Vale-refeição dura em média só nove dias úteis
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No fim das contas, Ana Leone, Nayara Bertão, boa tarde.
Olá, pessoal! Olá, boa tarde!
Boa tarde!
Vamos falar sobre vale-refeição. Quanto vale o seu vale-refeição? Eu não, como é que é, nunca vi nem comi, eu só ouço falar para fazer um trocadilho de comida com vale-refeição. Em média, quanto, hein?
Aí depende também da região, né, que o trabalhador tá Né, pessoal que tá em áreas mais, digamos lá, para Faria Lima, tem que ter um ticket médio um pouco mais alto, né?
Depende da região onde você trabalha e depende da empresa também onde você trabalha, porque esse valor também pode ser definido pela empresa. Fato é que tá sobrando mês, não vale refeição, né, minha gente? Foi o tempo em que a gente conseguia fazer a refeição zona assim, juntando uns 3 ou 4 no fim do mês. Ô, Nai, por que é que não tá sobrando nada, hein?
Realmente faz tempo, né, que tava para comer, tomar alguma coisa, né, alguma bebida, e ainda sobremesa, cafezinho. Nossa, realmente assim faz bastante tempo que a gente não consegue fazer isso. Mas como você até comentou, né, Tati, não é nem todo mundo que ganha o vale-refeição, né? A gente tá falando aqui de uma parcela estimada em 20 milhões de brasileiros, o que eu achei até bastante, é que recebem vale- vale-refeição, vale-alimentação, às vezes dos dois benefícios, né, pelo programa de alimentação do trabalhador que faz parte do regime CLT.
Então não é todo mundo ainda, mas quem ganha, né, que é uma ajudinha, vale lembrar também que tem o desconto na folha de pagamento de um percentual. Então o valor nem líquido é, né, do vale-refeição. Mas feito esses disclaimers, né, o estudo da Pluxi, que é inclusive uma dessas empresas de cartões, né, de vale-refeição e vale-alimentação, mostrou que realmente sobra dias no mês, né, para o vale. Ou seja, o vale acaba bem antes aí do mês terminar.
Até curioso, um relato pessoal. Ontem eu tava voltando de metrô e uma moça tava falando com o colega de trabalho, e ela tava falando justamente que semana que vem cai o VR. E aí, né, que é como a gente chama, vale-refeição, grande dia e muito aguardado por bastante gente, né. E o moço perguntou para ela, o que que você vai fazer? Porque tem esse ritual do primeiro dia que o vale cai, poder fazer alguma coisa especial. E ela falou assim, não, não vou nem almoçar, eu vou usar no supermercado.
E eu achei que é um reflexo um pouco dessa pesquisa que a gente está trazendo aqui. O que a Pluxy descobriu? Ela descobriu que em média o VR dura 9 dias úteis por mês. Imagina que a gente tem cerca de 20 dias úteis por mês. Hoje em dia, né, o VR tá durando 9 dias úteis, ou seja, menos da metade dos dias úteis do mês em geral.
Não, que é tipo, sei lá, vamos fazer de conta. Quer dizer, fazer de conta não, porque agosto começa mesmo na segunda-feira, né, o primeiro dia útil, certo? Certo.
E agosto é o mês eterno.
Exato. Julho já foi um pouco, a gente tava falando disso aqui na abertura. Mas é como se o seu vale-refeição— é como não, né? Para muita gente é assim, o seu vale-refeição vai do dia 3 ao dia 13.
Exatamente, isso aí.
Dia 12, né? Dia 13 já não tem. Ou seja, de segunda até a quarta seguinte. É, realmente, pessoal, tem alguma coisa errada nessa conta aí. Não tá fechando e não tá fechando para o trabalhador, obviamente, né?
Sim, exatamente. Assim, o que eles mostram inclusive, que é o período, né, dentro da série histórica que eles têm, que dura menos dias. Ou seja, a gente tá na pior situação né, digamos. No ano passado, por exemplo, durava em torno de 10 dias úteis, que já não era, né, muita coisa. Mas nos anos anteriores, 11 dias, 13 dias, que foi o ápice em 2022. Mentira, o ápice foi em 2019, que durava 18 dias. Olha a diferença, né? E por quê, né?
