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Juros altos impulsionam dívida pública e pressionam ajuste fiscal

30 de julho de 20267min
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Míriam Leitão destaca que o crescimento da dívida pública reflete os juros altos e defende um ajuste fiscal com superávit para conter o avanço do endividamento.

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Participantes neste episódio2
C

Carlos Alberto Sardenberg

ComentaristaJornalista
M

Miriam Leitão

ComentaristaJornalista
Assuntos2
  • Juros altos e economiaDívida pública federal · Juros altos · Tesouro Nacional
  • Impacto Fiscal e OrçamentárioAjuste fiscal · Superávit primário · Gastos públicos
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MLMiriam Leitão

Dia a dia da economia com Miriam Leitão.

CACarlos Alberto Sardenberg

Míriam, boa tarde, Sardenberg. Boa tarde, Cássia. Boa tarde, ouvintes. Boa tarde, Míriam.

MLMiriam Leitão

O Tesouro Nacional divulgou dados sobre a dívida pública federal, referente, dados referentes ao mês de junho, e veio um resultado impressionante, né? A dívida, ela, a dívida chegou a R$9,268 trilhões e teve um crescimento de R$235 bilhões Só no mês de junho.

CACarlos Alberto Sardenberg

É, a melhor medida não é essa, né, que os números absolutos eles sempre assustam muito, né, por causa da dimensão da dívida mesmo. Ela é grande, é uma dívida muito grande mesmo. E então o aumento mensal, a gente normalmente olha, o mais interessante para olhar é o percentual do PIB. E como percentual do PIB ela tem crescido muito mesmo, né, de fato. E o último dado foi 81% da dívida pública, é um número muito, muito alto. Ela tem subido muito porque os juros estão muito altos.

Evidentemente que a gente não, nenhum economista sério, nem jornalista de economia sério vai propor: ah, então baixa a taxa de juros, que aí a dívida fica mais baixa, cresce menos. Ninguém vai propor isso porque A taxa de juros é uma consequência de todo um conjunto de indicadores fiscais e a inflação e todas as previsões futuras e as expectativas futuras. Então os juros precisam cair, mas antes a inflação tem que cair e o governo tem que passar mais sinalização segura sobre os gastos públicos.

O que é a complicação nesse momento é que esse governo teve taxas de déficit primário menores do que as do governo anterior, ainda que o governo anterior tenha um ano que não é possível ser comparado a nenhuma série histórica porque teve a pandemia e todos os governos do mundo aumentaram mesmo o gasto, e é isso que tinha que fazer. Mas o déficit não é o déficit, ele não é, ele não tá numa escalada crescendo a ponto de produzir esse aumento da dívida pública, ele tá baixo.

Mas o problema é que diante de um quadro desse de dívida pública, as medidas têm que ser mais fortes e tem que levar para superávit. Na verdade, o governo tem que reduzir mais os gastos a ponto do superávit, e foi isso que aconteceu por exemplo, no governo Fernando Henrique, no final do governo Fernando Henrique, no primeiro governo Lula, a dívida tava alta, a dívida cresceu, e foi, cresceu com a estabilização, cresceu com a retirada dos esqueletos do armário, isso lá no governo Fernando Henrique, e a solução foi ir para o superávit primário.

Durante muito tempo teve superávit primário e a dívida caiu. A gente tá precisando de um outro choque como esse, Sardenberg.

MLMiriam Leitão

Cássia, é porque embora menor, o atual governo, governo Lula, tem feito déficit regularmente, né, desde o início tem feito déficit, e que às vezes é mascarado, quase sempre é mascarado por aquela contabilidade, né, que exclui algumas despesas que não aparece na conta, mas são feitas efetivamente, né.

CACarlos Alberto Sardenberg

É, foi o que foi feito nos governos anteriores, né, o teto de gastos gasto caiu exatamente pela quantidade de coisas fora do teto, fora da conta do teto que o governo Bolsonaro colocou em cima do teto. O teto desabou, né? Era tanta excepcionalização e ainda teve o calote dos precatórios e tal que, é bom, inviabilizou a medida de controle de gasto que era o teto. E a gente tem déficit, na verdade, há muito tempo. É, no governo Dilma se saiu do período do superávit e veio para o período do déficit.

O final do governo Bolsonaro eles apresentaram déficit, mas ali tem muita maquiagem. Ali esse número não dá para, não é auditável, porque tem primeiro tudo que eles empurraram para não entrar na conta e o que não pagaram de precatórios, e também o que exigiram que a Petrobras desse de dividendos para produzir um número que foi, pareceu bonito, pareceu positivo. Mas o fato que a gente tem que admitir, quando a gente olha a série histórica, é que o governo brasileiro tem tido déficit público desde quando, desde 2014, 2015, entrou no governo Dilma e a gente entrou nessa, nessa conta negativa e foi assim nos outros governos.

O governo Temer fez um esforço muito forte de ajuste das contas e conseguiu também um período de queda da taxa de juros. Essa queda de taxa de juros se prolongou no governo Bolsonaro no começo. E aí, quando teve o, quando teve a a pandemia, até para não, não, não tentar estimular a economia que entra em recessão, em depressão, os juros foram a 2%. Então quando os juros estão a 2%, é muito mais fácil você ter uma dívida pública crescendo menos do que quando você tá com a dívida com os juros a 14%.

Então tudo isso é muito mais complexo do que parece em determinadas análises de economistas dizendo, ah, o governo tem que cortar os gastos que isso vai resolver o problema. Não, é muito mais complicado do que isso. Ah, esse governo é gastador, mas qual governo não foi gastador? Quando que a gente fez um ajuste? A gente fez um ajuste em determinado momento, sim. Vamos olhar o que foi feito no governo Fernando Henrique, no governo Lula do primeiro mandato, e vamos tentar reprisar alguns momentos, vamos ver alguns momentos e medidas no governo Temer.

Tem méritos, mas não é uma coisa simples. Este governo gasta, o governo anterior não gastou. O governo anterior foi muito ruim nesse item gastos públicos.

MLMiriam Leitão

Míriam Leitão, obrigado, Míriam. Até amanhã.