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Precisamos de ‘amigos de verdade’ para viver bem?

30 de julho de 20268min
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Leny Kyrillos responde dúvida de um ouvinte que compartilhou o seguinte: “Estou em contato com muitas pessoas, mas sinto falta de amigos de verdade, daqueles poucos e bons. O que acontece?”. A especialista compartilha que somos seres sociais, e que o nosso cérebro busca interação. Ouça para saber mais sobre o assunto!

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Participantes neste episódio3
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
C

Cássia

HostJornalista
L

Leny Kyrillos

HostEspecialista em comunicação
Assuntos1
  • AmizadeSeres sociais e a busca por interação · Amizade · Philia
Transcrição10 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

CBN Comunicação e Liderança com Leny Quirilhos. Conosco aqui no estúdio a Leny Quirilhos. Tudo bem, Leny?

LKLeny Kyrillos

Tudo bom, Sardenberg. Boa tarde, boa tarde, Cássia, boa tarde para todos. Boa tarde, Leny.

?Voz A

Mais uma vez, muito obrigado pela sua participação direta aqui com a gente no estúdio. E como sempre, respondendo a questão dos nossos ouvintes. No caso é o Luiz do Rio de Janeiro. É um tema legal, questão da amizade. Ele diz o seguinte, que tá em contato com muitas pessoas, tem muito, tem contato com muitas pessoas, mas sim, mas sente falta de amigos de verdade. Ele fala assim, daqueles poucos e bons. Ele quer saber o que tá acontecendo com ele.

LKLeny Kyrillos

Nossa, com ele e com grande parte das pessoas, não é? Aliás, assim, você, né, Sardenberg, você é uma pessoa que cultiva amigos de uma forma bastante poderosa. Você já manifestou várias vezes o tanto que você sente quando você tem que ficar isolado, sem poder participar, estar presente. E esse é um traço seu que é muito positivo e bastante relevante. Na prática, minha gente, a gente tá vivendo um momento delicado em relação a isso.

Para vocês terem uma ideia sobre a questão do valor da amizade, Aristóteles, lá atrás, antes de Cristo, né, ele dizia que a amizade tem lugar de honra entre as virtudes humanas. Ele já chamava atenção para isso. Na Grécia Antiga tinha um termo que é philia, com PH, que se refere ao amor entre os amigos. E esse termo ocupava posição central na sociedade da época. Nós somos seres sociais, o nosso cérebro é um cérebro social que busca a interação, que busca o contato.

Só que na nossa sociedade moderna, o que que tá acontecendo? Algumas coisas colaboram para isso não acontecer do jeito que deve. A gente tá vivendo numa velocidade extremamente rápida, a gente tá na era da ligeireza, não é? A gente tá assistindo vídeo, ouvindo áudio do WhatsApp na velocidade 2 e por aí vai. E o tempo das pessoas é algo cada vez mais escasso. Com isso, existe um prejuízo na realização de parcerias. Então, os autores colocam, os pesquisadores, que a gente tá num momento que eles chamam de recessão de amizades.

E é um problema muito maior na idade adulta, porque a criançada ainda tem a oportunidade de estar junto na escola, não é? De estar com outras crianças em outros ambientes. Eu trouxe um levantamento, gente, da Survey Center on American Life, que mostra o seguinte, escuta só: nas últimas 3 décadas caiu de 75% para 59% o número de pessoas que contam com um melhor amigo, que dizem assim: ah, eu tenho um grande amigo. Aumentou de 3% para 12% o número de pessoas que diz que não tem ninguém próximo com quem pode contar.

De 3 para 12%. E a gente sabe que as relações são assim a pedra fundamental para o bem-estar, principalmente para o bem-estar mental. A gente sabe que solidão mata, que são as relações sociais que são os maiores preditores, primeiro, de felicidade. É algo que é comum a todas as pesquisas sobre felicidade no mundo, estabelecimento de relacionamentos saudáveis, e é também a base para a situação da saúde mental e da saúde física.