Por que que a gente vê isso? É perda de poder de compra, basicamente, né? Corroída aí pela inflação. E aí, quando a gente fala de inflação, a inflação principalmente de alimentos, nesse caso, caso, né, os restaurantes tá custando mais caro para eles fazerem, eles têm que repassar esse custo de alguma forma. E aí isso se reflete no nosso bolso. E a gente ainda tá falando só de uma refeição, né, em teoria é um benefício para uma refeição.
Então imagina quanto que a gente já não tá, né, despendendo nas outras refeições também. E como vocês comentaram, varia bastante inclusive o número de dias que dá, que ainda, né, dá para usar a Vale Refeição dependendo da região do país, dependendo do estado e da cidade. Obviamente que a gente tem a proporção aí do valor médio, que também varia, mas por exemplo, no Sudeste vale mais. Então em Minas Gerais dá para comer aí com 13 dias úteis, em 13 dias úteis.
Em São Paulo, 12 dias em média, né? Só que a gente vai, por exemplo, para o Norte e Nordeste, cai bastante. Roraima, por exemplo, 6 dias úteis. Maranhão, 7 dias úteis. Então assim, é uma diferença muito grande. Inclusive das regiões e cidades, né?
Mas olha, eu tô um pouco negativamente impressionada porque é um benefício que ele deveria ser feito para durar o mês inteiro. Já começa daí, né? Então assim, não tá durando. Ah, porque fiz um almoço mais caro aqui ou ali, e aí eu vou ficar 3 dias tendo que bancar ali o meu almoço. Beleza. Agora, uma semana, gente, um benefício que é feito para durar o ano todo, tá errado. Esse valor precisa ser reajustado, não?
É, precisa. É interessante, até quando eu olhei essa pesquisa, meninas, eu também achei curioso, porque intuitivamente a gente tende a pensar que São Paulo é mais caro, portanto a gente gasta mais. E realmente São Paulo é um dos lugares mais caros de comer. Você citou aí Marcela Faria Lima, é exatamente onde eu tô, e realmente é um lugar muito caro em todos os lugares. Até mesmo aqueles restaurantes que se propõem a ter uma refeição mais simples e mais acessível acaba tendo um custo superior ao que se recebe.
E quando a gente olha, né, ali no Nordeste, esse valor durar ainda menos, a gente tá falando de fato de estar tirando dinheiro do trabalhador. E aí é importante entender, né, esse benefício ele é um benefício que complementa a renda, ele não é que já foi no passado algo que de fato você conseguia comer o mês inteiro, mas hoje isso tá completamente diferente pelo que mostra essa pesquisa.
E aí o segredo precisa se planejar bem.
E aí o planejamento, ele passa não só de incorporar esse excedente no salário, ou seja, na despesa que você vai ter, que é o custo do teu trabalho. Nós custamos, né, a gente também paga um pouco para trabalhar, a parte da nossa renda fica retida por conta desses custos. Transporte é uma coisa diferente porque acaba sendo algo muito mais mensurável e fácil de se coordenar, mas quando a gente tá falando de alimentação é muito variável.
Então Isso precisa ser planejado. Uma outra coisa que também funciona muito e que é um hábito que hoje tá super popularizado é a tal da marmita. Isso funciona bem.
Aqui na redação temos muitos adeptos, inclusive dá para fazer a refeição em conjunto.
Eu sou uma, eu feito isso.
Dá para encontrar o pessoal do Valor no refeitório, Fernando no refeitório.
Hoje eu comi minha marmitinha também, que eu tinha que ficar até mais tarde. Eu geralmente vou para casa comer, que meu programa acaba cedo, mas quando eu fico mais tarde eu trago a minha marmita.
É uma forma de você comer mais saudável e mais barato. E uma outra coisa também que é muito curioso, que é um outro dado que eu vi recentemente, o efeito das canetas emagrecedoras, elas têm também mudado o perfil inclusive dos restaurantes, que as pessoas estão comendo menos e por isso a margem dos restaurantes está menor. Então eles estão refazendo os cardápios para quantidades mais reduzidas, mas a gente não ver muito o preço das porções ser reduzido na mesma proporção.
Apesar de popularizado, ainda não é algo exatamente de massa, canetas emagrecedoras. Então a gente tá falando de algumas bolhas aí, né, Ana?
