'O Boxeador Polonês' de Eduardo Halfon
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José Godoy
Tati
- O Boxeador PolonêsNelson Tanure · Literatura guatemalteca · Origem judaica, libanesa e polonesa · Cultura maia · Auschwitz
- Trajetória de Eduardo HalfonPresença na Flip · Sucesso recente no Brasil · Edições anteriores no Brasil
- Literatura BrasileiraTradição europeia vs. culturas locais · Influência indígena e africana
- Camilo Santana· PoliticaProfessor e aluno com talento poético · Desaparecimento do aluno · Influência da cultura maia
- Outras obras de Eduardo HalfonTarântula (romance) · Temática de irmãos retornando ao país
- Eleições América LatinaPouca circulação no Brasil
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Clube do Livro CBN com José Godói.
Fala, Zé, boa tarde!
Oi, Tati, boa tarde! Boa tarde, Marcela! Boa tarde aos ouvintes!
Boa tarde! Zé Godói hoje nos traz O Boxeador Polonês, do escritor guatemalteco Eduardo Ralfon. Ele tava na Flip, não tava?
Tava, Tati.
E teve esse livro, tava entre os mais vendidos também, se eu não me engano, não tava?
Tava. Foi até um pouco por conta disso que eu resolvi falar dele hoje, que é uma dessas histórias, umas histórias que eu adoro em artes e mais especificamente em literatura, né? O Ralfão, escritor bem importante, ele tá há pelo menos duas décadas nesse mercado de literatura latino-americana como Um nome muito forte. Ele havia publicado o Bojador Polonês com outro título em 2014 no Brasil, que circulou assim, gente que gosta de literatura latino-americana, mas nenhum sucesso exagerado assim.
Tanto que passaram-se 10 anos, ele fez uma nova edição desse volume de contos, né, um volume de contos, e adicionou alguns textos e relançou isso em 2024 no mercado hispânico. E o livro chegou, acaba de chegar no Brasil agora em nova edição. Ele já tinha lançado por essa nova editora, que é a Autêntica, o ano passado, Tarântula, que é um livro bem interessante também. E eu fiquei muito impressionado com a história dele na Flip, o que mostra muito o impacto que o escritor tem quando fala em público, né?
Embora seja difícil para alguns autores, não é todo autor que tem essa, tem esse desejo, essa até a própria capacidade mesmo, né? Não é, não vem junto, né, com a qualidade, com a capacidade de escrever, falar bem.
Às vezes o cara é um baita escritor e não é exatamente muito bom de fala, né?
Exatamente. Acho que muitos escritores bons sofrem com isso, mas por outro lado, muitos escritores bons ganham relevância por meio de falas públicas. E o Ralfão foi um pequeno fenômeno na Flip. Como você bem disse, ele, o livro tá nessa lista dos mais vendidos durante o evento e é um livro de uma ficção sofisticada. O Boxeador Polonês, que eu tô falando aqui hoje, o que me deixou muito feliz assim, porque é sempre bom quando a gente fica sabendo de caminhos diferentes, né?
Às vezes esse cara há mais de 10 anos ele foi publicado no Brasil e agora parece encontrar seu público, né? É curiosa essas trajetórias, né? E O Boxeador Polonês e boa parte da obra do Ralfón, acho que situa num lugar que eu acho muito interessante, que é, que eu acho que é central para todo escritor latino-americano que tenha estudado e se formado numa tradição europeia e ao mesmo tempo vive, né, em países de cultura riquíssima, né, como a cultura indígena riquíssima, uma cultura negra riquíssima, como aqui no Brasil, né.
E então a todo momento esses escritores estão tendo que lidar com essa, com esses dois polos, né, entre a tradição europeia que foi tão massacrante, né, por séculos, né, na tradição aqui do nosso continente, e de repente principalmente essa abertura recente para todas essas outras formas de enxergar o mundo que vem dessa, do pensamento indígena, do pensamento que vem da África, tudo isso que areja, né, a literatura atual. E o Ralfão tá muito nesse lugar, né.
Essa coletânea de contos acho que é um prato cheio assim para quem tem interesse nesse tipo de história. Eu vou contar brevemente aqui só o texto que abre o volume, que é O Distante, que para mim é um dos contos mais interessantes do— parece que passou uma família aqui de contadores de história do meu lado aqui. Eu tô num evento em Pernambuco e tá todo mundo contando história aqui perto de mim. Eles contam história bem para caramba, né?
