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Crises internas marcam campanha de Flávio Bolsonaro a duas semanas do prazo eleitoral

31 de julho de 20268min
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A campanha de Flávio Bolsonaro enfrenta sucessivas crises internas, com a troca do terceiro marqueteiro em poucos meses e dificuldades para definir uma candidata a vice. Lauro Jardim afirma que, nos bastidores, há divergências sobre a estratégia de comunicação e impasses nas negociações por alianças partidárias, enquanto o prazo para fechar a chapa se aproxima.

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Participantes neste episódio3
C

Cássia

HostJornalista
L

Lauro Jardim

HostJornalista
M

Milton

HostJornalista
Assuntos1
  • Crise na campanha de Flávio BolsonaroTroca de marqueteiro · Eduardo Bolsonaro e STF · Duda Lima · Valdemar Costa Neto · MBL
Transcrição14 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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LJLauro Jardim

Plantão Lauro Jardim.

MMilton

Muito bom dia para você, Lauro Jardim.

LJLauro Jardim

Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes.

CCássia

Bom dia, Lauro.

MMilton

Aurô, o Flávio Bolsonaro trocou pela terceira vez o seu marqueteiro, aquele que é o homem responsável pela comunicação na campanha. O que que isso significa?

LJLauro Jardim

Pois é, Milton, dentro da campanha do Flávio Bolsonaro, as pessoas repetem o tempo todo que ali é crise todo dia, todo dia tem uma crise para eles lidarem com ela, e novidade de ontem foi essa que você falou, a troca do marqueteiro. O que saiu foi o publicitário Eduardo Fischer, que era o terceiro marqueteiro da campanha, que ele só durou 2 meses no cargo. E ele entrou na campanha em maio, na semana em que estourou a crise do Dark Horse, que expôs lá o filme, que acabou expondo a relação do Flávio Bolsonaro com o Daniel Vorcaro.

O Fischer era vendido pelos aliados do Flávio como uma solução para os problemas de comunicação da campanha, mas quem conhece os bastidores da campanha sempre viu que o Eduardo Fischer nunca conseguiu conquistar ali dentro a confiança dos bolsonaristas e do alto comando do PL. A começar pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto. O que eu apurei, Milton e Cássia, é que a saída do Eduardo Fischer já tava sendo tratada há pelo menos 2 semanas pelo Flávio Bolsonaro e pelo Valdemar Costa Neto.

Havia um descontentamento com o trabalho do Fischer, incluindo aí, como eu disse, o Valdemar Costa Neto, que era bastante crítico ao trabalho dele. Havia uma avaliação que as peças de campanha eram fracas, que as respostas aos ataques que o Flávio sofria eram lentas, e que nesses 2 meses em que o Eduardo Fischer comandou a comunicação da campanha, ele não conseguiu imprimir uma marca forte para o candidato, para o Flávio. A crise mais recente aconteceu na preparação para a convenção nacional do PL.

Que ocorreu no sábado passado. O Eduardo Fischer queria, por exemplo, um cenário que o cenário do evento fosse todo com a cor azul. A ideia era mostrar que o Flávio Bolsonaro integrava a tal onda azul, que é como alguns chamam esse momento em que estão sendo eleitos presidentes de direita, de extrema-direita na América do Sul. Só que na última hora essa ideia da onda azul foi vetada e as cores que acabaram predominando na convenção eram o verde e o amarelo, que são as tradicionais do bolsonarismo.

Só aí, Milton, já dá para ver que já tinha uma intervenção no trabalho dele, que ele não— do Eduardo Fischer, que não tava sendo bem aceita. Por esse rápido resumo que eu dei aqui, eu acho que deu para sentir que o clima interno de crise e de fogo amigo da campanha, como é que era esse clima, O Duda Lima, que ontem foi anunciado como o novo marqueteiro da campanha do Flávio Bolsonaro, é um velho conhecido do bolsonarismo. Ele fez a campanha do Bolsonaro de 2022, ele é o marqueteiro do PL, sempre foi o preferido do Valdemar Costa Neto.

Então, Milton Cássia, assim como o Eduardo Fischer entrou 2 meses atrás na campanha em meio a uma crise, Agora o Duda Lima embarca no time do Flávio num clima de crise muito parecido.

CCássia

E a questão do candidato ou da candidata a vice também permanece em aberto nessa campanha, né, Lauro?

LJLauro Jardim

Olha, Cássia, esse é outro rolo da campanha do Flávio Bolsonaro, outro abacaxi que o Flávio tenta descascar já há algum tempo, que é escolher uma vice. E nesse caso é sempre bom reforçar a palavra no feminino, porque a única coisa certa que o Flávio é que o Flávio tá buscando uma mulher como vice, que é o modo dele tentar diminuir a rejeição do eleitorado feminino à candidatura dele. Só que não tá fácil encontrar a vice ideal.

Tem até muitas possibilidades na mira do Flávio, mas a possibilidade que é, sempre foi considerada a melhor de todas, não parece que vai compor a chapa do Flávio com ele. E eu tô falando aqui, Cássia, da senadora Tereza Cristina. Ela é uma senadora respeitada, é um quadro respeitado da direita, representa o agronegócio, tem experiência executiva, tempo em que ela foi ministra da Agricultura do Bolsonaro, é também a candidata preferida do presidente do PL, o Valdemar Costa Neto.

E o Flávio também sempre teve a Tereza Cristina na mira dele, mas somente agora nessa semana ela deu sinais de que toparia ser a vice dele. Só que o partido dela não quer. Ela é do PP, que é o partido símbolo do Centrão, que hoje faz dobradinha com União Brasil numa federação que une os dois partidos. E essa federação, Cássia, não quer saber de coligação com o PL. E sem coligação, nada feito. Os chefões do PP e do União Brasil, eles preferem uma posição de neutralidade nessa eleição, nem apoiar, nem que o partido apoie o Flávio, e muito menos o Lula nesse momento.

O Flávio Bolsonaro tem até o dia 15 de agosto, esse é o prazo final, para tentar virar esse jogo. São mais duas semanas. Agora, ninguém aposta muitas fichas nisso, muitas fichas que ele irá conseguir isso. E o mais provável é que, por falta de opção melhor, a vice dele seja escolhida dentro do próprio PL, que é o partido dele, Flávio.

MMilton

Você falou aí dos dois partidos, né, o PP e União Brasil. PP que é do Ciro Nogueira e União Brasil que é Doutor Rueda, né?

LJLauro Jardim

Exato, são os dois chefões. E não só os dois presidentes dos partidos, políticos importantes desses dois partidos também preferem neutralidade. Aí eu tô falando, por exemplo, do Arthur Lira, ex-presidente da Câmara e muito, muito importante dentro do PP. Eles não querem essa coligação, sobretudo os políticos do PP e do União Brasil. Que são do Nordeste, que onde o Lula, todo mundo sabe, em quase todo o Nordeste ele ganha disparado nas pesquisas, ele tá disparado na frente do Flávio Bolsonaro.

E não é interessante para os candidatos que buscam votos ali se apresentarem como coligados ao Flávio Bolsonaro. Melhor apresentarem-se como neutros na disputa e poderem eventualmente até pedir votos para o Lula em seus respectivos estados.

MMilton

Muito obrigado, Lauro. Um bom fim de semana para você.

LJLauro Jardim

Bom fim de semana para você também, Milton. Para você, Cássia, para os ouvintes, e até segunda.

CCássia

Até segunda. Bom fim de semana, Lauro.

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