É bom localizar, é bom deixar isso claro. Mas o curioso é que isso também gera um efeito que não é só individual, mas também econômico. Eu achei muito curioso esse dado. Então, por mais que isso ainda esteja represado em algumas pessoas de alta renda, porque a gente está falando de um medicamento caro, isso está fazendo com que a gente mude um comportamento da sociedade. E aí, voltando à nossa pauta aqui, né, do Vale Refeição e do Vale Alimentação, a marmita também está mudando o hábito, seja por comer mais saudável ou por uma questão econômica mesmo.
Então, para os adeptos da marmita, continuem nisso, porque é uma forma de organizar melhor o planejamento. E uma outra coisa também, algumas companhias, né, algumas empresas, elas oferecem a opção de você unificar alimentação com a refeição, ou seja, aquele valor de supermercado você converter ele para refeição ou vice-versa. Então tem muitas pessoas que estão aderindo à marmita e usando o benefício da refeição para alimentação, ou seja, para compras de supermercado.
Isso também é um jeito de você trazer economia. E aí um último ponto que é importante é também ter aí um gasto médio. Por exemplo, o aplicativo de algumas empresas sugerem um ticket médio a depender do seu saldo. Então, de novo, né, a inflação tá comendo o nosso poder de compra, não tem jeito, em todos os aspectos. Por mais que isso seja um benefício, ele é um benefício que ele é limitado, e a gente tá vendo que esse limite está ficando cada vez mais encolhido. Mas o planejamento pode ser uma boa solução aí para remediar essa situação.
Pois é, eu tava pensando nisso aqui, Ana, porque sim, a gente pode dar um jeitinho, né? Como é que eu aqui me viro de acordo com a minha rotina? Como é que a Marcela se vira de acordo com a rotina dela? Mas a gente tá falando de um problema estrutural, de um benefício que é coletivo, né? Como é que faz para transformar na estrutura? Quer dizer, as empresas precisam reajustar esses vale-refeição todo ano? Bom, tem os sindicatos das empresas, das categorias que negociam com as empresas também isso, né?
Mas o ideal seria as empresas reajustarem para que não se perca valor na hora de almoçar, né?
E acho que vale, Tati, só comentando esse ponto assim, em média pelo IPCA nos últimos 5 anos a gente tem uma inflação acumulada de mais de 30%. Os vales subiram nessa proporção, acho que já começa por aí. E outra coisa é a inflação da farinha Lima é muito diferente da inflação, né, do Butanta, digamos. Então também, né, poderia ser levado em consideração a localização exata das empresas nessas negociações coletivas.
Se bem que o Butanta também não tá brincadeira não, viu? Mas vamos em frente.
Inclusive, a inflação do Butanta deve ter maior do que a Faria Lima hoje em dia.
Você sabe aqui dos restaurantes aqui do entorno, né? Misericórdia.
Até porque aqui tem mais opção, né? Quando você tem também centros que tem mais opção, a comida acaba sendo mais competitiva. E assim, acho que vale lembrar também, né, que isso é um benefício. Então quando também o trabalhador negocia sua proposta de trabalho, seu contrato de trabalho, isso conta como um complemento. Então se seu salário é X mais os benefícios, ele se torna Y. E quando a gente vê parte disso não acompanhando o que é o custo de vida, a gente tá falando que o trabalhador também tá ficando defasado no seu pacote total, não apenas só no— não adianta reajustar o salário se os outros benefícios também não são reajustados nessa mesma forçando, porque daí a gente tá falando de fato de uma diminuição significativa no poder de compra.
Total. Alguém dizendo aqui, ó, o VR que usa sugere R$19,50 por dia. R$19,50 não paga nenhuma marmita. E alguém falando sobre uma organização que eu trabalhei, fui orientado a entrar em uma reunião com sindicato para aceitar 0% de aumento de vale-refeição. Foi o que eu disse, os sindicatos das categorias negociam com as empresas, mas é sempre bom lembrar que os sindicatos são feitos de pessoas, não é mesmo? E essas negociações são feitas periodicamente.
Tá bom. Ana, Nayara, obrigada por hoje. Um beijo para cada uma. Quem sabe a gente se encontra aí no refeitório semana que vem, né?
Beijo. Vamos marcar o almoço. Beijo, gente.
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