'Nsamba': livro apresenta às crianças as origens do samba
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- Livro 'Nsamba' e origens do sambaNsamba · João Barradas · Carol Fernandes · Ancestralidade · Cultura afro-brasileira · Coletividade
- Cultura do SambaOrigem do samba · Samba como união · Mulheres negras no samba · Legado do samba
- Literatura infantil e formação leitoraFormação da cidadania · Papel do adulto na mediação · Literatura como arte
- Tesouro da NaturezaTesouro da Natureza · Richard Loew
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Páginas da Infância com Janaína Barros.
Ela está comigo nesse dia especial, Dona Janaína Barros, porque eu estou consolidando vários colunistas que estão conosco agora. E você, dentre os nossos colunistas já tradicionais, né, fazendo um trabalho lindo, teve na Flip, estivemos na Flip todas nós aqui neste estúdio. Depois a gente fala disso também com Paula Jacobi. E que que você me traz? Inclusive, Janaína, eu encaminhei para você alguns posts essa semana que eu tenho percebido como Páginas da Infância tá inspirando vários veículos de imprensa a trazerem seleção de livros para as crianças, não só em caderno infantil, em trazer publicações para as crianças nos seus perfis oficiais de Instagram, que eu acho que é cada vez mais um compromisso nosso diante dessas telas, da dopamina do mundo digital, a gente trazer caminhos para os pais e mães educadores de obras super incríveis para as crianças.
Isso é informação relevante para a formação da cidadania da nossa sociedade. Então queria te parabenizar nesse quadro de hoje porque isso é uma inspiração muito grande que vem da CBN para os órgãos de imprensa que têm esse compromisso intelectual, de formação, de educação e cidadania. Parabéns!
Obrigada, Pétrea. Boa tarde para você. Boa tarde para os ouvintes também. Me alegra muito que esse assunto tenha tomado mais espaço, não só como você disse, em editorias de literatura ou em cadernos que tratem, publicações que tratem da infância, mas de uma forma geral em veículos, veículos de informação. Que a literatura ganhe corpo nesses veículos. A literatura não só como a gente conhece, feita para adultos, mas a literatura para as infâncias e juventudes, que nada mais é do que literatura em caixa alta como a outra.
Totalmente.
E eu fico convicta a cada nova incursão em festas, em feiras, em eventos literários, que essa literatura só vai chegar para as crianças de um jeito honesto, artístico, se o adulto tomar pé do significado dessa literatura. Depende do adulto que tem o poder não só de compra, mas de escolha, de apresentar essa literatura para as crianças, entendê-la como arte. E se esse adulto entender essa manifestação como arte, é assim que ele vai apresentar para criança.
Que lindo, gente!
A literatura como vivência, como um jeito de estar e conhecer o mundo, como um jeito de se perceber como parte dele e não como uma tarefa, um trabalho, né?
Obrigação.
A gente não vai ler Clarice Lispector tentando aprender nada, né? A criança também não.
Que que você traz para gente hoje, Jana?
Hoje eu trago um livro que me arrebatou lançou não só na Flip, mas ele foi lançado recentemente. Eu tive o prazer de conversar com a Maite Freitas em uma roda de conversa lá na festa em Paraty. É o Insamba, Insamba, é da Maite Freitas, traz ilustrações da Carol Fernandes, saiu pela Companhia das Letrinhas. Quem tiver aqui nas nossas redes tá vendo a capa na minha mão. E aí eu posso pedir para o Henrique também fazer a trilha para gente aqui, com certeza, a trilha sonora.
A Maite vai fazer o quê com esse livro? Vai espetar o nosso imaginário para conhecer a origem do samba, da onde vem essa manifestação cultural que é tão forte, é tão presente na nossa vida. E não só em uma roda de samba, né, como ela diz, em uma roda de samba, no sambódromo, nos filhos, nas escolas, nas rodas do quintal onde tem churrascos durante o fim de semana, há sempre o samba presente lá. E esse, esse livro faz a gente imaginar como surgiu o samba.
E o samba aqui, que já foi nome próprio, como a Maite conta, o samba ele toma uma forma, ele ganha um corpo e ele ganha um rosto de mulher.
Uau!