Dá até— eu tô até tentando aprender alguma coisa aqui em Pernambuco sobre essa capacidade de contar história.
É demais, demais, demais! É mesmo, já que a gente tava falando de oralidade, né?
Mas voltando, pois é, voltando para Guatemala, do Ralfon. O Estante, por exemplo, acho que é uma dessas histórias incríveis, que é uma história de um professor, o Ralfon, o Eduardo Ralfon, narrador, é o protagonista de uma maior parte dessas histórias, né? Boxeador polonês, é a história do avô dele que esteve em Auschwitz. O Ralfon, ele tem essa coisa muito interessante que ele tem origem judaica e libanesa e polonesa. Então tem toda essa bagagem Oriente Médio, Europa antiga, e ao mesmo tempo tá batendo com a cultura maia, né, que é fundamental ali na formação ali do estado Teco, né?
Então é um cara que tem uma capacidade de articular coisas muito diferentes ao mesmo tempo. E esse conto que eu tô falando aqui é mais ou menos isso: esse professor que tem lá um aluno que aparece na aula, que começa a mostrar os poemas para ele, ele fica fissurado pelos poemas do menino, e o menino desaparece, sai da universidade, ele vai atrás desse menino. E é um menino que vem dessa cultura indígena e que tem um talento nato para poesia.
É muito legal porque o Ralfão começa a contar essa história toda baseada em grandes nomes da literatura europeia, né, e vai aos poucos se dobrando pela potência da cultura maia que tá nesse garoto, que é um talento nato assim. Então a todo momento essas culturas vão se cruzando, vão brigando, vão conversando. Acho muito, muito estimulante. Eu gostei muito, eu gosto muito da literatura dele, gosto muito desse volume de contos, gosto muito do Tarântula, e fiquei muito feliz com o que aconteceu com ele na Philips.
Acho que é um cara que merece muito.
Muito bom, muito legal.
Repete obra e autor para a gente saber exatamente o que pedir ali no balcão da livraria, Zé.
Então, Tati, eu falei hoje aqui do Eduardo Ralfon, escritor guatemalteco. Eu falei do Boxeador Polonês, que é um volume de contos dele que tá saindo agora no Brasil. Mas a gente também tem um lançamento recente do final do ano passado chamado Tarântula, que é um romance também bem interessante sobre um garoto, na verdade dois irmãos, que vão para o— que são guatemaltecos criados nos Estados Unidos, que voltam para o país e vão para uma colônia de férias, e onde coisas incríveis começam a acontecer, coisas terríveis e incríveis começam a acontecer.
E é uma historinha muito, muito interessante também. Ambos os títulos saem, estão saindo aqui no Brasil pela Autêntica Contemporânea.
Muito legal. E agora eu tô pensando que talvez eu não tenha nunca lido um autor da Guatemala.
É bem possível, né? Difícil lembrar alguém de cabeça assim, né? Aliás, América Central, acho que a gente tem chega pouca coisa aqui, né? Sim, sim, a gente tem que buscar muito pela cabeça para tentar recuperar alguns nomes ainda.
Eu até dei um Google aqui, mas enfim, definitivamente acho que nunca li um escritor da Guatemala. Legal, legal, Zé. Então fica aí o olhar do Zé Godói para esse autor que teve na Flip e para essas obras recém-lançadas dele por aqui. Uma boa oportunidade para você dizer: você conhece aquele escritor da Guatemala?
Indicar esse livro para alguém.
Legal, legal, muito bom, é ótimo. Valeu, Zé! Eu não sei o que você tá fazendo aí em Pernambuco, mas enfim, aproveite. Pernambuco é tudo. Beijo, até a semana que vem.
Beijo para vocês. Tô aqui falando de livro, para variar. E eu que sou cabralino, fui criado por João Cabral de Melo Neto, lendo os versos dele. Sempre fico emocionado quando pingo por aqui.
Que evento é esse aí?
Ah, um evento fechado acadêmico, mas bem, bem legal.
Muito bom.
Sempre gosto de vir para cá.
Aproveite, ô louco!
Falamos juntas.
Aproveite. Beijo, beijo, até semana que vem.
Beijo, tchau, tchau.