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Protocolos e treinamento da população podem reduzir mortes em desastres naturais

30 de julho de 202613min
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Luiz Fernando Correia alerta que, além dos avisos no celular quando há emergências climáticas, é fundamental que a população saiba exatamente o que fazer para reduzir riscos e salvar vidas.

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Participantes neste episódio3
L

Luiz Fernando Correia

HostComentarista
M

Marcelo

Co-hostPresidente
T

Tatiana

Co-host
Assuntos5
  • Desastres naturais e solidariedadeAlerta de ventos fortes · Terremoto no Japão · Protocolos de resposta a emergências · Treinamento da população · Onda de calor
  • Comparativo de resposta a desastresFuracão Irma na Flórida · Diferenças na mortalidade · Informação e treinamento constante
  • Fenômenos Naturais e GeográficosPlano de R$ 1 bilhão para El Niño · Combate a enchentes e secas · Apoio a populações vulneráveis · Emergência climática
  • Treino com CarlãoTreinamento de incêndio · Simulados práticos · Cultura de prevenção no Brasil
  • Uso do fórceps na medicinaInstrumento obstétrico · Indicação correta e técnica · Falta de treinamento e protocolo
Transcrição33 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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LFLuiz Fernando Correia

Saúde em Foco com Luiz Fernando Correia.

?Voz C

Oi, doutor, boa tarde.

LFLuiz Fernando Correia

Boa tarde, Tatiana. Boa tarde, Nadede. Quem tá com você hoje?

?Voz D

Sou eu, Professor Marcelo.

LFLuiz Fernando Correia

Desculpa, Marcelo, é que não apareceu aqui no vídeo, não sabia.

?Voz C

Tudo bem, acontece.

?Voz D

Tamo junto.

LFLuiz Fernando Correia

Beleza.

?Voz C

Vamos falar sobre os alertas disparados pela Defesa Civil, porque ontem mais ou menos eu ia falar mais ou menos nesse horário, mas eu acho que foi um pouco mais cedo que aqui em São Paulo a gente recebeu Foi antes do Estúdio CBN começar, foi um pouquinho antes das 2. Isso foi antes do Estúdio CBN começar. Recebemos um alerta da Defesa Civil sobre ventos muito fortes, dando algumas recomendações para as pessoas que estivessem em regiões onde essa ventania pudesse chegar.

Também nos últimos dias eu fiquei muito impressionada vendo as imagens do terremoto no Japão. Furgões se sacudindo, enfim, edificações caindo. Eu sempre fico muito impressionada com imagens de desastres naturais. E o Doutor Luiz Fernando quer falar hoje sobre os alertas. O que mais que se pode fazer, doutor, em relação a esses alertas para proteger a população?

LFLuiz Fernando Correia

É mais do que dos alertas, Tatiana. A gente acha que a gente tem que conversar sobre o que que tem que ser ensinado para as pessoas, na educação da população em geral, quando recebe o alerta. Porque eu comecei a pensar, raciocinando assim, o terremoto do Japão foi impressionante, como sempre é geralmente, né? Mas se pensar no tamanho daquela magnitude, né, a palavra até meio é pleonasmo, porque é assim que se mede, né? Da magnitude daquele terremoto, 34 mortos a gente pode achar que é pouco, né?

Você imagina aquele shopping que explodiu. Só que o que a gente não sabe, pouca gente sabe, é que antes daquele shopping, das pessoas ficarem presas lá dentro, infelizmente, e até falecerem na explosão, foram retiradas 30 mil pessoas daquele shopping, né? Antes disso. Antes do acontecido, porque deu tempo. Então, mais do que o alerta, é um treinamento que tem que ser feito nas autoridades, com as autoridades, com as instituições e com as pessoas, de como responder a esse alerta.

Porque responder um alerta de que teremos rajadas de vento acima de 100 km/h, e aí, o que que eu faço com isso na minha vida? Isso tá certo, é formal, é bonito, tá certo, já é maneiro, já é bom que a gente receba, mas o que que a gente tem que fazer? Você pode ir para onde? A gente assistiu no Rio de Janeiro uma coisa que a gente já viu, infelizmente já viu algumas vezes, pessoas morreram porque ficaram perto de um muro, talvez para se proteger do vento, e o muro caiu em cima das pessoas.

Marquises caem em cima de pessoas. Então tem umas coisas que são até intuitivas. Ninguém vai ficar embaixo de uma árvore que tá balançando, a árvore pode cair. Mas o muro, você não imagina que isso pode acontecer, só que não é treinado. Então eu acho que a gente precisa ter protocolos muito definidos. A gente tem conversado sobre isso bastante no Saúde em Foco aqui de manhã e de tarde. A gente tá com essa previsão de estamos já vivendo o super El Niño, ou El Niño acima da média.

