isso aqui, para se consultar em relação a médico, se consultar o que vai fazer tomar a decisão da sua vida. Então, informação é muito séria. Tecnologia tá aumentando e potencializando essa capacidade que a gente tá tendo de informação. Então, as escolas, elas teriam um papel fundamental. Como o MEC não tem essa exigência, o Brasil de fato entende muito pouco de comunicação, as escolas poderiam por si próprias fazer esse tipo de debate.
É uma responsabilidade que elas teriam com seus alunos, porque hoje é fundamental. Todos eles estão na IA. Não tem como. Então seria um chamado, digamos assim, individual para que cada escola pudesse fazer uma semana de debate sobre inteligência artificial, os cuidados e o potencial que você tem que ter.
Uma semaninha já mitigava o impacto? Porque é isso, é uma velocidade muito grande para a gente que tá na comunicação e tá usando. Isso talvez até um tema que eu possa trazer com o Silvio semana que vem, mas você também pode dar aqui a tua visão para quem utiliza muito. E eu me lembro muito bem quando você, e principalmente o Sílvio, começou a contar aqui um pouco para gente sobre como abastecer de fonte, né, essas inteligências, essas inteligências artificiais que a gente usa, né, conhecidas aí, o ChatGPT e tal, como que a gente abastece.
Mas é impressionante para nós que estamos usando como está avançando de maneira rápida. O apuro, a forma de te dar respostas, a forma de te atender quando você dá um comando, de não ser tão óbvia quanto a gente criticava essa linguagem óbvia do ChatGPT. Isso tá sendo aprimorado e vai numa, vamos colocar entre aspas, né, numa evolução técnica, uma evolução técnica muito rápida. Rosária, e aí a gente vê como é o potencial, né? Se a gente não tiver munido de consciência, né, o dedo ali que mexe, o teu dedo ali que mexe no celular ou no prompt, tem que ter a consciência.
Porque se essa consciência não tiver muito afinada, a gente pode fazer muito estrago com essa ferramenta poderosíssima que a gente tem em mãos.
Tem uma coisa que a gente precisa sair do estágio, que é da negação. Ainda tem pessoas que estão no momento de negar. Ah, isso vai fazer algum efeito? Isso vai mudar a vida? Já mudou. Por outro lado, os investimentos estão altíssimos. Isso não vai parar. Os investimentos dessas empresas, elas são muito altos. Elas estão chegando para detonar processos, inclusive novas formas de se organizar, de consultorias, de trabalho. Então tá impactando em tudo.
Então pense que tá chegando para impactar em tudo. Então não tem volta. Primeira coisa que eu acho que a gente precisa Ter clareza que não tem volta. Aí a gente fica batendo na mesma tecla, é igual energia. A energia chegou e chegou, então não tem volta. É um primeiro ponto. Depois é, não tendo volta, o que que impacta? Como é que eu me adapto? Como é que eu faço parte, tenho cuidado em relação a isso? É um outro ponto. A gente não vai poder esperar para o governo, infelizmente, porque é como você falou, é tudo tão rápido que impacta primeiro na vida da gente.
Daqui que a política pública venha, demora muito. Né, tem uma demora muito grande. Então, de fato, as famílias vão precisar elas mesmas terem consciência e tomar as suas medidas necessárias. Então não dá para esperar também pela escola, era fundamental, para o governo era fundamental, e nem pela empresa que você tá atuando. Então, meu amigo, é você e você com as suas crianças e você com a sua família, de que forma você faz parte disso e se prepara para isso.
Então é um caminho às vezes muito solitário, né, nesse sentido, mas ele é fundamental. Agora, que essas ferramentas elas vão avançar, isso é fato. Que vai ser muito mais do que a gente tá imaginando, isso também é fato. Só a gente comparar com as redes sociais, né? Quando chegou aí o Orkut, quando chegou o Twitter, a gente dizia, ah, isso é uma besteira, isso é coisa de adolescente, esse pessoal que não tem o que fazer passa o dia em redes sociais.
Quando a gente viu, foi a gente dentro das redes sociais. Quando a gente viu, foi empresas perdendo dinheiro por conta de rede social. E a gente foi consumido e foi vendo que o negócio era muito mais profundo. É a mesma coisa, se não for pior.
Rosário Pompeia, nosso quadro essencial de tecnologia e sociedade. Também ganhou uma roupinha nova, o quadro tá bonitinho demais. A trilha de Cláudio Antônio, que ele que cuida de toda a nossa plástica aqui Nosso artista pisciano fazendo jus ao seu signo artístico e criou aí uma vinheta lindíssima para a gente aqui para o quadro de tecnologia e sociedade. E eu termino com muitos, eu tô chovendo mensagem de ouvinte aqui. A Rosário tem razão, nós professores também precisamos aprender a lidar com a IA.
Aí o Gustavo, Pet, eu tô ouvindo o Revista CBN no fone para não acordar o pequeno Heitor de 11 meses. Eu e a mamãe, a Shirley, estamos tentando deixar o Heitor sem acesso à tela nesse momento. O rádio está sendo essencial nesse momento, e muito, meu amigo, porque até pelo menos 2 anos esse cara não deveria olhar para tela, tá? 11 meses ele tá, não olhar para tela até 2 anos. É isso que falam aí os especialistas no assunto. E para finalizar, cadê aqui a minha ouvinte querida?
Não perdi, não perdi. A Sílvia Carneiro. Pétria, Como professora, já tenho eu mesma tratado sobre esse tema da IA, fazendo conversas e propondo atividades com as crianças. E detalhe, ela é professora Waldorf em Paraty. Arrasou, Sílvia! É isso, o sistema tem que operar, a política pública tem que operar, mas a gente também, infelizmente ou felizmente, temos aí essa responsabilidade de operar também no nosso microcosmo, né, na nossa prática cotidiana.
Rosário, beijo para você, incrível a reflexão, e até a próxima ou a outra semana.
Um beijo, obrigada todo mundo, beijo para você também.