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Atlas da Mobilidade Social expõe barreiras à ascensão dos mais pobres no Brasil

31 de julho de 20267min
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Míriam Leitão comenta os resultados do Atlas da Mobilidade Social, que revela a baixa capacidade de ascensão social no Brasil. Segundo o estudo, quem nasce entre os 25% mais pobres tem apenas 1,58% de chance de concluir o ensino superior, enquanto entre os mais ricos essa probabilidade chega a 38%.

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Participantes neste episódio3
C

Cássia

HostJornalista
M

Milton

HostJornalista
M

Miriam Leitão

ComentaristaJornalista
Assuntos1
  • Desigualdade Social BrasilAtlas da Mobilidade Social · Educação e ascensão social · Desigualdade de oportunidades · Barreiras para pobres · Mulheres e negros em desvantagem
Transcrição11 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Dia a Dia da Economia com Miriam Leitão. Bom dia para você, Miriam Leitão.

MLMiriam Leitão

Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes da Rádio CBN.

?Voz C

Bom dia, Miriam.

?Voz A

Importante trabalho divulgado ontem que serve para uma série de análise, inclusive criação e desenvolvimento de políticas públicas, que é o Atlas da Mobilidade Social. Eu quero começar trazendo um ponto: num país que muita gente ainda defende a ideia da meritocracia, e a gente vê que quem nasce nas famílias mais pobres tem menos de 2% de chance de concluir o ensino superior, e a gente sabe o que isso acaba refletindo na sua jornada depois. Queria ouvir sua análise aí, claro, os destaques que você traz desse atlas.

MLMiriam Leitão

Pois é, Milton, acho que esse atlas da mobilidade, que é bom que seja feito, ele tudo, toda análise da sociedade brasileira sobre renda fica sempre muito limitada por várias razões. Uma delas é saber, afinal de contas, como capturar as rendas todas da família. Então você consegue pelos registros de Bolsa Família, de alguns programas, de, de, o programa do Ministério do Trabalho que tem o RAIS, que tem portanto rendas do trabalho.

Então é muito difícil saber porque tem rendas e rendas financeiras que vêm de aplicações financeiras que são mais difíceis de registrar. E então o que eles fazem é sempre alguma coisa parcial, que pega um recorte, pegou 7 milhões de brasileiros e fez o acompanhamento desses dados, mas aproxima-se do que acontece no total das famílias brasileiras. E você citou esse dado de quem nasce entre os 25% mais pobres tem menos de 2% de chance de chegar na universidade. 1,58%.

Nos mais ricos, essa chance é de 38%. Aí você pode pensar, mas foi, foram feitas tantas políticas nos últimos anos. Pois é, as políticas de cotas, ProUni, ReUni, que ampliaram inclusive as vagas no curso superior e aumentaram acesso aos grupos mais pobres e mais marginalizados da sociedade, e do ponto de vista da renda E produziu uma quantidade muito grande, todos esses programas produziram histórias de ascensão. A gente fala sobre elas aqui, o filho do gari que chegou na universidade, o filho da empregada doméstica que chega no Itamaraty.

A gente tem contado essas histórias e essas histórias animam para mostrar que quando você vai para o micro, para o individual, você tem histórias de quem fura essas várias barreiras. Mas a sociedade brasileira é caracterizada por barreiras que estratificam a sociedade. Então ela não tem uma proibição, mas ela cria empecilhos, cria empecilhos para que os mais pobres cheguem, façam ascensão social. Então mais do que um país com muitos pobres, é um país com dificuldade dos pobres de ascensão social.

E essas histórias, e essa exatamente isso que o estudo tenta medir. Então quando, e aí Quando tem mais filhos, os ricos chegam mais, tem mais chance de chegar na universidade, eles também têm mais chance de ter os melhores empregos. Então a coisa se eterniza, né? Então um grupo dos— e aí tem o Brasil, tem também as várias desigualdades. Então se o pobre tem mais, menos chance de chegar numa renda maior, num emprego melhor na elite.

Dentro dos pobres, as mulheres têm menos chances e as pessoas negras têm menos chances ainda. Então é esse que é, os dados vão mostrando essas diversas desigualdades que se somam criando barreiras. Olha, 51,64% dos que não são brancos permanecem entre os mais pobres. Agora tem um dado aqui sobre mulheres que é nos 25% mais pobres, 65% das mulheres permanecem pobres e 32% dos homens. Então, homens e mulheres pobres, quando compara com homens e mulheres pobres, as mulheres têm menos chance de ascender do que os homens.

Então, é esse comentário, esse período de comentário é até pequeno para se debruçar sobre esse problema tão vasto. O que eu queria aqui é elogiar que se faça, que o Instituto de Mobilidade que fez esse trabalho. E acho que a gente deve estudar cada vez mais essa dificuldade de que as pessoas nesse trem que é o Brasil, as pessoas troquem de vagão, né? Fiquem mesmo quando a pessoa pessoalmente, aquela família melhorou em relação ao que ela era antes, ela não melhora, ela não muda de vagão, né?

Mesmo quando o país está crescendo, ele cresce sem permitir essas ascensões. Então isso é um grande problema da sociedade brasileira. Cássia, desculpa ter falado tanto e ter chegado ao fim sem perguntar pela sua dúvida a respeito do assunto.

?Voz C

Mas você falou uma coisa muito importante, Miriam, com a sua analogia dos vagões. O que mais ajuda as pessoas a trocar de vagão aqui, segundo o estudo, é justamente esse fator de educação, que é o que mais ajuda na mobilidade social. Ou seja, sem educação— e a gente percebeu aí no estudo como tá difícil para as pessoas que vêm de famílias mais pobres, fica mais complicado ainda que a pessoa consiga em algum momento da vida ascender socialmente.

MLMiriam Leitão

E aí você complementou muito bem meu comentário. É isso, a educação é o caminho para essa troca de vagão. Então tem que aumentar as oportunidades e e a qualidade do ensino para os mais pobres. Esse é o remédio.

?Voz A

Muito obrigado, Miriam. Bom fim de semana para você.

MLMiriam Leitão

Para você também.

?Voz C

Até mais.

?Voz A

E nós falamos aqui do Atlas da Mobilidade Social, até para que você possa pesquisar e buscar outras informações, que é um trabalho bem amplo e importante.

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