PP fecha portas para vice de Flávio Bolsonaro e amplia isolamento do PL
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Tudo é Política com Maria Cristina Fernandes.
Um pouquinho mais tarde, os ouvintes: cadê Maria Cristina? Cadê Maria Cristina? Chegou a Maria Cristina Fernandes. Boa tarde, Maria Cristina.
Boa tarde, Tati. Cheguei porque eu tô vendo que você tá sozinha, todo mundo te abandonou aí, mas eu não te abandono, tá?
Eu conto com isso, Maria Cristina. Obrigada, viu, pela solidariedade. Vamos lá, vamos falar sobre— tá encalacrada essa vice do Flávio Bolsonaro, candidato do PL à presidência da República. O Partido Progressista fechou a porta e disse que vai ser neutro na eleição, Maria Cristina.
Pois é, Tati, e eu tenho aqui para contar um bastidor dessa história que tá engraçado. Não, o PP não vai fornecer vice de Flávio, nem a senadora Tereza Cristina, nem nenhum vice. Tá fechado, não vai permanecer essa posição de neutralidade que eles disseram que não vão se dar ao trabalho de passar nem por convenção. Não vai ter convenção no partido. E a história que eu queria contar é que esta opção do PP, a senadora Tereza Cristina, ela foi tão confiante para essa reunião com o senador, sabendo que essa chapa não ia vingar, porque o PP fez esta opção pela neutralidade depois de fechar um pacto de não agressão com o PT do presidente Lula.
Um pacto de não agressão no Piauí, porque o presidente do partido, o senador Ciro Nogueira, ele primeiro, ele queria que Lula não pisasse no Piauí durante a campanha, mas isso não, não vai ser possível, porque o Piauí em 2022 foi o estado que deu o maior percentual de votos para o presidente, né? Então simplesmente não dava, mas em sendo necessário ir ao Piauí, que o Lula não batesse nele. Então isso está acertado, porque qual a história do Ciro Nogueira?
O senador Ciro Nogueira, presidente do Progressistas, ele nunca foi oposição a Lula em campanha alguma. Ele teve um pouco mais de liberdade em 2022, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro disputou a reeleição. Ele foi ministro da Casa Civil de Bolsonaro porque ele tava na metade do mandato de senador. Agora é a renovação deste mandato que tá em jogo. E não dá para ir contra o Lula no Piauí, pelo menos não enquanto o Lula tiver no pedaço.
Não dá para ir contra, porque senão você não se elege lá nenhum mandato majoritário. E aí a certeza de que o Progressistas não permitiria uma aliança com o PL era tanta que a senadora Tereza Cristina se dispôs a esse encontro com o senador Flávio Bolsonaro. E soltou uma nota ainda ontem dizendo que o encontro tinha sido bastante produtivo, reconheceu que eles tinham discutido a vice, mas que tudo tava dependendo do partido, da avaliação do partido.
E aí, na manhã desta sexta, o Flávio Bolsonaro disse que a Tereza Cristina tinha sido, tinha aceitado ser a vice dele. Então subiu mais dois degrauzinhos, né? E aí o ciclo se fechou com a nota do Progressistas logo em seguida dizendo que permaneceria neutra, neutro. E aí ficou a senadora desgastada, mas foi um desgaste calculado, né? Ela passou como se tivesse desautorizada pelo partido, porque foi a primeira vez que ela de fato discutiu com o bolsonarismo a chance de compor uma chapa.
Porque em 22 muita gente falou que ela seria vice de Bolsonaro, mas ex-presidente nunca chegou a discutir essa possibilidade com ela. E aí esse ano o PL, particularmente o presidente do partido, apostou muito nessa possibilidade. Ele que dava conta no noticiário dessa chance de ela vir a compor a chapa. E ela chegou a se queixar, ela não queria passar essa imagem de uma vice oferecida porque poderia prejudicar as alianças daquela que de fato, aquele que de fato é seu plano A, que é a presidência do Senado em 2027.
É tudo que ela quer. E aí pesou ainda, ela foi ao encontro do Flávio Bolsonaro mesmo sabendo do desgaste, sabendo que o desfecho não seria favorável a uma chapa, porque ela tem sofrido muita pressão empresarial. A Teresa Cristina é do, ela coordena o Núcleo de Política Agroindustrial da Fiesp e é uma interlocutora, e ela tem uma interlocução muito frequente com empresariado. O empresariado pressionou para que ela compusesse essa chapa.
Mas, e aí ela comunicou ao Ciro Nogueira que teria esse encontro. O Ciro Nogueira não obstruiu porque também é submetido a pressões semelhantes, mas todo mundo sabia que a chance dessa chapa vingar era próxima de zero. E aí, depois de ter sido digamos desautorizada, né, oficialmente desautorizada pelo partido, ela soltou uma nota dizendo que tinha acatado integralmente a decisão do seu partido. Ou seja, foi um jogo jogado.
E agora o que resta a Flávio Bolsonaro para preencher esse posto, que é um posto tão importante e estratégico para campanha também, né?
A informação que eu tenho é que o Republicanos também não vai fechar com ninguém, vai ficar neutro. E isso vai levar, quer dizer, era depois da Tereza Cristina, o Flávio Bolsonaro queria muito a Daniela Marques, que foi presidente da Caixa Econômica no governo Bolsonaro, muito ligada ao ex-ministro da Economia Paulo Guedes. E ela está filiada ao Republicanos, mas o Republicanos também não vai fechar chapa com o Flávio. Isso vai empurrar o Flávio a ter uma chapa Puro-sangue PL/PL.
Dá para falar em isolamento político nesse sentido?
Partidário, sim, um isolamento partidário. Ele, ele vai ter menos tempo de campanha do que o Lula na distribuição de comerciais, né? Aquele horário eleitoral tradicional conta menos, né? Porque pouca gente se dá o trabalho de parar ali para ver na televisão, mas as inserções, a quantidade de comerciais, né, de inserções no rádio, na TV, isso aí pesa. E ele vai ter, eu não saberia dizer agora quanto por cento a menos, mas ele vai ter menos tempo que Lula por conta de não ter sido capaz de ampliar essas alianças.
Muito bem. Cenas do próximo capítulo na segunda-feira em Tudo é Política com Maria Cristina Fernandes. O horário tradicional é por volta de 2:30, sujeito a alterações. Provocadas pelos fatos. Obrigada, Maria Cristina. Um beijo, bom fim de semana.
Um beijo, Tati. Bom fim de semana para ti, boa tarde e bom fim de semana para os ouvintes. Até segunda.
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