Solidão mata a gente. Quando você tá sozinho por falta de escolha, né, não por uma escolha, você acaba adoecendo mentalmente, corporalmente. São vários aí os indicativos. Então quando a gente pensa nas causas, eu gostei muito da expressão de uma psicóloga chamada Doutora Camila Ribeiro. Ela diz que a perda do tempo emocional para sustentar a intencionalidade e consolidar ligações duradouras. Porque isso exige atenção, isso exige cuidado da nossa parte.

A pressa contemporânea, como a gente já referiu, o avanço da internet que está ocupando aí o espaço das interações, do tempo dedicado. Então, antes, por exemplo, a gente chegava um pouco mais cedo em casa, pegava o telefone e ligava para o nosso amigo, batia um papo. Ou até com algum parente. E hoje a gente vai lá no celular e fica olhando as nossas redes sociais, não é? E tem um termo interessante também que é de um sociólogo americano, o Dr.

Ray Oldenburg, que ele diz o seguinte, ele chama de o terceiro lugar. O que que é o terceiro lugar? É um lugar que é separado do trabalho e da nossa casa. Então nós hoje ou estamos em casa ou estamos no nosso trabalho e a gente tá cada vez vivenciando menos esse tal terceiro lugar, que é quando você vai, encontra um amigo num barzinho, você vai jantar num restaurante com seu amigo, você vai até a praça, você convida o seu amigo para ir ao cinema e etc.

Agora vem cá, vocês têm ideia, minha gente, de qual é a fase mais crítica, a faixa etária mais crítica para isso? Eu tendo achar que é a partir dos anos, mas posso estar enganada. Pois é, eu também pensava isso, Cássia. Olha só, na pesquisa da Pew Research nos Estados Unidos, os jovens são a geração com maior problemas em consolidar amizades, muito mais do que os idosos, os jovens. E quando a gente olha o que acontece, esses caras, gente, eles têm vida social, a gente sabe disso, só que é uma geração muito individualista e é uma geração muito conectada superficialmente.

Então eles ficam com a falsa impressão que eles têm um monte de amigos nas redes sociais e tudo mais, mas claro, são relações superficiais que não atendem a essa necessidade do olho no olho, do toque, do abraço, que é tão relevante, que faz tanta diferença. Eu trouxe uma frase do psicólogo Cláudio Paixão, lá da Universidade Federal de Minas Gerais, que diz que a amizade entre adultos exige intencionalidade. Ou seja, dá trabalho, precisa de dedicação, precisa de tempo para que isso aconteça, de planejamento e de proatividade da nossa parte.

Ou seja, o cultivo dessas relações para que a gente alcance esse grande ganho. E é um ganho imenso. Aristóteles já dizia o que que é um amigo. Ele falava: é uma única alma habitando dois corpos. Esse é o conceito da amizade. Amizade faz bem para o cérebro, amizade faz bem para o corpo, promove bem-estar mental, espiritual. E vale a pena a gente se dedicar a isso, porque senão nós sofremos muito com essa falta. E a boa comunicação permite que as interações sejam cada vez mais apropriadas e positivas.

?Voz A

Leny Quirilos, mais uma vez muito obrigado pela sua participação aqui e até a semana.

LKLeny Kyrillos

Até a semana, muito obrigada, gente. Até mais, Leny. Um ótimo restinho de semana aí para vocês.

?Voz A

Obrigada. Uma coisa importante, né, antes de você sair, Leny, é que você disse que a amizade deve ser cuidada, planejada, né? Não é ficar simplesmente esperando que aconteça alguma coisa, né?

LKLeny Kyrillos

Exato, e tomar iniciativa, se dedicar, planejar o fim de semana, isso, dedicar tempo a isso. Exato, vale a pena.

?Voz A

Obrigado, Leny.

LKLeny Kyrillos

Obrigada, gente.

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