E que vai trazer eventos naturais mais intensos. Então a gente tem que ter protocolos definidos e todo mundo conhecer. Não adianta resolver isso dentro dos sistemas formais e não informar e não educar a população com relação a isso. Ah, vai ter uma onda de calor com temperaturas acima de 45 graus, umidade baixa. Beleza, o que que eu faço com isso? Quem é que pode estar na rua? Pode ter aula? Não pode ter aula? Pode ter aulas de educação física, pode se fazer esporte, pode ter garimpo na rua recolhendo lixo ou não.

Isso tem que estar tranquilo e transparente para a população, gente. Porque uma vez, na época, eu passei aqui, né, eu tava já, eu não estava morando aqui, mas minha família tava, e a gente passou por aquele furacão Irma, que foi um dos maiores que teve em 2017, né. E ele matou centenas de pessoas no Caribe, várias centenas de pessoas no Caribe, e passou em cima da minha casa na Flórida. E na Flórida morreram duas pessoas. Sim, isso me chocou muito na época.

Eu comentei isso até na Globo News. Qual a diferença? Por que que morrem 200, 300 pessoas em países do Caribe e morrem duas pessoas nos Estados Unidos? Não é porque as casas são melhores, nada disso. É porque Primeiro, é um bombardeio de informação constante do que que tem que se fazer, aonde você pode ir, o que que tem que ser feito. E todo mundo é treinado a responder essas informações. Então a gente chegou nesse ponto do Brasil.

?Voz C

Sim, sim. Ontem, ontem, anteontem, governo federal lançou um plano de mais de R$1 bilhão para enfrentar os impactos do fenômeno El Niño, que, bom, a gente tá falando de fenômenos naturais. E também quando a gente fala fenômenos naturais, parece que a nossa natureza resolveu, como se o homem não tivesse nada a ver com isso. Como se a gente não tivesse diuturnamente destruindo o mundo, né? Mas enfim, o foco vai ser compra de estoque de alimentos, combate a enchentes florestais e apoio a populações vulneráveis.

Mas tô lembrando agora, desde a última grande enchente no Rio Grande do Sul, na época a gente discutiu muito emergência climática. É hoje, efeitos da emergência climática a gente tá sentindo hoje. Então o que é que prefeituras, estados e governo federal tem fazer para que a gente continue sobrevivendo nesse mundo que a gente tá modificando, né? Então, se estamos agindo e o planeta tá respondendo dessa maneira, como é que a gente faz para sobreviver nele, né?

Que medidas e políticas públicas têm que ser feitas hoje, agora, para ontem, para que uma nova enchente no sul não vitimize tantas pessoas novamente, para que ventanias como as que a gente teve ontem no Rio de Janeiro, em São Paulo, não mate pessoas, né, doutor?

LFLuiz Fernando Correia

É porque, mas é, isso é fundamental e é política pública, é importante que as autoridades estejam organizadas. Mas me preocupa muito, Tatiana, é até porque a gente tá nesse mundo de comunicação, é o que que é passado para população, né? Porque fazer, se organizar, administrar, a estrutura, a estrutura oficial que sabe fazer, eles sabem fazer seus planos, seus projetos, reunir, fazer milhares de seminários e discussões Agora, gente, o que que isso muda no dia a dia das pessoas?

É isso que as pessoas precisam saber. Mandar uma mensagem no celular: saia da rua, não volte para casa. Mas vem cá, eu saí para o trabalho, eu não tô aqui passeando.

?Voz C

Isso, esse vento me pegou no meio do caminho voltando para minha casa.

LFLuiz Fernando Correia

E agora? O que que agora? Qual vai ser minha vida? Eu vou ter trem? Eu vou ter ônibus? Como é que funciona, né? Isso tem que ser mais transparente e tem que ser mais treinado, que não pode acontecer na hora do do evento. Não vai ser resolvido sozinho, isso tem que ser resolvido previamente, combinado, treinado. Criança na escola tem que aprender se pode sair do prédio, se não pode, para onde corre. Cara, é isso que salva a vida.

O que salva a vida é protocolo e treinamento e repetição, sabe? Eu trabalhei muito tempo nesse mundo e vivi muito tempo nesse mundo de emergência e treinamento de preparação de evento. Então é chato, é A gente fica chato, fica. Eu fui um chato de galocha com essa coisa, porque eu entreguei até a idade com essa expressão.

?Voz C

Chato de galocha, realmente. Mas vamos em frente.

