Complicações em colonoscopias são raras e não diminuem importância do exame
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Luiz Fernando Corrêa
- Complicações em colonoscopiaRisco de perfuração intestinal · Mortalidade relacionada ao exame · Colonoscopia diagnóstica vs. terapêutica · Fatores de risco (idade) · Registros nacionais de eventos adversos
- Prevenção e Rastreio OncológicoImportância da colonoscopia na prevenção · Taxa de cura com diagnóstico precoce · Preparo adequado do exame · Avaliação prévia do paciente (anamnese)
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Saúde em Foco com Luiz Fernando Correia.
Muito bom dia, Doutor Luiz Fernando Correia.
Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes.
Bom dia, doutor.
Noticiário tem destacado a morte de uma mulher que teve seu intestino perfurado durante a colonoscopia. Isso aconteceu no Hospital Municipal em São Paulo. É um tema importante aí de a gente conversar com os nossos ouvintes.
É assim, Milton, a gente não vai, não pode discutir o caso em si, até porque não temos os dados para isso, né? Agora, vamos lembrar que a colonoscopia é o exame que mais reduz a mortalidade por câncer de intestino, mas como todo procedimento, ele tem um risco embutido. E aqui a gente vai tentar mostrar o tamanho desse risco para que uma ocorrência trágica dessas não sirva para distorcer essa imagem. E realmente, a perfuração do intestino é a complicação mais temida do exame.
A última revisão que a gente tem, uma revisão sistemática publicada no American Journal of Gastroenterology, que reuniu 82 estudos de 24 países, que somavam 38 milhões e meio de colonoscopias. O resultado é 5 perfurações a cada 10 mil exames, ou seja, 0,05%. Uma, para simplificar, uma em cada 2.000 colonoscopias. A morte relacionada ao exame é extremamente mais rara, são menos de 2 casos em cada 100.000 exames feitos. Algumas coisas importantes para a gente entender: existem colonoscopias diagnósticas, como essa de fazer o exame para fazer um rastreamento precoce de lesões pré-cancerígenas ou até mesmo de tumores no intestino.
E existe a colonoscopia terapêutica, ou seja, quando você já tem um diagnóstico, ou você eventualmente já tem um sangramento, ou tem uma doença intestinal instalada que precisa ser investigada. E esse número que eu falei junta todos esses, porque a gente sabe que se você já tá com a lesão instalada, se você já tem um problema no intestino, o risco também aumenta. Esse risco aumenta acima dos 65 anos, Segundo uma outra revisão aí publicada no International Journal of Surgery, acima dos 80 anos o risco é 2 vezes e meia maior do que na faixa de 65.
E aí sim, são exames basicamente aos 80, 65 anos ainda são os exames de rastreamento, estão embutidos na maioria. Acima de 80 nós estamos falando de exames terapêuticos, ou seja, para tratar alguma coisa. E assim mesmo já se sabe que é feito numa situação de risco pela propriedade do paciente, né. Então no Brasil a gente não tem registros únicos, né, a gente tem uma série realizada, a série anotada pelo Hospital Albert Einstein, com quase 9 mil pacientes, que registrou 3 perfurações, ou seja, 0,03%.
Um outro serviço, dessa vez em Salvador, na Bahia, 22 mil exames registrados, uma perfuração a cada 7.200 procedimentos. Ou seja, números muito próximos, iguais ou melhores até na prática do que a literatura internacional. A gente não tem um registro nacional de eventos adversos em endoscopia, isso é uma lacuna que ainda precisa ser preenchida. Importante, Milton, é que isso não sirva para desanimar as pessoas de fazer o exame.
Nada disso é argumento. Afinal de contas, vamos voltar a falar no assunto, O câncer do intestino, câncer colorretal, é o terceiro câncer mais frequente no Brasil, 46 mil novos casos por ano, ou seja, descoberto cedo, e descoberto cedo nós estamos falando aí da colonoscopia com certeza, você tem uma chance de cura acima de 90%. Descobrir tarde, a conversa começa a ficar complicada, então, portanto, o risco de um caso a cada 2 mil exames não joga contra isso de maneira alguma, né?
O uso correto desses dados é a gente pensar que a colonoscopia é fundamental, ela é importante para o diagnóstico, fazer o preparo direito, isso é fundamental, porque o preparo ruim do exame gera um exame incompleto, aumenta a chance de precisar repetir, ou seja, você soma risco. Existe sempre a necessidade de uma boa anamnese, ou seja, Milton, avaliação da história pregressa desse paciente. Ou seja, se aconteceram cirurgias anteriores, se existe alguma doença, como doença de verticular, por exemplo, e uso de alguma medicação, por exemplo, anticoagulante.
Então é importante que o caso trágico em São Paulo seja investigado, seja apurado corretamente, mas lembrar para as pessoas que isso de maneira alguma tira o mérito, vamos dizer assim, do exame como um exame importante de rastreamento de um tumor, que é o terceiro tumor mais importante no Brasil e tem uma taxa de segurança extremamente alta, ou seja, é muito raro a complicação. É lógico que eventos trágicos, quando acontecem, chamam muita atenção, é lamentável, mas a gente sabe que tudo, todos os procedimentos têm algum risco embutido.
Muito obrigado, Dr. Luiz Fernando, pelas informações. Muito obrigado e um bom dia.
Bom dia para você, Milton Cássia, todos os ouvintes, e um bom final de semana para todo mundo.
Bom fim de semana, doutor.