Avatar feito com IA de Bolsonaro coloca STF e TSE no centro de nova disputa política
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Momento da Política com Merval Pereira.
E aí, Merval?
Tudo bom, Sardenberg? Boa tarde, ouvintes. Boa tarde, Cássia.
Boa tarde, Merval. Bom, Merval, o assunto é o avatar do Jair Bolsonaro apresentado lá na convenção que indicou Flávio Bolsonaro candidato a presidente pelo PL, na convenção do PL. O ministro Alexandre de Moraes deu, determinou que a defesa de Bolsonaro se manifestasse e deixou assim uma coisa meio Meio uma alternativa muito complicada. Quer dizer o seguinte: se o Bolsonaro autorizou, ele pode voltar para prisão, pode perder o benefício da prisão domiciliar.
Se ele não autorizou, a candidatura do Flávio está ameaçada. E o ministro, a defesa do Bolsonaro já se manifestou. E agora a expectativa sobre o quê? O ministro Alexandre de Moraes vai falar. E o que que o Tribunal Superior Eleitoral vai falar, Merval?
É, o importante aqui é ver que o ministro Alexandre de Moraes só se adiantou ao ministro presidente do TSE porque quis evitar que o ministro Cássio Nunes, que foi nomeado pelo Bolsonaro, desse uma decisão favorável ao Flávio. Nesse caso, o Moraes perderia a razão para punir o Bolsonaro em qualquer atitude ilegal, né? Então ele, na verdade, ele emparedou o seu colega de Supremo, o Cássio Nunes. Isso reflete muito mais a disputa política interna do STF do que uma discussão técnica sobre o uso de inteligência artificial na campanha.
Porque você tem que primeiro decidir se foi aquilo um ato de campanha ou não, se foi um ato partidário ou se foi um ato de campanha. Depois você tem que saber se usar a inteligência artificial para fazer um avatar de alguém, se isso é proibido pela lei, é proibido quando você quer prejudicar alguém. Aí não tinha nem favorecer, porque ali é um partido lançou um candidato, então não favorece ninguém, porque ali todo mundo bolsonarista.
Então, a aparição do Bolsonaro é uma coisa mais simbólica do que qualquer outra coisa, né? Na verdade, o que eles estavam querendo, o PL tá querendo testar até onde pode usar a imagem do Bolsonaro na campanha eleitoral. Isso é outra coisa, né? Então eu acho que qualquer que seja o resultado, vai ser o resultado de uma briga interna política do Supremo, que pode sobrar para qualquer um, porque não há, não há mais texto de lei, a interpretação do texto de lei.
E a gente vai ver que a interpretação do Cássio Nunes pode ser diferente da interpretação do Alexandre, que o Alexandre tá vendo claramente um ato ilegal do Bolsonaro se ele tiver aprovado. E vamos ver o que que o Cássio Nunes acha. E aí vamos ter uma crise política dentro de uma crise política.
É verdade, uma crise política dentro de uma crise política, porque o Alexandre de Moraes já se posicionou, né? Quer dizer, ou um dos dois tá errado, né? Ou Jair Bolsonaro tá errado ou Flávio Bolsonaro tá errado.
Pois é, essa que tem que— e quem define que tá errado, que tá certo, é o Supremo, né? Então o TSE no primeiro e depois o Supremo. E aí essa decisão do que é errado, o que é certo, fica submetida a uma visão política de uma parte ou de outra.
Tá certo. Merval Pereira, obrigado, Merval. Até amanhã.
Até amanhã.