É uma mulher que aparece numa imagem da Carol Fernandes aqui logo no início do livro, em uma página dupla. Uma mulher profundamente ligada à terra, em suas raízes, profundamente enraizada na terra. Quem tá vendo aqui a transmissão, tô mostrando essa imagem. E uma mulher que vai trazer para uma comunidade não só a música, não só a dança, vai trazer esse esse senso de coletividade, esse senso de união. E esse insamba, essa palavra surge, não só a palavra como também a ideia de como contar a origem do samba para as crianças, em uma conversa da Maite Freitas com Tigana Santana, cantor.
E ele conta para ela que insamba era um culto ancestral, um culto ancestral em regiões que hoje a gente conhece Congo e Angola. Então era uma coisa que diz respeito à ancestralidade e que colocada em forma de história também perpetua a memória. E a Maite diz que recebe quase que um chamado. A música que faz parte da vida dela desde a infância em casa, né, o som dos instrumentos também fez com que ela se aprofundasse na origem do samba, trabalhasse com isso e trouxesse essa imagem do samba como as imagens da ancestralidade e também com a ideia de representar as mulheres, as mulheres negras, e de fazer a gente imaginar que o samba não é só uma canção, não é só um ritmo, não é só uma dança.
Mas que ele deixa também legado, como essa mulher deixa aqui no livro. Um legado de união, um legado de roda, um legado de reunião de pessoas que estão aqui nessa imagem linda da Carol Fernandes, é uma roda de pessoas com a ensamba no meio. E quando tem samba, sempre tem o quê? Sempre tem papo, sempre tem Além da dança, sempre tem a comida. Então é muito mais do que só uma manifestação artística, mas é um jeito também de estar no mundo, né? Um sentimento, uma emoção, um jeito de perpetuar a história e celebrar.
Pra qual idade a gente pode pensar?
Desde os mais pequenininhos, Pétrea. Desde uma leitura compartilhada com os mais pequenininhos até uma leitura já fluente dos dos leitores já independentes. É o que a gente diz aqui, né? A criança, ela vai entender o livro, entender e sentir essa história de acordo com as referências que ela tem, de acordo com o repertório que ela tem. Então os pequenininhos vão ali se ligar talvez nas imagens, no som, nessa reverberação da dança, e já fazer uma ligação com o que eles já viram, com o que eles já presenciaram.
Os maiores talvez já tenham mais repertório para conversar sobre o senso da coletividade, da comunidade, quem são essas mulheres, quem são essas pessoas, o que o samba provoca na gente, no corpo, na mente, nessa reunião de coisas. A criança vai tendo elementos para conversar com a gente a partir da experiência dela.
E como é que faz, Jana, para conquistar essa história linda, essa nossa indicação de hoje?
Eu vou aqui trazer de novo. Em Samba é o título do livro da Maite Freitas, da Carol Fernandes, pela Companhia das Letrinhas. Coisa linda que a Maite Freitas falou e que eu vou carregar comigo. Ela falou: não me interessa retratar num livro uma história de superação, uma jornada da heroína. Me interessa trazer A alegria.
Uau! E eu acho que é cada vez mais isso que a gente precisa, né? Histórias inspiradoras e que conectem com a nossa cultura, né? Como você já trouxe alguns livros assim pra gente aqui, né, Jana?
E que as mulheres negras possam falar sobre tudo, não só sobre as dores que tomam o corpo e a existência delas com o racismo estrutural, mas que possam trazer também a sua ancestralidade, a sua música, a sua cultura. Né, e mostrar para gente a alegria delas de viver.
Que lindo! Eu termino esse quadro com a Jana aqui, com a nossa ouvinte maravilhosa. Ela falou assim: nossa, que lindo ouvir a Jana falar sobre literatura infantil, parabéns por esse momento tão inspirador e incentivador para todos nós. A nossa ouvinte Maria Rita, que é educadora, e também o nosso outro ouvinte, ele fala aqui, cadê o Sebastião? Ele fala, Pétrea, eu tenho o maior prazer em acompanhar os seus programas aqui na CBN.
Ele mora no interior do Espírito Santo, região de Caparaó, onde nasceu e mora. E ele quer falar não só de um livro, é, não é um livro para as crianças, mas é sobre as crianças, A Última Criança na Natureza, de Richard Loew, que ele fala que recomenda a 1000%, conectado aí com as inspirações que a Janaína Barros traz para gente no quadro Páginas da Infância.
Beijos pra vocês e pros ouvintes. E até semana que vem. Até.