LFLuiz Fernando Correia

Dei mole, dei mole. Mas enfim, é isso que muda, é isso que salva a vida. É se a pessoa souber para onde é que ela corre, né?

?Voz D

Doutor, o Célio Cruz aqui, nosso ouvinte, disse o seguinte: que esteve em Valparaíso, no Chile, e mesmo sendo turista teve que participar de um treinamento para todos de como agir diante de tsunamis e terremotos. É o Célio Cruz, que mora no Recife.

LFLuiz Fernando Correia

É isso, quer dizer, você não tá, não tá, a gente tá no mundo, óbvio, a vida é complexa, tem riscos para tudo, mas existem coisas que podem ser prevenidas. E uma coisa que eu desafio muita gente, volta e meia, pessoal que tá no escritório escutando a gente: quantas vezes teve treinamento de incêndio no prédio onde você trabalha?

?Voz C

Você soube o que fazer?

LFLuiz Fernando Correia

Qual é? Como é que é? Você já ouviu o alarme? Ou vai tocar um negócio que você não sabe o que que é? Você corre para onde, né? Tem prédios que são extremamente bem organizados, ainda bem que seguem normas, mas tem muita gente, muito prédio que nunca fez. E só mandar um email: olha, nosso sistema, nosso protocolo, abra aqui, vamos fazer um treinamento online.

?Voz C

Não, gente, lá mesmo não funciona, tem que ser na prática.

LFLuiz Fernando Correia

Tem que ser hardcore mesmo, entendeu? Eu sou adepto de que toca o alarme sem avisar, a galera tem que se virar para sair do trabalho. E olha, eu lamento muito, todo mundo tem que parar de trabalhar 10 minutos para aprender para onde vai correr, cara. Porque se tiver um incêndio de verdade, tem que saber para onde vai. E a gente no Brasil, a gente não é muito adepto a essa cultura, infelizmente. Eu sou o chato que repete que tem que ser, tá bom, tá bom.

?Voz C

Tô aqui pensando coisas, porque além disso tudo a gente precisa parar de destruir o planeta, né? Porque senão aí não vai adiantar. Se não fechar a torneira, a gente vai como sobreviver, hein?

LFLuiz Fernando Correia

Olha só, não é aquela história de cada um tem que fazer a sua parte. Todos temos que fazer a parte de todos, né? Mas a gente, cada um insiste no que a gente sabe, né? A gente perturba o lado que a gente pode, tá bom? Essa é a— meu trabalho aqui é perturbar nesse negócio aqui, dizer, olha, a gente tem que treinar, a gente tem que saber onde é que você vai, tem que saber para onde é que sai, para onde é que corre, como corre, né?

Tudo isso é— e olha, se não ensinar isso desde o colégio, não entra na cabeça das pessoas, é muito difícil, viu?

?Voz C

Tá bom, obrigada por hoje, doutor. Um beijo para você, até terça-feira.

?Voz D

Ô doutor, deixa eu— posso, claro, antes da gente encerrar, só uma dúvida que ficou. Os ouvintes estão me cobrando aqui. Porque no quadro anterior com o professor Pasquale nós falamos sobre fórceps.

LFLuiz Fernando Correia

Aliás, ele mandou um abraço de volta, que eu ouvi o abraço que ele mandou.

?Voz D

Você ouviu o abraço? E aí ele questionou, né, os ouvintes estão aqui mandando pergunta do fórceps, pergunta do fórceps, se ainda é um instrumento utilizado hoje na medicina ou se já se tornou obsoleto.

LFLuiz Fernando Correia

Olha, o fórceps é um instrumento obstétrico que existe, ainda existe. A questão do fórceps é saber aplicar o fórceps na indicação correta, com a técnica correta, no paciente que precisa. O fórceps ganhou uma fama muito ruim por, enfim, acidentes que aconteceram e muito, muito sempre por falta de, mais uma vez, falta de treinamento e indicação de protocolo de quando utilizar aquilo, né? Você não vai pegar um alicate para bater um prego.

Então, da mesma forma, você vai pegar o fórceps na hora certa para fazer o procedimento naquela paciente que precisa para salvar aquele bebê. Se você usá-lo de maneira aleatória, tem grande chance de dar errado. O fósforo ainda existe, é cada vez menos utilizado, mas ele tá lá na estante. Pode ser que seja necessário. O problema é gente que saiba utilizar na hora certa, no paciente correto. Aliás, como tudo na vida, né?

?Voz C

Sim, sem dúvida. Obrigada, doutor. Até semana que vem.

LFLuiz Fernando Correia

Até semana que vem, gente. Valeu, bom fim de semana para todos.

?Voz D

Para você também.

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